Black Blade

17 Cumplicidade


Notas iniciais
FLASHBACK MAROTO PRA DAR UM AGITO

Mesmo com a luz de seu lampião, o escuro parecia fazer com que tudo fosse menos confiável.

A figura encapuzada, porém, parecia completamente calma diante da clareira daquela floresta outrora fechada. Sentada em uma pedra em frente a um rio agitado, ela observava a luz prateada da lua refletir na água. Parecia entediada, talvez até mesmo um pouco aérea.

Ela suspirou. Olhou para seu cavalo de pelos negros e sedosos com um pouco de esperança, como se ele a entendesse.

Mas o animal simplesmente ficou ali, sem nem ao menos olhar para seu rosto — então a figura camuflada apenas voltou a observar a água se movendo enquanto polia sua adaga com o tecido de seu manto.

O lugar seria completamente silencioso se não fosse pelo barulho de pequenos animais inofensivos e um ruído estranho, porém muito baixo, que começara a aumentar há alguns minutos. A pessoa pôs segurou a adaga com um pouco mais de força, caso algo desse errado.

– Onde ela está? — Era possível ouvir uma pessoa dizendo essas palavras repetidamente, talvez um pouco mais alta do que seus cavalos. Não era uma voz agressiva, apenas curiosa.

Mas a pessoa encapuzada continuava ali, sentada e relaxada.

– Ela está ali! — Uma outra voz disse, e então seus cavalos começaram a andar mais depressa em direção ao rio.

A pessoa levantou-se calmamente da pedra e pegou seu lampião do chão. Era possível agora ver com mais clareza as pessoas que vinham do outro lado — era meia dúzia de guardas com tochas acesas cercando alguém importante, sem nenhuma tocha. Eles vinham com rapidez, e o cavalo da figura se enrijeceu. A pessoa andou até o lado do animal e pôs a mão em seu pelo lentamente.

– Calminha, amigo — a pessoa murmurou com sua voz suave e calma. — Eles não vão lhe ferir.

Os homens com tochas pararam seus cavalos com rapidez e pouco equilíbrio em frente ao rio e a pessoa com o cavalo preto, apesar de ainda ser possível ouvir um barulho mais baixo de um cavalo, talvez um pouco mais longe. Dois dos guardas se desmontaram com imponência, pegaram suas espadas prateadas e as apontaram para a pessoa, que deu apenas um risinho curto.

– Por que está rindo, verme?! — Um dos homens exclamou, aproximando a espada ao corpo da figura. — Identifique-se ou o matarei sem dó nem piedade!

A pessoa tirou seu capuz, revelando o rosto calmo de uma moça loira e pálida. Os homens que apontavam as espadas perderam um pouco de sua arrogância ao perceber que essa era a descrição física vaga que seus superiores haviam citado, mas não baixaram a guarda.

– Identifique-se! — O mesmo homem disse novamente e estava prestes a continuar falando, mas foi interrompido por uma outra pessoa pondo a mão em sua armadura prateada.

– Acalmem-se, essa é exatamente a pessoa que estávamos procurando. — O homem atrás do guardas disse. A mulher continuava serena e sem expressão.

O homem fez um gesto para afastar os guardas, e eles fizeram o pedido. Ele obviamente era importante — era mais alto do que os guardas e usava uma longa capa preta que arrastava no chão de terra úmida. Seu cetro dourado possuía uma pedra vermelha e brilhante na ponta, enquanto a outra quase chegava a encostar no chão. Além disso, ele usava uma enorme coroa dourada na cabeça, que cobria seus cabelos castanhos e um tanto grisalhos.

– Mirjam — o rei disse com hospitalidade, suspirando. A moça curvou-se para ele.

– Majestade... É uma honra vê-lo novamente.

Alguns guardas começavam a se entreolhar, e alguns até mesmo a murmurar comentários curiosos entre si.

– Ah, Mirjam — o rei começou a falar, apenas observando a bela pedra de seu cetro. — Agradeço muito seus esforços em relação ao nosso... pequeno conflito.

– Fico honrada que Vossa Majestade pensa assim de meu trabalho — Mirjam respondeu sem emoção. O rei deu um sorriso sarcástico.

