Black Blade
18 Negação
Notas iniciais
Apesar das barbaridades jogadas ali, a água do rio era completamente cristalina.
Mirjam continuava sentada em frente ao rio, observando a rápida corrente. Ela tinha seu lampião no colo, que ainda estava aceso, porém fraco. Ela suspirou ao terminar de trançar seus cabelos claros, pondo o rosto nas mãos.
Sua falsa tranquilidade foi interrompida por um grunhido animal. Ela levantou com rapidez, virando-se para trás com agressividade.
– O que está fazendo?
O homem de armadura assustou-se, mas disfarçou com um sorriso fechado.
– Salvando seu cavalo. Por quê?
Mirjam estreitou os olhos, se aproximando.
– Ele não precisa ser salvo.
O homem encolheu os ombros e puxou um objeto mais uma vez, fazendo com que o cavalo da moça gemesse. O homem olhou para o objeto com desdém.
– O que você tirou dele?
– Uma flecha — ele respondeu, mostrando o objeto sangrento para Mirjam. Ela levantou as sobrancelhas. — Envenenada, ainda por cima.
A flecha era dourada e decorada, tão brilhante quanto a coroa do rei. Bastante delicada, ela possuía um brasão em uma extremidade; na outra, vários desenhos gravados, cobertos por sangue. Mirjam já havia visto alguma daquelas anteriormente, mas não sabia que era feita para cavalos.
– Quem atirou isso? — Mirjam perguntou, pondo a flecha de lado. O homem franziu o cenho, olhando para o lado.
– Provavelmente um dos guardas, enquanto você se distraía com o rei.
– Ele vai morrer? Você... pode fazer alguma coisa?
– Eu não sou médico — o homem respondeu, dando um riso nervoso. — Mas não parece ter sido grave... Você quer ver?
Mirjam sacudiu a cabeça com rapidez.
– Chega de sangue por hoje. Confio no que você disse.
– Você confia num estranho?
Mirjam suspirou, ajeitando os cabelos que caíam no rosto.
– Se eu não quiser morrer na cadeia, eu tenho que confiar.
O homem deu um riso tímido.
– Gosto do jeito que você pensa.
– Eu também. Agora, como eu faço pra ele não morrer?
– Eu já disse que não sou médico — o homem encolheu os ombros. — Então eu não sei. Talvez, se você deixar ele aí...
– Não.
– Então ele pode seguir a gente.
Mirjam estreitou os olhos.
– Você... planeja ir comigo?
O homem encolheu os ombros novamente, fazendo um som metálico.
– Tecnicamente, você vai comigo, já que o cavalo que não foi envenenado é o...
– Eu acabei de te conhecer. Não vou a lugar nenhum com você. — Mirjam cruzou os braços, e o homem levantou as sobrancelhas escuras com falsa surpresa.
– ...Não?
– Eu sei voltar pra casa. Vim até aqui por mim mesma. Digo, eu e Aidan.
O homem estreitou os olhos, processando a informação.
– ...Você e eu?
– Não, eu e meu cavalo.
– Ah. Achei que estivesse falando de mim. — Ele deu um riso curto, e Mirjam franziu o cenho.
– Você se chama Aidan, por acaso?
– Sim — ele disse, estendendo a mão, mas não para cumprimentar a moça. Ele olhava para a flecha. — Prazer.
– Mirjam — ela disse com um pouco mais de frieza do que antes, entregando a flecha. — O que você vai fazer com ela?
– Ah, pode ser útil algum dia.
Aidan encolheu os ombros e se distanciou da loira.
– Bom, Mirjam... foi um prazer não ver você morrer.
Mirjam estreitou os olhos.
– Aonde você está indo?
– Você disse que não queria minha ajuda, não é? — Ele virou-se para a floresta e acenou de costas, montando com rapidez em um cavalo que se camuflava quase que perfeitamente na escuridão. Ele jogou o cabelo no ar e pôs seu capacete preto.
