Black Terror
1 A carta de Dumbledore.
Capítulo 1. — A carta de Dumbledore.
– Boa tarde. — disse Remo, sorrindo ao entrar na casa.
– Remo! — Lyra sorriu alegremente, correndo na direção do padrinho, abraçando-o — Jasmim, Remo está aqui. — gritou a menina para a irmã.
– Lobinho! — grita Jasmim, enquanto descia as escadas escorregando sentada no corrimão. — Estava demorando, não me diga que se perdeu. — sorri travessa.
– Jasmim, a tia já falou que não é para você fazer isso. — afirma Lyra, com um revirar de olhos.
– Exato. Falou, não mandou. — faz carinha de anjo. — Então tio, qual vai ser a aula do dia?
Remo sorriu, olhando para as meninas.
– Qual vocês preferem, Poções ou Defesa Contra As Artes das Trevas?
– Poções.
– Defesa Contra As Artes das Trevas. — respondeu Lyra, ao mesmo tempo que a irmã.
– Ou uma ou a outra. Decidam-se. — diz Remo divertido, olhando de uma para a outra.
– Eu aceito Poções. — afirmou Lyra, cruzando os braços e sorrindo — Se depois você contar mais para a gente sobre o seu tempo em Hogwarts.
– Gostei da ideia, cópia. — Jasmim olhou então para o padrinho de forma maliciosa. — Tia Dorcas andou deixando escapar que os mais quietos eram os mais fogosos. O que será que ela quis dizer? — questionou com uma expressão de falsa inocência.
– O que Dorcas anda falando pra vocês? — o lobisomem olhou hesitante de uma para a outra.
Lyra e Jasmim trocaram um olhar malicioso e sorriram, virando-se para o padrinho.
– Nada de mais, tio Remo. Nada de mais. — disse Lyra.
– Também nada de menos, Remuxo. Agora vamos. Temos uma aula para ter, antes do momento recordações. — sorri animada.
– Depois a Dorcas fala que não parecem os pais. — resmungou Remo.
– É a genética, tio. Nunca ouvi falar? — brincou Lyra.
– Vamos logo. Só por causa das piadinhas vou escolher uma poção que demore no mínimo duas horas. — informa Remo seguindo até a sala de estudos.
– Está parecendo o tão falado Snape. Falta só tirar alguns pontos da Grifinória. — zomba Jasmim.
Lyra riu da fala da irmã. Desde pequenas as meninas eram criadas em casa, tendo aulas com Remo e Dorcas, porém ambas sempre ouviam as histórias que seus padrinhos contavam sobre Hogwarts, seus professores e tudo que eles e seus amigos aprontavam na época em que estudavam.
– Ok, agora deu de conversa e vamos estudar, sim? — falou Remo, colocando um livro em frente as meninas.
– Vamos ganhar estrelinhas ou chocolates? — questionou Jasmim olhando do grosso livro para o padrinho.
– Ou qual quantidade dos dois? — completou Lyra, separando os ingredientes que o livro solicitava.
– Muito engraçado meninas. Antes que esqueça, Lyra sem explodir o caldeirão e Jasmim sem tentar métodos de melhorar a poção. — diz Remo seguido até uma mesa um pouco distante, como que por segurança.
– Eu não explodo o caldeirão. — afirma Lyra, com um bico — É a Jasmim que mexe nas minhas poções.
– Eu nada. Eu faço novas experiências seguras, você que tenta nos matar. — retruca a gêmea.
– Tio Remo! Ouviu isso? Ela mexe no meu caldeirão sim.
– Sem brigas, as duas. — advertiu Lupin.
Ambas ficaram quietas por algum tempo enquanto faziam a poção, porém sendo filhas de quem são a paz não durou muito. Uma fumaça suspeita começou a preencher todo o ambiente com um cheiro nem um pouco agradável.
– Qual das duas fez isso? — Lupin perguntou.
– Jasmim! Remo falou para não testar novos métodos. — gritou Lyra, tampando o nariz.
