Black Jack
11 As Regras do Jogo
Notas iniciais
Virginia, Petersburg...
Era uma noite sem lua e sem estrelas, com o céu carregado por nuvens pesadas, derramando uma garoa rala sobre as planícies inabitadas. Pequenos grupos de bisões selvagens recolhiam-se debaixo das copas das árvores, protegendo-se da chuva e do barulho característico, ameaçador, de algumas dezenas de galopes a se aproximar.
Uma trupe de dez cavaleiros avançava pelo oeste com rapidez e determinação. Vinham contornando, montados em garanhões andaluzes, todas as trilhas abandonadas dos vales íngremes, próximos ao pacato vilarejo rural de Gwe Yerl.
Num equino extremamente musculoso e viril, um homem robusto levava a cavalaria na dianteira, descendo pela relva alta. Os cacos do animal pisavam nas poças d’água, deslizavam nos buracos de lama, mas o cavaleiro não era um amador. Conduzia o cavalo como se fosse uma prolongação de seu corpo, não escorregando na cela ou encurvando as costas. Os que o seguiam também pareciam habilidosos no lombo do animal, com as suas cabeças erguidas executando os mesmos movimentos que o líder. Ao longe, todos eram uma cavalaria de sombras. De perto, quem obsevasse suas fisionomias rudes e cheias de más intenções era esperto o bastante para saber que tinha de permanecer distante.
O grupo foi reduzindo os trotes dos animais a meras cavalgadas abafadas pela terra molhada, quando adentraram a uma adormecida Gwe Yerl. Era assim que preferiam. Homens como aqueles só resolviam seus assuntos após o crepúsculo, quando não havia testemunhas por perto. Se tudo corresse bem, mas estavam preparados se caso não corresse, entrariam e sairiam dali sem fazer nenhum alarde.
O local almejado pelos cavaleiros ficava numa viela de fácil visualização. Tratava-se de uma pequena hospedaria erguida em ripas de madeiras finas, com um mezanino tombado para direita, repleto de emendas. O lugar não mudara nada, não sofrera uma reforma e muito menos fora abandonado, mesmo estando com sua estrutura parcialmente condenada. Tudo continuava como eles esperavam. Como ele esperava.
O líder fez um sinal para que não fizessem barulho enquanto aproximavam-se para a hospedaria. De dentro do local escapava o som típico de falatório etílico e notas desafinadas de um piano velho, os clientes continuavam ocupados demais para notarem seus avanços. Os homens contornaram o estabelecimento e o cercaram, cada um já ciente de sua função. Desceram das montarias portando cordas nas mãos, e, sorrateiramente, amarraram-nas nas duas pilastras da varanda e nas duas erguidas nos fundos. Com a outra ponta, atrelaram ao cabresto dos garanhões, tendo a atenção de verificarem se estavam bem presas. Então subiram nos animais e ficaram parados no meio da chuva esperando as próximas coordenadas.
Somente depois de tudo estar pronto foi que o líder desceu de seu cavalo, disse para os homens esperarem do lado de fora e, com calma e frieza, entrou na hospedaria pela porta da frente.
***
Naquela noite Draco Malfoy sentia-se com sorte. Haviam se passado cinco rodadas e ele vencera em todas elas. As fichas se avolumavam do seu lado da mesa e ele sempre ficava tentado a dobrar a aposta na rodada seguinte. Como de costume ninguém jogava por dinheiro ali. Na sossegada hospedaria do seu primo essa era a regra: cada lance ganho no BlackJack valia um dose de uísque, assim ninguém saía mais pobre, somente mais bêbado.
O primo Goyle, seu parente mais alto e mais forte, também o mais chegado, voltou para a mesa trazendo uma garrafa recém-aberta de aguardente. Como todas as bebidas de seu bar, aquela vinha sem rótulo. Essa era a melhor forma ocultar pistas quando se adquiria mercadorias de forma ilícita. Um dia a tal garrafa fora o estoque de algum carregamento para o leste, antes de ser roubada por Draco, obviamente.
