Blade Of Fate

6 Alexandrite to Ruby




– Você é Logan Greenfield?!


Os dois se entreolhavam um tanto espantados. Nenhum deles esperava ver o outro novamente, ao menos não naquela situação.


– Heh... – Logan começou a falar. – Realmente é engraçado que nos encontremos de novo aqui.

– Bastante. – o ruivo então começou a lembrar daquele garoto que fugia dos soldados, e então olhou novamente para o Senhor de Goldensgreek que estava em sua frente. – Você não parecia alguém nobre quando nos encontramos, um ano atrás.

– Haha! – ele riu. – Eu realmente não lhe mostrei algo muito “bonito” de mim, não é mesmo?

– Quer dizer... – Nathaly finalmente resolveu entrar na conversa. – Que vocês dois se conhecem?

– Nós nos encontramos um ano atrás, Nathy. – Logan falou para sua irmã, então deu uma olhada para Isaac como se falasse “Continue”.

– Eu estava chegando a Goldensgreek e encontrei um homem fugindo de soldados daqui. Só que eu não sabia que aquele homem que mais parecia um fugitivo era o Senhor da cidade.


Logan riu novamente. Embora agora ele estivesse com roupas nobres, dava pra notar o mesmo olhar de um jovem alegre e sincero. Isaac achava aquilo nojento.


– Ótimo. – o ruivo disse, dando as costas. – Sua irmã está segura, agora, se puder me dar minha recompensa, eu vou indo.

– Hey, pra que a pressa? – ele então chegou mais perto e colocou a mão no ombro de Isaac. – Eu ainda não tive tempo de agradecer por tudo que fez por mim!

– Hmpf... – Isaac fez um olhar assassino para Logan, mas o moreno pareceu não ter notado, ou simplesmente ignorou.

– Você me deu parte de sua comida e água naquele dia, mesmo eu sendo um completo estranho. E hoje você salva a minha irmãzinha de um grupo de mercenários. – ele olhou novamente para o jovem, e completou. – Você parece ser uma boa pessoa, Isaac Greyveil.

– E isso por acaso importa? – ele disse, indiferente.

– Hey, hey, não precisa ser tão frio. – Logan deu uma pequena risada. – Sabe, como Senhor de Goldensgreek, eu não tenho muitas relações que não sejam apenas por causa da minha posição, eu simplesmente não tenho amizades.

– E o que isso tem haver comigo?

– Eu gostaria de me tornar seu amigo, Isaac Greyveil.


Um olhar de espanto podia ser visto no rosto de Isaac. “O que diabos ele quer com isso?” era o que o garoto pensava incessantemente.


– De todas as pessoas, porque eu? – Logan deu um pequeno suspiro, e respondeu:

– Porque você parece ser o tipo de pessoa que não se importa com a minha posição. Ou melhor, tem raiva dela. – Isaac novamente se espantou. Logan havia conseguido lê-lo completamente.

– E como diabos você sabe disso?

– Desde que chegou você me deu olhares assassinos. Você tem tanta raiva de mim e de minha posição, que se não fosse pela chance de ser executado, você me atacaria aqui e agora.

– Hehe... – Isaac riu. Não havia como segurar, vendo aquelas palavras saírem da boca de Logan. – Pelo visto você conseguiu me ler completamente... Logan Greenfield.

– Você que é muito simples, Isaac Greyveil.

– Então não há motivo para mentir para você. – ele se virou, e com o seu básico olhar de indiferença, disse. – Eu não quero ficar nem mais um minuto no mesmo local que você. Então se você me entendeu, eu vou indo...


Naquele exato momento, Logan pega uma espada de duas mãos que estava num canto da sala e parte para cima de Isaac, que defendeu no ultimo momento, sacando suas duas espadas.


– Irmão, o que está fazendo?! – Nathaly perguntou, desesperada.

– Pelo visto nosso amigo aqui não é do tipo que se convence com palavras. – ele então pressionou a espada, fazendo com que Isaac tivesse que recuar. – Então talvez ele se convença pela lâmina de nossas espadas.

– Hah! – o mercenário riu. – De onde você tirou essa idéia, Greenfield?

– Uma luta de espadas entre dois homens honrados é algo clássico, Isaac. Guerreiros se entendem melhor lutando do que conversando, não estou certo?

– Hmpf. Devo admitir que você diz algumas coisas interessantes, Logan. – ele preparou suas espadas em sua frente, pronto para ir à luta. – Mas não chore se eu acabar te cortando, ok?

– Certo. – Logan também preparou a sua espada, num movimento ofensivo. – Mas então deixe-me alertá-lo para ter cuidado. Não quero que você morra tão rapidamente.


Os dois então começaram a se atacar. As lâminas se chocavam quase que todo segundo. A luta poderia demorar por horas, porém a espada de Isaac havia começado a abrir rachaduras.


– Huh? – ele parou, e observou as rachaduras que começavam a aumentar na espada. Logan também parou, vendo o espanto do outro.

– O que aconteceu?

– A espada... Está rachando.


Apenas alguns segundos após Isaac falar, a espada quebrou, caindo no chão em vários pedaços.


