Blade Of Fate
4 A Assassin's Path
Já faz cinco dias desde que Saigos foi destruída por um acontecimento misterioso. Cinco dias também é o tempo que Isaac vem viajando para chegar, como Cody havia sugerido, à Goldensgreek, a cidade livre. Embora ele nunca na vida tivesse ficado no mesmo local, pelo menos ele sabia que teria seu avô caso precisasse. Agora ele não tinha nada nem ninguém.
Após alguns minutos de caminhada por aquela estrada, ele nota uma silhueta se movimentando rapidamente. Era uma pessoa que vestia um sobretudo marrom, na realidade, nem um sobretudo era, mas somente um pedaço de pano que cobria todo o corpo do ser em questão.
– Mas o que...? – O garoto falava baixinho, enquanto observava aquela cena ligeiramente cômica. – Hm... Está se aproximando.
A silhueta se aproximava e já dava para perceber mechas de cabelos negros e ligeiramente curtos. Também dava para notar que era alto, um pouco mais que Isaac. Ele se aproximava até chegar a Isaac, que o parou perguntando:
– Hey! Pra que tanta pressa? – Ele então nota as feições masculinas e os olhos azuis, assim como a voz grossa que lhe falava.
– Não tenho tempo para isso, amigo!
Os dois então ouviram barulhos de cavalos trotando. Ao longe se percebia alguns cavaleiros com o símbolo de Goldensgreek em suas armaduras.
– Droga! – Disse o homem. Ele então percebeu uma pequena gruta com uma abertura muito pequena ao lado da estrada. – Entre aí! Rápido!
– Hey! Porque isso? – Isaac dizia, irritado, enquanto era empurrado para dentro da gruta.
– Não pergunte, apenas entre! Você não vai querer ser encontrado junto comigo!
Os dois entraram na gruta, e, encolhidos num canto, ficaram quietos esperando os cavaleiros passarem.
– No que eu fui me meter... – Isaac pensava, enquanto ouvia o trotar dos cavalos. – Esse cara deve ser um ladrão procurado... Se descobrirem sobre meu passado, vou estar encrencado!
Passaram-se alguns minutos e Isaac ameaçava se levantar, apenas para ser impedido pelo homem.
– Não vá ainda! – ele o segurava pelo braço, o impedindo de continuar. – Eles devem estar na região ainda!
– Quanto tempo você quer que eu fique, droga?!
– Apenas o suficiente para não haver problemas! Isso pode ser ruim tanto para você quanto para mim!
– Hmpf... – ele concorda com a cabeça e volta a se sentar no canto da gruta.
Após alguns minutos, porém, ouve-se um barulho alto. Isaac olha fixamente para o homem, que retribui com um olhar “Me desculpe”.
– Me desculpe, já faz horas que não como nada... – disse, com um sorriso envergonhado.
– Hmpf... – Isaac pega a sacola que Cody havia lhe dado, e entrega para o homem. – Tome. Aqui tem comida e água.
– É sério...? – perguntou, para ser respondido com um sinal de positivo com a cabeça pelo outro. – Muito obrigado!
Os próximos minutos passaram com ele comendo e bebendo e com Isaac tentando dormir, logo ao lado. Após algum tempo, o homem se levanta e diz:
– Eu acho que já está tudo bem, já podemos sair!
– Ótimo. Não agüentava mais ficar parado.
– Hah! Agora você vai poder esticar as pernas! De qualquer jeito, de onde você vem? Você não tem cara de andarilho ou de aventureiro.
– Eu venho de Saigos. A cidade foi destruída faz alguns dias.
– Destruída, huh? Eu ouvi alguns rumores, mas essa é a primeira vez que vejo alguém dizer isso com tanta certeza. – Ele então levou a mão ao rosto e fez um olhar pensativo. – Hmm... Isso muda tudo...
– Huh? Muda o que?
– Ah! Nada! Mas então, se Saigos foi destruída, para onde você está indo?
– Um conhecido meu me disse para ir para Goldensgreek, a cidade livre. Disse que eu posso conseguir reconstruir minha vida lá.
