Blade Of Fate
9 Ice, Fire, Thunder, Wind
Notas iniciais
E mais uma coisa - de acordo com Pokémon, Gelo, Fogo, Flying > Grass, Grass > Electric e Fire > Ice!
- Velhoooo, só fui notar agora que o capítulo ficou GIGANTE. Espero que não seja um problema. : (
O garoto loiro continuava olhando para o homem que ele havia jogado na parede com apenas um soco. Os olhos verdes dele mostravam uma certa alegria simples, que era complementada pelo sorriso que ele mostrava.
– Rikul. – ele começou, colocando as mãos no bolso. – Eu já falei para você parar de querer atacar os forasteiros, isso não é bom para a fama da cidade.
– Mas... – Rikul falava, enquanto tentava se levantar, embora a dor fizesse disso uma tarefa difícil. – Você sabe que precisamos do dinheiro...!
– Mas você acha que roubar é a maneira certa? – o sorriso na cara de Eric foi substituído por um olhar sério. – O Senhor Yiggdrl e meu pai fizeram o máximo para que nunca ao menos pensássemos nessa hipótese. Não podemos nos rebaixar ao nível de foras-da-lei.
Rikul apenas fez um olhar de irritação e se calou, e com ajuda dos outros dois homens que o seguiam, levantou e saiu da taverna. Atrás de Eric, Isaac finalmente terminava seu almoço.
– Obrigado... – ele olhou para o loiro. – É Eric, não?
– Exatamente! – disse, apontando para si com o sorriso de volta no rosto. – E não há de que, Isaac!
– Ótimo. – Isaac levantou-se da mesa e começou a ir em direção a porta. – Agora preciso ir, talvez nos vejamos de novo.
– Hey, hey! Mas já?! Você a recém chegou à cidade!
– Eu estava falando sério quando disse que eu não podia desperdiçar meu tempo... Já aconteceram muitos imprevistos hoje.
– Ah, qual é?! Fique um pouco mais, não é sempre que temos visitantes!
– Desculpe, mas eu—
As palavras de Isaac foram interrompidas por grandes gritos que adentravam a taverna.
– Eric! Eric! – uma voz fina e desesperada ecoava, o que gerou um pequeno espanto dos dois garotos.
Após aquilo, uma garota entrou na taverna. Cabelos rosa que chegavam até o pescoço e olhos castanhos claros. Era baixinha, o que era provavelmente por causa da pouca idade que parecia ter.
– Lia, o que houve? – Eric disse, observando os pulos que a garota dava em sua direção.
– Chegou alguém de fora na cidade...! E eu não acho que ele deva ter boas intenções!
– Haha! – o loiro não se conteve nas risadas.
– Mas... O que é tão engraçado...? – a garota fez uma cara de confusão ao ouvir as risadas de Eric, que finalmente começava a parar.
– Ah, Lia. – ele então apontou para Isaac, que estava do seu lado. – Esse é o tal cara em questão?
Lia olhou para o ruivo, e após alguns segundos, soltou um grito, apontando para o garoto.
– É esse mesmo! – ela disse, com algumas lágrimas no rosto. – Desculpa, Eric, desculpaaa!
– Sem problemas! – Eric olhou para Isaac, que parecia extremamente confuso com a situação “estranha”, o loiro notou e disse. – Isaac, essa aqui é Lia Dewoke, amiga minha.
– Prazer! – falou a garota, com um grande sorriso, que foi respondido com o mesmo por Isaac.
– Lia é neta do grande mago que mora na torre logo fora da cidade, o velho Dewoke.
– Um mago, humano? – Isaac perguntou, olhando para Eric.
– Exatamente! Ao que parece, ele é descendente de humanos com poderes que lutaram na guerra civil! Ele é bem forte!
– Sim! – Lia falou, dando um pulinho. – O vovô é muito forte!
– Heh, deve ser... – o ruivo começou a andar. – Mas não que eu me importe. Estou indo.
– Hey, hey, hey! – Eric segurou o braço de Isaac. – Vamos lá! Ao menos venha conhecer o velho Dewoke! Ele pode até te mostrar a pedra especial dele!
“Pedra especial”. Aquelas palavras ecoaram na cabeça de Isaac por alguns segundos. Será que uma das pedras que Ryan pediu para ele procurar estava tão perto dele? Ele não podia deixar esta chance escapar.
– Hmpf. Tudo bem.
Ouvindo aquilo, Eric deu um grande pulo, e já foi puxando Isaac pelo braço, com Lia indo atrás.
Eles saíram da cidade e foram por uma rota logo ao lado da entrada, Isaac lembrou-se dessa rota – havia sido a mesma que Juliet havia seguido, não muito antes. Após alguns minutos de caminhada, eles ouvem uma voz.
