Bittersweet
1 Capítulo 1 - "Ele"
Cap 1 – “Ele”
Estamos no meio do ano e um aluno novo chegou. Um menino loiro. Isso até parece clichê de filme ou mangá, em que um aluno novo, misterioso e descolado entra em uma escola nova e uma menina tímida se apaixona por ele. Ou ele se torna o astro de algum time da escola. Ou ainda ele é gay e se apaixona por um hétero, o fazendo descobrir que na verdade também é gay. Será que isso realmente acontece na vida real?
– Você pode sentar ali.
Depois das palavras do professor o aluno novo NÃO veio em minha direção e NÃO sentou ao meu lado ou atrás de mim. Ele sentou do outro lado da sala. Se isso fosse uma dessas histórias da ficção, ele teria sentado perto de mim. É...essa é a vida real. Definitivamente. Qual era mesmo o nome desse cara?
...
Finalmente a aula acabou...acho que vou lá falar com ele. Afinal, o primeiro dia nunca é fácil. Pra mim não foi.
– Oi! Qual o seu nome?
Ele olhou para mim com uma cara animada, de uma forma assustadoramente animada. Como se estivesse ganhando um premio, ou como uma garota fofa de um mangá que li esses dias.
–Me chamo Kaoru.
–Kaoru...eu sou Han.
–Han. Prazer. Seu nome é chinês, né? hehehe
Por que ele está rindo? Depois dessa conversa estimulante, um silêncio constrangedor tomou conta do nosso redor. Eu não sabia mais o que dizer, pois a atitude de “carpe diem” dele me desmotivou. E desmotivação e perda de interesse são 2 de minhas qualidades. Sim, eu as considero qualidades, pois eu não tenho muitas, então pego meus defeitos e os coloco na “lista de qualidades”. Assim essa lista fica maior.
–Hun...ok, a gente se vê então. Se precisar de ajuda é só falar cara.
–Obrigado. Até!
Sei...a gratidão está estampada na sua cara de animador de torcida.
Quando a última aula chegou ao fim, depois de agradecer aos céus pelo fim desse sofrimento, eu arrumando minhas coisas para ir embora me deparei com “Ele”.
– Oi. Você pega que ônibus?
–Pego o T10.
–Eu também pego esse, mas eu não sei muito bem onde descer, será que pode me ajudar?
– Claro. Onde você desce?
Então conversamos sobre coisas chatas, mais necessárias, de como pegar um ônibus. “Ele” era simpático. Na ida para a parada comecei a notar sua aparência. “Ele” era loiro, tinha o cabelo curto com uma pequena franja e usava óculos. Seu rosto era bonito, mas comum. Ele era mais alto do que eu e conversava animadamente comigo. Quando o vi na sala, como um aluno novo, sem amigos, em uma situação difícil de escola nova e vida nova, achei que ele parecia, momentaneamente, comigo, ou seja, amargo e com raiva do mundo, mas na verdade ele era um cara muito positivo.
HÁ! E se quer saber por que eu o estou chamando de “Ele”, é porque 5 minutos depois de falar com “Ele” eu já não lembrava mais seu nome...é...espero que ele não tenha percebido. Minha memória é um lixo.
–Ei. O T10 chegou, vamos!
Subimos no ônibus e sentamos juntos. Durante o trajeto conversamos um pouco. Coisas triviais de “primeiros encontros”. Como em uma comédia romântica, que terá a mesma história que todas as comédias românticas. Quando cheguei em casa, comecei a me lembrar dessa conversa. Não me lembro da conversa inteira, porque meu cérebro costuma apagar esse tipo de coisa, só me lembro de trechos. E certas palavras não me vêm à cabeça. Bem, não devem ser importantes, se fossem, eu não as substituiria por bla bla bla, toda vez que penso nas coisas que “Ele” falou.
Trecho 1:
–Você ouve a banda bla bla bla?
Essa banda é péssima.
–Haa...bem, só ouvi algumas músicas, não é meu estilo.
Trecho 2:
– Na minha antiga escola eu participava do clube de Futsal. Nosso time se chamava bla bla bla. É meu esporte favorito. Você gosta?
Odeio
– Mais ou menos.
Trecho 3:
– Qual seu esporte favorito?
–Ler conta como esporte?
–Hehehehe. Bom, você está exercitando o seu cérebro, então talvez sim.
Hun...ele é bem alegrinho. É do tipo esportista né?
–Gosto de todos um pouco, com exceção de alguns, mas acho que meu preferido é o tênis.
–Legal. E livros?
–Tenho muitos favoritos. E os seus?
Basicamente o que faço da minha vida é ler. Será que existe um emprego de testador de livros? Seria perfeito pra mim.
–Eu não leio muito, pois pratico muitos esportes e isso acaba consumindo meu tempo, mas gosto bastante de bla bla bla e bla bla bla. Eu já li bastante coisa do senhor bla bla bla.
Os livros que “Ele” gosta são tão bostas e o autor que ele mais lê me deixou tão enjoado que admito que esses nomes eu esqueci de propósito.
Trecho 4:
– Sabe...você é bem pensativo. Se quiser pode me dizer o que está pensando, eu não me importo de ouvir.
Ele leu minha mente? “Ele” é bem perceptivo...isso é perigoso.
– Há! Eu me chamo bla bla bla, caso você tenha esquecido.
Muito perceptivo...
–Eu não esqueci.
Esqueci 2 vezes...droga!
Como eu disse depois que cheguei em casa, depois de um longo percurso e uma longa conversa com o loiro alegrinho “Ele “, relembrando nossa conversa, cheia de perguntar “o que você gosta?”, “o que você faz?”, eu percebi:
– Esse cara não tem nada a ver comigo...
“Ele” é totalmente meu oposto. Mas é um cara divertido. Não é super lindo como eu disse, ele é bonito, mais comum. Apesar de que ele fica muito bonito quando sorri. E seus olhos apesar de serem castanho escuro, uma cor que não chama a atenção, têm muitos cílios, e eles são longos, isso é bonito. Ele parece alguém bem legal...por que raios estou pensando nele. Tá, ok, eu sou bi. Me sinto atraído por homens e mulheres, é normal eu reparar na aparência de alguém, mas como eu disse ele é alguém comum, e isso de amor a primeira vista é coisa de livros de romance ou mangá shoujo. Eu vivo no mundo real. E não conheço ele. E somos muito diferentes. E nem sei se ele é hétero ou não. E ele não tem nada a ver comigo...haaa...seu nome era Kaoru. Ele tem um sorriso lindo...
–Droga!
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