Compondo a mesa junto com eles, haviam outros dois jogadores. Um era o velhaco Turner, aposentado do governo aos quarenta anos e da vida de roubos aos sessenta. Turner era uma figura! Magrinho, suspensórios mal abotoados e um nariz de batata vermelho. Não tinha família, vivendo à custa da caridade de Goyle, num dos quartos nos fundos da hospedaria. Draco cultivava um carinho pelo velhaco, que havia, em tempos menos senis, ensinado tudo a ele sobre a arte da ladroagem. O outro homem era Luich, o barbeiro de descendência francesa, mais requisitado de Gwe Yerl. Talvez por ser o único? Quem sabe.
— Devia ter ficado em casa hoje... — resmungou Turner que não havia ganhado uma única rodada na noite.
— Você está em casa, Turner! — lembrou-lhe Goyle, sorrindo.
O velho continuou com sua cara rabugenta, o cenho franzido para os outros que riam. Pansy Parkison, a esposa de Goyle, aproximou-se com uma bandeja e quatro copos para servir as doses, depositando-os na mesa.
— Fique calmo, Sr. Turner. É só uma rajada de sorte que o Draco está tendo. Ela pode ir embora com a mesma rapidez que surgiu, mas, com certeza tem de ir para o colo de mais alguém nessa mesa, além da dele. — ponderou Pansy, lançando um olhar sedutor para Draco.
O loiro desviou o rosto e observou o primo de esguelha para ver se ele havia notado o olhar de sua esposa para ele. Goyle estava alheio a isso, compenetrado em embaralhar as cartas.
Essa era a parte mais delicada de se hospedar debaixo do teto do primo; Pansy Parkison fora seu caso num passado muito distante, de forma que jamais imaginara que após retornar ao vilarejo encontrá-la-ia casada justamente com ele. Ela parecia não respeitar muito essa condição, jogando indiretas e olhares lascivos na sua direção sempre que via uma brecha. Draco ignorava-a em total respeito e consideração ao primo.
— As apostas de vocês? — pediu o crupiê Goyle, antes de dar as cartas.
— Eu aposto a minha última ficha. Se perder dessa vez, estou fora mesmo. — sentenciou Turner.
—Aposto duas. — anunciou Luich, empurrando suas fichas para o centro da mesa.
— Então, vamos ver... Eu aposto quatro! — decidiu Draco, sorrindo de modo provocativo para os adversários de mesa. — E não desista, Turner! Você que me ensinou isso.
— Também te ensinei a não me provocar, moleque! — exclamou o velho.
— E eu cubro todas as apostas em como ninguém vai tomar nada de graça no meu bar, hoje. — interpôs-se Goyle, que além de ser a banca, pelas regras do BlackJack também tinha de participar.
— É priminho! Tô vendo que essas novas garrafas de uísque que chegaram para você serão todas minhas. — brincou Malfoy, esfregando as mãos.
— Espero que não. Dá última vez que você bebeu, Draco, eu tive que te tirar de dentro da tina de água dos cavalos.
Turner e Luich riram com gosto.
— Caramba! Você podia ter citado aquela vez que eu acordei nos braços da Mary Sweet. —o loiro se fez de magoado — Vamos, mande as cartas...
O som da porta de vai e vem da hospedaria se abrindo abruptamente fez com que todos no salão parassem com que estavam fazendo. A rodada foi interrompida antes de começar, o pianista parou de tocar, e todas as cabeças, como numa marcha, se direcionaram para ver quem entrava. Àquela hora os frequentadores rotineiros da hospedaria já se encontravam lá dentro.
Draco ergueu a cabeça e prendeu a respiração, tamanho foi o choque ao ver a figura que estava parada na soleira. O dia ou a noite mais temível desde que retornara ao seu vilarejo estava se iniciando. Ele vestia sobretudo, botas e chapéu negros. Uma fivela desbotada no quadril, além de dois coldres nas laterais. Ergueu a cabeça para a multidão que o estudava, e seus olhos foram de encontro à luz do recinto. As mesmas pupilas cinzentas e observadoras de sempre, Draco entreviu. Esquadrinhou cada rosto que o fitava mostrando intimidação e desprezo, e parou demoradamente nele, quando enfim o avistou.
Nesse instante Draco Malfoy percebeu que nunca conseguiria se esconder da obstinação daquele homem. Ficou espantado com a capacidade da sua memória, de se lembrar do nome e da localização do lugar de onde ele um dia disse que viera, e ficou imaginando quantas milhas o sujeito teve de cruzar para chegar até ali.
