Black Jack

14 Fatos Estranhos


Notas iniciais
Estou muito feliz com os comentários de vocês! Muito mesmo! Agora vamos um pouco ao mistério da fanfic... Beijão!

Era tarde, as fogueiras estavam acessas e alguns dos criminosos de Arnie Austin se reuniam em torno do fogo para assar um animal selvagem que haviam capturado mais cedo. Draco permanecia afastado do grupo, inconformado por ter cedido às ameaças do bandido. Prometera a si mesmo não voltar mais para aquela vida e misturar-se com tais tipos. Nunca fora um completo honesto, mas, pelo menos seus delitos jamais machucaram alguém. Ali, olhando para aqueles tipos, via rostos de assassinos debochados. Verdadeiros pervertidos pela violência e dor humana.

Não conseguiria suportar cavalgar ao lado de nenhum deles mais. Chegara o momento de usar suas habilidades escorregadias para afastar-se do bando.

—Amanhã nos separamos em dois grupos. — disse Austin, aproximando-se de Draco, num ponto distante dos demais. Fitavam no horizonte na direção do poeirento oeste — Volto para o leste. Você vai na companhia de alguns dos meus, procurar o casal. Quando os encontrar, faça o serviço completo! Precisa descobrir se o marido ainda está vivo, e, se estiver, terá de mata-lo também. Vingança é tudo o que não preciso agora. Não vejo a hora de tirar essa pedra do caminho... — suspirou, cruzando os braços.

Ele avaliou o outro de soslaio. O que mais causava estranheza em Arnie Austin, para muitos isso era a maior fonte de pavor que a figura dele impunha, eram seus modos refinados, sua fala macia e educada, até mesmo seu aspecto oposto ao dos que o seguiam. “Os europeus chamavam isso de requinte, mas dava para se ter requinte sendo um criminoso no oeste americano?” Draco sempre ficara confuso quanto há isso, desde o tempo que o seguia nas emboscadas pelas estradas, por um pouco de dinheiro.

— Eu parto hoje à noite. — disse o loiro, acariciando a coronha da sua arma no coldre.

Arnie olhou com um grande ponto de interrogação no rosto. Tinha pupilas brilhantes e sinistras.

—Meu serviço executo só. — continuou — Sabe que não trabalho com mais pessoas quando estou rastreando.

— Me dê uma razão para confiar em você, Draco? — ele coçou a testa. Sua voz naquele agouro suave.

— Provavelmente nunca vai encontrar, porque eu não confio em você. — reinterou.

— Justo. — Arnie voltou a cruzar os braços.

De perfil, voltando a encarar o vazio noturno, nem parecia possuir a fama que carregava. As atrocidades do sujeito impressionavam a todos, e antes de conhecê-lo pessoalmente, o loiro tinha uma ideia animalesca de sua fisionomia por tudo que representava Arnie Austin. Entretanto, seus dentes bem cuidados, os cabelos alinhados e a postura ereta jamais diriam nada de mal daquele homem, se seu passado não fosse tão sórdido.

— Também não vejo razão para deixá-lo ir sozinho. — comentou mortalmente.

Uma raiva incutida borbulhou até a garganta do jovem pistoleiro.

— Acho que meu primo sendo ameaçado já é razão suficiente! — disse entre os dentes.

— O tal Ronald Weasley foi um embate pra você. Precisa de apoio caso as coisas saíam erradas como da última vez. — insinuou-o quanto a vez que Draco fora capturado pelo Weasley.

Ele havia pensado nesse argumento e ensaiara sua resposta:

— Quando seus homens agiram em manada em Rocky Deep, eles fugiram. Agindo sozinho posso entrar no quarto do mercenário e colocar uma arma na sua cabeça, sem nenhum tumulto. Quanto à mulher, ela é só uma mulher...

Arnie considerou o pedido. Dependendo da resposta, Draco continuaria ali, se sentindo do jeito como estava se sentindo agora: refém. Por fim, o outro disse:

— Têm dois meses para dar cabo deles. Nada mais! Se a notícia do fim dessas pessoas não chegar aos meus ouvidos até esse prazo, passará de um antigo desafeto há um traidor declarado. — focalizou-o nos olhos ­— Pode partir. Seu tempo está correndo.

