Blade Of Fate
3 Saigos' Destruction
– Os Dark Blades?! Aqui?!
A população élfica entrou em pânico. Sabiam que os Dark Blades matariam cada um deles sem pensar duas vezes. “Sentimentos hipócritas”. Era o que Isaac costumava dizer sobre isso. Eles não querem ser mortos sem motivo, mas matam sem motivo.
Os guardas de Saigos logo se prepararam para conter o ataque, guerreiros, todos aparentemente treinados, fazendo a primeira linha de defesa, com vários arqueiros em tetos de casas e locais mais altos, tentando retirar os arqueiros inimigos de cima das muralhas, porém sem sucesso.
Vários barulhos começaram a ser ouvidos do grande portão da cidade. Ao que aparentava, os Dark Blades entrariam de qualquer jeito, mesmo a força. Após mais algumas pancadas com um grande aríete, o portão veio abaixo.
A cena que seguiu foi brutal. Os Dark Blades entraram na cidade cortando tudo que vissem, seja soldado, civil, ou até mesmo humano, enquanto os elfos respondiam com quase a mesma selvageria.
O sangue jorrava dos vários corpos que já haviam caído. E o barulho de metais se batendo não parava. Provavelmente não pararia até que somente todos de pelo menos uma das raças estivessem mortos. Porém não foi o que ocorreu.
– Argh... Só mais um pouco...! – Enquanto os soldados se matavam, Isaac tentava cortar as cordas que prendiam suas mãos com o machado que o carrasco havia deixado cair ao morrer. – Mais rápido... Mais rápido...! Huh?
O garoto ouviu algum barulho incomum naquele meio. Ao invés dos gritos de dor e das espadas, ele ouviu algo que parecia estar se movendo em imensa velocidade, como um grande estrondo. Ele olhou para o céu e no mesmo momento, gritou:
– O que diabos é isso?!
Pareciam meteoros. Imensas bolas de fogo que iam caindo no solo a uma velocidade incrível. Quando os soldados começaram a perceber, já era tarde demais. Eles estavam sendo queimados vivos pela grande quantidade de fogo que começou a invadir o local. Os que conseguiam escapar do fogo eram consumidos pelas espadas dos adversários. Era um verdadeiro inferno. Impossível de se sobreviver.
– Isso não faz sentido nenhum...! – Isaac tentava encontrar uma explicação pra tudo aquilo, enquanto observava aquele espetáculo amaldiçoado. – Huh?
O garoto sentiu alguém se aproximar dele a uma grande velocidade. Ele se vira e nota Karajan com uma adaga na mão e um olhar assassino no rosto.
– Olá, ladrãozinho... – Disse, com um tom raivoso e ao mesmo tempo sarcástico. – É incrível como no momento que finalmente vamos te matar, tantas coisas acontecem... – Ele então ajeita a adaga na mão. – Tudo bem, eu posso perder minha cidade... Mas você vai perder a sua vida...!
Karajan foi até Isaac com um olhar fixo e ameaçador. Isaac nada podia fazer, ainda estava preso pelas cordas. No momento que o homem ia finalmente acertá-lo, uma flecha chega perfurando o coração do governante, que caiu no chão, morto. Isaac se virou para ver de onde veio a flecha.
– Você está bem? – Um rapaz alto, de cabelos prateados e olhos verdes começou a falar. – Deixe-me tirar essas cordas, precisamos ser rápidos!
O homem cortou as cortas rapidamente e os dois entraram no castelo para se livrar do fogo que os cercava.
– Heh... Obrigado. – Disse Isaac, enquanto acostumava as mãos a estarem livres novamente.
O ladrão então notou que aquele era o homem que ele havia visto tocar a corneta de guerra alguns momentos antes. Ele tinha cabelos prateados lisos e curtos que escorriam pelo seu rosto e olhos verdes claros. Cerca de 1,80 de altura, aparentava ser forte, principalmente por causa da armadura pesada que usava. Nas suas costas, uma grande espada de duas mãos.
– Não é nada. – dizia – Humanos precisam se ajudar. Só não entendo essas bolas fogos. De onde será que vieram? Heh, não importa, apenas temos que sair da cidade o mais rápido possível.
– Huh? Não! – Isaac gritou, o que chamou a atenção do homem. – Eu não posso sair daqui!