– Vejo que nossos caminhos realmente se juntaram novamente.
Os três olharam para todos os lados, mas não conseguiam achar o dono da voz, até que Isaac olhou para um galho no alto de uma árvore.
– Juliet...?!
– Entretanto, não fomos separados por muito tempo. – a garota balançava as pernas lentamente, enquanto o sol da tarde iluminava o local aonde ela se sentava.
– Realmente. Mas o que você está fazendo aqui?
– Não é óbvio? – ela olhou para o céu. – Observando.
– Observando o que? – Isaac perguntou, seriamente.
– O céu, os pássaros, o sol... – ela deu outra pausa, e olhou para o garoto. – A vida das pessoas.
Eric olhou de Isaac para Juliet, ele estava sendo totalmente ignorado, junto de Lia.
– Isaac... – ele tentou falar algo, para que o garoto escutasse. – Vocês se conhecem?
– Huh? Ah, sim, pode se dizer isso. – Ao ouvir as palavras dos dois, Juliet pulou da árvore, ficando de frente para eles.
– Isaac me ajudou a escapar de uns soldados élficos. Eu sou Juliet Rayhart. E você?
– Eric Rosewbright. – ele olhou melhor para a garota. Pelos pertences que ela levava no cinto, era óbvio o que ela era. Uma mercenária. O restante das palavras do garoto foi frio. — Moro aqui em Ironmay.
– E eu sou Lia Dewoke! – disse a garotinha, dando um pulo para ficar na frente de Isaac e Eric. – Prazer em conhecê-la, Juliet!
Juliet sorriu, se abaixou, e, colocando a mão na cabeça da garota, disse:
– O prazer é todo meu, Lia.
– Bom, acho que devemos ir indo. – disse Eric, se colocando a frente do resto. – Não quero ficar por aqui demais.
– Huh, algum problema, Eric? – Isaac perguntou, se colocando ao lado de Eric.
– Nada demais. Só não gosto daqui. – ele continuou andando, com o grupo fazendo o mesmo.
Eles não falaram muito depois daquilo, somente quando Lia perguntava algo para Juliet ou Isaac. Eric andava mais na frente, sem parar, ele estava incomodado, e Isaac sabia disso, só não sabia o porquê.
– Juliet, posso saber o porquê você continua andando com a gente? Quero dizer, não que seja ruim ter você aqui, mas... – Isaac falou, tentando não parecer muito rude.
– Não precisa se explicar, é estranho mesmo eu simplesmente continuar com vocês após termos nos encontrado. – ela então olhou para ele. – Mas eu tenho medo de que Leon Silversun acabe me encontrando de novo, por isso é mais seguro que eu ande com você.
– Mas nós temos tanto o Eric quanto a Lia aqui, não acha que pode ficar perigoso para eles caso isso aconteça?
– Não se preocupe, eu me encarrego de proteger a garota. Já o seu amigo... – ela olha para Eric, que continuava andando sem parar ou olhar para os lados. – Ele sabe se cuidar, acredite em mim.
– Se você diz... Vou confiar em você.
– O grande Isaac Greyveil confiando em alguém tão facilmente? – ela riu levemente. – Você não é bem o que dizem que é.
– O que dizem...? – Isaac olhou para ela, confuso. Ela só deu outra risadinha e respondeu.
– Esqueça, não é nada de importante.
– Isaac, Juliet, sobre o que estão falando? – Lia perguntou, de trás deles.
– Não é nada, Lia. – a garota respondeu, com um sorriso no rosto.
Passados alguns minutos naquele caminho, eles avistaram uma grande torre. Eric se virou para os outros três, e, já com o sorriso de volta no rosto, começou a falar.
– E aqui é que mora o velho Dewoke. Ele passou muitos anos viajando por Celes até finalmente se instalar aqui. Todos em Ironmay o conhecem.
O loiro então se virou para a grande porta da torre e bateu. O primeiro pensamento de Isaac era como o tal Dewoke conseguiria ouvir uma leve batida no topo de uma torre daquelas.
Não passou 10 segundos a porta foi aberta. Um homem velho, com barba e cabelos já brancos, e uma grande veste azul. Ele passou os olhos pelo grupo até fitar Eric e Lia, o que o fez exclamar.
– Eric! Lia! O que fazem aqui? – ele saiu da torre, dando um abraço na neta.
– É que tem umas pessoas que quero te apresentar. – ele então apontou para os dois jovens que estavam ao seu lado. – Estes são Isaac e Juliet, conhecidos meus.
O homem ficou observando os dois por alguns segundos, sem falar nada. Um olhar frio e assustador. O velho escondia algo, e isso era fato, afinal, mesmo em tempos de guerra, a reação dele foi incomum, e isso era algo que Isaac havia aprendido nos seus tempos de ladrão – se alguém age diferente, é porque tem algo de errado com a pessoa.