***

Três dias galgaram desde que Draco Malfoy debandou no caminho oposto a trupe de foras da lei. Acampou no mato, dormiu dentro de fendas rochosas quando passava pelos trechos onde era perigoso relaxar com o corpo exposto, e foi caçando pequenos roedores para manter-se alimentado durante seu, contraditório regresso, ao velho mundo dentro da America. Suas raízes não estavam no Oeste.

Não nascera sob a poeira vermelha ou a miséria seca e suja daquelas cidades, mas vivera muitas aventuras naquelas terras. A maior delas ainda ecoava em sua vida: saíra de lá como um foragido. Por isso era tão importante evitar as cidades: mesmo após muitos anos, alguém podia cismar em reconhecê-lo.

O velho Turner com suas tortas palavras sempre lhe dizia que em qualquer lugar podia se fazer inimigos, e também amigos. E Draco angariou a afeição de alguém muito importante na sua fuga de outrora.

A justificativa que dera a Arnie, de que sozinho seria mais sucedido, não fora um mentira, só que outras intenções afloravam na mente sempre pulsante do loiro. Inicialmente, antes de cogitar puxar o gatilho contra alguém, ele necessitava de uma arma de verdade.

Um bom armamento para enfrentar, à altura, quem um dia deixou uma cicatriz em seu antebraço esquerdo, o mercenário Ronald Weasley. Seu Colt surrado o ajudara muito no passado, atualmente corria um sério risco de emperrar em pleno disparo.

O motivo mais forte era outro. Informações! Que plano ardiloso era aquele sequestrar um trem lotado com ouro, a caminho do Leste? Como Arnie obtivera tal conhecimento para início de conversa?

Draco atravessou o limiar entre o deserto e a cidadezinha de Albuquerque, praticamente à noite. Era seu quarto dia ao relento e o pistoleiro esperava ansioso, que tivesse uma trégua naquele cotidiano nômade. Havia uma chance de tudo ter mudado com os anos, do velho amigo xerife ter morrido, da fazenda Slughorn não existir mais, mas ele tinha que arriscar. Não tinha mais nada, além da esperança.

Contornou o centrinho de Albuquerque, escolhendo um caminho mais longo e calmo que levava a fazenda, chegando à porteira junto com as primeiras estrelas. Sorriu ao ver a placa do mesmo modo, pendurada no arco em frente à propriedade “Se for um porco ladrão, não ouse atravessar!”, eram os costumeiros dizeres de boas vindas que recebiam os visitantes.

Draco atravessou e entrou, rindo da ironia de tudo aquilo. O cavalgar foi agitando as pessoas dentro do casebre, a porta se abriu num estrépito, e, um a um, os homens da casa foram saindo. Todos estavam lá, principalmente o rechonchudo xerife já aposentado, Horacio Slughorn.

— O que quer estranho? — foi o próprio que gritou.

Hank, o parrudo e bigodudo filho mais velho de Horacio, entrou e saiu rapidamente da casa, trazendo uma carapina para o pai. Richard e Mike, só podiam ser eles, os mais novos de Slughorn, cruzavam os braços fazendo cara de poucos amigos lado a lado ao pai. Nada mudou, todos ainda deixavam o xerife para resolver as pelejas.

— É assim que recebem um velho amigo? — Draco pulou do cavalo e tirou o chapéu, antes que levasse um tiro de graça.

O rosto de Horacio se desfez em surpresa, imediatamente. Os outros três demoraram um pouco mais para reconhecê-lo.

— Pelas barbas do profeta! Não te mandei sumir daqui, malditinho encrenqueiro? — vociferou o ex-xerife, na sua forma de cumprimentar.

***

— Me dê um bom motivo para não enxota-lo para o leste novamente?

Malfoy tirou o chapéu quando Annbeth aproximou-se com um prato farto e pôs na frente dele. Levou as primeiras colheradas à boca, estudando os homens da família Slughorn.

— Deixe o rapaz comer algo antes de começar com esse interrogatório idiota, Horacio! — disse Annbeth ríspida, ao marido.

Horacio balbuciou para si algo inteligível até a mulher afastar-se da mesa. Contudo, Draco entendia a animosidade do velho. Foram três semanas corridas e tensas, morando debaixo do teto deles. Quando Ronald Weasley o capturara por uma recompensa razoável, devido a crimes de assalto e envolvimento com Arnie, a única cidade das cercanias que possuía celas desocupadas era em Albuquerque.

