Black Ice

5 Frozen Alley


Já era quinta-feira. Mark não tinha conseguido nenhum dinheiro para pagar a quadrilha. E também, era o dia que estava marcado o encontro duplo de Rosie.

– Alô, Mark?

– Fala Jorge.

– Só ligamos para avisar que já estamos a caminho da Reserva. A gente retorna quando terminarmos.

– Ok. Só não morram lá dentro.

(...)

– Alô, Rosie?

– Oi, Debby.

– O encontro está de pé, não está?

– Está. Eu já estou me arrumando.

– Ahh, que ótimo! Às 22hrs. Hard Rock Café.

– Não se preocupe...

(...)

A quadrilha já havia chegado à Reserva. Com os faróis do carro apagados e bem devagar, iam encostando o mais perto que podia da saída. Havia seguranças na entrada, na cobertura do prédio e dois fazendo ronda.

As armas já estavam todas carregadas. Asher mira de longe com a arma laser em um dos guardas e atira certeiro. E em seguida, mira e atira no outro guarda. Felix pega os cartões-chave para abrirem as portas enquanto Jorge fica dando cobertura. Os três já estavam dentro da Reserva. Cada um possuía metralhadoras em suas mãos. Andando na espreita, logo avistam um policial fazendo ronda nos corredores. O guarda dá as costas e os três correm silenciosamente até ele. Percebendo a movimentação, o segurança vira, mas já fora atacado com um soco na cara e uma rasteira. O homem desmaiou e Felix o algemou e tapou a sua boca com fita isolante.

– Até que para o maior órgão de proteção do mundo, essa segurança ta bem fraquinha. – Falou Jorge.

– Bom para nós. – Respondeu Félix.

– Olhe, Mark disse que o seu experimento provavelmente estaria no laboratório em algum freezer. – Interferiu Asher enquanto abria o mapa do prédio. – Nós estamos aqui, no Corredor Três. O laboratório fica à próxima direita.

– Nosso tempo está acabando — Disse Félix vendo o seu cronômetro. – Vamos agilizar e dar o fora daqui.

Os três vão em direção ao laboratório. Abriram a porta com um dos cartões.

– Mark disse que o experimento dele foi rotulado de I527. – Lembra Félix.

Os três começam a vasculhar todos os tipos de documentos e procurando algum tipo de freezer. Jorge abre uma porta que diz “Restrito”. Ele insere o cartão e a porta se destranca e lá dentro havia um freezer que mais parecia uma sala.

– Pessoal, aqui!

Félix e Asher vão em direção ao freezer.

– Poxa, a gente vai demorar um tempão. – Reclama Asher.

– Vocês acham mesmo que os caras da S.H.I.E.L.D perdem tempo procurando por rótulos. – Disse Jorge apontando para um computador.

Jorge inicia o computador e aparece o número de rastreamento do que procuram. “I527”. Automaticamente, uma prateleira de acrílico se abre contendo um tubo de ensaio com um liquido branco fluorescente. Mas quando Félix vai retirá-lo da prateleira, um alarme é acionado. Os três pegam o tubo e saem correndo procurando pela saída onde deixaram o carro. Os reforços da S.H.I.E.L.D já estavam em direção à Reserva. Em todos os policiais que tentavam impedi-los, eles atiravam.

– A saída é pra cá! – Disse Asher apontando para o corredor à esquerda.

Os três vão em direção à saída e quando saem, as tropas já estavam esperando e mirando neles. Os três revidam com tiros e conseguem entrar no carro. Eles dão partida em alta velocidade e, assim, dão inicio a uma perseguição violenta.

(...)

HARD ROCK CAFÉ

Então, Rosie. Você trabalha de garçonete no mesmo lugar que a Debby, né? – Pergunta Hanson, o encontro de Rosie.

– Sim.

Rosie estava meio sem jeito e excluída. Debby estava se divertindo com o seu par, enquanto ela, estava aturando o arrogante e nojento Hanson. Rosie já tinha perdido as contas de quantas vezes Hanson havia paquerado a garçonete bem na frente dela e quantas vezes já tinha arrotado alto.

– Sabe, eu acho que mulheres servem para isso mesmo, nos servir! – Disse Hanson enquanto levantava seu copo.

Aquilo foi o máximo que Rosie podia agüentar. Se Debby não estivesse ali, com certeza ela teria dado uma bela surra em Hanson, porém não queria estragar a noite da amiga.

– Com licença, eu vou tomar um ar ali fora.

Rosie se levanta e lança um olhar de “você me paga” para Debby. Ela vai para a calçada em frente ao Hard Rock.

“É bom você me dar todas as suas gorjetas, Debby”. Pensou ela.