– Assuntos pendentes, huh? Você sabe que vai apenas morrer se ficar, seja por aquelas bolas de fogo, seja pelas chamas, seja pelos elfos.
Isaac baixou a cabeça, sabia que era verdade, mas não queria admitir. Seu avô, e todos os outros que acreditavam nele estavam jogados a própria sorte.
– Ah, fazer o que. – Suspirou o homem. – Vamos resolver isso logo.
– Huh? Você vai me ajudar? Por quê?
– Não sei. Apenas sinto que devo. Mas precisamos nos apressar!
– Certo! – Disse Isaac. – Ah, é verdade!
O garoto foi até um canto, aonde havia um baú trancado. Ele rapidamente sacou uma lockpick para abri-lo.
– Hey, o que você está fazendo?
Isaac abriu o baú e pegou algumas coisas de dentro. Sua luva especial, duas espadas de ferro, uma pequena adaga e seu amuleto.
– Pronto! – Falou, enquanto ajeitava suas armas. – Vamos.
Os dois então saíram do castelo. As bolas de fogo já haviam parado de cair, mas o fogo estava queimando tudo por ali.
– Pra onde devemos ir? – Perguntou o homem.
– Sul daqui, é aonde vivem os humanos daqui! – Respondeu, já seguindo o caminho.
Após andarem um pouco, eles vêem três elfos com suas espadas em mãos, prontos para atacá-los.
– Eles realmente vão fazer isso?! – Isaac falou. – Olha a situação que estamos! Eles só pensam em lutar?!
– É pra isso que todos os soldados são treinados, garoto. – O homem disse, sacando sua espada. – Não adianta conversar. Apenas mate-os e vamos seguir em frente.
Isaac apenas fez um sinal positivo com a cabeça, enquanto pegava suas duas espadas. Os dois rapidamente mataram os elfos, que estavam cansados por causa dos acontecimentos passados. Eles continuaram seu caminho, matando qualquer soldado que tentasse pará-los.
– Devo admitir, você não é um mau lutador, garoto! – Disse o homem.
– Obrigado, mas acho que essa não é a hora para elogios!
Eles chegaram até a parte mais pobre da cidade, e como esperado, ela estava pior do que o resto. As casas, feitas de material mais fraco, já haviam despencado ou acabariam assim nos próximos minutos. Isaac estava na direção da casa de seu avô, até que algo o chamou a atenção.
– Não... Me diga que não é possível...
Ele havia avistado uma garota, toda machucada, com alguns destroços em cima dela. Era Chloe. Ele correu até ela e, após tirar tudo que a soterrava, tentou falar com ela.
– Chloe! Chloe! Me responda! Por favor! – Ele balançava a garota, até que ela começou a falar.
– Isaac...? – A voz fraca dizia.
– Chloe! – Lágrimas começaram a correr do rosto do rapaz. – Você está viva! E cadê os outros, cadê o Richard?!
– Eles... – Entre algumas pequenas tosses, a garota respondia. – Todos já morreram...
Isaac não conseguia conter o choro após aquela frase. O espanto e a tristeza o consumiram, e finalmente, após alguns segundos, ele continuou a falar.
– Me... Desculpe-me Chloe... Eu falhei com vocês. Com todos vocês.
– Hehe... – Ela deu uma risadinha baixa e respondeu. – Isaac, a culpa disso não é sua... E senão fosse por você, nós já teríamos morrido muito antes... Você até resolveu se sacrificar por nós...
– Não! Mas Chloe...!
– Você precisa ir ver o vovô... Não...? Se apresse...
– Mas...!
– Vocês têm assuntos pendentes... Certo...? Vá... – Após isso, a garota começou a fechar os olhos lentamente, como se não tivesse mais forças para deixá-los abertos.
– Chloe... CHLOE! – Mais lágrimas caíram de seus olhos. – DROGA! DROGA! DROGA! – Ele então sentiu uma mão em seu ombro.
– Garoto! Vamos logo! – Disse o homem, que havia ficado ao seu lado todo o tempo.
–... – Isaac parou por uns segundos. Até que se levantou e disse, já andando. – Sim. Vamos.
Após alguns poucos minutos, eles chegaram até a casa de Brody. Como era uma casa um pouco mais resistente, ela havia continuado de pé, porém o fogo já começava a invadir o interior dela. Isaac abriu a porta o mais depressa que pode.