– Eu não...
– Até algum dia, Mirjam! Provavelmente nos veremos em praça pública quando formos executados! — O cavalo de Aidan relinchou, e os dois foram-se embora no meio das árvores.
Mirjam ficou ali, de boca aberta e sobrancelhas franzidas, olhando para as árvores.
– Eu mudei de ideia!– Ela gritou, e a floresta ficou novamente em silêncio total. O cavalo de Aidan andou de ré até que Mirjam pudesse ver o brilho dos pelos do animal.
Aidan desceu do cavalo, tirando o capacete e jogando os cabelos longos mais uma infinita vez.
– Então você vem? — Ele deu um sorriso convencido, e Mirjam suspirou novamente.
– Vou. Não posso deixar meu cavalo aqui.
– É, ele é muito bonito.
Mirjam andou até seu cavalo, se ajoelhando. Aidan — o homem, não o cavalo — mexia nas pontas de seus cabelos pretos quase que distraidamente, mas ainda observava o que a moça fazia. Ela soltou uma corda grossa e resistente que estava amarrada à pata do cavalo e a uma pedra. O animal mexeu as patas meio dormentes com força, e Mirjam afastou-se.
– O que pretende fazer agora? — Aidan perguntou, se aproximando do animal que estava quieto.
– Prendê-lo ao seu cavalo.
O homem franziu o cenho.
– Com a corda...?
– O que você acha? — Mirjam perguntou retoricamente, trazendo seu cavalo até as árvores pela sela. Aidan seguiu a moça, ainda confuso.
– Mas...
– Não me diga que você queria correr majestosamente pela floresta — Mirjam virou-se.
– Eu queria, mas... um sacrifício não mata ninguém. Eu acho.
Mirjam deu um sorriso cínico.
– Gosto do jeito que você pensa.
_._
O cavalo de Aidan cavalgava com vontade de correr, mas sua pata presa à de outro o limitava quase que completamente, reduzindo sua velocidade à de uma pessoa andando sem pressa. O cavalo de Mirjam parecia sentir o peso da moça com muito mais impacto do que antes da flechada.
Mirjam parecia estar prestes a deitar em seu cavalo, com braços cruzados e capuz cobrindo seu rosto e cabeça baixa. Enquanto isso, Aidan parecia quase que completamente desperto, assim como seu cavalo que queria correr.
Aidan virou a cabeça para trás, olhando para o xará.
– Ei.
Ele não obteve resposta. Ele parou seu cavalo, e o de Mirjam fez o mesmo, fazendo com que a moça sentisse o solavanco da parada.
– Mirjam.
– O... o quê? — Ela perguntou, estreitando os olhos com má vontade. Aidan parecia querer rir.
– Seu cavalo não vai aguentar o seu peso.
Mirjam franziu o cenho.
– Arranje algum jeito de continuar essa frase sem que eu me ofenda.
Um sorriso pequeno apareceu no rosto sardento de Aidan.
– Já se esqueceu de que seu cavalo levou uma flechada na lateral?
Ao ouvir essas palavras, Mirjam desceu de seu cavalo com tanta pressa que caiu de joelhos no chão. Aidan deu um riso curto, diferente da moça, que parecia vermelha e frustrada. Ela levantou-se e tirou o capuz da cabeça, suspirando.
– Se importa se eu for no seu cavalo? — Mirjam perguntou, seus braços cruzados e tom frustrado. Aidan encolheu os ombros.
– Nem um pouco — ele respondeu, mexendo na sela do animal. — Era mais ou menos isso que eu planejava mesmo.
Mirjam montou no cavalo, se segurando no cabelo de Aidan por acidente. O mesmo não parecia se importar nem um pouco, ao contrário de Mirjam, que se desculpou logo em seguida — mas continuou a segurar-se no cabelo do homem.
