Blade Of Fate
7 Before the Storm
Notas iniciais
– Heh, você está atrasado.
Logan e sua irmã estavam parados, observando Isaac que chegava no local. O ruivo, com sua normal cara de indiferença não deu bola para o comentário de Logan, e seguiu reto.
– Você é muito frio, Isaac! – Nathaly gritou para o garoto, que olhou para trás, enquanto ouvia as suas palavras. – Você deveria ficar feliz de nós nos preocuparmos com você! Não sabe o que outros fariam para que nós ao menos soubéssemos seus nomes!
– Se é assim, então porque não vai lembrar o nome deles? Eu não faço questão nenhuma de você se lembrar de mim.
Aquelas palavras incitaram a raiva que vinha ao rosto de Nathaly. Logan então botou a mão no ombro da irmã e falou.
– Você não vai conseguir cativar alguém como ele desse jeito, Nathy. – ele deu uma pequena risada e virou-se para Isaac. – Então, Isaac, vou te levar até o ferreiro que faz todas as minhas armas e armaduras!
– Hmpf, espero que valha a pena...
– E vale! O velho Gale é um dos melhores de toda a Celes! – ele então começou a seguir um caminho um pouco mais afastado do centro da cidade. – Siga-me.
O caminho até o ferreiro era bem menos movimentado do que o centro de Goldensgreek. De certa forma, Isaac lembrava-se de Saigos, na região que ele morava junto dos outros humanos, porém, algo era diferente, as casas não eram “ruins”, muito pelo contrário, eram casas bem equipadas e muito bonitas.
– Heh... Ainda estou pra ver um local pobre nesta cidade maldita... – pensou.
Depois de cerca de cinco minutos, eles avistaram um homem que batia incessantemente com um martelo em cima de uma bigorna. Era um ferreiro, isso era visível.
– Bom dia, Gale! – Logan gritava para o velho que ali estava.
– Bom dia, Logan.
Gale Redsteel era um velho de cerca de 60 anos que vivia em Goldensgreek já havia uns 20 anos. Cabelos ligeiramente longos e barba branca, beirando o cinza. Não era muito alto, porém tinha vários músculos, provavelmente por causa do trabalho braçal de ferreiro.
– Isaac, quero lhe apresentar Gale Redsteel, um dos melhores ferreiros do continente. Eu praticamente cresci vindo até aqui para ouvir as estórias que ele contava. Nos conhecemos há um bom tempo.
– Então você é o tal de Isaac, huh...? – o velho se levantou da cadeira onde estava e ergueu o braço para cumprimentar o ruivo. – O seu nome já é bem famoso nessas partes da cidade.
– E isso realmente é um problema. – o garoto respondeu, aceitando o cumprimento.
– Enfim, o que trazem vocês aqui?
– O Isaac aqui precisa de uma nova espada. Ele colocou muita energia na sua antiga, que acabou quebrando.
– Outro Magic User, huh? – o velho suspirou e continuou, se dirigindo a Isaac. – Você sabe que não há jeito de uma espada de metal comum sobreviver às partículas mágicas, não?
– Eu sei disso. Porém eu não costumo usar mágica, preciso de uma espada nova, somente.
– Hmpf, certo... – ele foi até um canto, e, enquanto mexia em alguns matérias, perguntou. – Ferro, Aço, Bronze ou Mithril?
– Fer...
– Mithril. – Logan se atravessou na frente das palavras de Isaac, o que deixou o garoto irritado.
– Hey! O que pensa que está dizendo? Eu não preciso de uma espada cara!
– Isaac, eu estou pagando, então não retruque. Eu sei o que eu faço.
– Mithril, então... – Gale preparou os materiais necessários perto da grande fornalha. – Vai demorar um pouco, venham mais tarde para buscar a espada, certo?
– Sem problemas.
Os três então foram até a praça central da cidade e sentaram em alguns bancos que ali estavam. A praça era muito bonita, com muitas árvores e flores. Era incrível como uma cidade tão populosa conseguia ser tão bonita.
– Então, Isaac! – Logan disse, colocando a mão no ombro do mercenário. – Nos conte um pouco mais sobre você! Você vem de Saigos, não?
– Exatamente. – a falta de vontade de falar era vísivel no rosto do garoto, mas mesmo assim, ele continuou. – Vivi durante muitos anos naquela cidade, e cresci no meio de humanos que eram odiados pelos elfos.