– Bem, não vamos ficar aqui não. – o olhar do velho voltou ao normal, enquanto ele falava, se dirigindo a torre. – Vamos, entrem, vou mostrar algumas de minhas relíquias a vocês.
Embora a torre fosse alta, após o segundo andar dela, as escadas eram lacradas, impossibilitando a subida até maiores andares. Enquanto no primeiro andar parecia ser a “casa” propriamente dita, o segundo havia vários objetos diferentes, de todas as partes de Celes. Desde coisas simples, como pequenas chaves e relógios, até armamentos de guerra e de magia, como espadas e cajados.
Dewoke fez um pequeno “tour” para os jovens, passando por cada relíquia e explicando parte da história por trás dela e também como ele havia conseguido-as. Algumas histórias eram fantásticas demais para ser verdade, enquanto outras eram – ou ao menos pareciam ser – verídicas.
– Então, essa é uma das minhas espadas favoritas... – ele tirou um pano que estava sobre um mostruário, revelando uma espada. – A Icegale.
A espada era azulada, com o cabo azul esverdeado. Da espada parecia sair fumaça, provavelmente por causa do quão gelada ela estava. Ao todo, era uma espada linda, que provavelmente nunca havia sido usada, nem mesmo pelo velho.
– E finalmente vamos chegar ao meu último item! – o velho disse, se dirigindo a um tipo de altar que havia ali no centro do andar, e retirando uma pequena esfera branca dele. – Essa é a minha pedra especial, que me ajuda nas minhas magias.
Uma pedra branca, uma esfera perfeita. Teria de tudo para ser a pedra que Isaac havia sido encarregado de achar, a não ser por uma coisa – ela não tinha poder nenhum. Ryan havia ensinado Isaac a perceber as partículas mágicas nos objetos e pessoas, e embora isso não tenha ainda vindo a ele normalmente, caso ele se esforce, consegue sentir um nível como o das pedras. Aquela esfera não tinha nenhum.
– Então Isaac! – Eric falou, ao lado dele. – Não era essa pedra que queria ver?
– É, é... – ele deu um pequeno sorriso falso para o amigo.
– Bom, acho que é isso. – Dewoke guardou a pedra de volta no altar, e se dirigiu para os jovens. – Lia, Eric, porque vocês não vão fazer algo para nós comermos? Vocês vão encontrar tudo que precisam ali nos armários.
Os dois fizeram um sinal de afirmação com a cabeça e desceram para o primeiro andar, deixando Juliet, Isaac e Dewoke no segundo andar. O velho retomou o olhar frio que ele havia feito anteriormente.
– O que vocês querem aqui? – ele se aproximou um pouco dos dois, com o olhar fixo neles.
– A pedra não é nada de especial, não é? – Isaac disse, cruzando os braços.
– Não, não é, é apenas um objeto qualquer que eu digo que me ajuda com as mágicas. É feito apenas para enganar os idiotas dessa cidade.
– Você ao menos é um mago? – Juliet deu um passo adiante, e colocou uma mão na sua katana levemente, para que não percebessem.
– Também não. Esses tolos acreditam em qualquer coisa que você diz para eles sem querer nenhuma prova. – ele então se virou de costas para os dois, andando na direção oposta.
– E você também... – Isaac pensou nas palavras que ia dizer, e se corrigiu. – Esquece. O que de você é realidade? O que faz nessa cidade?
– E do que isso interessa a vocês? Se queriam ver a pedra, já viram, então porque não vão embora e me deixam viver minha vida?
– Não sem antes ter minhas respostas.
– Você é bem irritante, garoto. Mercenários não deveriam fazer tantas perguntas, e apenas realizar o que lhes é dito. – Após as palavras do velho, Isaac arregalou os olhos um tanto espantando, o que foi percebido por ele. – Como eu sei que são mercenários? Não é meio óbvio? Espadas, adagas, além de que só mercenários e bandidos andam pelas estradas em tempos de guerras. Entenda garoto, eu sei tudo sobre esse continente.
O velho estava prestes a falar mais alguma coisa, porém, ao abrir a boca, as palavras não saíram. Na altura de seu peito, uma katana fincada que o atravessava. Segurando a katana, Juliet, com um olhar indiferente.
– Juliet...?! – Isaac exclamou, assustado pelo movimento súbito da garota.
– Hmpf. – ela retirou a katana do corpo do homem, que caía no chão, e, após limpar a espada na capa que usava, a guardou. – Isso foi demorado demais.
– Então... – o ruivo voltou a sua velha postura. – Então esse que era seu trabalho?
– Exato. – ela se aproximou de Isaac, retirando um papel da mão e o mostrando a ele. – Markin Ruegha, assassino na cidade de Florinia 20 anos atrás. Depois de tanto tempo, a justiça de Florinia decidiu esquecer o caso, mas familiares de algumas vítimas me contataram para matá-lo.