– Não tive culpa, meu lado cientista maluca falou mais alto. E é melhor sairmos daqui, isso pode ser tóxico. — diz antes de sair dali correndo.
– Mas que baderna é essa? — escutou-se a voz de Dorcas gritar do andar de cima.
Remo balançou a cabeça e abriu as janelas, tentando fazer com que aquele cheiro fosse embora. Logo após, saiu da sala de estudos, fechando a porta atrás de si.
– Eu abri as janelas. — afirmou Remo, olhando para as gêmeas — Espero que isso resolva.
– Eu também espero que resolva. Ou sem mesada por um mês. — gritou Dorcas assustando a todos.
– Não! Sem mesada não! — gritaram as duas garotas.
– Então é melhor o culpado aparecer. — Dorcas avisa, antes de sair dali em direção a cozinha.
– Relaxem, logo ela esquece. — Remo fala suspirando.
– Eu espero. — diz Lyra baixinho — Tem novos produtos da Zonko's que eu tenho que comprar!
– E eu fiquei sabendo sobre um novo livro de azarações. — sussurrou Jasmim só pra irmã escutar.
– Sério? — diz a outra empolgada — Você compra o livro e eu compro os doces da Dedos de Mel, ok?
– Mas você não ia comprar as traquinagens? — perguntou confusa.
– Eu tenho algum dinheiro guardado. — sussurrou com uma careta.
– Você não me disse isso quando eu pedi emprestado pra comprar meu jogo de poções avançadas — fala fazendo uma careta.
– Sabe o que aconteceu lá dentro a poucos minutos? É, então, foi por isso.
– Sua... — começou Jasmim, porém foi interrompida pelo padrinho.
– Já chega meninas. Como houve um pequeno e esperado imprevisto, terão uma prova surpresa de História da Magia. — informou Remo com um sorriso maroto.
– História da Magia? Tio Remo, você me odeia? — perguntou Lyra, fazendo cara de inocente.
– Sim, porque só nos odiando para fazer essa maldade. — Jasmim completou a frase da irmã.
Remo revirou os olhos, mas antes que pudesse falar alguma coisa, Dorcas entrou na sala.
– Remo, tem uma carta para você.
– Que isso padrinho, traindo a Dorquinhas? — perguntou Jasmim fazendo uma falsa expressão de chocada.
– Muito feio, titio. Tia Dorcas, nós te daremos o apoio que você irá precisar com o fim do relacionamento. — afirmou Lyra, fazendo uma expressão séria.
– Calem a boca. — resmungou a loira.
–Mas se calarmos a boca... — começou Jasmim.
– Como vamos responder as perguntas do tio Remo? — conclue Lyra.
– No papel? — pergunta Dorcas.
– Mas as provas dele são orais.
– Mas se a senhora insiste que fiquemos quietas...
– Acreditamos que o padrinho não vai se importar em cancelar o teste.
– O teste foi cancelado. — afirmou Remo.
– O que? — perguntou Dorcas, sem entender nada.
– Sério? — as gêmeas gritaram felizes.
– Mas porque? — perguntou Dorcas, ainda confusa.
– Carta de Dumbledore. — afirmou Remo.
–Como assim carta de Dumbledore? — questionou Dorcas.
– Dumbledore precisa de um professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. — explicou Remo — E ele está me convidando para ser esse professor.
– Vamos conhecer a imitação do Papai Noel? — Jasmim perguntou de olhos brilhantes.
– Jasmim! — repreendeu Dorcas.
– Meu nome. — respondeu a menina, provocando risos na irmã.
– Ok. As duas, lá para cima, agora! — diz a loira.
– Mas tia... — começaram juntas.
– Sem tia. Agora! — gritou apontando pra escada.
– Mas avisem quando o assunto acabar e vocês começarem a se pegar. — respondeu Lyra, mostrando a língua para a tia.