– Heh... Cidade livre... Ganhamos um bom apelido...
– O que?
– Nada! Enfim, eu vou indo, tenho que continuar meu caminho.
– Certo. Eu também vou indo. Boa viagem, nos vemos por aí.
– Hah! – ele então começou a andar na direção oposta a de Isaac. – Até breve! E não se preocupe, nós iremos nos ver novamente!
Os dois se despediram e seguiram seus próprios caminhos.
Isaac continuou a andar, e pouco antes de anoitecer, chega às muralhas de Goldensgreek. As muralhas eram muito em guardadas, por um momento, Isaac duvidou quem uma cidade com tantos guardas fosse “livre”. Ele continuou até os portões, aonde um guarda o parou.
– Alto! Diga de onde vens e o motivo de sua viagem!
– Venho de Saigos, a cidade foi destruída. Procuro abrigo.
– Certo. O Senhor avisou para deixar sobreviventes entrarem. Seja bem vindo à Goldensgreek!
– Obrigado. Mas porque toda essa segurança?
– Por causa da guerra, meu amigo. – o guarda então parou por um segundo, e continuou. – Goldensgreek é uma cidade livre, mas isso não agrada os Dark Blades e os High Elves, por isso é preciso estar sempre alerta.
– Huh, certo. Obrigado.
O garoto então entrou na cidade. Ela era linda. Era incrível como as casas e ruas pareciam brilhar. Havia árvores e animais menores por toda a parte, dando um aspecto rural. Havia também elfos e humanos andando por ali, como se fossem iguais, algo que impressionou o jovem.
– Parece que todos que não querem tomar parte na guerra vêm para cá. – Pensou.
Goldensgreek, considerada a atual pérola de Celes, era uma cidade criada para substituir as cidades destruídas na 1º Guerra Civil e na guerra contra Rezequias, a chamada Guerra Mágica. Por ser uma cidade “substituta”, tanto elfos como humanos foram para lá tentar reconstruir suas vidas, criando assim uma cidade “livre”. A família que se tornou a liderança da cidade era a família Greenfield, que estava começando a se tornar poderosa no continente, principalmente após a queda das maiores famílias de Celes por causa das guerras, entre elas, a Greyveil.
Atualmente, a cidade é uma das ultimas que ainda não decidiu sua aliança na guerra. O chefe de família dos Greenfield fazia o máximo para permanecer neutro. Quando ele se aposentou da liderança de Goldensgreek, seu filho mais velho começou a governar, seguindo os mesmos ideais de paz entre raças de seu pai.
O garoto começou a andar pela cidade, pensando no que fazer. Ele entra no local que fica o mercado da cidade. Pelo horário, alguns já estavam fechando. Isaac então ouve uma voz se dirigindo a ele.
– Hey, amigo, já pensou em se entregar pelos seus crimes?
Ele olha para o local de onde veio a voz. Um elfo, que estava atrás de um balcão – provavelmente um mercador – olhava fixamente para ele com um sorriso no rosto.
– O que você disse? – o garoto respondeu com um olhar ameaçador.
– Espadas, uma adaga, uma dessas famosas “Glove Bow” e sem nenhuma armadura. Ou você é um ladrão, ou um assassino, ou um idiota. Não importa a resposta, você não é alguém “bem vindo” numa sociedade “do bem”.
O elfo era um pouco mais baixo que Isaac, cabelos azuis ligeiramente compridos que cobriam parcialmente suas orelhas. Olhos verdes que aparentavam uma alegria irônica. Isaac logo respondeu:
– O que você tem haver com isso?
– Ora, ora... – ele saiu do balcão e voltou a falar. – Eu sou a pessoa que pode fazer você ser “bem vindo” nessa sociedade!
– O que quer dizer? – ele começava a ficar interessado no assunto.
– Você não tem uma casa para cair morto e nem dinheiro para continuar vivo. Eu posso te conseguir os dois.
– Como?
– Trabalhe para mim como um mercenário. Todos os trabalhos pagam bem e em pouco tempo você estará rico!
