Blade Of Fate
2 Renegade Thief
– Dois homens no canto esquerdo, luzes iluminando até 82% da sala. O restante está no meio do ângulo de visão de um dos homens... Haha, fácil.
Uma silhueta passava rapidamente pela sala iluminada, pouco antes de entrar no campo de visão dos guardas, apontou sua luva para um vaso no canto oposto da sala. Da luva saiu uma pequena flecha feita de energia. A flecha acertou o vaso, que quebrou na hora. Os dois homens foram até o local onde o vaso estava para investigar o ocorrido. Neste momento, a silhueta andou silenciosamente até o corredor do outro lado da sala.
– Aqui a escuridão reina novamente, não há jeito de me acharem.
Esta pessoa seguia o seu caminho silenciosamente pelo local, se escondendo de todos os guardas que protegiam o local. Ele chegou a uma porta trancada, usando um “lockpick”, destrancou-a. Adentrando a sala, viu um cofre e disse:
– Então foi isso que chegou de Reigz semana passada... Bom, agora é meu...!
Ele rapidamente pegou outra lockpick e destrancou o cofre, que continha vários sacos, que pareciam conter moedas de ouro.
– Sorte sua que só tenho duas mãos, elfo maldito... Huh?
Ele ouviu passos vindo do corredor que iam em sua direção. Poucos segundos depois, um guarda chegou à sala.
– Essa porta não deveria estar aberta... – O guarda então sacou uma espada, e entrou na sala só para achar o cofre quase vazio. – Fomos roubados!
O guarda então notou a janela, antes trancada com vários cadeados, aberta.
– Ele está lá fora! – Gritou o guarda. – Todos procurem o sujeito!
Em cima do castelo, o homem contava parte do dinheiro. Seu rosto não conseguia ser visto por causa do capuz que o cobria e que se ligava a capa que estava sobre suas costas.
– Eu realmente esperava que tivesse mais dinheiro aqui... – dizia, enquanto guardava as moedas. – Huh?
Alguns guardas chegaram até o topo do castelo e o avistaram.
– Hey! Você, ladrão!
– Hehe... – O homem deu uma risadinha e se levantou com os sacos de dinheiro, enquanto se dirigia a beirada. – Desculpe-me, seu guarda, mas eu tenho que ir embora! Depois você me conta as novidades, certo?
– Hey! Parado!
Antes que os guardas pudessem chegar até ele, ele saltou do topo do castelo. Ele chega até o chão, e ao se agachar, seu capuz sai, mostrando o rosto do homem. Cabelos vermelhos e ligeiramente arrepiados e olhos também vermelhos que mostravam certa superioridade estavam estampados no rosto do rapaz, que sorria incessantemente.
O garoto então olhou para suas redondezas e notou cerca de seis guardas que lhe cercavam. Um deles, que parecia de maior patente que os outros, falou:
– Ora, ora... Se não é Isaac Greyveil... Faz um tempo, não?
Isaac Greyveil, 22 anos, auto-proclamado ladrão. Vive nesta cidade, Saigos, desde que se lembra como pessoa. Um garoto de 1,72m de altura e porte mediano. Os cabelos vermelhos e os olhos também vermelhos a ponto de lembrar sangue, eram as características mais marcantes do ladrão, que sempre usava uma capa preta que cobria grande parte do seu corpo, essa capa também continha um capuz, que escondia suas “características marcantes”.
– Olá, Cid. – Dizia o garoto, num tom amigável, que começava a ficar sarcástico com o passar das palavras. – Quem diria que um humano um dia estaria ajudando um elfo... Você não passa de um traidor.
Cidolf Rick, 23 anos, cabelos brancos totalmente arrepiados e olhos azuis claros. Viveu durante muito tempo com os humanos pobres de Saigos, até que foi contratado como guarda do Senhor da cidade, Karajan.
– Não fale sobre o que não sabe, Isaac. Melhor engolir o orgulho e viver, do que morrer achando que o orgulho é mais importante. Mas quem eu estou querendo enganar, não é? Você é um ladrão, um homem desonrado! Você realmente acha que eu ser um traidor justifica a sua desonestidade? Se você me entendeu, apenas se entregue, sim?