Antes que Dorcas ou Remo pudessem gritar alguma coisa, as gêmeas já haviam saído de suas vistas e ido para o quarto. Jasmim correu até um canto do quarto, afastando o tapete e tirando um pedaço de madeira solta, que dava vista para o escritório, onde eles iriam conversar.
Lyra empurrou a irmã para o lado e se postou ao lado dela, também tentando ouvir a conversa dos tios.
– Você vai aceitar? — elas ouviram Dorcas perguntar.
– Sim, pelo que a carta diz, Dumbledore realmente precisa de minha ajuda. — suspirou cansado se sentando em uma das cadeiras.
– E as meninas?
– Você acha que dá conta de ensiná-las sozinha?
– Remo, nem você dá conta de ensiná-las sozinho.
– Então só nos sobra uma única opção. — Remo falou incerto.
– Eu não quero ser a responsável pelas garotas que destruíram Hogwarts.
– Não acho que elas sejam piores que Tiago e Sirius juntos.
– Tiago e Sirius davam um tempo para assediar as garotas, elas não vão dar um tempo.
– Tomara que ela não deem tempo pra assediar meninos e sim para os estudos. — resmunga um Remo ciumento.
– Awn, isso é ciúme, Remo? — brincou Dorcas.
– Não. É um instinto de proteção adquirido ao decorrer dos anos junto com elas. — afirmou ele emburrado.
– Em outras palavras, ciúmes.
– Não, é instinto protetor. — voltou a afirmar. — Mas quer saber de uma coisa? Se Hogwarts sobreviveu aos Marotos, acho que vai sobreviver as filhas de um deles.
– Você esqueceu do Harry.
– Até onde sei ele não dá tanto trabalho. — fala arqueando uma sobrancelha.
– E você acha seguro juntar os filhos deles? Acha que não vai dar trabalho?
– Eu espero que não. Mas pode ser nossa única alternativa deste modo.
– Hogwarts que se prepare. — murmurou.
– Minerva ganhará mais cabelos brancos do que na nossa época. — Remo falou maroto, antes de puxar a loira para si e a beijar.
– Eca. — resmungou Lyra, ao ver a cena.
– Argh. Você não acha que eles estão com muito fogo? Acho que merecem esfriar. — murmurou Jasmim divertida.
– Gostei da ideia. — Lyra murmurou de volta.
As morenas pegaram algumas bexigas e as encheram de água, antes de voltarem para o buraco e perceber que os adultos ainda se beijavam. Após soltarem mais uma exclamação de nojo, atiraram as bexigas nos padrinhos, colocando a madeira e o tapete no lugar logo após.
– Lyra Phoenix Black e Jasmim Aquila Black. — gritaram Dorcas e Remo.
– Corre. — murmurou Lyra, de olhos arregalados.
– Não dá mais. — murmurou de volta, ao escutar passos na escada.
– Finge que está dormindo, Jas.
– Melhor. — falou correndo até seu armário. — Poção do sono, dura duas horas. — pegou dois frasquinhos e entrega um pra irmã.
Rapidamente, as duas tomam o conteúdo do frasco, deitando em suas camas logo após. Pouco tempo depois, a porta é aberta, revelando Dorcas e Remo.
– Eu sei que vocês estão acordadas! — gritou Dorcas. — Podem ir parado de fingir.
– Hum... Elas estão realmente dormindo. — afirmou Lupin.
– Não, elas estão fingindo. Ninguém dorme assim tão rápido.
– Olhe só. — Remo mostrou os frascos vazios, que as duas haviam deixado no chão.
– Assim que acordarem estão ferradas. — resmungou Dorcas.
Remo riu e abraçou a jovem.
– Vamos, temos que resolver algumas coisas ainda.
– Poderíamos aproveitar depois, não? — a loira fez questão de destacar o duplo sentido.
– Claro, amor, tudo o que você quiser.
Após discutirem sobre a educação das meninas e mandarem a carta com a resposta e o pedido para que as meninas pudessem estudar em Hogwarts, os namorados seguiram para o quarto, onde aproveitaram o sono das meninas.
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