Malfoy foi sentenciado a viver em cárcere mesmo tendo sido baleado no braço direito, algo que ocorrera durante sua captura. Ficara aguardando os homens do tribunal de Harrysonberg vir busca-lo. Como teve envolvimento com o já temido Arnie Austin, havia um interesse maior em sua cabeça.

Nesse tempo seus laços com o então xerife da época, Horacio Slughorn, se estreitaram até dissolverem quando criminoso e homem da lei, através de extensas conversas noturnas no pátio de celas, descobrirem Turner como um amigo em comum.

Um xerife amigo de um velho criminoso? Draco não parou muito para pensar nesse antagonismo. Tratou-se de convencer o homem a tira-lo dali, com a promessa de deixar a vida de crimes para trás. Os boatos de que comparsas de Arnie ganhavam a execução nas suas sentenças quando chegavam ao tribunal, tornava-se cada vez maior. Logo, um plano foi calculado pelo xerife e seus filhos.

Na época Mike era novo demais para participar e toda execução ficou a cargo de Horacio, Hank e Richard. Numa noite de festividades, eles simularam uma fuga do pistoleiro com outra prisioneira. Para transformar o teatro em algo mais convincente, o pobre xerife teve de ganhar um galo na cabeça.

Durante vinte e um dias Malfoy abrigou-se dentro do local mais seguro de Albuquerque, aquela casa, até que a poeira baixasse. Quem iria procura-lo justamente na morada do xerife? E Horacio confiava nele somente por possuírem Turner como ponto de ligação, e, talvez, por Draco ter a idade de um filho seu.

— Infelizmente posso te dar vários... — desabafou o pistoleiro.

Hank, grande e robusto como um touro, sentou-se de frente para ele, ao lado do pai, e serviu-o de vinho para encorajar sua língua a se soltar.

— Preciso de uma arma boa. Sigo amanhã para Rocky Deep.

Horacio arregalou os olhos e brandiu os braços:

— Ah, claro! Depois de te deixar escapar, agora certamente é isto que farei. — zombou. — O que quer? Chafurdar meu nome na lama...? Ou o seu? Não iria arrumar trabalho com seu primo? Porque quer uma arma?

— Nunca desejei que as coisas fossem mais simples. — anuiu.

— E elas são... — o ex-xerife voltou a gritar. Hank o interrompeu:

— Pai! Deixe-o explicar!

Malfoy agradeceu:

— Eu estava lá, vivendo como disse para o senhor que viveria. De onde vim, ajudando meu primo. Acontece que o passado veio me visitar... Estou sendo ameaçado para assumir o antigo posto. — confidenciou-lhes. Não havia porque não ser sincero com aquela família.

Horacio focou a janela da cozinha, um semblante desorientado.

— Quando ele veio?

— Nunca se foi, na verdade. E... e... ainda deu cabo do velho Turner na minha frente.

O silêncio que se seguiu disse muita coisa. Era o que Arnie significava para toda aquela gente que vivera sempre aterrorizada na desesperança de um dia encontra-lo.

— De quem estão falando? — Mike perguntou.

Richard, magro como uma vareta, adiantou-se na resposta.

—Do Arnie Austin.

— Porque ele tá voltando para o Oeste? — indagou Hank.

— Está é a questão, Hank — apoiou-o Draco, deixando o prato de lado — O motivo de eu estar aqui, hoje, tem haver com isto. O que sabem de uma confusão que houve num bar daqui, há uns quinze dias atrás?

Nesse momento alguém entrou na sala. Era esbelta e lânguida, dentro de um vestidinho muito simples. Meneou a cabeça na direção do loiro, estudando-o com seus olhos negros. Esgueirou-se até a pia e começou a colocar água para si, calmamente. Aquela era Meredith Lamber, a prisioneira que estivera com ele por quase dois meses em Albuquerque, acusada de praticar prostituição em lugar público.

Na fuga de Draco, a moça de aparência doentia acabou ganhando a piedade de Horacio que acolheu-a em sua casa por bem mais do que três semanas. Lhe deu roupas, uma cama e oportunidade de banhos diários durante todos os anos seguintes. Nunca houve problema de ser reconhecida como uma fugitiva na cidade, porque, pelo tempo que ficou em detenção, a população logo esqueceu seu rosto sem muitas expressões marcantes.

Hoje ela era uma integrante passiva na família, e fora marcada como uma prima da Sra. Slughorn.