– Me desculpe, Cid. – Disse Isaac, se levantando. – Mas não tenho intenção nenhuma de ir preso!
O garoto então rapidamente colocou a mão num de seus bolsos e retirou uma bomba de fumaça e a jogou no chão. A fumaça cobriu a visão de todos os guardas em poucos segundos.
– *Cof* *Cof* Não deixem-o escapar! – Gritou Cid para os guardas.
Embora tentassem pegar o ladrão, após a dispersão da fumaça, Isaac havia sumido.
– Hmpf. – Cid falou. – Fugiu, como o covarde que é.
Alguns minutos depois, Isaac estava voltando para casa, com os sacos de dinheiro escondidos debaixo da capa.
– Dessa vez foi quase... – Pensou o garoto. – Terei que tomar mais cuidado na próxima, com o Cid não se brinca. Huh?
– Isaac! Isaac! – Duas crianças se aproximavam dele.
– Ah, Richard, Chloe. Vocês não deviam estar acordados há esta hora.
– Nós estávamos te esperando, Isaac! – Disse a garotinha. – Como foi lá?
– Tudo perfeito, consegui alcançar meu objetivo, como sempre.
– Isso é ótimo! – dizia o garoto, com um grande sorriso no rosto. – Isaac, o vovô queria falar contigo, e ele disse que era urgente!
– Então é melhor irmos, não?
Eles começaram a entrar na parte pobre de Saigos. Casas simples, pequenas, algumas quebradas ou queimadas. Naquela “vila”, só vivam humanos, que eram obrigados a pagar maiores impostos e a trabalhar mais por menores remunerações, tudo por causa do conflito civil que ocorre desde a morte do Imperador. Neste quesito, Saigos era o melhor exemplo da guerra. Uma total diferenciação entre elfos e humanos, em todos os possíveis quesitos. Era na parte pobre – humana – da cidade que Isaac cresceu.
Eles continuaram andando até chegar numa casa meio que caindo aos pedaços. Isaac foi entrando, sem esperar. A casa era totalmente diferenciada, havia quadros bonitos, porém a maioria estava com algum problema, do mesmo jeito que os móveis, que estavam em mau estado. Numa cadeira no fundo, um velho lia um livro calmamente.
– Olá, vô. – Isaac falou, a voz extremamente calma.
– Olá, Isaac. – O velho começou a falar. – Você demorou.
Brody Greyveil, um velho homem de cabelos já brancos e voz grossa que viu todas as mudanças de Saigos nos últimos anos. É chamado por todos de “vô”, embora seja apenas de Isaac.
– Você queria falar comigo, vô?
– Sim, mas primeiro, guarde esses sacos.
O garoto então guarda os sacos de ouro e se senta numa cadeira numa cadeira do lado de Brody.
– Isaac, não está na hora de ir embora daqui?
– Por que você diz isso?
– Não há nada nesta cidade para alguém jovem como você. Até o seu pai, após a morte de sua mãe, resolveu ir embora para tentar melhorar a sua vida.
– Eu não vou deixá-lo, vô, vocês todos precisam demais de mim para deixá-los. – Ele então segura um pequeno amuleto que carregava no pescoço. – E não ponha o maldito do meu pai nisso.
– Isaac, tu conheces a história da família Greyveil, não? – Disse, enquanto se levantava e ia até outra sala.
– Nós éramos uma grande e rica família, importante em toda Celes, que foi a ruína durante o fim da 1º era, não? – ele seguiu o velho.
– Sim. Nós éramos uma família muito importante, de uma cidade no centro de Celes, hoje destruída. – ele continuou andando até o fim da sala, aonde uma toalha cobria um objeto volumoso. – Porém, após todos os filhos morrerem durante a guerra contra Rezequias, a família ficou sem herdeiros. Porém a filha mais nova continuou viva, mesmo após a guerra, e com isso o nome Greyveil ainda existe, embora seja apenas uma sombra do que um dia foi.
