Black Heart
1 A Árvore Morta
Tudo começou em uma manhã extremamente chuvosa. Assim que acordei, vi que o tempo estava ruim, então decidi que precisava de mais cinco minutos de sono. É normal que qualquer pessoa faça isso, mas o que não esperava, era que esses cinco minutinhos virassem horas. Após acordar novamente, observei o relógio e saí desesperado indo em direção ao banheiro, fiz minha higiene pessoal o mais rápido que pude já saindo para a cozinha, onde sempre minha mãe deixava o dinheiro do lanche.
- MAMÃE?! CADE MEU DINHEIRO? – Gritei tanto que alguns vizinhos ouviram.
Sem resposta.
- Não acredito que ela deu pra sair essa hora.
Como não tinha ninguém para levar-me a escola (meu pai abandonou minha mãe quando eu era apenas um bebe, longa historia) tive de ir caminhando até lá. Corri três quarteirões até ficar totalmente exausto, e observei um carro me seguindo. Andei um pouco mais rápido, já que tinha quase certeza de quem era. Continuei seguindo meu caminho, mas o carro não parava de me perseguir.
- O que você quer? – Pelo tom de Gustavo, notava-se que ele estava mal-humorado.
- Quero conversar com você. Que tal você parar de me evitar e sorrir um pouco? – Respondeu um rapaz loiro com os olhos que mudavam de cor constantemente.
- Não quero falar com você e nem com ninguém.
- Mas eu quero falar com você. Entre no carro, por favor.
Fiquei me perguntando se isso era uma boa ideia, afinal, não gostava nem um pouco daquele sujeito, entretanto, até chegar à escola, já seria a hora da saída. Abri a porta do carro e fui logo dizendo:
- Estou de mau humor, não fale comigo, não quero falar, então apenas fique quieto e dirija.
- Tudo bem, mas saiba que a nossa conversa é inevitável... Acho que você adoraria saber que...
- Calado.
Percorremos o caminho inteiro no mais absoluto silêncio, até chegarmos à entrada do colégio e eu sair do carro sem ao menos agradecer. Após sair do carro, só ouvi os gritos do sujeito logo atrás de mim. Eles eram mais ou menos assim: “SEU INGRATO! VOLTA AQUI AGORA! EU REALMENTE PRECISO FALAR COM VOCÊ!”. Nem dei bola. Apenas segui meu caminho para trás da escola, onde havia uma árvore morta com poucas folhas amareladas. Lá eu e minha melhor amiga de infância sempre nos encontrávamos, havíamos passado realmente bons momentos naquele lugar, aquela árvore significava muito para nós, por isso fiquei realmente irritado quando vi o sujeito invadindo nosso precioso território.
- Gustavo, calma. Ele precisa falar com você. – Falou uma menina baixinha, de cabelos lisos e seios fartos.
- Caroline, eu não quero ouvir o que ele tem a me dizer. E agora você deu de amiguinha pra cima dele é? Nossa pensei que eu era mais importante.
- Affe Gustavo, sinceramente. Acho que você é mais rancoroso que os outros...
- Outros? – “Mais segredos” pensei. – que outros?
- Olha, você tem que saber que você é um se...
- Alunos, o que estão fazendo aqui? Voltem já para a sala – Falou a professora mais odiada de toda a escola, indo a sua direção, a professora Fairytopia (o que é um pouco irônico, já que ele tem o nome da terra das fadas).
- Já vamos professora. – Falou Caroline secamente.
- Gustavo, quero você na minha sala agora.
- Mas eu não fiz nada! – Disse indignado.
- Não interessa! QUERO VOCÊ LÁ AGORA!
- Não precisa gritar comigo sua vadia. – Oque não esperava era que ela tivesse uma super audição.
- COMO É? SEU MOLEQUE RIDICULO! ESPERO QUE HADES ENGULA SUA ALMA. VOU ARRANCAR SEU CORAÇÃO FORA E QUEBRAR TODOS OS SEUS OSSOS!
Derrepente minha antiga professora não era mais minha antiga professora, passou por uma metamorfose um pouco engraçada de se ver, já que sua face era absurdamente feia e ela se superou ficando ainda mais feia. Era um monstro horrendo com asas de morcego e um hálito não muito agradável. Conhecia aquela professora há anos e sempre a achei um monstro, então não me surpreendeu muito a transformação. Além do fato de que sempre acreditei em seres mitológicos, mamãe cismava em contar histórias de terror antes de dormir, sobre um homem que dominava o submundo e bla bla bla.
- Não baforeje na minha cara, por favor.
Mal vi, e fairytopia já estava tentando arrancar meus braços com suas garras compridas; assim que fiquei a par da situação, comecei a me debater vorazmente, o que só aprofundava mais e mais as garras em meu braço. Lutava o máximo possível, mas não conseguia tira-la de cima de mim, até que finalmente, depois de perder os meus 30% de sague corporal, meus “amigos” digamos assim, tomaram uma atitude. Caroline tirou uma espada não sei da onde e começou a golpear sua professora querida (mas tarde ela disse que a espada se chamava cristal e que tinha a obtido em uma “missão”) enquanto isso, o sujeito segurava com seus braços musculosos o máximo que podia a professora, depois dela arranhar totalmente as mãos do sujeito, Caroline a decepou a cabeça, transformando-a apenas em pó.