— Noite. — disse dissimuladamente, enquanto bebia água.

Comportava-se como uma sonsa, querendo passar despercebida na conversa dos homens, mas Malfoy ainda lembrava-se de como era astuta.

—Noite. — acenou Draco.

— Saí daqui, Meredith! — enxotou-a Hank.

Ela saiu pela tangente, indo sentar-se não muito distante, na sala. Hank acompanhou-a preocupado, com o olhar. Eles retomaram a conversa:

— Era o bar Marvin. O filho do Conelly estava lá e nos deixou um pouco informados, fora um dia um tanto incomum aquele. — discorreu Richard, sentando na cabeceira da mesa para fechar o círculo entre os homens.

— Fora do comum como?

— O superintendente Edgar e o banqueiro Dennis estavam na cidade. — continuou.

Malfoy olhou espantando para Horacio, que confirmou com um aceno de cabeça. O que dois homens da envergadura de Edgar e Dennis, criaturas estatais e intocáveis, faziam em Albuquerque, foi a próxima pergunta do loiro.

—Eles não fizeram nenhum alarde. Só ficamos sabendo por que o Mike arrumou um emprego na tabacaria. — informou Horacio — Eles estavam se hospedando lá. — disse misteriosamente.

— Espere um pouco... Eles vieram escondidos e estavam dormindo na tabacaria?

— Sim, Dennis tem qualquer grau de parentesco com o dono dela. — comentou Horacio.

— Que história estranha... E eles foram embora?

— Na mesma noite da confusão do bar. Achamos que ficaram assustados porque Arnie encontrava-se na cidade, aliás, meu pai tem fortes suspeitas de que ele só veio para cidade porque ficou sabendo que o banqueiro estava por aqui. Talvez planejasse um sequestro. — Richard sugeriu.

Draco sentiu-se feliz, porque embora elas não fizessem sentindo, estava conseguindo mais informações do que o esperado.

— Alguma sugestão do que o banqueiro e o superintendente faziam aqui?

— Nula! — exclamou Hank — Se fosse Rocky Deep teríamos a desculpa das prostituas, mas aqui, aqui não tem nada.

— É... Richard? O que o filho de Connely viu na noite da confusão?

— Hã, Arnie disfarçou-se para jogar numa das mesas de BlackJack. Tinha mais homens seus na mesa, então aquele sujeito que caça no vale apareceu e se juntou a mesa. Eles não gostaram muito e o mandaram embora, mas ele não foi. Mais homens se juntaram a mesa, outros dois desconhecidos para o filho de Conelly, então, depois de dez minutos alguém da mesa, mas não foi Arnie, disparou um tiro contra o caçador.

— Os outros participantes da mesa?

— Ninguém mais prestou atenção neles, quando o caçador começou a sangrar. Foi um tumulto! Mesmo assim, ele conseguiu escapar, mas acho que deve ter morrido. — foi a conclusão de Richard.

— Não morreu. — era a deixa de Draco para introduzir o que fazia ali— E a mulher dele quer vingança e proteção ao mesmo tempo, pelo que o homem de Arnie lhes fez.

— Como assim? — Horacio não entendeu.

—Ela se uniu ao Weasley e pretendem juntos, caçarem Austin.

— Ela é maluca? — questionou Horacio, boquiaberto.

— Talvez. — o loiro também tinha suas dúvidas — E ele está mandando seus homens atrás dela e do marido de qualquer forma. É meio como matar ou morrer.

— Me deixe adivinhar? Austin quer que os detenha, por dinheiro?

— Não, não por dinheiro... — murmurou.

— Ameaçando seu primo? — deduziu, e quando Draco assentiu ele esmurrou a mesa de raiva.

— Preciso de uma boa arma, afinal vou rever Weasley...

— Isso tudo é um disparate.

Draco tentou desconversar, preferia não pensar no mercenário naquele momento.

—Tenho mais uma pergunta: estão sabendo alguma coisa sobre um carregamento de ouro que virá de trem, do leste?

— Não. — disse Hank que levava a mercearia de Albuquerque e era responsável pelas correspondências da cidade. — Por quê?

— Arnie planeja saquear uma locomotiva de ouro que vai para o leste em dois meses. Até me prometeu uma quantia.

Horacio riu debochado.

— Que tolice! Locomotiva com ouro? Que carregamento é esse? Há anos que o governo não deixa mais os bancos transportarem todo o dinheiro em vagões. Tem algo muito, mas muito errado nessa história toda.