– Heh, nem o nome dele era de verdade... – ele então começou a se dirigir a um dos mostruários, o da Icegale.
– O que vai fazer? – a garota perguntou, observando-o.
– Fazer utilidade das minhas habilidades de ladrão. – ele retirou um lockpick do bolso, e rapidamente abriu o mostruário, retirando a Icegale dele e a examinando. – É uma bela espada, devo admitir.
– Vai ficar com ela?
– Vou. Ela é boa demais para deixar aqui. – ele então guardou a espada em uma bainha que tinha do lado do mostruário, então a prendendo nas costas, como as suas outras espadas.
No andar de baixo, Lia e Eric terminavam de fazer alguns sanduíches e suco para todos. Após aprontarem tudo na mesa central, Eric disse, se dirigindo a escada.
– Vamos chamá-los, Lia! – ele começou a subir as escadas, sendo seguido pela garota.
– Sim! – ela falou, sorrindo, um pouco atrás de Eric.
– Hey! Isaac, Juliet, velho, está tudo pront-- — as palavras do garoto foram cortadas ao ver o corpo de Dewoke ensangüentado no chão, com os dois jovens conversando normalmente ao lado. – Lia, vá pra casa.
– Huh? Eric? Mas e a comida?
– Apenas vá pra casa! – ele se virou pra ela, com um olhar de raiva e tristeza. – Faça o que eu mando!
– Huh... – a garota recuou alguns passos, não costumava ver o Eric daquele jeito. – Certo...
Eric esperou até Lia sair da torre, e se dirigiu novamente ao segundo andar.
– O que diabos vocês fizeram?! – gritou, enquanto ia em direção aos dois.
– Ah, Eric, nós podemos explicar isso. – Isaac começou, extremamente calmo para a situação.
– Explicar o que?! – ele se aproximou mais dos dois. – Explicar como vocês mataram um amigo e também o vô da Lia?!
– Ele nem era o avô real dela. – Juliet falou, enquanto olhava para o corpo do velho no chão. – Era só um oportunista que usou ela para parecer uma boa pessoa.
– Você... – o loiro se virou para a garota, e, com um olhar raivoso, disse. – Como ousa dizer algo assim?! Você nem o conhecia! Vocês mercenários são todos iguais!
– Huh? Como sabe disso... – Isaac perguntou, até lembrar-se da explicação dada pelo velho, minutos antes. – Ah claro, os equipamentos... Sempre os equipamentos...
– E você, Isaac... Eu achava que você fosse uma boa pessoa, mas pelo visto me enganei! Também é apenas um mercenário!
– Sim, Eric, eu sou um mercenário. Eu nunca lhe dei nenhum motivo para confiar em mim ou achar que eu fosse alguém “decente”.
– Por acaso você só veio até esta cidade para matá-lo?! É só para isso?!
– Não. Eu nem passaria por aqui se não ficasse no meio do meu caminho. – ele então se virou para Juliet. – Esse trabalho é dela, embora eu não tenha nada contra.
– Maldito... – Eric segurou a gola da camisa do ruivo, aproximando o do seu rosto. – Como você consegue ficar bem após isso?! Que tipo de monstro é você?!
– Olha, Eric. Nada contra seus ideais mas—
As últimas palavras de Isaac foram cortadas por um grito que veio de fora da torre, um grito conhecido. Os três correram para fora, ignorando totalmente sobre o que estavam discutindo. Ao chegar lá fora, eles viram uma cena que Isaac e Juliet temiam que fosse verdade.
– Hah! Olá, Isaac Greyveil, Juliet Rayhart! – o elfo loiro começou a falar. – É incrível ver vocês de novo em tão pouco tempo.
– Leon...!
Bem em frente à torre estavam Leon e vários outros soldados élficos. A fonte do grito era Lia, que estava sendo segurada firmemente por Leon, um pouco atrás dos outros soldados.
– Lia...! – Eric gritou e deu um passo para frente, mas foi então travado pelas lanças dos soldados. – Droga...!
– Nem mais um passo amiguinho. – Leon começou. – Se você tentar abrir caminho pelos soldados, garanto que vai sair daí como uma peneira!
– Leon, seu maldito! – Isaac gritou. – Largue a Lia!
– Haha! E porque eu faria isso, Greyveil? Ela vai render um bom dinheiro no mercado de escravos. – ele então começou a andar no caminho oposto deles. – Enfim, tenho muito o que fazer. Soldados, podem acabar com eles.
Ao comando de Leon, os vários elfos sacaram suas armas. Eram cerca de 20, mais do que o bastante para matar três jovens humanos normais. Normais.