– Pena que o Norte não está tão honrado assim — ele riu, e Mirjam fez o mesmo, só que sem a mínima vontade de fazê-lo. — Ah, você deve entender o quanto o Centro precisa daquilo tudo.

– São apenas bárbaros impulsivos — ela disse, e o rei fez que sim com a cabeça, ainda rindo. — Não precisam de tanta energia que nósprecisamos.

– Fico feliz que concorda comigo. Mais uma vez, é uma das únicas que compartilhava de minha opinião.

Mirjam deu um pequeno sorriso, olhando para o chão.

– Porém... — o rei continuou, agora com um tom mais sério em sua voz. — Não é suficiente. — A moça levantou a cabeça.

– O que vo... Vossa Majestade quer dizer? — Ela perguntou com um pouco de tensão em sua voz até então calma. O homem continuou com expressão séria.

– Em todas as vezes que nos encontramos, tínhamos completo e total controle do que ocorria com aquele lugar. Desta vez, não o temos.

Mirjam engoliu em seco.

– Não entendo o que eu...

– Você foi fraca, Mirjam. Como você mesma disse, precisamos daquelas pedras. — Ele pôs a mão na pedra vermelha de seu cetro, e o apontou para a moça, que parecia mais tensa do que antes. — Você tem noção do quão raras essas porcarias preciosas são no Centro? Não temos quase nenhuma!

Os guardas continuavam com suas poses imponentes, segurando as espadas em suas mãos metálicas. Mirjam os observava atentamente, dividindo sua atenção com o rei.

– Essa crise vai nos levar ao fim do nosso reino, e depois... aqueles bárbaros de casacos peludos escrotos vão nos dominar. Ou pior. — Ele pausou, ainda apontando o cetro para ela. — Você sabe do que estou falando?!– Ele gritou, sua voz grossa ficando um pouco rouca.

Mirjam assustou-se com a súbita alteração na voz do rei, mas não demonstrou emoção.

– A unificação... Majestade. — Ela olhava atentamente para a pedra brilhante à sua frente, que era tão rara no resto da região a não ser no Norte.

– Não quero ficar dependente daqueles bárbaros imbecis sem cultura — ele continuou, segurando o cetro com as duas mãos e tirando-o do rosto de Mirjam. — Não quero que viremos um império unificado, quantas vezes já lhe disse, maldita?

A loira sentiu o sangue subir à cabeça, e o silêncio tomou conta. Nem mesmo as cavalgadas distantes estavam mais ali. Ela mordeu o lábio inferior.

– Majestade... farei o meu melhor.

O rei deu um riso sarcástico, diferente da voz tensa da moça. Ele ajeitou a coroa com sua mão esquerda, a outra segurando o cetro de forma estranha.

– Ah, Mirjam... — ele começou a falar, ainda com um sorriso malicioso. — Você não vai fazer o seu melhor.

Ela franziu o cenho, mas permaneceu calada e observando os guardas com tensão. Ela olhou para sua direita, e seu cavalo estava agora inconsciente e preso a uma árvore, obviamente para impedir sua fuga antes planejada.

– Você faz ideia de quantas pessoas já me disseram a mesma coisa? — O rei continuou falando com sua voz sombria. Os guardas seguravam suas espadas enormes em posições de ataque e com força. — Você faz ideia de quantos... "conselheiros" eu já tive durante diversos conflitos, que não conseguiram nem realizar metade de seus objetivos?

– Não... Majestade. — Ela respondeu, pondo as mãos nos bolsos de seu robe preto. Sua respiração estava pesada e tensa, e ela parecia completamente diferente do que antes estava.

O rei começou a distanciar-se lentamente, e em vez de olhar para Mirjam, olhava para os guardas à sua volta.

– Pois eu adoraria que você os conhecesse.

Rapidamente, quase todos os guardas começaram a andar na direção de Mirjam, que tirou sua adaga do bolso sem muita destreza. A mesma andou de costas até entrar no rio por acidente, começando a sentir a água corrente e congelante em seus joelhos cobertos.

– Se vocês chegarem perto de mim... — Mirjam começou a dizer com nervosismo, segurando a adaga em posição de ataque em sua mão direita aparentemente trêmula.

Um guarda de capacete enferrujado riu por baixo do metal.

