Black Blade
6 Saída
Notas iniciais
A noite ainda estava longe de cair, mas as ruas já tinham seus postes acesos, quase sem efeito algum. Porém, o céu alaranjado já começava a escurecer, já que era inverno — e estava bem frio.
Mas mesmo com temperaturas baixas, a cidade era extremamente movimentada. As pessoas não se importavam com o frio, o que era apenas mais uma semelhança entre o Norte e o Centro.
– O fim de tarde não é bonito?
Seth virou-se para sua companhia, Ada.
– Não é fim de tarde, são... quatro horas, eu acho — Seth respondeu à pergunta, pondo as mãos no bolso do casaco de pele grossa. Ada deu um riso curto, mexendo na corrente dourada do relógio de bolso que segurava.
– Quatro horas são fim de tarde quando você não mora nas montanhas. Especialmente no inverno.
– Eu imaginei que fosse — Seth olhava para o sol, que já não aparecia tanto. Era possível ver as montanhas do Norte se tentasse. Ele suspirou.
Ada estava sem assunto e sem-graça. Sua motivação para sair com Seth não era para tirá-lo de casa, como havia dito — mas sim para saber o que Ilsa estava fazendo. Ela havia esquecido daquilo quando subiu da biblioteca, até Seth perguntá-la onde Ilsa estava pouco tempo depois. Ada havia apenas disfarçado. Ilsa não era uma pessoa totalmente confiável, por mais que ela tentasse, e por mais que suas tortas fossem deliciosas.
– Acho suas sardas bonitinhas.
Seth virou-se bruscamente, com o olhar estreito e vontade de rir, envergonhado pelo elogio inesperado.
– Jura? — Ele perguntou, ajeitando o cabelo. — Nunca parei pra pensar se alguém gostava delas ou não.
– Pois eu gosto — Ada sorriu, olhando para Seth nos olhos. — São diferentes.
– Eu gosto do seu cabelo — Seth pegou em uma das duas tranças de Ada, olhando para o brilho dourado dela. Ada deu um riso curto e discreto.
– É de família.
Seth riu, pôs as mãos de volta nos bolsos e olhou em volta. O sol já quase não aparecia mais atrás da linha do horizonte, dando às luzes uma verdadeira função. As lojas começavam a iluminar-se, e as pessoas começavam a sair de suas casas.
De certa forma, o Centro era um tanto diferente do Norte — no Centro, as ruas eram mais largas e movimentadas, não havia neve por toda parte e as construções eram mais altas e elegantes. No Norte ventava, no Centro havia apenas uma brisa batendo, pelo menos no momento.
– Pra onde estamos indo? — Seth perguntou, ainda olhando em volta. Ada hesitou.
– Eu quero saber onde a Ilsa está — Ada respondeu, mexendo em uma das suas tranças. Seth franziu o cenho.
– Mas ela é adulta... — Seth deu um meio sorriso para Ada, fazendo seu rosto moreno relaxar um pouco.
– É que... — Ada se sentia estranha falando algo um tanto pessoal para alguém que ainda era, de certa forma, um estranho. — Ela... esconde muito as coisas. Ela se esconde.
Seth fingiu desinteresse com a resposta, e preferiu não perguntar mais. Era melhor focar em alguma outra coisa.
À sua frente, no lado esquerdo da rua, havia um tipo de bar — e parecia que Ada o levava para lá.
– Estamos realmente indo para um bar? — Ele perguntou, olhando com desdém para a fachada do estabelecimento. Bares não faziam o seu tipo.
– Relaxa — Ada respondeu, encolhendo os ombros e parando em frente ao bar de nome Taverna do Cavaleiro. — É um lugar legal.
Seth estreitou o olhar.
– Se é legal, eu não sei. Mas é maior do que eu pensava.
– Eu te garanto que você vai se surpreender com esse lugar daqui a pouco — Ada murmurou, com um tom malicioso.
– O que isso quer dizer? — Seth perguntou aflito, enquanto abria a porta de vidro e madeira do bar. Ele parou e olhou em volta.
O lugar era grande e parecia ter dois andares. As paredes eram de pedra e o piso de madeira escura, assim como as escadas e o balcão. O lugar era iluminado parcialmente por lâmpadas, porém algumas das paredes eram iluminadas por tochas, dando um ar antigo ao bar. Haviam várias mesas circulares espalhadas, todas elas de mogno. Claro que Ada gostava daquele lugar.
Também havia um forte cheiro de álcool por toda parte, dando uma atmosfera... alcóolatra.
– Você é campeão de luta, não é? — Ela perguntou enquanto Seth entrava depois dela. Seth estreitou o olhar.
– O que isso tem a ver?
– Tem a ver com o fato de que você não vai precisar se preocupar, só isso. — Seth virou-se bruscamente ao ouvir a resposta de Ada.
– Por favor me diga que não é o que eu penso que é.
Ada continuou a rir.
– Eu disse que você não deveria se preocupar. Agora tenta achar uma mesa vazia sobrando, porque eu não estou vendo nenhuma.
– O que raios estamos fazendo aqui, só por curiosidade? Você ainda não me respondeu.
Ada suspirou.
– Bem, a Ilsa frequenta esse lugar — ela respondeu, relaxada. — Então é claro que ela vai vir aqui. — Seth franziu o cenho.
– Eu consigo ver como isso poderia dar errado.
– Ela vai vir, Seth, ela vai vir. — Ada deu um tapinha camarada no ombro de sua companhia. — É só esperar até anoitecer.
– Você não faz ideia do tédio que isso vai ser, vai? — Seth suspirou enquanto andava até uma mesa com uma cadeira vazia, bem longe do lugar que Ada havia escolhido para si mesma. — Parece que terei que ir até lá.
Ada sentou-se em um dos bancos do bar, se inclinando no balcão de mogno.
– Me vê a bebida mais amarga e pesada que você tiver.
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