Bittersweet.
55 48. Com o martelo e a coragem.
Notas iniciais
Skye não era a criatura mais paciente da face de Móbius e, assim que encarou os olhos de Sebastian, já começou com as ordens.
— Você precisa sair daqui. — Falou para o ouriço encolhido em um canto. Os olhos esmeraldas encararam os dele, com confusão estampada em seu rosto. — Sebastian?
O corvo assentiu e estendeu sua mão o ouriço, puxando-o para que fique de pé, mas o movimento fora rápido demais e, mesmo sendo a forma de vida mais rápida do mundo, a náusea lhe fez cambalear para frente a tempo de se apoiar na parede e vomitar ansioso, seu estômago doendo como se tivesse levado um soco violento.
— Urgh. — Skye resmungou fazendo uma careta. Era nojento só de ouvir, sentindo o cheiro e vendo era pior. Sentiu seu estômago embrulhar.
Sonic limpou a boca com a manga surrada do pijama, já muito sujo dado aos últimos eventos acontecidos e agora acrescentava a terceira crise de vômito.
O corvo ofereceu seu braço de apoio para o ouriço nauseado, Sonic aceitou sem pensar e só depois percebeu o que acabara de acontecer, sentiu-se desconfortável pelo contato tão próximo com um estranho, mas apesar da estranheza, Sebastian o conduziu para fora daqueles becos, onde o ouriço deixava o som de metal se rasgando, gritos e suor para trás.
Parecia que estava entre duas realidades diferentes, sendo o corredor estreito do beco a ponte de ligação para passar entre os mundos.
O lado de fora era barulhento, conversas de soldados, gritos de curiosos contidos no canto mais afastado, onde uma barreira policial impedia que se colocassem em perigo por só por curiosidade. Ao longe uma repórter de curtos cabelos castanhos falava ao microfone, nenhuma câmera operando, usava macacão amarelo e se destacava na multidão de corpos espremidos ávidos em busca de informação, algum furo jornalístico.
O ouriço congelou, não queria que fosse reconhecido, fechou os olhos esperando com que fosse julgado pela turba energética, sentiu um tecido em sua cabeça, abriu os olhos surpreso quando notou o corvo sem seu paletó. Tocou o tecido que cobria sua cabeça e percebeu que ele usara para lhe cobrir os espinhos, puxou o tecido contra sua cabeça enquanto a figura negra agia como uma espécie de segurança.
O gato estava na frente, liderando o caminho para um helicóptero menos chamativo que estava um pouco longe do robusto Sigma Alpha que exalava poder. Uma agente saia pela porta do avião, tinha cabelos curtos louros cortados em um sidecut, tinha a expressão enigmática e parecia chateada por alguma razão, sua farda azul tinha respingos de sangue.
Ela levantou o olhar e olhou diretamente para o ouriço, abriu um sorriso largo de reconhecimento e balançou a cabeça em cumprimento, andou até eles com passos apressados demais.
— Sonic! — A agente exclamou animada, mas tomando cuidado para manter sua voz baixa. — Lembra de mim? — Perguntou enquanto usava seu corpo para tampar a visão do ouriço da contenção policial.
O ouriço levantou seus olhos e encarou a mulher por alguns segundos, longos demais, sua testa franzida quando um clique audível soou na sua mente. Se lembrava dela sim, mas parecia bem diferente da mulher que via ali. E nem fazia tanto tempo assim desde a última vez que visitou o Comandante da GUN em seu escritório, não esperava que ela tivesse já como parte das tropas.
— Madonna? — O ouriço perguntou incerto, a overlander sorriu para ele agraciada. — Nem faz tanto tempo assim, como?
— O prazo de treinamento acabou. Tive uma professora rígida, fez o impossível ser possível. — Sorriu para o ouriço enquanto abria passagem para entrarem no Echo Delta 06 e o ajudava a se ajeitar. — Você parece horrível.
— Estou cansado. Muito. — Resmungou enquanto recostava seu corpo no assento e fechava seus olhos.
— A General me manteve informada, caso ela não estivesse presente, apenas eu e a Capitã Sue sabemos sobre seu estado, por precaução. — A overlander explicou quando o ouriço abriu um dos seus olhos, confuso.
— Mary é precavida... — Resmungou e depois fechou os olhos.
— Qual foi o recado da General? — Perguntou ao gato que arregalou os olhos e depois os estreitou para a overlander loira.
— É um recado para a Capitã Sue. — Skye disse simplesmente.
— Entendi. Vou leva-los até ela, não pode sair da posição em que está. — Madonna assentiu consigo mesma e os guiou para fora, deixando a porta aberta, para que o ar circulasse melhor, de onde Topaz estava, dava para ver os helicópteros devido à altura elevada, então podia manter um olho para que nada saísse do controle.
Seguiram a overlander em silencio, o corvo silencioso, mas ocasionalmente dava meios sorrisos presunçosos ou inesperados, como se estivesse se divertindo com algo.
Enquanto Madonna estava escalando os destroços, a voz do gato soou baixa, com uma curiosidade contida.
— Por que tem sangue na sua farda? Não te vi em nenhum lutar perto do campo de batalha e tenho certeza que não veio assim. — Os olhos azuis escuros encaravam as costas de Madonna enquanto recebia ajuda de seu serviçal para escalar.
— A General me encarregou de um servicinho meia hora atrás. — Explicou simplesmente.
— E conseguiu o que queria? — Skye tinha um sorrisinho sádico no rosto infantil. Ele entendera o teor do servicinho.