– Dá até pena de matar alguém tão patética assim.

O rei, no fundo, subia em seu cavalo com calma, assistido pelo sexto guarda que subia em seu próprio. Os dois rapidamente começaram a fugir da clareira, sumindo no meio das árvores.

Mirjam respirou fundo, pondo os olhos em cada guarda que parecia ser mais perigoso. Todos eles pareciam igualmente treinados... e igualmente patéticos.

E então ela percebeu que seu improviso poderia ser um excelente plano.

– Eu... eu... — ela começou a gaguejar, fazendo cara de choro e pondo sua mão esquerda em frente à boca.

Ela então andou um pouco para a frente, saindo do rio com metade de suas pernas encharcadas. Ficou corcunda e começou a choramingar.

– Eu... não quero morrer... — ela continuou, olhando para seu cavalo inconsciente e para a falta de cavalos dos guardas, que haviam fugido com o rei. — Tudo o que eu queria era viver muito... e não morrer desse jeito.

Os guardas pararam em seus lugares, e rapidamente o riso se instalou na clareira.

– Você acha mesmo que isso funciona, querida? — Um deles se aproximou, tirando a capa de seu capacete para dar um riso sarcástico.

– Eu... estou me rendendo... — Mirjam continuou, escondendo parte do rosto com vergonha de si mesma. O homem de rosto exposto continuou rindo.

E então a moça enfiou a adaga em sua mandíbula e o jogou ao rio congelante com força.

O homem urrou de dor, mas rapidamente teve sua boca e nariz preenchidos por água até não conseguir mais respirar normalmente.

Mirjam rapidamente pegou a espada do homem nocauteado e virou-se para o trio que avançava. Ela estreitou os olhos — mesmo com pouca clareza, ela percebeu que havia um ponto fraco comum aos três: seus pescoços. Eram cobertos por couro e não metal, e seriam facilmente perfurados por aquela espada.

O homem do meio gritou e correu na direção da mulher com o escudo cobrindo seu peito coberto por metal. Ela tinha uma postura surpreendentemente valente, e simplesmente esperou até que pudesse por seu teste à prova.

E então enfiou a espada no meio de sua traqueia com toda a força que tinha em suas mãos. O homem foi ao chão, urrando de dor assim como o primeiro. Sangue saía de sua boca, e não havia água que amenizasse aquele tom de vermelho. Mirjam pegou a espada e o escudo do recém-atacado, e avançou para outro guarda.

Este conseguiu arranhar Mirjam profundamente no rosto e no braço, fazendo com que ela gemesse por alguns segundos e perdesse a concentração. Mas ela concentrou-se novamente e conseguiu enfiar a espada na traqueia deste, fazendo com que ele tivesse o mesmo destino de seu colega. Ele caiu no chão com um ruído metálico e pesado.

Mirjam parou para respirar fundo; estava ofegante, sangrenta e cansada. Sua postura valente já não estava mais ali. Ela jogou o escudo pesado no chão, desviando o olhar dos homens que morriam. Não parecia haver mais nenhum guarda à sua volta, mas ela continuava rígida. Havia algo errado.

Subitamente, seus olhos se arregalaram e ela prendeu a respiração — havia uma lâmina enorme encostada em seu pescoço, similar às que tinha antes de enfiá-las nas traqueias de dois estranhos prateados. O guarda segurava seu peito e a espada no pescoço, ambos com força. Mirjam ficou paralisada por alguns segundos, sendo levada até o rio de costas.

– Que ironia morrer desta forma, não é...? — Ele riu, pressionando a espada com mais força em seu pescoço, até que ela começasse a sangrar. Mirjam mordeu os lábios. O homem continuou a rir. — Eu juro pela minha vida que não vai sobrar nenhum pedaço de vo...

De repente, foi ouvido um grito altíssimo vindo da floresta fechada, assim como um cavalo relinchando. O grito era grave e alto, provavelmente de um homem.

– O que diabos foi... — o guarda foi interrompido pela moça tirando a espada de seu pescoço e jogando o homem no rio com uma forte cotovelada desajeitada. A mesma tinha uma expressão perturbada, como se odiasse o que estava fazendo — mas pisou com força no rosto do último guarda até que ele se afogasse e tivesse seu corpo carregado pela corrente fria alguns segundos depois.