– Hmpf. Pelo jeito só vamos sair daqui após derramar um pouco de sangue. – Juliet disse, sacando sua katana.
– Eu odeio ter que fazer isso, mas não tenho outra escolha. – Eric então se virou para os outros dois. – Continuaremos nossa conversa depois que a Lia estiver salva! – ele foi respondido com um movimento de cabeça pelos dois.
– Enfim, é hora de testar o poder dessa espada... – Isaac retirou a Icegale da bainha, e, após um movimento rápido com a espada, pode sentir o vento gelado que emanava dela.
– Então além de mercenário também é um ladrão, hein Isaac? – Eric falou em reprovação.
– Algumas pessoas tem que viver. – ele se virou para os soldados, e continuou. – Mas chega de falatório! Vamos lá!
O garoto partiu para os soldados, com a Icegale em mãos. Ele sentiu que a espada era muito mais fácil de manejar do que as espadas “comuns”, assim como ele conseguia colocar pequenas partículas mágicas nela sem fazer muita força – era quase como se a espada PEDISSE as partículas para poder ser empunhada. A cada corte que ele fez nos soldados, ele podia sentir que, ao invés de ficarem abertos, ficavam congelados.
– Então esse é o poder de uma espada mágica, huh?
– Você parece estar gostando, hein Isaac? – Juliet falou, enquanto enfiava a espada no peito de um dos soldados. – Ela é tão forte quanto parece?
– Muito mais. – ele então se virou para um dos lados, observando Eric cercado. – Aguente aí, Eric, já estou indo!
– Como seu eu precisasse da sua ajuda! – ele gritou, ainda com um olhar raivoso. Ele então voltou o olhar para os guardas. – Vocês vão se arrepender de ficar entre eu e uma amiga...
O loiro então levantou uma das mãos, e, após alguns segundos, a sua manopla ficou quase que totalmente amarela, com pequenos raiozinhos saindo dela a cada segundo.
– Eric, você também é...? – Juliet e Isaac se viraram para ele, tentando prever o próximo movimento do garoto.
– Lightning Impact! – Eric gritou, ao dar um rápido em um dos soldados. Entretanto, o impacto do soco foi tão grande, que os outros guardas foram empurrados para longe, e se machucando por causa do impacto da queda. – Não me subestimem!
– Eu não falei, Isaac? – Juliet se virou para ele. – Ele sabe se cuidar.
– Realmente. – ele concordou com a cabeça.
– Vocês dois. – a garota então gritou, para que Eric também pudesse ouvir. – Vão atrás do Leon, eu termino as coisas por aqui.
Os dois concordaram com a cabeça, e começaram a correr pela direção que Leon havia ido algum tempo antes.
– Me solte! – Lia estava nos braços do elfo, tentando se livrar, sem sucesso. – Eric, Isaac e Juliet vão me salvar, você vai ver!
– Aqueles três, garota? – ele fechou os olhos, e deu uma leve risada. – Meus soldados podem não ser os mais habilidosos, mas não quer dizer que vão perder mesmo tendo tantos números a mais.
– Leon! – a voz de Isaac pode ser ouvida, o que deixou o elfo inquieto.
– O que?! Eles estão aqui?!
– Viu?! – Lia disse, com um sorriso. – Eles vão me salvar!
– Hmpf. Não tenho escolha. – ele então parou e se virou, esperando os jovens finalmente chegarem, o que demorou apenas alguns segundos.
– Solte a Lia, seu maldito! – Eric gritou, parando para recuperar um pouco do fôlego perdido na corrida.
– Devo admitir que fizeram bem chegando até mim, mas não é o suficiente. – ele então levantou a mão, deixando-a em direção aos dois garotos. – Vamos, meus servos.
No mesmo momento que ele terminou de falar, Isaac e Eric perceberam que raízes de árvores estavam se prendendo aos seus pés, os deixando imobilizados. Isaac tentou queimar as raízes, sem sucesso.
– Droga... Eu não consigo queimar essas plantas...Tem alguma barreira mágica as protegendo.
– Você realmente acha que eu simplesmente deixaria todas essas plantas irem a você sem proteção contra o fogo? Lembre-se que os elfos são os Magic Users originais, meus poderes são muito superiores aos seus, garotos! Posso até criar proteção contra fogo apenas com minha magia!
– Isaac, o que vamos fazer?! – Eric se virou para o amigo, com um olhar desesperado. – A Lia... Eles vão... Maldição!
– Nós temos uma chance, Eric... Mas você vai ter que confiar em mim.
– Hmpf... Não tenho outra escolha. – após essas palavras, Isaac falou algo para Eric, o que lhe impressionou um pouco. – Mas Isaac...! Isso pode te matar se não for feito direito!
– Como você mesmo disse, nós não temos escolha! Apenas faça!