– Mas... O que...?! – o garoto não entendia o que havia ocorrido.

– Hmm... – Logan se aproximou, e começou a observar os fragmentos que haviam caído da espada. – Partículas mágicas... Isaac, você, por acaso, é um Magic User?

– ... – ele hesitou. Não era exatamente o tipo de pergunta que gostaria de responder, mas mentir naquele momento já estava fora de cogitação, principalmente após Nathaly ver seus poderes mais cedo. – Sim, eu sou um Magic User.

– Então está explicado. – ele levantou e olhou para Isaac. – Você provavelmente deve ter mandado muito poder para sua espada, e ela não agüentou. Armas comuns têm esse problema, você não pode usar poderes nela ou elas simplesmente irão acabar destruídas.

– Como você sabe disso?


Logan riu. Logo, ele mostrou a mão para Isaac, e assim, criou uma pequena esfera negra. Ele também era um Magic User.


– Magia das sombras... – falou o ruivo, baixinho.

– Exatamente, é por isso que eu sei exatamente o que está acontecendo com sua espada.

– Há algum jeito de acabar com isso?

– Só um. Usando armas que tenham propriedades mágicas. Porém elas são muito raras e difíceis de fazer. A única coisa que posso sugerir a você é conseguir uma espada nova e não usar magia nela.

– Parece bom, não é como se eu fosse usar meus poderes por qualquer coisinha. – ele se lembra do porque usou magia contra os mercenários. – Eu só usei mesmo porque eu fiquei irritado.

– Então, de qualquer forma, eu acho que eu te devo. – ele se aproxima de Isaac com um pequeno pacote. – Aqui está o dinheiro que prometi pelo resgate da Nathy.

– Certo. Agora posso ir?

– Eu ainda me vejo em débito contigo, apesar de tudo... Então eu vou lhe dar uma nova espada para substituir a que quebrou.

– Não é necessário, acredite.

– Não se preocupe! Eu faço questão! – ele então segura o garoto pelo pescoço, e com um grande sorriso, fala. – Além do mais, é um bom jeito de segurar conosco.

– Hmpf. Ok. Esse cara é realmente irritante.



O tempo passa e Isaac finalmente consegue retornar para casa. O garoto, cansado, rapidamente guarda suas coisas e se senta na cama, para então começar a pensar.


– E parece que hoje eu fui contra tudo que eu acreditei em todos esses anos... – ele pegou o velho amuleto que pendurava em seu pescoço e pensou. – Me desculpe, mãe. Mas parece que eu adoro quebrar as promessas que fiz para ti.


Os seus pensamentos foram quebrados pelas lembranças do que seu avô tinha lhe dito no dia anterior ao desastre de Saigos.


“Você, desde criança, sempre lutou somente para sobreviver. Começou a roubar como necessidade. Já é tempo de parar com isso! Você se recusa até a usar os poderes que tem!”


– Está feliz agora, vô? Eu usei os poderes! Eu... Usei os poderes que eu tinha tanto medo. E agora? O que resta pra mim? Vou virar escravo “disso”?


*TOC* *TOC*


Alguém havia batido na sua porta, quebrando seus pensamentos. Ele vai até a porta para achar Ryan, que, com um sorriso no rosto, segurava uma pequena sacola. O elfo vai entrando sem cerimônia, se sentando numa cadeira e falando.


– Então, como foi a noite com o herói de romance?

– Nada de mais. Mas eu ao menos espero que hoje tenha sido a ultima vez que falei com ele.

– Hah! Realmente é engraçado que alguém como você acabe sendo convidado por ele... – ele pensa um pouco sobre o acontecido. – Se bem que foi a irmã dele que te convidou, não?

– Sim, exatamente. E eu só aceitei porque fui obrigado.

– Mas não quer dizer que tu podes ter qualquer chance com a irmã dele? Ela é linda, você sabe!

– Hmpf... – Isaac então deu um olhar repressor para Ryan. – Você não veio até aqui para falar de garotas, certo?

– Certo! – ele pega a sacola e mostra pra Isaac uma pequena jóia que Isaac reconheceu. – Você se lembra disso, não?

– Claro. É a alexandrita que eu tive que roubar um ano atrás. Como você a conseguiu?

– Quando você tem fontes, você consegue qualquer coisa! Porém eu também soube de algo interessante...

– E o que seria?

– Que você tem um rubi parecido com essa alexandrita.


Isaac ficou pasmo com o que Ryan tinha acabado de falar. Ele não havia sido cuidadoso o bastante nos últimos tempos? Ryan apenas ficou o olhando fixamente. Como o garoto não lhe deu nenhuma resposta, ele perguntou:


– É verdade, Isaac?

– ... – ele hesitou, mas então resolveu falar a verdade, afinal, Ryan tinha sido amigo dele por todo o ano. – Sim, é verdade.


Isaac foi até seu baú e retirou de lá algo que ele não havia mexido já havia um ano – a espada Greyveil. Ele deu uma olhada na pedra vermelha que estava no meio do punho, um rubi, e então mostrou para Ryan.


– Essa aqui é a espada lendária da minha família... No centro se vê o rubi de que você ouviu falar.