A moça virou-se para trás — seu cavalo parecia andar com muito menos dificuldade, enquanto o de Aidan mal se importava com quase o dobro do peso montado em suas costas.
– Qual é o nome do seu cavalo? — Ela perguntou após um tempo. Aidan deu um riso descontraído.
– Mirjam.
– Jura? — Ela perguntou, inclinando a cabeça.
– Não.
– Então qual é?
– Eu não sei, nunca parei pra dar nomes a cavalos. Talvez esse tenha, mas só meu irmão sabe disso.
– Ah. — Mirjam calou-se por um curto espaço de tempo, mas continuou. — Seu irmão cria cavalos?
– Não, ele só não tem nada pra fazer — Aidan respondeu, revirando os olhos com um riso forçado. — Ao contrário de mim.
Mirjam franziu o cenho.
– Você faz alguma coisa?
Aidan deu um sorriso frio para si mesmo.
– Eu sou o primogênito de uma família muito importante, mas eu não tenho interesse em liderar nada. Já o meu irmão...
– Imagino — Mirjam respondeu com pouca emoção. — Ele quer o seu lugar?
– Eu quero que ele pegue o meu lugar. Mas ele não pode, apenas o mais velho. Sempre o mais velho, é a tradição. Sempre foi assim, sempre será assim.
Mirjam franziu o cenho.
– Não há nenhum jeito?
– Tem um, pra falar a verdade — Aidan respondeu, suspirando disfarçadamente. — Mas depende de um evento muito importante, como uma guerra.
– Eu não diria que isso é impossível.
Aidan deu um riso curto.
– Nem eu.
Mirjam deu um riso ela mesma, mas um riso vazio. Ela franziu o cenho ao começar a pensar no que aconteceria com ela se fosse pega, e começou a ficar tensa mais uma vez.
– Mas... — Aidan continuou após um tempo de silêncio, o que tirou Mirjam de seus pensamentos. — Eu tenho que aceitar isso, não é?
Mirjam rapidamente voltou a refletir.
Se fosse pega, seria imediatamente excluída da alta sociedade do Centro por não ser pura, depois seria jogada na cadeia e morreria lá — mas devido a seu gene diferente dos demais, demoraria literalmente séculos para morrer.
Se Aidan fosse pego, seria executado em praça pública. E isso apenas pioraria as relações Centro-Norte, já que daria ao Centro um "motivo" para acabar com o rival. E mesmo que escondessem sua conexão com tal família, seria extremamente fácil descobrir que era do Norte — olhos estreitos, pele rosada e cabelos pretos eram as características que mais marcavam os habitantes da região.
Mirjam engoliu em seco, mais seco que um deserto. Ela soltou as mechas de Aidan.
– Como você vai escapar da punição? — Ela perguntou, quase que sem voz. Aidan deu um riso arrogante.
– Como se eu fosse ser punido.
– Eu estou falando sério.
– E eu também. Eu não vou ser pego por fazer um favor ao mundo. Nem você.
– Mas... — ela mordeu os lábios, franzindo o cenho. — Eu sou uma pessoa importante. Se me pegarem, eu não... eu não quero nem pensar no que farão comigo.
– Eu não vou deixar que te peguem. E se tentarem, cabeças vão rolar. Literalmente.
Mirjam estreitou os olhos.
– Olha, eu aprecio a sua dedicação inexplicável, mas o mundo não funciona assim.
– Funcionou quando você matou todos aqueles guardas.
Aidan virou-se com um sorriso estático, e Mirjam forçou um sorriso pequeno. O homem virou-se para frente, mas com uma expressão mais monótona.
– Olha, eu não tenho muita escolha na vida, sabe? — Ele disse, dando um sorriso sem felicidade para si mesmo. — Se eu viro um líder... vão me matar. Aconteceu com todos. Todos foram assassinados ou morreram sob... circunstâncias desconhecidas. Sem exceção.