Apalpando o coldre na cintura, pegou a arma e manteve-a calmamente em cima do colo com o dedo no gatilho, somente esperando homem andar na sua direção.
—É ele? — sussurrou seu primo Goyle, duro feito um pedaço de pau, na cadeira.
Draco assentiu com um meneio de cabeça e sem tirar os olhos dele, que avançava. O salão permanecia na mais completa mudez e o único som audível eram as passadas duras da botina do sujeito contra o assoalho gasto. Aproximou-se da mesa, ergueu o chapéu revelando seu rosto singular, — olhos azuis cinzentos e miúdos, boca fina, nariz adunco – e disse parando ao lado de Luich:
— Pode me dar licença? — pediu educadamente, num tom monocórdico.
O barbeiro levantou-se de prontidão, tremendo feito um galho seco ao vento, cedendo seu lugar ao homem. Ele, por sua vez, sentou-se com movimentos sempre muito calmos, e, sorriu para Draco e os outros dois de forma agourenta. Seus dentes eram artificiais assim como seu sorriso.
—Acho que vai começar outra rodada, não?! — introduziu-se ao grupo — Eu quero participar. Deixe-me ver...
— Quem diabos é você? — vociferou o velho Turner carrancudo.
— Sr. Turner... — disse Draco para intervir, temendo pelo velhaco que já havia perdido a noção do perigo, fizesse ou dissesse alguma besteira.
— Sou um homem com muita vontade de sanar meu vício. — disse o outro atropelando o loiro, com sua apresentação. — Amo BlackJack! Qual a sua graça, senhor?
Turner fez seu pior olhar de desprezo e escarrou nos sapatos do sujeito. Draco coçou a testa nervosamente, pressentindo o pior.
— Sou Jason Turner e odeio intrusos atrevidos!
— Ah, prazer. — saudou-lhe o outro, tirando o chapéu e depositando em cima da mesa. —Sou Arnie Austin, e adoro me intrometer.
O velhaco semicerrou os olhos, indignado com a naturalidade com que o sujeito levava a conversa. Draco e os demais no salão tinham quase certeza que Turner sequer associou o nome a pessoa, pois continuava mais indiferente do que nunca.
— Vamos às cartas, Sr. Goyle?
Draco suspirou, resignado, Arnie havia feito a lição de casa direitinho. Sabia quem era quem lá dentro e, muito provavelmente, de que forma atingi-lo em seu benefício. O seu lado, o primo começou a distribuir, tremulamente, as duas cartas da rodada para cada jogador na mesa. Para o crupiê, ele próprio, veio um 8 e um 2; para o velho Turner um 7 e uma Dama; para Draco um valete e um nove; e para Arnie Austin um 1 e um 9.
— Quero mais uma carta. — pediu Turner, naturalmente rabugento como sempre. Goyle deu-lhe um 5. — Mais que merda! — exclamou, socando a mesa.
—Mais uma também. — disse Draco, que sem tirar uma das mãos do gatilho embaixo da mesa, ganhou um 7.
Goyle fez sua própria jogada, capturando uma Dama. Arnie deu uma risada alta, e pelo o que loiro o conhecia, com certeza divertindo-se a beça com a tensão que estava causando nas pessoas daquele local.
— Mais uma. — pediu o fora da lei. Goyle colocou uma carta na sua frente. Era um Ás. — Ah! BlackJack! —riu-se, satisfeito, fitando a todos teatralmente.
Draco encheu-se de coragem, farto daquele joguinho psicótico que o outro tentava manter, e disse:
— O que você quer aqui, Arnie? —
— Um homem não pode se divertir de vez em quando? — argumentou, erguendo uma das sobrancelhas — Você sabe. — e, virando-se para Goyle, disse — Continue dando as cartas. Eu aposto tudo agora.
Draco continuou na conversa paralela, indo direto ao ponto.
— Eu lhe disse que não estou mais a serviço.
— Não, você não disse nada! — afirmou categoricamente — O que fez foi simplesmente abandonar o acampamento no meio da madrugada, e não foi nada digno com esse gesto.
— Achei que isso contasse como um recado.
—Draco, o que voc-cê aposta? — interrompeu Goyle, transtornado por estar conduzindo um jogo onde o maior fora da lei do oeste era participante.