– VÔ! – Ele gritou, para então achar o seu avô sentado na mesma cadeira que ele havia achado na noite passada. – Vô...
– Olá, Isaac. Vejo que continua vivo.
– Vô, chega de falar! Nós precisamos sair daqui!
– Não existe “nós” nisso. – O velho falou, seco.
– Huh?! – O desespero do garoto se tornava aparente. – O que quer dizer, vô?! Nós iremos morrer se continuarmos aqui!
– Isaac! Você não percebe?! – Ele gritou, fazendo com que o garoto se espantasse. – Eu não posso sair daqui.
– Vô...
– Eu sou muito velho, não conseguiria acompanhar você. É a hora de você aprender a se virar, Isaac.
– Mas vô... Eu preciso de você! Eu não quero perder mais ninguém!
– Eu vou morrer mais cedo ou mais tarde... Não há porque nós adiarmos o inevitável, não?
– Mas...! – Isaac então notou que o teto da casa começava a rachar. – Não seja teimoso, vô!
– Por favor, Isaac... – Brody então pegou a velha espada Greyveil que estava com ele. – Fique com isto. Agora você precisa aceita-lá.
– Não! Pare com isso!
– Isaac! – Ele gritou, e Isaac mais uma vez se espantou. – É uma ordem, você precisa aceitar.
O garoto então lentamente colocou suas mãos na espada quebrada, e trouxe-a para junto de si. O teto começou a fazer mais barulhos.
– Ótimo... – Disse o velho. – Agora sim. Adeus, Isaac. Espero que seu futuro seja tão próspero quanto o passado de nossa família. Boa sorte.
O teto começou a cair. Brody empurrou o garoto para que ele não fosse pego pelo impacto. A casa, parte consumida pelo fogo, estava desabando.
– Vô... – O garoto então saiu da casa, e de fora, pode ver ela começar a cair.
Muitas coisas começavam a passar pela cabeça de Isaac. Tantos pensamentos ao mesmo tempo. Mas mesmo assim, a única coisa que ele conseguiu fazer foi se ajoelhar no chão, com os olhos cheios de lágrimas, e gritar.
– VÔ...! MALDIÇÃO! MALDIÇÃO! DROGA!
– Garoto! Nós precisamos sair daqui logo! – O homem tentou ajudar Isaac a levantar, enquanto ainda falava. – Se continuarmos aqui, o fogo vai ficar tão forte que vamos morrer aqui mesmo, seja pelo calor, seja pela fumaça!
Isaac, meio relutante, concordou e seguiu para fora das muralhas com o homem. De fora, puderam ver os momentos finais de Saigos, que havia sido totalmente consumida pelas chamas. O garoto continuava a chorar, enquanto observava seu passado ser queimado.
– Hmpf... Conseguimos. – O homem então foi até uma árvore, e retirou algo de trás dela, alguns sacos. Ele então deu os sacos para Isaac. – Tome.
– Huh...?
– Goldensgreek fica a cinco dias naquela direção. – Falou, enquanto apontava para o norte. – Ai tem suprimentos suficientes para uma semana. Creio que em Goldensgreek você conseguirá começar uma vida nova.
– Hey! O que quer dizer com isso?
– Goldensgreek é uma cidade livre. O senhor da cidade, Logan Greenfield, ainda não decidiu qual lado ele irá se juntar. Embora não seja bem uma opção. – Ele parou por alguns segundos, e continuou. – De qualquer forma, é uma cidade rica, deve haver trabalho para você conseguir, caso não seja muito seletivo.
–Huh... Obrigado. – Ele então ofereceu a mão para o homem. – Meu nome é Isaac Greyveil, e realmente, obrigado por tudo.
– Hah... – O homem aceitou o cumprimento, apertando a mão de Isaac. – Eu me chamo Cody. E não há de que, Isaac.
– Mas então Cody, o que você vai fazer agora?
– Eu vou para o oeste. Tenho que voltar a Winterfield, mas antes, tenho que me reunir com os soldados sobreviventes.
– Então isso é um adeus.
– Sim, amigo. Adeus, e boa sorte.
– O mesmo para você.
Os dois se despedem, seguindo para caminhos diferentes. Isaac começou a seguir para o norte, sem parar, para finalmente tentar recomeçar sua vida na cidade de Goldensgreek.
Fim do capítulo 2
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