Black Beauty
1 My body and my mind
Notas iniciais
Espero que esse primeiro, embora um pouco morno, tenha atiçado sua curiosidade para voltar aqui e ler o restante.
Não deixe de ler, comentar e voltar, é extremamente importante.
Em um movimento rápido ele estava sobre mim, pegou minha outra mão firmemente e juntou à outra sobre minha cabeça, eu era como um prisioneiro pronto para ser torturado, erguido pelos punhos de forma que a dor em meus ombros me fizesse refletir sobre meu crime. Naquele quarto eu não era criminoso e sim uma vítima. Eu não sabia o que ele estava tentando fazer além de ter total controle sobre mim. Tentei reagir diversas vezes, sem sucesso. Desde nossa última batalha no Vale do Fim prometi para mim que nunca mais usaria força bruta contra Sasuke. Balancei minhas pernas ao máximo para que caísse, mas estava bem localizado em cima do meu quadril.
Eu estava no ápice dos meus 18 anos tudo parecia glorioso para mim. Meu namoro com Hinata nunca esteve tão bem, as coisas entre o Sasuke e eu melhoraram drasticamente, ele finalmente percebeu que não havia sentido naquele ódio velado. Konoha estava em paz com todas as vilas vizinhas, e eu, finalmente, estava feliz em como a vida estava sendo guiada.
Eu estava sentado em um banco, Sasuke me acompanhava; um alto poste nos iluminava. Estávamos sentados perto do centro de treinamento onde nos conhecemos. A escuridão era densa naquele ponto, conseguíamos ver vagamente alguns vaga-lumes passeando pelo ar e pousando nas árvores a nossa frente. Dividíamos uma garrafa de uma bebida agridoce importada que ele falara o nome e eu não consegui aprender. Era uma bebida densa e de cor escura, parecia ser vinda de algum país do ocidente. Não havia rótulos ou etiquetas, apenas NKU gravado no vidro em alto relevo. Conversávamos sobre novas táticas de luta que estávamos aprendendo. Era isso que eu mais gostava em minha amizade com ele, não importava o assunto conseguíamos conversar sobre o que quer que fosse durante horas.
Sasuke também estava vivendo seus melhores dias, namorava Sakura há mais tempo que eu com a Hinata. Ele estava parecido com Itachi, seus cabelos negros cresceram até pouco abaixo dos ombros, usava uma tiara para mantê-los caídos para trás. Um novo homem havia nascido, não só visualmente. Ele conversava mais, ria mais, brincava mais, demonstrava mais seus sentimentos; esse tipo de comportamento permitiu que todos nos aproximássemos ainda mais dele. É impressionante como há dois anos o Sasuke era, definitivamente, a pessoa mais amargurada que eu conhecia. Aquele desejo suicida de vingança contra Konoha e contra aqueles que fizeram seu irmão sofrer estava corroendo sua alma.
Depois de dar o último gole na bebida sem nome, joguei a garrafa em uma lata de lixo perto de nós. Tirei uma barra de cera do bolso e a dividi com Sasuke, eu sabia que era sua favorita.
— Devemos sair no final de semana — disse Sasuke, olhando pra mim enquanto mordiscava a metade da barra de cereal de mirtilo.
— Uma noite de casais? — questionei.
— Exatamente! O que acha?
— Uma ótima ideia.
Rimos o caminho inteiro de piadas velhas que ele estava contando. Eu morava em uma das ruas principais de Konoha mais conhecida como Artéria Número 1 — porque ela leva até o centro da vila. Sasuke morava na rua atrás da minha casa, a casa da Hinata ficava dois quarteirões adiante e a Sakura morava um pouco longe, entretanto, era mais perto da Hinata. Na época em que eu estava procurando uma casa, lembro-me de ter questionado os três para saber onde seria melhor, chegamos ao consenso de que uma casa perto de todos seria o ideal, dessa forma, caso houvesse alguma emergência eles poderiam me socorrer ou serem socorridos. Para ser sincero eu me sentia protegido estando perto deles.
— Tenha uma boa noite, Naruto! — desejou-me, assim que abri a porta.
— Durma bem.
— Qualquer coisa só me ligar — disse, antes de virar a esquina.