– Devia ser difícil. – Nathaly abaixou a cabeça. – Eu sempre soube de boatos que Saigos era o maior exemplo da guerra civil.
– Sim. Os humanos só conseguiam trabalhos que ninguém mais queria fazer, além de receberem menos e serem obrigados a obedecer os “senhores” elfos.
– Mas uma coisa nunca foi esclarecida... Como Saigos foi destruída? – Logan perguntou, o que deixou Isaac pensativo por um momento. As lembranças daquele dia voltaram a ele novamente.
– ... Eu ainda não consigo responder essa pergunta.
– A tragédia ainda te deixa triste?
– Não. É a falta de compreensão do que aconteceu que me impede.
Logan e Nathaly se espantaram. De acordo com as notícias que chegavam em Goldensgreek, Saigos foi destruída por causa de um ataque dos Dark Blades, que acabaram por queimar a cidade. Como havia muitos poucos sobreviventes da tragédia, o boato nunca foi desmentido.
– A real história do que aconteceu com Saigos... – o ruivo parou, olhou para o céu, e continuou. – Ela foi destruída por uma chuva de “meteoros”.
O espanto dos dois Greenfields se tornou ainda maior. Era difícil acreditar numa coisa tão “fantasiosa” quanto uma cidade ser destruída por uma chuva de meteoros. Além de que ela ter vindo exatamente durante uma batalha entre elfos e humanos era muito estranho.
– O que exatamente você quer dizer com isso...? – Logan não conseguia fechar a boca, em sinal de espanto.
– Tudo bem, então. Eu vou contar sobre tudo que ocorreu naquele fatídico dia.
Isaac falou sobre tudo que aconteceu naquele último dia de Saigos. Seu avô, seus roubos, seus amigos, a execução, Cid, Cody, Karajan. Tudo que poderia ter relação ao fim da cidade.
– Isso realmente é quase impossível de acreditar...
– Mas é a verdade.
– Mas Isaac, eu ainda tenho uma dúvida. – Nathaly começou. – E seus pais?
Aquilo foi o bastante para o garoto abaixar a cabeça e fazer uma expressão de dor. Ele segurou o colar em seu pescoço, como sempre fez quando lembrava de sua mãe. Nathaly, percebendo o desconforto no rosto de Isaac, foi logo se desculpando.
– Isaac, me desculpe, eu não—
– Não se preocupe. – ele a interrompeu. – Uma hora ou outra isso acaba vindo à tona. Não é como se fosse a primeira vez.
– Então, Isaac, se importa de nos contar? – Logan perguntou, olhando fixamente para o ruivo, que devolveu como um olhar minimamente assustado.
– Aiai, eu não tenho como esconder, não? Tudo bem, então. Meus pais... – ele novamente parou para respirar, e, com um pouco de tristeza na voz, começou. – Steven Greyveil e Claire Keyd.
– Keyd? – Logan disse. – De onde eu conheço esse nome?
– Sim. Eu não sei de onde a família Keyd vem. Minha mãe até me contou estórias, mas eu nunca prestei atenção nelas. O que importa é que ela conheceu meu pai enquanto fazia uma de suas viagens. Os dois eram aventureiros. Acabaram como parceiros de viagem, e com o tempo, o amor entre eles cresceu.
– Isso soa muito romântico! – Nathaly disse, com corações nos olhos. – Conhecer sua alma gêmea por acaso, e acabar não conseguindo mais viver sem ele!
– Heh. – o ruivo riu. – Minha mãe era uma pessoa forte, pavio-curto, mas pelo que meu pai sempre me disse, linda e extremamente fofa quando se sabia o “macete” certo. Já o meu pai era animado, brincalhão, e muito, mas muito habilidoso em qualquer estilo de luta.
– Mas o que aconteceu com eles?
Isaac não conseguiu mais falar a partir dali. Ele deixou apenas o silêncio tentar responder a pergunta do Logan, já que as palavras não iriam mais sair de sua boca.
– ... Isaac... – o moreno entendeu. – Eu sinto muito.
– Não sinta. A culpa não é sua. – ele olhou para o céu novamente. – Após meus pais me terem, foram pra Saigos para ficar junto do meu avô, Brody Greyveil. Anos se passaram e minha mãe morreu. Após isso, meu pai partiu para fazer mais viagens, me deixando sozinho com meu avô.