— Eu aposto tudo também! — exclamou o loiro, irritado com toda a situação.
— Sabe, Bala na Mira, eu não iria te procurar mais. — suspirou Arnie, aconchegando-se no encosto da cadeira — Esses anos todos você me serviu, e muito bem, eu sei reconhecer. Quem me faz favores normalmente tem o meu respeito. Mas, acontece que surgiu um problema que requer suas habilidades únicas de bom rastreador e de exímio atirador.
— Não precisava se abalar do norte até aqui. Acredito que existam homens tão bons quanto eu no seu bando.
— Como eu queria acreditar nisso, Bala na Mira, como eu queria... —queixou-se Arnie — Me diga... Porque abandonou-nos? Sob a minha aba não era preciso esforço para conseguir o que se almejava. Além do mais, você sempre foi o rapaz para quem dei mais regalias.
Draco molhou os lábios com a ponta da língua. Toda aquela tensão estava deixando sua garganta ressecada.
— Eu... percebi que não tinha mais nada haver com o grupo quando vocês começaram a queimar famílias inteiras dentro das suas casas, no meio da noite. Ver pessoas inocentes pegando fogo nunca entrou no meu código de conduta. Identificava-me mais com vocês quando só saqueávamos dos bancos.
— Ah, por favor, pare com isso! Existe um código de conduta para assassinos e ladrões?! Rapazes e suas teorias hipócritas. — gargalhou Austin passando uma das mãos nos cabelos levemente grisalhos — Já que você quer conjecturar sobre o que é certo e o que é errado, eu tenho uma boa, menino, lá vai: cada criatura que eu deixo para trás não foi culpa minha. Nunca é! Aqueles pais de família que me passaram a perna achando que podiam me usar como uma fonte de favores ilimitados e não pagar é que mataram seus filhos, suas esposas, seus cachorros.
— Você não veio até aqui tentar me convencer que suas atrocidades são justificáveis, não é? — impacientou-se Draco.
— Não... Não...
— Ei, vocês vão ficar de conversa ou vão jogar?! Eu já fiz minha aposta! — intrometeu-se Turner.
A reação de Arnie foi muito rápida, sempre era, e Draco não teve tempo de intervir mandando Turner abaixar-se. O pistoleiro sacou sua pistola de dentro do coldre e cravou uma bala no olho esquerdo do velhaco, proporcionando um estampido quase ensurdecedor dentro do salão. As pessoas correram gritando para fora da hospedaria, restando somente Draco, seu primo Goyle, assustadíssimo, fitando o pobre Turner, e Austin.
Bala na Mira esfregou as mãos no rosto, saturado. Observou de esguelha seu antigo mentor, e com muita tristeza no peito viu um buraco do tamanho de uma laranja onde deveria estar o olho do velho, sair fumaça e sangue. Turner continuava sentado com seu amontoado de esqueletos reumáticos, mas nunca mais poderia praticar suas rabugices.
Ele abaixou a cabeça, desolado.
— Não havia necessidade disso. Ele era só um velho.
— Pois é disso que eu estou falando! — argumentou o assassino — Quem matou o velho Turner não fui eu, foi você. Entende isso? Tem algo haver com nossas escolhas. Do momento em que decidiu nos abandonar até agora, dentro desse bar, foram as suas escolhas que traçaram o final deste homem, da mesma forma que aconteceu com aqueles pais de famílias.
— O que você quer? — gritou Draco.
Arnie Austin penetrou-o no fitar, com a intensidade obscena de alguém que sente prazer na maldade.
—Eu estou sendo caçado por... uma mulher. — informou-o, voltando ao tom monocórdico. — É, eu sei que é totalmente atípico, mas é verdade. O marido dela andou cruzando meu caminho numa partida de BlackJack lá em Albuquerque. Mas então o desgraçado sumiu no ar, antes que pudesse lhe dar uma lição. Um dos meus, o Tom, lembra-se dele? — Draco assentiu — Pois bem, ele estava seguindo-o, atirou nele, mas de alguma forma foi imprudente e acabou morto no fundo de um vale. Temos certeza que quem lhe tirou a vida foi a mulher dele. A tal tirou esse pilantra da casa, sumiu do mapa e foi aparecer, dias depois sem ele, nem sei se o maldito já morreu, em Rocky Deep. Sabe, aquela cidade quente, bem pro Oeste?