Mirjam se afastou com desespero do rio, seus passos desajeitados e cansados. Ela caiu no chão de joelhos, rindo com nervosismo e olhando para o corte em seu braço. A área em volta parecia estar se petrificando junto com o sangue, o que significava que era algo profundo — mas não grave o suficiente para matá-la. Ela cobriu-o novamente com a manga de sua roupa.

Ela observava os corpos dos homens que ela havia matado à sua volta com angústia. Os dois estavam congelados com expressões de dor e rodeados por pequenas poças de sangue no solo marrom. As próprias lâminas haviam impedido a maior parte do sangue que saiu de seus pescoços, mas havia rastros ainda bastante vermelhos vindo de suas bocas abertas e arroxeadas.

Mirjam escondeu seu rosto agora extremamente pálido com as mãos, dando pequenos risos aflitos entre sua respiração irregular. Ela encostou-se no pelo macio de seu cavalo, que respirava com muito mais calma do que ela.

Outro grito foi ouvido, mas desta vez foi muito mais próximo da clareira. A loira tirou as mãos do rosto, assustada, e procurou a origem do som nas árvores. Ela olhou para o escuro com atenção, já que era possível ouvir uma conversa que se aproximava.

– Você... — um homem começou a resmungar com dor. Sua voz era idêntica à do rei que havia fugido, só que menos arrogante e mais cansada. — Eu vou matar todos vocês... literalmente todos...

– Me desculpe, mas você não vai — uma outra voz, talvez mais distante, respondeu. Era uma voz que parecia sem emoção, talvez genuinamente desta forma.

De repente, o rei foi jogado com força de cara no chão para dentro da clareira. Ele tinha uma expressão de dor e raiva, além de uma enorme mancha vermelha em suas roupas claras. Ele ajeitou a coroa dourada ao se dar conta de seus arredores, sentindo imensa fúria ao ver os corpos de seus guardas... e aquela mulher viva.

– ...Mirjam! – Ele exclamou, se levantando com surpreendente rapidez e pegando seu cetro caído. O mesmo estava aberto, revelando uma enorme lâmina prateada e sangrenta que estava sendo apontada para a moça.

Mirjam engoliu em seco, seus olhos vidrados no olhar furioso da figura autoritária. Não tinha nenhuma arma, nem mesmo um escudo. Apenas ela e ela mesma.

– Eu vou te executar, mentecapta! — Ele continuou a berrar, se aproximando rapidamente com o cetro em uma mão e a outra na mancha de sangue.

A moça cambaleou para trás e caiu ao levantar-se com pressa. Ela procurou por alguma arma, mas havia apenas o seu pequeno lampião, surpreendentemente intacto, ao lado da pedra onde sentara há algum tempo. Já era tarde demais para tentar se defender, e ela apenas ria com aflição. Aquele deveria ser o fim, provavelmente.

De repente, um homem de armadura completamente diferente das dos guardas apareceu do escuro com um simples passo apressado. Ele deu um chute no rei, fazendo com que ele caísse no chão mais uma vez, perdendo seu cetro sujo de sangue.

– Você não vai, imbecil — o homem com a voz muito mais jovem interferiu, sua voz monótona revelando certo desgosto. Ele então pegou o rei pela roupa, forçando o homem a olhá-lo nos olhos parcialmente cobertos pelo metal escuro. — É você quem vai morrer.

O rei estreitou os olhos, enrugando o nariz.

– Ora, pirralho, como ousa...

A voz grossa do rei foi interrompida por gemidos rápidos e um som de algo quebrando. Era seu pescoço, torcido pelo homem de armadura. O corpo do rei foi então jogado com desgosto no chão pelo homem que havia tirado sua vida. O mesmo passou um tempo olhando para a figura caída, agora sem ao menos uma fração do poder que possuía antes.

– Eu odeio tanto isso... — o homem disse, talvez para si mesmo, enquanto pegava o cetro caído no chão. Ele não parecia se importar muito com o objeto, apenas com o significado que ele carregava. — E você? — Ele perguntou com um pouco de insensibilidade para Mirjam, tirando os olhos do cetro e os pondo na moça. A mesma fez que sim com a cabeça, mesmo estando incerta das intenções do estranho.

