Black Blade
8 Tarde
Notas iniciais
– E aí, gata... tá sozinha?
Ada virou-se para a origem do som — um sujeito bêbado que não parecia ter mais de vinte anos, roupas esfarrapadas e mais álcool do que sangue no corpo. Seus passos eram pesados e arrastados, e quase não ficava em pé. Mais uma criança se embriagando no bar.
– Hã...? — Ela perguntou, tirando o homem de perto das tochas na parede e quase tropeçando em seus companheiros de pinga. — Não, não... eu só... — ela finalizou, apontando para as outras pessoas dançando.
Não havia nenhuma alma sóbria naquela parte do bar.
– Ah — o homem murmurou olhando para os companheiros, ainda sem foco. — Então... posso ser um dos seus príncipes encantados da terra dos cogumelos, princesa? — Ele finalizou sua linda cantada com um risinho besta.
Ada fez que não, franzindo o rosto e encolhendo os ombros, como se perguntasse o que raios deu naquele homem. Ele saiu de seu campo de visão, dançando ao som dos músicos do fundo do bar. Eles apenas tocavam o ritmo das músicas que os bêbados da pista cantavam, mas a cooperação ainda era algo bonito de se ver.
Agnip andou até Ada com uma bandeja que continha apenas uma taça de champanhe e dois especiais da casa.
– Senhorita Adelaide.
A loira virou-se, tropeçando e quase caindo no garçom.
– Olha só... Agnip. Eu te considero muito, cara... gosto muito de você. — Ela apontou o dedo indicador para ele, girando-o por alguma razão, e pôs a outra mão em seu ombro. — Mas eu já disse pela trigésima... trocentésima, milésima quinta vez... que meu nome...
– Senhorita Ada – Agnip corrigiu-se, pegando a taça de champanhe da bandeja. Ada sorriu instantaneamente.
– Viu, é por isso que te considero — ela pegou a taça de champanhe, derrubando um quarto do líquido em sua saia. Pelo menos ela não era como Edith.
– Aí, cara... — uma das almas dançantes mais sóbrias perguntou para Ada — por que o garçom te chama de "senhorita", mas quando a gente chama ele, ele chama a gente de trouxa?
Ada tomou um gole longo de sua champanhe, e finalmente respondeu:
– É porque você é trouxa.
E riu tão loucamente que teve de se segurar na parede, fazendo até o garçom rir a alguns metros de distância.
Mas Agnip não era um garçom qualquer. Seu trabalho não era apenas anotar os pedidos e trazê-los para as massas. Ele também fazia bebidas estranhas, como o clássico especial da casa.
A história do especial da casa era algo engraçado: tudo começou quando o simpático garçom estava limpando a humilde cozinha do bar, quando ele acidentalmente derrubou ingredientes aleatórios na caneca de um cliente. Para disfarçar, ele pôs uma azeitona no copo e disse que era uma bebida nova quando o outro garçom veio buscar seu desastre. O outro garçom se recusou a levar a bebida à cliente, e Agnip teve de fazer o serviço.
A cliente era uma moça loira e rica com o nome escrito como "Adelaide" no pedido — e claro que ela questionou o que tinha vindo em vez de seu pedido. Agnip disse que era apenas um experimento, e que poderiam tomá-lo de graça.
Surpreendentemente, a moça disse que era delicioso e que Agnip deveria levar a fórmula a seus superiores para transformar seu "experimento" em algo real. Ela convenceu sua companhia — uma moça de pele pálida e cabelos escuros — a pedir que repetisse o experimento para provar o sabor do futuro especial da casa. Ela não pareceu tão satisfeita quanto a moça loira, mas concordou mesmo assim.
Agnip contou a história a seus superiores, que não aprovaram muito no começo, mas logo mudaram de ideia quando o garçom disse que estavam bebendo de graça. Agnip foi promovido a garçom quatro estrelas e o especial da casa teve sucesso quase instantâneo. Em compensação, o preço da bebida não era muito agradável — e seus ingredientes ainda eram um mistério.
– Aí o seu especial da casa, truta mole.
O barulho da caneca de vidro interrompeu o silêncio entre Killen, Sasha e Seth.
Seth observava sua caneca ceticamente enquanto Agnip entregava a de Killen. O especial da casa era algo... surreal. E decepcionante. Para algo chamado "especial da casa", ele não parecia muito especial. Era apenas uma bebida translúcida verde, com espuma e duas azeitonas aleatórias no fundo.
Sasha compartilhava o olhar de Seth.
– Você faz essa cara toda vez que vê um especial da casa — Killen disse, bufando e pegando sua caneca.
– Pelo menos ele concorda comigo — Sasha apontou com os olhos para Seth, que não tinha coragem de tocar na caneca.
Killen passou um tempo observando o copo de Seth, até que arquejou, com os olhos bem abertos.
– Cara, você foi premiado!
– Isso não é ser premiado — Seth respondeu, ainda não querendo tocar em seu pedido. — Eu não quero beber isso.
Sasha fez que sim com a cabeça, aprovando a sensatez da atitude de Seth. Killen pegou a caneca de seu companheiro.
– Cara, olha só. Tá vendo? — Ele grudou a caneca de vidro ao rosto de Seth, forçando-o a ver sua sorte.
– Olha, eu não vejo nada demais, mas acho que você está falando das duas azei...
– Duas azeitonas, cara, duas azeitonas! – Killen pôs a caneca no alto e subiu na mesa, gritando pela atenção de todos. Sasha escondeu o rosto, e Seth apenas olhava em volta.
– Killen, não faz isso — Sasha murmurou, tentando se esconder debaixo da mesa. Pelo amor de...
– Gente, gente, já temos um oponente hoje!
O bar inteiro arquejou. Rapidamente, todos pegaram suas bolsas e carteiras e começaram a contar o dinheiro que tinham.
– O... o que você fez? — Seth observava as pessoas apostando freneticamente, alguns ainda olhando para Killen na mesa, outros analisando seu rosto e porte físico. Sasha já não era mais visível.
– Ele é novato, Killen. — A voz de Sasha murmurou, debaixo da mesa. Ele não parecia se importar muito, e entregava o especial da casa para um garçom aleatório cético.
– Um novato premiado — o ruivo encolheu os ombros, sorrindo para Seth. — Quem diria, hein, truta mole? — E começou a rir como o novato premiado, que ria de nervosismo.
– O que essas pessoas estão apostando? — Seth perguntou, ainda sendo observado por pessoas que pareciam duvidar de alguma coisa.
– Apostando quem vai ganhar a luta, é claro!
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