O garoto concordou com a cabeça e fechou os olhos. O corpo de Eric começou a amarelar, com os raios saindo levemente de si, após ele estar bastante carregado as plantas começaram a desprendê-lo ligeiramente, mas apenas o suficiente para ele mover os braços levemente. Ele então encostou no ombro de Isaac, o que fez as cargas passarem para ele, que automaticamente foi respondido com um grito de dor pelo mercenário.
– Isaac...! – Eric tentou retirar a mão dele, mas as palavras de Isaac não deixaram.
– Não faça isso! – com alguma dificuldade em segurar a dor e falar, ele continuou. – Só mais um pouco...
Eric apenas respondeu com a cabeça, deixando novamente sua mão inteira no ombro do garoto.
– O que diabos eles estão fazendo...? – Leon começou a pensar, enquanto via a cena. – Isso pode matá-lo, e só servirá para retirar levemente as plantas do corpo dele... A não ser que...
As raízes começaram a desencostar do corpo de Isaac, o que lhe deu movimento suficiente para mexer o braço em direção a uma das espadas em suas costas.
– Hah! – o elfo gritou, rindo da situação. – Você mal consegue queimar as plantas, acha que pode cortá-las? Muito ingênuo, Isaac Greyveil!
– Eu... Eu não pretendo cortá-las... – ele disse, segurando a dor, enquanto desembainhava a Icegale. – Eu pretendo... Pretendo congelar-las!
– O que... Mas como?!
– Vamos lá, Icegale! – ele então fez o movimento o mais rápido possível com a espada, congelando as várias raízes com o vento gelado que emanava da Icegale. Os dois então conseguiram sair com a própria força do gelo que prendia seus membros. – Finalmente.
– A lendária Icegale... – ele pensou. – Você é cheio de surpresas, Isaac Greyveil. Infelizmente não há como me derrotar...!
– Agora solte a Lia...! – Eric correu em direção a Leon, sem pensar duas vezes, carregando o punho com eletricidade.
– Não tão rápido. – ele disse, levantando a mão novamente. – Barrier of Nature.
Uma barreira feita de plantas e folhas envolveu Eric, o impedindo de continuar o ataque. Isaac, logo atrás, pulou por cima da barreira e tentou atacar Leon.
– Vamos lá então, Silversun! – com a Icegale em mãos ele ia acertar Leon, se não fosse pelo mesmo sacar a própria espada em resposta.
– Ingênuo demais, Greyveil. – a espada de Leon começou a brilhar vermelho, o que espantou Isaac.
– Mas o que...? Não pode ser...!
Naquele momento, uma grande labareda de fogo saiu da espada do elfo, o que fez o garoto voar para trás, batendo na barreira que ainda prendia o Eric.
– Droga... – o ruivo começou a pensar. – Ele tem uma espada de fogo... Que idiota da minha parte...
– Tente entender, Greyveil. – ele começou a falar, indo em direção a Isaac. – Eu sou da família mais poderosa de toda Celes, é claro que eu teria uma espada igualmente poderosa. Uma espada com o elemento contrário as minhas habilidades, claro, mas isso é para o melhor. Agora, pequeno Greyveil... – ele então segurou Isaac pela gola, o levantando. – Está na hora de você parar de ficar no meu caminho... Para sempre...! Huh?
No momento que Leon ia pegar a espada para matar Isaac, um vento forte começou a passar, o que acabou por destruir a barreia que estava prendendo Eric, e também tirar a espada das mãos de Leon.
– O que é isso...?! Essa ventania... – o elfo colocou as mãos no rosto, para tentar se proteger do vento, sem notar que alguém a mais estava ali.
– Wind Storm... – a voz falou baixinho, ao lado de Leon.
O elfo soltou Isaac, e só teve tempo de falar “Você...?” antes de finalmente ser erguido no ar por causa do forte redemoinho.
– Juliet! – Lia e Eric gritaram em uníssono, ao verem a garota com a katana em mãos.
– Lia, você está bem? – ela se virou para a pequena garota, acabando com o redemoinho e deixando Leon cair no chão, cheio de cortes e machucados.
– Sim, Juliet! – ela sorriu, o que foi respondido com outro sorriso por Juliet.
– Ótimo. – a espadachim se virou para os dois garotos, Eric, que finalmente conseguia se levantar após sair da barreia, e Isaac, que estava recuperando a consciência. – E vocês, garotos?
– Já estive melhor... – respondeu Eric, com uma pequena risada. – E você, Isaac?
– Huuuh... – o garoto tentava se levantar. – Com frio e com calor ao mesmo tempo... Péssimo.
Juliet e Lia ajudaram os dois a se levantar e então se viraram para Leon, que também começava a se levantar.
– Droga... – ele pensou, tentando manter o equilíbrio. – Derrotado por três humanos... Impossível...!