– E é aí que você virou um ladrão, estou certo?
– Exato.
– Hah! – Logan riu. – Parece que todo mundo tem uma história triste, não?
– O que você quer dizer com isso?
– Sabe, Isaac, eu já tive um grande amigo uma vez... – a tristeza se instalou nos olhos de Logan. – Nós eramos inseparavéis, até que um acontecimento nos separou, e eu nunca mais o vi. Talvez esteja morto também. Talvez já tenha me esquecido.
– Hah... – Isaac riu, como em tom de deboche. – E você acha que o seu amigo é mais do que fantástica e triste história sobre meus pais?
– Hey! – ele se juntou a Isaac nas risadas, enquanto tentava falar. – É claro que é! Só não é pior do que da vez que meu cachorrinho foi embora para viver a própria vida!
– Daqui a pouco você vai falar que seu peixinho dourado também fugiu para se tornar um cavaleiro! Hah!
– Vocês dois são realmente muito idiotas... – Nathaly disse, baixinho, com uma cara de decepção.
O clima descontraído continuou por alí. Era raro para Isaac conseguir falar tão abertamente com alguém. Era algo que ele havia apenas feito com seu avô, e raras vezes com Ryan. Todos os seus pensamentos simplesmente saíam sem ele ter tempo de impedí-los. Talvez ele começasse a gostar de passar algum tempo com os irmãos Greenfield.
O tempo passou, e eles logo voltaram para Gale, para pegar a espada que ele havia feito.
– Está aqui, pronta! – o velho disse, mostrando-a.
Isaac pegou a espada, observando a lâmina extremamente branca dela. Ele deu alguns rápidos cortes no ar, notando assim a leveza da espada em consideração as suas de ferro. “Só espero não ficar mal acostumado.” Pensava.
– E então? – Logan perguntou.
– Ela parece ser muito boa, realmente.
– Que tal a testarmos? – o moreno então sacou sua espada das costas, indo em direção ao ruivo.
– Claro!
Eles ficaram alguns minutos naquela luta de espadas, para que Isaac se acostumasse a maior leveza da espada, já que era feita de um material muito superior ao ferro a qual ele era acostumado.
– Ótimo. – ele então guardou a espada nas suas costas. – Isso vai servir!
– Haha. Sabia que ia gostar. – Logan então se virou para Gale, e entregou um pequeno saquinho. – Aqui está seu pagamento, Gale.
– Obrigado, Logan.
Eles já estavam prontos para sair, quando Isaac se lembrou de algo. Ele se virou para Gale, e, retirando uma espada quebrada do cinto, perguntou.
– Gale, você poderia me dizer sobre esse metal dessa espada? – ele mostrava a espada Greyveil para o ferreiro.
– Então essa é a espada da sua família, Isaac? – Logan perguntou.
– Sim. A lendária espada da família Greyveil.
– Hmm... – o ferreiro ficava examinando a lâmina da espada. – Essa espada... Ela é feita de um metal muito raro.
– E qual seria?
– Dark Ore.
– Dark Ore?
– Sim. É um metal negro que só é achado em climas aonde o ar é quase nulo. Lava, montanhas muito altas, o fundo do mar. Os locais aonde o oxigênio não consegue ficar.
– Hmm... Entendo.
– Você pretende consertar essa espada? – o velho perguntou.
– Eu pretendia, assim que eu soubesse de que material é. – Isaac respondeu, pegando a espada de volta.
– Dark Ore é um metal raro, mas esse não é o único problema. Ele precisa de condições específicas para ser fundido. Por isso, só existe um local em Celes aonde isso pode ser feito.
– E qual seria? – Logan perguntou.
– A montanha Haildusk, ao sudeste daqui.
– A montanha perto de Bergsink, a cidade da escola de magia?
– Exatamente. Então, Isaac, eu realmente acho difícil de conseguir fazer isso. Mesmo que tu consigas o metal, o que já vai ser perto do impossível, é necessário ir até a montanha, e nenhum ferreiro em Celes iria se arriscar em um lugar tão inóspito.
– E que tal... – Isaac começou a falar. – Se você me ensinar a criar armas?
– O que? – o velho se espantou. – Você quer tanto assim arrumar essa espada?