- Aquilo era uma fúria? – Perguntei perplexo
- Erínias, sim, mas... Como você sabe? – Perguntou Caroline.
- Mamãe me contava histórias...
- Ah... Sua mãe... Acho melhor Quíron contar o que aconteceu com ela... – Disse o sujeito.
- Oque? Como assim? O que aconteceu com minha mãe?
- Só Quíron sabe, precisamos ir para o acampamento, agora que sabem sobre você, vão querer matá-lo com toda certeza. Precisamos ir para Long Island.
- Bom, pelo o que me informaram, daqui a pouco alguns ônibus vão sair em uma excursão com as séries menores... Parece que... Aquele ônibus vai para Long Island – Disse Caroline apontando para um ônibus escolar amarelo.
- Então essa é a nossa carona. Vamos, antes que alguém nos veja.
Entram no ônibus e tiveram que esperar alguns minutos, enquanto isso, Caroline ia contando o que era esse tal de “Acampamento-meio-sangue” e pelo o que ela descreveu era um ótimo lugar, mas não saia da minha cabeça que minha mãe corria perigo, precisava ajuda-la, e quem quer que fosse o responsável por isso, ele ia me pagar, me pagar muito caro.
Enquanto conversávamos, o motorista chegou e perguntou o que estávamos fazendo ali, mas Thiago (não quero falar sobre ele, ok? Não gosto dele e pronto) foi logo dizendo que éramos monitores dos “pirralhos”. O motorista disse que ia checar com o diretor, mas Thiago simplesmente disse “Sente e nos leve para long island” e foi oque ele fez. Não entendi o porquê de ele ter mudado de ideia tão rápido, mas fazer o que né?
Demorou algumas horas até chegar lá, e Caroline foi me contando tudo sobre o que eu deveria saber sobre monstros, deuses, gigantes, titãs, etc. Ela disse que obviamente eu era um semideus, mas eu teria que descobrir quem era meu pai olimpiano sozinho, e não era para ficar magoado se meu pai fosse um deus menos, já que é difícil os grandes deuses terem filhos, (falou uma filha de Poseidon) ela citou algo como um tratado de não sei o que, mas eu apenas fingi que entendi, não aguentava mais a ouvir falando no meu ouvido. Caroline sempre foi um pouco lerda pra perceber que estava enchendo o saco.
Quando finalmente chegamos lá Thiago pediu para o motorista nos deixar bem perto de uma floresta, e foi o que ele fez. Nunca andei tanto na vida, sempre fui meio fraco para caminhada, não sou acostumado a fazer exercícios, e eu já tinha corrido muito de manhã, chega de caminhadas! .Tivemos que subir uma colina, onde Thiago disse que ficava uma árvore muito especial, mas como sempre, eu fingi que ouvi. Até que ouço um rugido enorme vindo de lá. Caroline me disse que um dragão protegia a árvore, mas eu pensei que ela estava brincando.
Passamos pela árvore de Thalia e o dragão, mas o que realmente me surpreendeu foi o lugar. Assim que bati meus olhos no acampamento, subiu um frio na espinha. Algo me dizia que eu não gostaria daquele lugar, mas apesar de tudo, era um lindo lugar, tinha cheiro de morango, e a primeira coisa que percebi foi uma fileira de chalés formando um “U”, estava louco para saber quem era meu pai olimpiano. Outra coisa que me chamou atenção foi uma casinha azul de dois andares bem perto de nós, no segundo andar, havia uma garota ruiva, me observando, a expressão dela era um pouco perturbadora.
- Caroline, leve ele ao Quíron, acho que ele gostaria de saber que ele já chegou. Vou para o meu chalé, já que não sou querido aqui.
- Não é mesmo, adeus. – Me senti totalmente culpado depois de terminar essa frase. O cara pode até ser um idiota, mas ele salvou minha vida.
Caroline me levou para “A casa grande” segundo ela, esse era o nome daquela casinha azul, assim que chegamos, fui recebido por um cara com bunda de cavalo. Como é mesmo o nome? Centauro, ele era um centauro. Ao seu lado a menina que vi no segundo andar me olha com muita curiosidade, como se tentasse descobrir os meus segredos.
- Você é o Quíron não é? Prazer sou Gustavo. Sabe onde esta minha mãe? – Sou direto mesmo.
- Calmo ai rapazinho, eu sou Quíron, e é igualmente um prazer conhece-lo. E sobre a sua mãe...
- Tudo bem, fale.
- Bom... É algo difícil de falar.
- Ora, deixe de enrolação, fale logo.
- Não sabemos exatamente o que aconteceu com ela...mas... provavelmente... está morta.
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