– Sem exceção?
– Não que eu me lembre — ele encolheu os ombros, sorrindo. — Eu morreria muito jovem. O rei nunca gostou de mim, e eu também me odiaria se fosse ele. Enquanto isso, no Norte, me odeiam porque eu não assumi o cargo. Eu morreria em dois segundos, no máximo.
– Olha — Mirjam começou, sentindo uma pequena emoção semelhante a pena. — Não deve ser assim, você...
– E se eu for pego por matar aquele babaca, eu morro por circunstâncias óbvias. Eu não sei qual é o pior.
Mirjam suspirou.
– Me desculpe, eu não queria meter alguém que eu mal conheço em algo assim.
– Eu ia dizer o mesmo — Aidan respondeu, dando um riso um pouco envergonhado. — Mas... não foi culpa sua, eu queria fazer aquilo há muito tempo.
Mirjam calou-se com uma expressão deprimida e o silêncio tomou conta por alguns minutos. Ela observava as árvores no escuro: livres, bonitas e não poderiam ser presas por homicídio. Que inveja.
– O que você faz da vida? — Aidan perguntou, quebrando o gelo. Mirjam virou-se para frente, e engoliu em seco imediatamente.
– Eu? Eu... eu trabalho — ela respondeu com timidez. Aidan não demonstrou reação imediata.
– Hm — ele respondeu após alguns segundos. — Com o quê? Eu sou um idiota tentando fugir da morte e reprimindo a vontade de matar apologistas ao rei, e você?
Mirjam deu um sorriso nervoso.
– Você é uma apologista ao rei, não é? — Ele perguntou com a voz firme, e Mirjam sentiu a lâmina da foice da morte em seu pescoço.
– Eu... eu não vou mentir, eu era.
– Hm — Aidan reagiu imediatamente, mas sem a expressão esperada de fúria incontrolável do inferno. — Entendi.
– Mas eu juro, eu juro que eu era forçada — Mirjam gaguejou, sua voz falhando a cada segundo quando falava com pressa. — Não era como se eu... como se eu concordasse com os ideais dele ou...
– O que ele te dava em troca? — Aidan perguntou, surpreendentemente calmo. Mirjam ficou sem reação por alguns segundos. — Me desculpe, mas você é minha, hã... cúmplice. Eu tenho que conhecer você.
A loira respirou fundo.
– Em troca, eu... poderia viver como uma pessoa comum. Comum rica. Por favor, compreenda... eu...
– Calma — Aidan disse com um pouco de monotonia forçada. — Não vou te matar, isso é um erro muito comum.
– E... eu não sou normal, então...
Aidan deu um riso curto, interrompendo-a por sua sorte.
– Você não é normal? — Ele perguntou, e Mirjam grunhiu.
– Olha, é complicado, eu... eu não sou normal, eu tenho problemas e... eu vivo mais do que você e seus filhos juntos e...
– Ah — Aidan respondeu, olhando-se na superfície espelhada do braço de sua armadura preta. Seu delineador realmente estava borrado. — Entendi.
– E, e... — Mirjam se interrompeu. — Você entendeu?
– Só por causa das tradições — ele começou, olhando para seus olhos azuis de vários ângulos. Ele parecia um tanto interessado no assunto, porém. — Nos meios militares, um guardião é muito útil. Você deve saber disso, sem sombra de dúvida.
O rosto de Mirjam se iluminou um pouco, e Aidan pôde vê-la pelo espelho de seu braço.
– O seu corte acinzentado te denuncia muito — ele disse com um riso tímido.
Mirjam imediatamente esfregou o corte em seu rosto, e alguns grãos caíram em sua mão. Aidan abaixou o braço, ainda sorrindo.
– Força sobre-humana, agilidade, um mapa perfeito em suas cabeças... isso é tudo muito interessante, mas eu odiaria ter que viver por tanto tempo. Morrer não seria algo tão ruim pra mim, pra falar a verdade.