Mirjam levantou-se do chão cautelosamente, ajeitando sua saia úmida. O homem olhava para os corpos dos dois guardas.

– Que bagunça — ele disse, dando um riso extremamente curto e um pouco seco. Ele tirou a pedra do cetro com facilidade e a pôs no bolso de seu grosso casaco de pelos pretos, e então jogou o cetro no chão. — Foi você quem fez isso?

Mirjam hesitou.

– Sim — ela respondeu, recuando com lentidão.

O homem deu um riso curto, andando na direção da moça enquanto olhava à sua volta. Ele tropeçou no braço de um dos guardas, dando um riso envergonhado enquanto Mirjam continuava com a mesma expressão focada e tensa. Ele virou-se novamente para o corpo.

– Quantos problemas eu posso ter se eu mato um rei? — Ele perguntou, tirando o capacete e jogando os cabelos lisos e pretos para fora da armadura. Mirjam hesitou.

– Você... matou um rei — ela respondeu, cruzando os braços e se sentindo menos rígida. — Eu acho que você vai ser, no mínimo... jogado na cadeia e ser executado no dia seguinte em praça pública.

O homem virou-se para a moça, estreitando os olhos azuis delineados.

– Eu prefiro não ter que passar por tanto constrangimento — ele disse rindo com pouca descontração, pegando uma das pernas do corpo do rei e o arrastando até o rio.

– O que vai fazer? — Mirjam perguntou, levantando as sobrancelhas.

– Eu preferia queimá-lo — o homem respondeu olhando para o rio. — Mas não parece que usufruímos desse privilégio nesse exato momento. — Ele virou-se para Mirjam. — Você deveria fazer o mesmo.

– Eu não vou ser sua cúmplice.

– Mas aí eu posso te entregar, não posso? — Ele perguntou com naturalidade, olhando para as pontas dos cabelos longos. — E você vai poder fazer o mesmo.

– Eu não vou te entregar — ela respondeu com pouca firmeza, se aproximando. — Eu... não fui prejudicada pelo que você fez.

– Então eu não vou fazer o mesmo com você. Seria desonesto.

O homem abaixou-se e tirou a coroa da cabeça do falecido. Levantou-se, olhando para o objeto. A loira estreitou os olhos.

– Você fez isso por dinheiro, poder ou...?

– Não — ele respondeu, aéreo. — Quer dizer... nenhum dos dois. Eu só não gostava dele, e tive a oportunidade.

Mirjam levantou a sobrancelha.

– Isso não é errado?

– Você não tinha nenhuma arma, preferia morrer? — Ele perguntou, engrossando a voz. A moça aproximou-se mais. — Digo, ele mudou completamente o foco só pra tentar te matar, mesmo enquanto ele mesmo morria.

– Mas continua errado.

– Diz a mulher que matou meia dúzia de guardas.

Mirjam deu um riso seco e baixo.

– Mas foi tão justificável quanto o que eu fiz — ele continuou, sua voz um pouco mais descontraída. — Não foi?

– Eram cinco guardas, o que queria que eu fizesse?

– Exatamente o que eu quis dizer — ele respondeu, jogando a coroa no chão como se ela não valesse nada. Mirjam observou a coroa rolar com dificuldade até ela.

– Você é do Norte?

– Sou — ele respondeu, franzindo as sobrancelhas. — Por quê? Achei que não fosse me entregar.

– Agora entendi a sua raiva pelo rei — ela murmurou.

– Eu dei várias chances pra ele — ele disse, ajeitando as mechas de seu cabelo brilhante. — Mas ele só queria aquelas benditas pedras. Nos queria submissos e sem energia nenhuma, era incrível.

– Eu... entendo– Ela respondeu, engolindo em seco.

O homem jogou o corpo no rio e o observou desaparecer com a corrente com muito menos felicidade do que Mirjam esperava que ele sentiria. Ela aproximou-se do rio e fez o mesmo.

Era como se seus problemas tivessem desaparecido completamente assim que o falecido havia sumido de seu campo de visão. O que não era verdade, lógico — mas poderia ter sido bem pior.

Notas finais
estrelando: tio novo super legal