Draco sentiu-se tolo. “Como não pensara nisso?”.

— Claro que há. Ele mentiu, não quer me ter como alguém em potencial no seu rastro. — os filhos Slughorn concordaram — De qualquer forma, consegue sondar essa possibilidade pra mim, amanhã, Hank?

— Vou ver o que posso fazer.

— Pretendo repousar aqui hoje, posso Horacio? Eu não vou dar trabalho. Dormirei no celeiro.

— Vai nada. — disse o ex-xerife — Vai dormir na casa. Fique com a sala seu maldito encrenqueiro.

***

Draco não conseguiu dormir no sofá do velho amigo. Inquieto e pensativo levantou no meio a noite e saiu para o telheiro da casa sem fazer ruídos, para não acordar os demais. Sentou numa cadeira que ficava perto das escadas e pôs-se a fitar a noite, completamente absorto, as palavras de Hank reverberando pelos cantos de sua mente:

“Se fosse Rocky Deep teríamos a desculpa das prostituas, mas aqui, aqui não tem nada... Aqui não tem nada!”

Sim, o que três homens daquela importância faziam em Albuquerque, na mesma noite...? E o que um caçador simplório tinha haver com tudo aquilo? Porque se sentou à mesa com Arnie e seu bando...? Quem eram os desconhecidos que chegaram depois para acompanha-los na partida...? E porque Arnie Austin queria tanto a cabeça do tal Sr. Krum e sua esposa, somente por uma trapaça de BlackJack?

Draco ouviu passos, alguém se mexendo dentro da casa, e então, de repente ela estava lá fora, no telheiro com ele, vestida somente com uma camisola.

— O que houve, Meredith? — perguntou Malfoy, sem sair da cadeira. — Não está um pouco tarde para tomar um ar?

— Está muito calor lá dentro. — comentou, sentando no colo dele abruptamente. O pistoleiro ameaçou tira-la dali, ela o enlaçou pela nuca. — Vai voltar à vida de Bang-Bang? — sorriu.

— Não vim para causar problemas, sabe disso.

Ela suspirou, seu corpo magro sacudiu em seus braços.

— Queria ter partido com você naquele tempo... Eu me apaixonei na prisão. — sussurrou-lhe ao ouvido.

Malfoy não caía naquela conversa. Quando se conheceram houve mesmo uma fagulha de desejo entre os dois, Meredith era a única pessoa com quem ele conviveu vinte e quatro horas por dia, ainda que em celas separadas, durante os meses de prisão, contudo ela pertencia à rua, ou seja, a malícia e ao desprendimento.

— Horacio conhece seu tipo. Sabia que iria voltar a se prostituir. Não está boa essa vida? Ela é digna demais pra você?

— Vai me dizer que conseguiu ficar cem por cento nos eixos durante todos esses anos? — estudou-o cheia de tédio. — Isso não está na nossa essência.

— Está muito envolvida com Hank? Porque ele está com você... Vi o jeito como te vigiava com os olhos.

— Nem um pouco. — ela abanou a mão — Ele me quer, claro, mas é um pobre coitado.

— Deveria se casar. Construir um lar. Quando o velho Horacio partir dessa, tudo será do seu filho mais velho.

Meredith não dignou-o atenção a este argumento. Estava mais interessada em desabotoar sua camisa.

— Quando você foi, eu fiquei pensando... Nunca transamos... Isso é tão triste...

— Está abusando da sorte. — ele repeliu-a com a mão.

Meredith não se intimidou, beijou seu pescoço e deslizou uma das mãos para seu membro que já pulsava. Draco não queria confusão, torcendo piamente para que Hank não aparecesse naquele momento.

— Se procura respostas e pistas... — sibilou Meredith sugando o lobo de sua orelha direita, — Eu não estou dizendo que é a melhor escolha, mas acontece que um prostíbulo sempre é o local onde todas as línguas destravam. Se for mesmo para Rocky Deep vá ao Saloon Black. Lá terá suas respostas.

— Obrigado então. — disse o loiro, tentando fazer uma última tentativa de repeli-la.

Meredith levantou, mas foi apenas para sentar-se novamente, agora de pernas abertas entre seu colo.

— Por que tem que ser tão cínico? — direcionou a mão dele para debaixo da sua camisola, ela já estava sem calcinha.