Ela fica matando tempo mais um pouquinho, o quanto menos tempo pudesse passar com aquele nojento machista, melhor. Já estava quase dando uma hora da manhã, e a rua já estava vazia. Até que um carro preto vira a rua em alta velocidade. O carro pára em sua frente e um dois homens descem e a leva forçada para dentro do carro.

– ME SOLTEM! SOCORRO, ME AJUDEM!

Um a segura pelos braços e vai empurrando enquanto o outro tapa sua boca.

– O que vocês querem comigo?

– Fica quietinha e tudo vai acabar logo. – Grita Asher.

Jorge estava na direção e os outros dois estavam no banco do passageiro segurando Rosie.

– Cadê a seringa? – Pergunta Félix.

Asher tira da mochila uma seringa que se conecta com o tubo de ensaio roubado.

– Eu acho que não vai doer. – Ironiza Asher.

– O que vocês vão fazer? O que é isso? – Rosie já estava ficando desesperada, principalmente ao ver que o liquido dentro do tubo brilhava.

Asher pega o braço direito de Rosie enquanto Félix a segurava e a impedia de se debater. Ele injeta a seringa na veia e Rosie começa a gritar ensurdecedoramente. A visão dela começara a ficar embaçada e o mundo parecia girar e girar e antes de desmaiar, seus olhos ficaram brancos e brilhando. Asher e Felix se olham e ficam amedrontados. Eles não haviam ideia do que aquele soro fazia. Félix dá de ombros e diz:

– Eureka!

– A senhorita vai devolver isso pra gente, ok? A gente vai voltar. – Disse Asher enquanto tirava o cabelo do rosto dela.

Rosie já estava praticamente inconsciente. Eles pararam o carro em frente ao um beco e a jogaram lá, desmaiada. E isso foi o suficiente para conseguirem se livrar do que haviam roubado caso a S.H.I.E.L.D os capturassem. Eles dão partida e quando Jorge olha no retrovisor, já avista os carros da S.H.I.E.L.D se aproximando. A quadrilha conseguiu despistar entrando em alguns atalhos e claro, em alta velocidade.

– Coulson? Aqui é o Bucky. A gente os perdeu de vista. Eles fugiram.

– Como assim, eles fugiram?

– Desculpa, senhor. O carro deles era equipado e eles estavam bem armados.

– A S.H.I.E.L.D também é, isso não é desculpa. A gente precisa recuperar o que eles roubaram imediatamente. Isso é Fase 2 agora.

– O que o senhor quer que eu faça agora?

– Volte para a nossa base. Vamos ver se conseguimos rastrear o I527. Se isso cair em mãos erradas, temos grandes problemas pela frente.

(...)

Rosie passara a noite no beco. Já tinha amanhecido e a cidade já estava movimentada, como sempre. Ela acordou desnorteada, sua visão estava dobrada. A dor de cabeça, insuportável. Mal conseguia perceber em que lugar estava. Rosie olha para a saída do beco e se depara com um muro de gelo. GELO.

– Mas que merda é essa?

Ela se levanta meio cambaleando se apoiando nas lixeiras que estavam encostadas na parede. Ela escorrega e leva um tombo dos feios e percebe que o chão também estava congelado.

– Mas que diabos está acontecendo? Ainda é Outono.

Ela tenta se levantar de novo, mas seu pé escorrega e ela estica a mão para se proteger, até que... Sai uma rajada de gelo de suas mãos. Rosie fica estática e encarando a sua mão tentando entender o que estava acontecendo.

– Isso só pode ser um sonho.

Rosie entende a mão mais uma vez e o muro de gelo se desmancha voltando para a sua mão. Ela se levanta e se desespera e fica andando em círculos com as mãos na cabeça e falando:

– ACORDA, ACORDA, ACORDA.

Ela decide voltar para o seu apartamento, era o melhor que podia fazer para tentar compreender o que estava acontecendo. Chegando em casa, ela nem repara na bagunça que ela tinha deixado antes de sair. A dor de cabeça estava insuportável, simplesmente a pior de todas. Ela foi tomar uma bela ducha quente e tentava se lembrar do que havia acontecido na noite anterior, mas não conseguia.

Com o banheiro coberto de vapor, ela pega a toalha e se enxuga. Passa a mão limpando o espelho para conseguir ver seu reflexo e percebe que seus cabelos castanhos estavam começando a ficar brancos. Ela ficou passando a mão no cabelo pra ver se era de verdade.

– Eu só tenho 18 anos!

E de repente, o primeiro flash veio na sua mente. A memória do seqüestro no carro, a seringa fluorescente. “A gente vai voltar”. A vista rodando. Era tudo o que ela conseguiu lembrar, era como um filme rodando na sua cabeça.

– O que fizeram comigo?