– Quem exatamente é você?
– Meu nome é Ryan Barret. Um simples mercador... E também quem cuida de todos os trabalhos mercenários nessa cidade.
– Heh... Isso parece interessante, Ryan.
– Eu sabia que você iria se interessar, amigo.
– Meu nome é Isaac Greyveil, da cidade de Saigos.
– Um Greyveil, huh? Achei que todos estivessem mortos. Enfim, eu posso conseguir uma casa e mantimentos ainda esta noite.
– E o que tenho que fazer?
Ryan então começou a folhear em seus papéis, até que tirou três folhas.
– Preciso que você realize esses três trabalhos para mim.
Nas sombras da noite, Isaac se esgueirava pelos pontos mais negros da cidade, enquanto lembrava-se das instruções de Ryan.
“O primeiro alvo é um soldado corrupto da cidade. Suas ações são encobertas por nobres, por isso as camadas populares da cidade estão encomendando sua morte. Ele vai patrulhar sozinho esta noite. Alvo fácil.”
O garoto então observa o soldado que, equipado de tocha e espada, andava calmamente pelas ruas da cidade. Isaac tenta se aproximar do soldado, e para isso, cria uma distração – com sua Glove Bow, atira uma pequena flecha de energia numa pequena pilha de baldes que estava num dos lados da rua. Surpreso pela queda de baldes, o guarda vai até lá, tentando ver o que o causou.
– Hmm... – ele observava os baldes, tentando achar o motivo da queda. – Não parece ser nada... Talvez algum animal tenha passado correndo e derrubado.
Mal ele havia notado que, junto às sombras, do seu lado, Isaac já empunhava sua adaga, e, com um corte rápido no pescoço, matou o homem, rapidamente.
– Primeiro trabalho... Pronto. – pensava, em triunfo.
“O segundo trabalho é em relação a um mercador daqui. Ele tem monopólio em relação à venda de carnes por causa do apoio de um nobre da cidade. Ele não deve ser morto, porém o cliente o quer preso. Basicamente você deve invadir a casa de uma família nobre e roubar uma jóia especial deles. Depois você deve invadir a casa desse mercador e guardar a jóia em algum lugar para que os soldados, quando forem revistar a casa sobre uma denúncia de roubo achem.”
Roubar a jóia foi fácil. Isaac era especialista nisso. Porém ele nunca imaginaria que algum dia iria colocar algo de valor em outra casa.
Entrando na casa, que era ligeiramente maior que a dos outros mercadores, com um de seus “lockpicks”, ele tenta observar algum bom local para colocar a tal jóia. Andando com a máxima discrição, ele abre um armário. Pronto para colocar a jóia lá, ele dá uma rápida observada nela: era um amuleto branco com uma pedra com uma coloração púrpura levemente avermelhada dentro. Pelo pouco que Isaac conhecia sobre geologia, ele poderia dizer que se tratava de uma alexandrita. Não se importando muito sobre esse detalhe, ele simplesmente guardou o amuleto no armário e foi embora.
“E finalmente, o terceiro trabalho. Esse é um pouco mais mal-intencionado, se você me permite dizer. Você deve invadir a casa de um elfo. O motivo? Ele é ligado aos Silversuns, família que lidera os High Elves, de uma maneira que não sei explicar. Mas você também não deveria se importar com os motivos do trabalho, não? Apenas mate-o, e finalmente acabará os ‘trabalhinhos’.”
Isaac se esgueirava pelo muro da casa do elfo. Vinha luz de dentro – ele estava acordado. Não que Isaac se importasse, claro. Entrando por uma janela que estava levemente aberta, ele começou a notar a casa em que aquele elfo morava.
– Parece ser uma casa muito simples para alguém ligado aos Silversuns...
Ele continuou pelos cômodos até achar o elfo em frente de sua mesa. Ele parecia estar escrevendo algo, talvez algum tipo de carta. Ele aparentava ter uns 40, 50 anos, pela barba levemente comprida e os cabelos que já estavam ficando mais esbranquiçados. Sem maiores delongas, Isaac, entrou na sala onde ele estava, e, após chegar próximo o bastante do alvo, o atacou com sua adaga, usando o mesmo método que havia usado no guarda, há pouco tempo – um corte no pescoço.