– Não é tão ruim assim, isso é muito pessimismo — Mirjam disse, franzindo o cenho. — Nunca pensou em nada além de ter que liderar um povo ou morrer em praça pública?
– Já, eu... é o que eu estive tentando fazer. Achar uma terceira opção — Aidan franziu o cenho, pensativo.
– Agora que o rei morreu — Mirjam começou e sua voz era um tanto confiante, apesar de se sentir um tanto estranha por pensar em algo assim. — Você não acha que vão acontecer coisas no Centro já que não tem rei? Você não acha que eu posso interferir em alguma coisa, pelo menos?
Aidan enrijeceu-se.
– A minha relação com você é literalmente "eu vi você matando alguém e não vou te entregar" — ele disse, estreitando os olhos e olhando para frente, como de costume. — Nada além disso... pelo menos por enquanto.
– A minha proposta é de longo prazo — Mirjam respondeu, confiante. Era apenas um pensamento pequeno e grandioso.
– Me desculpe, eu...
– Não é nem uma proposta, é apenas uma ideia. Uma ideia pequena. Só isso.
Aidan respirou fundo. Ele constantemente tentava ignorar o fato de que, para ele, qualquer coisa que aquela moça falasse parecia ser algo perfeito e bem-bolado, mesmo que fosse alguma coisa completamente idiota.
– Certo, uma ideia. Estou ouvindo.
– Você quer se livrar do cargo de líder, não é?
Aidan fez que sim. Mirjam parecia completamente confiante, mesmo que não sentisse metade do que parecia ter.
– E você também quer se livrar de todo aquele drama de morte em praça pública, não é?
Aidan fez que sim mais uma vez, olhando para ele mesmo mais uma vez no espelho do braço.
– Bom, eu quero me livrar da prisão quase eterna. Qualquer um, aliás.
– Aonde quer chegar? — Aidan perguntou, um pouco tenso. Mirjam sorriu timidamente.
– Eu posso fazer os três. Ao mesmo tempo.
Aidan deu um riso nervoso, virando a cabeça para trás imediatamente. Ele continuava rindo, incrédulo.
– Você... você não pode — ele disse, fazendo que não com a cabeça. — Eu já estava começando a encarar e aceitar o fato de que vou ser um líder horrível e...
– Você não tem que encarar esse fato — Mirjam respondeu, sorrindo. Era um sorriso sincero, como se ela tivesse descoberto o sentido da vida. Aidan desviou o olhar e virou-se para frente mais uma vez.
– Não tente resolver os meus problemas, eu acabei de te conhecer...
– Você resolveu o meu.
– Eu criei outro.
Mirjam revirou os olhos.
– Certo, mas um dos meus problemas já se foi. O rei era um problema. Eu não tenho que trabalhar pra ele pra ser normal. Ele já morreu.
Aidan levantou uma sobrancelha.
– Hã...
– Eu posso. É o que eu faço, eu resolvo problemas que eu mesma crio. Mas eu também posso resolver os seus.
Aidan franziu o cenho.
– Eu... vou pensar.
– Você nem mesmo sabe qual é o plano.
– Mas isso é algo radical, eu... Não é natural que eu não vire o líder.
– E não é natural que você seja morto em praça pública. Você não fez um "bem" para o mundo?
Aidan estreitou os olhos.
– Eu já disse que vou pensar.
– Eu também preciso pensar — Mirjam disse, suspirando. — E esperar as repercussões dessa noite. Eu preciso de tempo. Preciso saber se vou morrer na cadeia ou não.
Aidan deu um sorriso tímido, fazendo que não.
– Eu já disse isso, mas gosto do jeito que você pensa. Muito.
Mirjam deu um riso curto, pondo suas mechas que caíam em seu rosto para trás. Ela quase caía, sem nada para segurá-la, mas continuou assim.
– É o meu forte.
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