– Hmm... É realmente como eu soube...

– Tem algo de especial nessas pedras?

– Não sabemos, porém, elas parecem ter uma grande quantidade de partículas mágicas no seu interior.

– Partículas mágicas?

– Sim. Toda vez que alguém usa uma magia, seja humano ou elfo, ele retira partes de partículas mágicas de seu interior e converte em poderes inimagináveis. Elfos tem a capacidade de gerar partículas mágicas continuamente, porém humanos ganharam grandes quantidades de partículas mágicas após a Guerra Mágica. Entretanto, após décadas, essas partículas foram enfraquecendo ou mesmo acabando, fazendo com que a maioria deles perdesse a capacidade de usar magias. Mas alguns humanos tiveram uma mudança genética, que capacitou que criassem partículas mágicas do mesmo jeito que elfos.

– Ok. Mas o que isso tem haver com essas pedras?

– As pedras têm muito mais partículas mágicas do que grande parte da população de Celes. – aquilo foi o bastante para Isaac tomar um susto. Uma pedra poderia ter mais poder do que ele mesmo?

– A minha também tem isso?

– Sim. Ela parece ter ainda mais poder do que essa alexandrita, o que é incrível.

– Alguma razão em especial para isso?

– Não sei. Eu esperava que você pudesse me dizer algo, já que guarda esse rubi. Mas você parece tão perdido quanto eu...

– Pois é. Infelizmente não tenho muito conhecimento sobre essa pedra, e também não consigo sentir nada dela.

– Você sabe da história dessa espada, ou de como ela se quebrou? Sabendo em que período da história ela estava sendo utilizada pode nos ajudar. Até mesmo saber quem a empunhou pode ajudar.

– Eu não sei de nada. Meu avô nunca me contou sobre a espada em si... Eu só sei que a maior parte da família Greyveil empunhou essa espada, mas não tenho idéia de quando começou nem nada disso.

– Heh... – Ryan suspirou. – Isso é muito problemático.

– E sobre essa alexandrita, o que você sabe?

– A única coisa que sabemos é que um mercador vendeu a pedra para a família que você roubou faz alguns anos. Nós falamos com o mercador, e ele disse que comprou de um ladrão que costumava entregar coisas interessantes para ele... E o ladrão já está morto.

– De volta a estaca zero, eu imagino.

– Porém nós sabemos de algo.

– Heh, agora sim! O que você pode me dizer?

– Tem mais dessas pedras espalhadas pelo continente.

– Quantas mais?

– Não sabemos. Porém nós temos algumas idéias...

– E elas seriam...?

– Nós pesquisamos, e um diamante especial havia sido passado de geração por geração na Guilda dos Espadachins.

– Guilda dos espadachins?

– Era uma guilda famosa por treinar alguns dos mais poderosos e habilidosos espadachins existentes.

– Então porque vocês simplesmente não vão com eles confirmar?

– Nós não podemos.

– Por quê?

– A Guilda dos Espadachins foi destruída faz oito anos.

– Algum acontecimento interessante?

– Ao que parece, um grupo de mercenários foi contratado para acabar com todos... Provavelmente por causa de alguma rixa ou rivalidade... Quem sabe...

– Então essa pedra está fora de questão, não?

– Sim, porém nós temos mais uma. Uma ametista que foi vista numa cidade longínqua chamada Ageon.

– Mas essa não foi a cidade que misteriosamente ficou sem habitantes vários anos atrás?

– Essa mesma. Um viajante disse que, quando passou pela cidade, quando ainda era próspera, viu uma ametista que parecia emanar uma espécie de energia especial.

– E você e seu grupo pretendem ir até lá para procurar pela pedra?

– Não, meu amigo. Isso vai ser seu próximo trabalho!

– Próximo trabalho? Você realmente espera que eu vá correr atrás de uma pedrinha?

– Nós lhe pagaremos bem, você sabe disso. – Ryan se levantou da cadeira, com um sorriso diante de Isaac. – Além disso, você é simplesmente o melhor para esse tipo de trabalho. E eu confio em você.

– Hmpf... – Isaac não conseguiria recusar depois de ouvir “pagaremos bem”. – Certo, mas vou precisar de um tempo pra me preparar. A viagem é longa, afinal.

– Sem problemas! Sei que vai ser difícil juntar mantimentos e tudo mais, além de que precisarei avisar todos os envolvidos sobre isso, então que tal um mês?

– Um mês está ótimo.

– Perfeito. Sei que você vai fazer um ótimo trabalho, Isaac. – Ryan então começa ir em direção a porta.

– Eu sempre faço, não é?

– Haha! É isso que eu gosto em você, meu amigo! – ele então abre a porta, e saindo, diz suas ultimas palavras. – Te vejo amanhã, boa noite!


Isaac finalmente conseguiu ficar sozinho. E, olhando para a espada, pensou.


– Estou vendo que você ainda vai me dar muitos problemas por causa dessa espada, vô. Mas não sei se consigo ficar irritado contigo por causa disso...


Ele então guardou a espada novamente e dormiu, pensando no que lhe aguardaria nos próximos tempos.


Fim do capítulo 5