– Ei, você. – Juliet chamou a atenção do elfo, enquanto segurava um dos braços de Isaac para que esse não caísse de novo.
– Hmpf. Vocês sabem que se matarem, vão atrair a raiva de todos os High Elves, não? E se me prenderem vai acontecer o mesmo. Vocês não têm escolha, mesmo que me matem, logo serão mortos!
– Eu não pretendo te matar. – disse a garota.
– O que...? – o elfo se espantou.
– Você não é bom o bastante para minha espada. E eu não ganharei nada com isso. Prefiro deixar seu sangue fora de minha katana, sujaria demais ela. Então corra. Vá embora. Fuja como o covarde que é.
– Você... – ele fechou o punho, mas logo suspirou e se virou para a estrada que seguia. – Eu me lembrarei disso, Juliet Rayhart, Isaac Greyveil, e garoto que eu não sei o nome.
– É Eric Rosewbright para você! – Eric gritou, batendo no peito.
– Hmpf... – ele fechou os olhos, e continuou. – Vocês três, eu ainda me vingarei. Vocês todos serão mortos pela minha espada.
– Boa sorte com isso... – Isaac disse, já conseguindo falar normalmente.
Leon seguiu seu caminho, sem falar mais, provavelmente indo em direção a Reigz, cidade central dos High Elves e cidade natal dos Silversuns. Enquanto isso, Isaac, Juliet, Eric e Lia seguiam de volta para Ironmay, para tratar dos seus ferimentos.
– Hey, fique quieto. – Juliet dizia, enquanto segurava um algodão molhado com água. – Eu tenho que limpar as feridas.
– Mas isso arde, droga... – Isaac falou, e Eric, que já havia sido tratado concordou com a cabeça, enquanto segurava a mão nos locais que ainda ardiam por causa da água.
– Não seja uma criança, você já tem 23 anos, pode agüentar esse pouco de dor! – ela fez um olhar de desaprovação para ele, e continuou. – Sua mãe nunca cuidou das suas feridas assim?
Após aquelas palavras, Isaac abaixou um pouco a cabeça, e tanto Juliet e Eric perceberam.
– Me desculpe, Isaac... – ela abaixou a cabeça também.
– Não é nada. Eu só não sou muito bom com dor. Ladrões não têm o hábito de lutar, por isso minha mentalidade é fraca em relação a isso.
– Vai ter que se acostumar se pretende ser um mercenário por muito tempo. É até estranho que não tenha se acostumado, trabalhando assim por um ano.
– Huh? – o olhar de Isaac se tornou confuso. – Como você sabe que eu trabalho como mercenário faz um ano já?
– Heh. – ela riu e fechou os olhos. – Pelo jeito não tenho como fugir disso mais, não é? Pois bem, seu nome se tornou bem famoso por causa dos trabalhos que você fazia com tanta perfeição. Aceitar trabalhos que nenhum outro mercenário aceita por causa dos riscos e sair deles sem nenhum arranhão, não é para qualquer um.
– É sério isso?
– É sim, Isaac. – Eric falou, escorado numa parede. – Até eu já tinha ouvido falar de seu nome antes, só não consegui lembrar na hora que nos conhecemos. Você se tornou um mercenário procurado para qualquer potencial “trabalho”.
– Porém você tem que se lembrar que isso também pode lhe dar inimigos. – Juliet começou. – Tome cuidado com os trabalhos que aceita e suspeite de pagamentos bons para trabalhos fáceis, nunca se sabe quando pode ser uma armadilha. E lembre-se, você também é um assassino e um ladrão, se não tiver cuidado, sua cabeça pode valer um grande prêmio.
– Não se preocupe, Juliet. Eu era um mestre em fugas em Saigos, não há como eles conseguirem me capturar dessa forma. – ele então se levantou. – Bom, se você já terminou com meus machucados, eu vou indo.
– Sim. – ela pegou o casaco que estava em cima dela e logo apontou para um canto. – Tome. E suas espadas estão ali no canto.
– Obrigado. — ele pegou suas espadas e colocou seu casaco, e finalmente se virou para Eric. – Você não quer que eu vá contigo falar com a Lia sobre o Dewoke?
– Tsc... – o loiro negou com a cabeça. – Não é necessário. Vou falar para ela que ele foi morto por aqueles elfos. Não há porque estragar a imagem que ela tem de vocês dois.
– Eu agradeço muito. – Juliet falou. – Não quero que ela me odeie por causa disso.
– Hah. – Isaac riu. – É estranho, mas você parece uma pessoa totalmente diferente perto da Lia, Juliet. – Isaac e Eric riram novamente, o que fez Juliet avermelhar.
– Tenho... Tenho meus motivos.