– Ela faz parte da história da minha família, é algo que eu realmente preciso fazer. – ele olhou para o chão. – Por alguém...
– Hmpf, tudo bem. Mas isso não vai sair barato.
– Quanto a isso, deixe comigo. – Disse Logan.
– Logan...? – Isaac olhou para o moreno, com uma cara confusa.
– Relaxe, Isaac, não é como se o dinheiro da minha família fosse acabar por causa disso. Somos ricos, você sabe disso!
– Certo, obrigado. – ele se vira para Gale. – Eu preciso de um intensivo de um mês.
– Um mês?! Você enlouqueceu?! Não é como se desse para aprender a usar Dark Ore em um mês!
– Eu preciso! Daqui a um mês vou sair da cidade em uma missão!
– Hmpf... Certo, mas você vai passar cada hora do dia trabalhando com metal! Até mesmo quando estiver comendo ou dormindo, vai sentir o cheiro do ferro e o calor da forja!
– Certo! – respondeu, em prontidão.
E o resto do mês passou assim. Todos os dias, quando os primeiros raios do sol apareciam, Isaac já estava junto de Gale, aprendendo como mexer com qualquer tipo de metal, e só voltava pra casa quando a lua era a única coisa que iluminava as ruas. Nos raros tempos livres, apareciam Logan e Ryan para tentar anima-lo.
Tudo pronto, e um mês depois, Isaac se despedia de Goldensgreek novamente.
– Tudo pronto, Isaac? – Ryan perguntava, ao seu lado.
– Tudo pronto. – respondeu rapidamente, ajeitando uma pequena bolsa nas costas.
– Eu sinceramente acho que tu deverias levar mais coisas. Isso parece que vai acabar em uma semana ou menos.
– Se eu levar coisas demais, vai me deixar mais lento e eu demorarei mais. Além do mais, é fácil conseguir dinheiro e mantimentos nas cidades que eu passar.
– Se você diz...
– Ótimo, se eu viajar grande parte do dia, consigo chegar lá em duas semanas. Então te vejo em um mês e meio.
– Você não vai se despedir dos Greenfields?
– Não é necessário. Eu já falei com eles ontem a noite.
– Hmpf... Certo. – ele então dá um abraço no ruivo. – Boa sorte e boa viagem, Isaac!
– Obrigado. – Isaac então começou a andar, seguindo para longe da cidade. – Prepare alguns trabalhos decentes para quando eu voltar, e não se esqueça do meu dinheiro! Haha!
Após alguns minutos, a silhueta de Isaac já não conseguia mais ser vista de Goldensgreek. Sempre seguindo ao leste, para chegar até Ageon.
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– Senhor! Isaac Greyveil saiu de Goldensgreek! – uma figura baixa gritava, naquela sala mal iluminada.
– Ele saiu? Diga-me os motivos e o destino. – a voz masculina respondeu.
– Um trabalho da rede do Barret. O destino é Ageon. Entretanto, o trabalho em si ainda é desconhecido.
– Ageon, huh...? – ele olha pela janela que estava ao seu lado. – É bem no caminho... Vamos intercepta-lo no meio do caminho. Teremos que fazer uma oferta irrecusável.
– Certo, senhor! – ele saiu da sala rapidamente.
– Finalmente... – o homem pensava, enquanto olhava para a praça central de Goldensgreek. – O plano vai começar...
Entretanto, os pensamentos dele foram interrompidos por uma outra voz masculina.
– Hey, padre! – o moreno alto dizia, entrando no local.
– Logan Greenfield! – o homem respondeu. – A que devo a sua presença?
– Nada de mais. – Logan falou. – Eu só queria ver como estão as coisas. Faz algum tempo que não venho aqui, de qualquer jeito.
– Só porque você não vem mais até a igreja, não quer dizer que sua fé diminuiu. Não se preocupe, Logan.
– Certo, padre. – ele então se vira, se preparando para sair. – Enfim, vou indo. Tenho que falar com alguns mercadores da cidade sobre algumas revindicações deles...
– Boa sorte, Logan. – o padre disse, enquanto observava o cavaleiro sair da igreja. – Droga. Precisamos ser rápidos. Agora que achamos alguém para fazer o trabalho, já estamos na metade do trajeto...
Fim do capítulo 6
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