— Eu conheço Rocky Deep!
— Ah, claro que conhece. Já ficou preso lá, se não me engano?
— Em que parte eu vou descobrir que você está sendo caçado? — perguntou Bala na Mira, sedento para acabar com aquela conversa com um único apertar de gatilho.
— É agora. — continuou, brandindo os braços — Meus homens, ou que sobraram deles, descobriram que a tal mulher está junto com um famoso mercenário daquelas bandas. Um antigo amigo seu, o Ronald Weasley. — ironizou-o— Foi ele que te prendeu uma vez, não foi?
— Você sabe que foi.
— Eles estão juntos, os dois. Juntos para me caçarem. Estão vindo para Norte, veja só. Ela me quer morto antes que eu o faça primeiro, e está em conluio com o tal mercenário para isso. Acredito que ele está ajudando-a porque a recompensa pela minha cabeça é muito alta.
— E o que te garante que eu não te mate agora e pegue essa recompensa pra mim? — Draco precisava saber até onde Arnie estava vulnerável ali, sua soberba às vezes fazia com que tivesse escolhas estúpidas, como, por exemplo, ir procura-lo sozinho — O que você tem para me oferecer Arnie, em troca da sua vida?
— Não, você me entendeu mal. — sorriu maquiavelicamente — Eu não estou temendo minha vida por causa de uma vadia e um merdinha atirador. Não é isso! É a questão do aborrecimento mesmo, entende? Eu tenho algo grande, muito maior para me preocupar do que esses dois.
— Ah é?
— Sim, e quero que você venha fazer parte disso depois que resolver esse probleminha. — apontou-lhe o dedo — Vem vindo um carregamento de ouro do Leste, no próximo trem do dia 30 do mês que vêm. Faltam praticamente dois meses, mas eu já estou me preparando para isso. Vamos ficar bilionários com esse roubo. Vai dar para sair dessa caldeira e ir morar na Europa... Sempre quis conhecer Londres! Acredite, tem uma parte grande pra todo mundo. A sua está reservada e irá, com folga, ultrapassar o que eles estão pedindo pela minha cabeça.
— Mas se mesmo assim eu atirar em você agora, Arnie, ainda me sinto em vantagem. Essa está me parecendo à forma mais fácil e rápida de faturar um bom dinheiro, alias. — expos seu ponto de vista, colocando sua arma em cima da mesa.
Arnie não cedeu nem um olhar para a pistola dele.
— Sim, sim... Eu imaginei isso. Tenho essa mania como você bem sabe, de pensar em todas as possibilidades. Dê as cartas, Goyle... — pediu ao crupiê, dando-lhe um tapinha de camaradagem nas costas — Esse seu primo, Bala na Mira, gostaria de vê-lo sem moradia, sem seu ganha pão, seu sustento?
— Por favor, senhor... — grunhiu Goyle, trêmulo, mas corajoso.
Draco cerrou os punhos, transbordando escárnio.
—Deixe. Ele. Fora. Disso.
— Eu quero. — concordou o algoz — Como sugeri em minha teoria, quem causa nunca é o causador. Está em suas mãos mais uma vez. Se você me disser que aceita, se concordar com os termos, eu vou ficar aqui com seu primo e o velho Turner esperando você pegar suas coisas para nós partimos. — cruzou as mãos em cima da mesa — Se você não quiser, eu vou embora também, mas colocarei essa hospedaria abaixo. Lá fora, amarrados as pilastras podres dessa espelunca tenho dez cavalos no auge de suas forças, roubados da fazenda de reprodução dos Macfleir. Isso tudo vai abaixo se eu colocar os animais em movimento.
“Não fique bravo ou sinta-se acuado, daqui alguns meses estará tão rico que mal se lembrará dessa nossa conversa pouco amigável”
Sentindo seu destino entregue as artimanhas daquele homem, Draco levantou-se de supetão para não perder o controle e atirar contra Arnie Austin. Guardou a arma no coldre novamente, virou-lhes as costas, e, muito a contragosto, caminhou para seu quarto onde buscaria seus pertences. Mais uma vez teria de abandonar o nome e voltar a ser conhecido por aquele pseudônimo tolo que o velho Turner havia lhe batizado quando garoto.
Bala na Mira.
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