– É claro que tem. – Isaac então se dirigiu a porta. – Eu vou indo então, espero vê-los de novo qualquer dia.
– Para onde você vai, Isaac? – Juliet perguntou, se levantando e indo até ele.
– Ageon. Ao nordeste daqui. Vou levar algum tempo, mas devo chegar lá em duas semanas se for rápido. E você?
– Lado oposto. Pelo jeito não vamos nos ver por um tempo.
– Certo. É uma despedida então. – ele então se virou para Eric. – Você também Eric, espero vê-lo outra vez.
– Pode ser estranho ouvir isso de mim após tudo aquilo que ocorreu na torre, mas... Eu também espero vê-los novamente. Se passarem aqui por perto novamente, dêem um oi.
Os dois mercenários acenaram com a cabeça em afirmação e saíram. Logo na saída da cidade, os dois se despediram e seguiram pelos seus caminhos.
Isaac seguiu a nordeste, dessa vez fazendo o máximo para não ter que parar no meio do caminho, afinal, já havia perdido quase um dia inteiro em Ironmay. O caminho estava calmo, até uma voz chamar seu nome.
– Isaac Greyveil?
Isaac se virou para ver quem era o dono daquela voz masculina misteriosa. Nas sombras, um homem vestindo um manto preto que cobria todo seu corpo e com um capuz que deixava seu rosto perdido nas trevas.
– Padre! – um homem correu em direção ao padre, no segundo andar da igreja.
– Já falei que aqui dentro é “senhor”. E se alguém escuta você me chamar assim? As paredes têm ouvidos, sabia?
– Sim, senhor. – ele para em frente ao padre, e, após fazer uma referência, continua. – Estou aqui para dizer que os outros já foram para fazer contato com Isaac Greyveil!
– Ah, muito bom, muito bom... Quanto tempo até tudo estar pronto?
– De acordo com os cálculos feitos... Dois dias.
– Ótimo. Diga aos outros para, a partir de amanhã, se reunirem no local sagrado. O tempo é curto e as penalidades podem ser terríveis.
– Sim, senhor! – o homem saiu do local, deixando o padre com seus pensamentos.
– Falta pouco... Muito pouco...
– E o que você quer? – Isaac perguntou, com a mão pronta em sua espada.
– Não se preocupe, Isaac Greyveil, só estou aqui para lhe oferecer um trabalho.
– Trabalho? Que tipo de trabalho?
– Preciso que você vá até o local marcado neste mapa... – o homem mostra um pedaço de papel em sua mão que Isaac pega com cuidado. – E mate todos os que estiverem lá.
– Hmm... – o ruivo observou o mapa. – Está fora do meu caminho, não vai ser possível. E de qualquer forma, porque veio até aqui para oferecer o trabalho para mim? Estou certo que tem outros mercenários por aí que ficariam felizes em realizar isso.
– Infelizmente isso é algo impossível. Você vê, a maior parte dos mercenários são idiotas que só sabem como manejar uma espada. Eu preciso de algo a mais. Eu preciso de um verdadeiro estrategista. Um ladrão, um assassino.
– E o que faz você pensar que eu sou o que você está procurando?
– Tsc, tsc... – ele riu levemente, e continuou. – Um ano atrás. Dois assassinatos na mesma noite, sem nenhum tipo de prova sobre quem os fez ou por mando de quem. Sem testemunhas. Um soldado e um velho elfo. Isso lhe diz algo?
– Hmpf. Então você sabe sobre isso.
– E também sei sobre o roubo que aconteceu de uma pequena pedra... Esta pedra que dizem que foi roubada por um mercador de Goldensgreek... Nós dois sabemos que é mentira.
– Certo. – ele fechou os olhos por um momento, lembrando das palavras de Juliet. – Aceitarei o trabalho.
– Agradeço muito. Você vai para Ageon, não? Após você terminar esse trabalho você pode ir até Bergsink, de lá, é só seguir norte até Ageon. Não é tão fora do caminho assim.
– Certo. Terminarei isso o quanto antes. – ele fechou os olhos novamente, e então encarou o homem. – Como ele sabe que vou para Ageon?
– Aqui está o pagamento adiantado. – ele entregou um pequeno saco que continha muito dinheiro, mais do que o normal que Isaac costumava ganhar. – Faça o trabalho e não nos veremos mais, pode seguir seu caminho direto.
Isaac respondeu com um movimento com a cabeça e o homem voltou em direção à floresta, no meio das sombras.
– Agora, adeus Isaac Greyveil. Adeus.
O homem desapareceu nas sombras, enquanto Isaac ainda olhava para o local que ele havia entrado. Ele deu mais uma olhada no mapa e no dinheiro que havia ganhado, e então pensou.
– Apenas quem era ele...? Sinto que algo muito ruim está prestes a acontecer.
Fim do capítulo 8
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