Bittersweet

2 Cap 2 – Agridoce


Notas iniciais
Comentem por favor, para que eu possa melhorar futuramente, já que é minha primeira fanfic

Já faz três mês que Kaoru chegou. Ele fez outros amigos, mas ainda parece estar mais próximo de mim do que dos outros. Não acho que seja por ele gostar mais de mim do que do resto, mas sim, por que eu fui a primeira pessoa que falou com ele. E também, eu o ajudo a não se perder nas aulas e no prédio da escola. Kaoru realmente é alguém perceptivo, mas irritantemente honesto e animado. Ele fala o que lhe vem a cabeça, e isso às vezes é meio...incomodo para uma pessoa como eu, que prefere ficar quieto a dizer algo, simplesmente por que esse algo é a verdade.

–Bom dia Han!

Kaoru me cumprimentou com um largo sorriso. Ele não fica desanimado nem essa hora da manhã. Como pode existir um ser tão feliz?

– E ai?

–Marcos, Dai e Edu me chamaram para tomar sorvete hoje depois das aulas, eles falaram para mim te convidar também.

Marcos, Daí e Edu são meus amigos, por tabela se tornaram amigos dele também.

–Ok, eu vou.

–Você não é de falar muito né? Isso não é uma coisa muito boa pra você...

O que ele quer dizer?

–Ah! Não me leve a mal, é que, parece que você guarda muita coisa para vocês mesmo. Ficar internalizando tudo não faz bem pra ninguém. Hehehehe, desculpe, eu sei que às vezes falo de mais..

Como eu disse, fala de mais, honesto de mais, perceptivo de mais, animado de mais...mas, ele parece sempre falar com carinho e cuidado para não ferir os sentimentos das pessoas. Se pensa que ele faz isso só comigo, não. Ele fala assim com todo mundo e todos parecem gostar muito dele. Ele está traindo mais e mais amigos. Acho que estou com um pouco de ciúmes.

–Oi meninos!

É a Val. Minha amiga também. Agora, nossa.

Enquanto ele está distraído conversando com a Val, eu aproveito e me mando. Nossas conversas ao longo dos meses parecem terminar sempre assim. Ele diz algo sobre mim e eu fico incomodado, a conversa morre, mas depois de um tempo ele faz nós voltarmos a conversar. E isso se repete. Talvez o problema seja eu. Tá! É obvio que sou eu.

Me sinto vivendo em um drama romântico. Ele é o aluno novo que surge para me mudar e me fazer um ser humano melhor e mais feliz. Pro inferno, eu gosto de ser rabugento.

...

No fim da aula nos encontramos em frente à escola. Só estava faltando a Val. Convidada de última hora.

–Ei senhor depressivo, saia de dentro do seu cérebro.

Esse é o Marcos. Meu melhor amigo.

–Hehehehe. Não sei como Kaoru não fica com medo de você, com essa cara de bundão.

Marcos diz isso mexendo freneticamente nas minha bochechas e nos meus cabelos negros desgrenhados. Às vezes quero lhe dar um tiro. Bundão é você Marcos!

–Saí pra lá! Bundão é você! Hehehe

Marcos é a pessoa com quem me sinto mais a vontade. E meu único amigo que sabe coisas que não costumo contar a ninguém, como o fato de eu ser bissexual. Isso não é algo que eu esconda, só não é algo que eu espalhe por aí.

Eu sei que sou alguém estranho e rabugento, mas ele me aguenta, e pode parecer um idiota, e ele é, mas é um grande amigo. Ei! Olha lá e Val.

–Desculpem o atraso. Vamos?

...

Passeamos por um parque e compramos sorvetes. Depois disso acabamos nos separando. Marcos e Dai entraram em uma loja, Edu teve que ir embora mais cedo, e Val entrou em uma lojinha de penduricalhos. E eu? Fiquei sozinho com Kaoru.

–Sobre o que eu disse hoje de manhã, me desculpe.

Disse ele com um sorriso no rosto.

–Por que está se desculpando?

–Eu falei mais do que devia e não é a primeira vez. Percebi que isso te incomoda...

Ele olhou para mim com um rosto triste e sincero, me fez sentir estranho.

–Não tem que se desculpar, é que...você e eu somos bem diferentes, e eu fico meio...acho que surpreso ou chocado com como você é.

–Como eu sou?

Alegrinho...

–É...

Ele me olhou novamente, com os olhos castanhos normais, mas que brilhavam muito. Olhos tão honestos e bonitos. Eu precisava dizer algo, mas não podia dizer que ele é feliz de mais e que demonstra tudo que sente e pensa e que eu não sou assim, e alguém assim me abala. Abala? O que estou dizendo? Pareço uma colegial apaixonada... Raios!

–Han?

–An?

–Hehehehe, você está sempre perdido em seu próprio mundo, você é bem estranho, hehehehe.

–Hehe, você também é estranho!

–Como?

Alegrinho demais...

–Sei lá...você é muito positivo e uma pessoa doce de mais, isso é meio irreal. Somos o oposto um do outro.

O que estou dizendo?

–Hun... eu sou doce? Hehehe. Bem, então você é amargo ou acre. HÁ! Juntos somos agridoce, é uma boa combinação.

Mas o que? Eu achava que éramos uma péssima combinação. Ele é...................um cara muito legal e estranho! Meu coração está batendo rápido. Droga, eu sou um personagem de mangá apaixonado pelo cara novo.

–Ei! Uma biblioteca! Vamos lá!

Kaoru estava apontando para uma biblioteca que costumo frequentar. Será que o livro que eu queria chegou?

–Sim!

...

Essa biblioteca era mágica. Eu me sinto uma criança sempre que entro aqui. Kaoru não a conhecia e me acompanhou por cada estante que eu passei. Ele me fazia perguntas sobre livros e me ouviu dizer milhões de coisas que provavelmente ele não queria ouvir, mas ele mantinha um sorriso no rosto.

–Você realmente gosta muito de livros. Parece que já leu esse lugar inteiro!

–Desculpe, eu estou falando de mais. Não queria te entediar...

–Sabe...você falou mais agora do que em uma manhã inteira de aula. É legal poder ouvir você falar do que gosta com tanta paixão. Gosto quando você diz o que está pensando, assim não tenho que ficar adivinhando. Às vezes você está tão calado e sério que fico preocupado. Mas mesmo que você não seja de se expressar como eu, eu percebo que você é um cara muito legal. Você está sempre de olho nos seus amigos, e evita dizer coisas que possam os preocupar ou chatear. É só que...assim você só vai se fechar mais em si mesmo. É muito melhor dividir o que sentimos com as pessoas ao nosso redor.

Ele é tão amável...

–Você é uma pessoa muito amável...

O que eu disse?Droga! Kaoru me olhou completamente constrangido, e então eu percebi que eu também estava constrangido. Isso realmente parece um livro meloso de romance, como muitos que eu já li, e esse tipo de momento embaraçoso é típico dessas histórias.

Meu rosto está vermelho...por favor alguém me mata!

–Desculpe! Desculpe! Lá vou eu de novo, falando mais do que devia.

–Tudo bem. Não se desculpe tanto, afinal somos amigos, você não precisa ficar se desculpando por dizer essas coisas...

–Hehe...ok.

Acho melhor ir para casa, porque meu peito vai explodir. Fique quieto coração! Não quero que ele escute.

Notas finais
Comentem por favor! Obrigada!