Um forte perfume de orquídeas invadiu minha via nasal, assim que abri a porta. Era o aroma de orquídeas Sangue-Negro. Eram flores violentamente negras; sua cor era muito agressiva ao olho, porém, demonstrava fragilidade. Elas adquiriram a cor negra devido a forte coloração do solo em que são cultivadas, um solo rico em matéria orgânica. Aprendi jardinagem de após minhas férias e desde então não parei, estudei o máximo que pude para melhorar minhas técnicas. Sakura também me ensinou um bocado sobre como preparar o adubo e o melhor jeito de fazer o corte na hora da colheita. Senti-me extremamente renovado depois da primeira experiência. Criei um pequeno jardim que fica próximo à entrada da sala de estar. A porta sempre ficava aberta para que o perfume entrasse.
— Como foi o passeio? — questionou-me um pequeno sapo, discípulo do Gamabunta, que sempre passava algum tempo comigo, chamado Haku.
— Tudo bem. Como as coisas andaram por aqui?
— As coisas andaram bem por aqui, só o Cereja que tem me perseguido além do comum — Cereja era meu gato de estimação. Ele achava que o Haku era uma espécie de brinquedo e sempre o seguia por todos os lados, preparando o bote.
— Hinata esteve aqui mais cedo — informou.
— Sério? Eu avisei-a que não estaria em casa.
— Talvez ela tenha vindo para saber se já havia retornado — acomodou-se melhor em sua tigela com água.
Eu estava em pé de frente ao espelho do banheiro, olhando para o lacre em minha barriga. Kurama estava lá dentro, pensando ou dormindo. Deslizei os dedos sob o desenho, era uma região quente e sensível; sempre me retorcia de cócegas quando a Hinata me tocava ali. Era uma benção ao mesmo tempo em que uma maldição ter Kurama dentro de mim. Alguns anos atrás meus pais morreram defendo a vila e depositaram a confiança de usar esse poder para o bem em mim. No início de minha adolescência eu odiava esse poder que carregava. Só consegui entender o motivo de tal confiança ao longo dos anos, depois de muito treino e confrontos internos e externos. Meus pais guardaram esse imenso poder em mim para que quando eu dominasse essa energia eu fizesse pelo povo de Konoha o que eles fizeram. Almejavam que sempre houvesse uma luz na escuridão para aqueles que não podiam se defender. Meu dever como jinchuuriki era livrar meu povo de qualquer ameaça.
Liguei para Hinata, conversávamos todas as noites, durante horas até ficarmos sonolentos. Seu tio não permitia que eu fosse mais de uma vez à sua casa durante a semana, ele defendia que eu era um “desvio de atenção” pra Hinata. As poucas vezes que nos encontramos fora do Dia Oficial Da Visita se deram quando ela fugiu dos treinos. As ligações diárias serviam para diminuir a distância que havia entre nós. Ficamos pendurados na linha até pouco depois das três da madrugada, se dependesse de mim a conversa teria sido até o sol aparecer, contudo, ela tinha treino na manhã seguinte e o tio ficaria enfurecido caso ela faltasse ou fizesse corpo mole.
Fiquei deitado no sofá por mais tempo, olhando para o teto e pensando em coisas sem muita importância. Cereja estava deitado em minha barriga, fazia aquele barulho de motor de carro que era engraçado. Tentei falar com o Sasuke, mas seu telefone estava desligado.
Os primeiros raios de sol atingiram as orquídeas que lançaram um brilho fúnebre.
Vesti meu moletom favorito, eu estava pronto para o treino diário. Pus um pouco de ração na tigela do Cereja antes de sair. Acordei o Haku para que ele voltasse para sua vila. Sasuke me esperava na esquina, usava seu moletom preto de sempre, embora usasse cores escuras seu humor e alma tinham colorações totalmente diferentes. Seu cabelo estava estilo samurai, preso por um pequeno rabo de cavalo no alto da cabeça. Andamos em silêncio até a casa de Sakura que nos esperava sentada em um banco em frente à sua casa. Seguimos para o campo de treinamento que ficava do outro lado da vila, perto da saída de Konoha. Consegui ver ao longe Hinata e seu tio trinando arduamente.
Fale com o autor