– E o que isso tem haver?
– Isaac, nos Greyveil sempre existiu o sangue de heróis, aventureiros, pessoas que fizeram de suas próprias vidas uma existência que orgulhou a si mesmos. Não quero que sua vida seja desperdiçada nessa cidade, que não tem mais nada para você. E é por isso... – ele então levantou o pano do objeto, mostrando um mostruário de vidro, que continha uma espada nele. – Que quero que você fique com a espada da família Greyveil.
Não era exatamente uma espada, era somente a metade dela, sendo que nem era a parte que continha a ponta, porém você podia perceber alguma energia vinda daquela espada. O punho dela era negro e parecia conter uma pedra vermelha no meio. O pedaço da lâmina, quebrado, era cinza beirando o preto.
– Essa espada... – Isaac estava pasmo, aquela espada havia passado por vários Greyveils.
– Então, Isaac, aceita?
– Huh...? – O garoto saiu do transe causado pela espada. – Ah, não! Eu já falei que não vou abandonar vocês!
– Hmpf, garoto teimoso. – O velho colocou de volta o pano e andou para fora daquela sala. – Um dia você vai entender o caminho que um Greyveil deve seguir. O caminho de um herói, não de um ladrãozinho barato.
– Ladrãozinho barato? Vô, você não sabe o que está dizendo!
– Você, desde criança, sempre lutou somente para sobreviver. Começou a roubar como necessidade. Já é tempo de parar com isso! Você se recusa até a usar os poderes que tem!
O garoto ficou em silêncio, cerrando os dentes e apertando forte o punho.
– Você está errado. – Falou. Após alguns segundos, virou de costas para o velho. – Talvez o começo tenha mesmo sido por necessidade, porém isso é o que eu sei e gosto de fazer. Roubar é o que me trouxe até hoje e é por causa das minhas habilidades especificas que eu estou aqui, não por causa de um poder que eu não sei quando vai acabar. – Ele então começa a andar para fora da sala. – E também, ser um herói está fora de cogitação, não é algo que eu quero para mim mesmo. Heroísmo é algo idiota e idealizado. E no fim, eu sou apenas um garoto egoísta.
Isaac sai da sala e entra num quarto, o quarto que costuma dormir quando acha seguro. – já que é procurado na cidade, sempre muda de local para não ter muitos problemas -. Ele olha para o lampião, e coloca um dedo perto da vela. Ela acende.
– Este poder, huh.
O garoto então pega o amuleto que estava em seu pescoço. Um pequeno circulo que lembrava metade do sol e metade da lua, com um lado claro e outro negro.
– Mãe... – Ele falou baixo, para si mesmo. – Será que estou fazendo as decisões corretas?
Ele não pensou muito, após alguns minutos, deitou e caiu no sono.
Na manhã seguinte, Isaac é acordado por várias batidas na porta da frente. Ele sai do seu quarto e espera seu avô ir abrir, enquanto apenas observa escondido, por via das dúvidas.
Na porta, um homem de armadura, um elfo. Era um guarda, com certeza. Ele começou a falar para Brody.
– Senhor, pode me acompanhar? Temos um comunicado a fazer e precisamos que todos ouçam.
Brody concordou e seguiu o elfo. Isaac ficou preocupado e resolveu seguir também, a uma distância segura. No meio da pequena vila, estavam todos reunidos, vários guardas também estavam lá. No fundo, podia se ver o comandante da guarda da cidade conversando com Karajan, Senhor de Saigos. Era mais sério do que todos imaginavam.
– Olá a todos! – disse o comandante. – Precisamos da cooperação de vocês! Procuramos o ladrão Isaac Greyveil e sabemos que um de vocês está escondendo ele! Quem quer que seja, se entregue e entregue o ladrão, e sua pena talvez seja menor.
Os humanos que estavam ali continuaram quietos. O comandante então continuou:
– Ninguém? Bom, vocês têm duas opções: entregar o ladrão e viver; ou morrerem, todos.