– E isso termina os primeiros trabalhos... Huh?
O jovem então notou o que ele estava escrevendo. Era realmente uma carta, mas não parecia ser uma qualquer. Estava com um selo especial dos Silversuns, o que significava que o destinatário era alguém da família. Ele deu uma olhada rápida na carta, “Talvez possa ter algo útil.”, ele havia pensado. Pura perda de tempo. Era uma carta para uma garota chamada “Anna”, que estudava em algum local longe de Goldensgreek. Falava apenas de coisas pessoais, e por isso Isaac logo a largou, não havia motivos para ler aquilo. Ele então, saindo da casa pelo mesmo local que entrou, começava a se lembrar das últimas palavras de Ryan.
“Quando finalmente tiver terminado as missões, venha até mim na minha casa. Lá eu te darei o resto do prometido.”
O garoto chegou até a casa de Ryan, porém não do jeito habitual. No segundo andar da casa, ele bateu na janela do quarto do elfo, que abriu rapidamente.
– Hoh... – Ryan não conseguia esconder a surpresa de ver o garoto no segundo andar, de pé na “varanda” (Red: não consegui achar termo melhor) da casa. – Você voltou cedo.
– É... Você me deu coisas fáceis para fazer, também...
– Impressionante. – ele então saiu rapidamente para pegar algumas coisas, voltando com uma chave, um papel, e uma sacola. – Aqui está minha parte do acordo. Essa chave abre a casa que está no endereço escrito no papel, e claro, mantimentos para um mês.
– Ótimo. – Isaac faz feição de ir embora, mas Ryan o para antes.
– E não se esqueça, se tiver precisando de dinheiro ou qualquer coisa, eu sempre tenho trabalhos para serem feitos... – ele parou por um segundo e continuou. – e é sempre bom ter pessoas que trabalhem bem e rápido como você.
– Que seja... – o garoto então finalmente saiu. – Até outra hora.
Isaac chegou até a casa que seria pra ele, e, abrindo ela, notou que era realmente um belo lugar. Talvez não exatamente limpo – obviamente não havia sido limpo faz algum tempo – mas era um lar pra ele, e isso já estava bom. Ele guardou os mantimentos que Ryan lhe deu e deitou-se na grande cama que estava no quarto. Já fazia quase uma semana que ele não sentia o conforto de se deitar numa cama de verdade. Com o tempo, ele simplesmente acaba caindo no sono.
Uma sala levemente iluminada, dois homens conversavam.
– E então, algo de novo hoje? – o primeiro perguntou.
– O normal de sempre. Ainda não consegui achar alguém para realizar o trabalho.
– Droga. Quanto tempo mais teremos que esperar?!
– Espere! – ele interrompeu o outro. – Eu disse que ainda não consegui achar alguém, mas...
– Você achou algum possível potencial?
– Sim. Enquanto eu estava no mercado, vi um garoto falando com o Barret. – ele então parou para lembrar-se de mais detalhes, e continuou. – Ele era um Greyveil.
– Um Greyveil?! – o primeiro se espantou. – Você realmente acha que um Greyveil faria esse trabalho para nós?! Você enlouqueceu?!
– Me escute! – o outro parou, como se dizesse “fale”. – Esse garoto é um ladrão, um assassino, apenas um mercenário.
– Um mercenário? O quanto caiu a família Greyveil...?
– Pelo que eu consegui entender, é um garoto pobre que veio de Saigos... Sabe, a cidade purificada.
– Interessante. Observe o garoto. Se ele se provar bom o bastante, o contate.
– Como quiser.
O segundo homem então saiu da sala, deixando o primeiro sozinho. Ele olhou para a lua pela janela e então falou:
– Sim... Se conseguirmos o fazer realizar este trabalho... Talvez o plano funcione... É tudo uma questão de tempo.
Fim do capítulo 3
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