Todos permaneceram calados, fazendo comandante se irritar.
– Então é isso? Vocês preferem proteger um ladrão à própria vida?!
– Nós estaremos mortos de ambas as maneiras! – Disse um humano, ali no meio da multidão.
– E esse “ladrão” é que nos faz conseguir viver! – Disse outro.
E eles continuaram ali, gritando aquelas frases de contrariedade às ordens do comandante, até que este se irrita.
– Calem-se! Vocês cavaram a própria cova! Guardas, matem todos!
Os vários guardas presentes sacaram suas espadas e partiram para a multidão, até que uma voz é ouvida.
– Parem!
Todos olharam para o local de onde vinha a voz, era Cid, porém não sozinho. Isaac estava ao seu lado, porém preso por algemas e sendo segurado por Cid.
– Eu capturei Isaac Greyveil! Não há mais necessidade de matar o povo! – disse o guarda, esperando a reação dos outros.
– Hmpf. – começou o comandante. – É uma pena, eu queria ver um pouco de sangue humano hoje... – Ele então levanta a mão, dando uma ordem. – Guardem as armas, todos.
Todos os guardas recolhem suas espadas, recuando da multidão.
– Obrigado, Cid... – Isaac falou, baixo, para que somente Cid ouvisse.
– Não agradeça ao homem que está te levando para a morte. – respondeu, sério. – Eu estou fazendo isso pelo povo. E porque quero ver sua cabeça, sem vida, rolando no chão.
– Haha... – Ele riu, ironicamente. – Sempre a mesma bondade...
Eles então notam Karajan, o Senhor de Saigos, se aproximar dos dois, o elfo diz:
– Ora, ora, o que temos aqui... – ele então dá um soco extremamente forte no estômago de Isaac. – Um ladrão, um inseto...
Naquele momento, alguns humanos fizeram feição de ir ajudar o garoto, só que ele grita:
– Parados! Se vocês vierem me ajudar, quem sabe o que pode ocorrer com suas vidas...
– Oh... – disse Karajan. – Então o inseto tem um cérebro. – Ele então levanta o rosto de Isaac. – É uma pena que tenha nascido um humano... Um patético humano.
Isaac não pensa duas vezes e cospe na cara de Karajan.
– Não fale mal dos humanos, seu elfo maldito!
– Argh, maldito... Levem ele daqui e o preparem para a execução!
Cid levou Isaac para a prisão, retirando todas as armas dele. Algumas horas depois, ele é levado para a área de execução.
– Ande, ladrão. – Dizia o carrasco, o fazendo subir as escadas até o pequeno “palco”, aonde ele iria morrer. – Últimas palavras?
Isaac então andou até a ponta do palco. Ele via os elfos mais a frente, humanos, que foram a obrigados a ir, ao fundo, seu avô, amigos, entre outros. Do lado do palco estavam Cid, Karajan, o comandante e alguns guardas. Ele deu mais uma respirada, e começou.
– Vocês, elfos, são ridículos. – disse, apenas para ser xingado de volta pela população. – Vocês escravizam humanos apenas por se sentirem superiores, e enquanto nós damos tudo que temos, vocês apenas reclamam que não foi suficiente! E quando alguém os contraria, apenas o matam! Eu não me arrependo de nada do que fiz, e nunca me arrependerei! Mesmo em morte, continuarei vindo para amaldiçoar vocês! – Ele então recua. – Para por o pescoço no local indicado, apenas para esperar o machado que o cortaria. – Heh... Acabou, huh?
No momento que o carrasco foi descer o machado, uma flecha vai diretamente em sua cabeça, fazendo o machado cair a poucos centímetros de Isaac.
Todos olharam para o local de onde a flecha veio. Alguns arqueiros, com armaduras leves negras, estavam lá. Um homem de cabelos brancos lisos e olhos verdes e com uma corneta de guerra, gritou.
– Vocês estão cercados! Apenas desistam em favor dos Dark Blades!
Fim do Capítulo 1
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