— Não, perdeu a consciência antes que abrisse a boca. — Ela fez uma careta e assim que seu pé tocou o teto firme, estendeu sua mão para içar o gato enquanto seu serviçal apenas dava um salto gracioso com suas asas negras se abrindo atrás dele.
Topaz girou a cabeça para trás ao notar a aproximação súbita.
— Sua general me incumbiu de lhe atualizar do que está acontecendo. — O gato começou antes que a Capitã fizesse a pergunta óbvia. — Estamos sob efeito de ondas sonoras. Distorção sonora, algo assim, ao que parece estão vindo daquelas naves ali.
— Eggman está no robô, não sei como ele está operando mais duas naves ao mesmo tempo, ele pode ser metido a gênio tecnológico, mas acho isso impossível. Tem alguém com ele. — Topaz comentou enquanto voltava seu olhar para o campo de batalha, onde sucatas de metal retorcido avançava para cima de Mary, formas retorcidas e disformes de metal.
— Mary chegou a mesma hipótese, na verdade, está se perguntando quem está por trás do cientista, até mesmo eu tenho que admitir que ela não está errada. Há mais alguém. Ela sabe quem é, pelo menos tem uma hipótese, mas estaremos sem apoio se as naves estiverem equipadas com armas. — Skye sentou em um pedaço de concreto e analisou as naves da sua nova posição privilegiada. — Sebastian, verifique se colocaram mesmo campo eletromagnético ao redor das naves.
— Yes, my lord. — o corvo alçou voo e sumiu de vista.
— Se isso sair do controle nem mesmo os Cavaleiros reais podem dar conta dessa confusão. — O gato sussurrou baixo. — Precisaria de um poder maior...
— Capitã Garnet, conseguiu algo? — Topaz perguntou séria, sabendo muito bem da presença de um estranho.
— Nada. Mas as suspeitas da General podem estar certas. Temos um pequeno problema. Alguém o pagou. — A agente se sentou no piso sujo e cruzou as pernas, pegou uma pistola e brincou com ela, prestando atenção ao seu redor e se preparando caso fosse necessário. — É uma pena que a Tenente Seras é quem tem a melhor arma. Daria para causar estragos se ela tivesse aqui.
— As duas não dão certo. — Topaz respondeu brusca. Sua voz seca.
— Não mesmo.
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Mary estava se movendo rápido, mas sua postura era torta, cansada. Suas asas não se moviam como deveriam e, quando se deu conta, tinha garras de metal ao redor de sua asa direita, apertando, torcendo.
Gritou de agonia, uma articulação estalou.
— MARY!? — Sally gritou do outro lado, sua voz era chocada. Assustada. — Se defenda! — Ordenou com fúria, a frase teve um efeito que a esquila esperava.
Os olhos carmesins, brilharam por um momento. Deu um giro e chutou a garra metálica que agarrava suas asas, destruindo o robô, arrancou o metal que estava em suas costas e moveu suas asas, gritando enquanto as articulações voltaram ao lugar com um estalo alto e agourento.
Ela gritou, mas não era um grito de dor.
Era de guerra. Como se estivesse chamando os robôs para a batalha.
— Mary! Faça isso! — Sally incentivou.
A morcega virou seu olhar para a esquila. Mas seus olhos eram negros, com suas íris vermelhas. Rasgou a manga esquerda de sua farda e afundou suas próprias unhas em seu braço, penetrando a carne enquanto mantinha um sorriso sombrio no rosto.
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— O que ela está fazendo?! — Topaz exclamou enquanto via Mary provocando feridas em si mesma e mexendo os lábios rapidamente.
— Não interfira. — Skye se levantou no mesmo instante. — Está recitando o juramento. Mas está fazendo cedo demais! — Ele se inclinou na beirada do prédio olhando diretamente para a cena, sem precisar de binóculos. Pelo canto do olho viu Sebastian se aproximando da nave mais próxima.
— O que quer dizer? — Garnet levantou a cabeça e encarou o garoto que estava com a expressão séria.
— Foi uma ordem. — Skye murmurou se inclinando em direção ao campo, sentindo seus dedos formigarem ao estender a mão. — Mas a guerra veio antes da peste.
— Isso é uma lenda. Não existe essas coisas. — Topaz resmungou, mas sentiu o arrepio gélido descer por sua coluna, como um aviso do perigo.
Skye deu uma risada baixa e rouca.
— E saiu outro, um cavalo vermelho; e ao que estava sentado nele foi concedido tirar da terra a paz, para que se matassem uns aos outros, e foi-lhe dada uma grande espada. — O gato recitou depois de uma pausa para recuperar o fôlego, sua voz saiu cantada. — É uma cantiga que meu pai cantava para mim.
Topaz congelada, apenas focou seu olhar para o campo de batalha, vendo que do sangue que escorria, um volume se formava na mão da morcega.
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Mary tombou a cabeça para trás enquanto ria. Os olhos fechados enquanto seus dedos se fechavam em torno de uma haste de ferro preto firme. Seu sangue escorria pelo cabo, mas não pingou uma gota no chão.
Seu sangue se moldava em sua mão enquanto os cortes se fechavam e os rastros deles eram absorvidos pela pele exposta.
Ela arrumou a postura e levantou sua mão, expondo a claymore que segurava, o pomo tinha uma pedra vermelha brilhante, a empunhadeira era intricada com fios negros, como se fosse uma corda, a guarda tinha asas de morcego abertas, a lâmina era afiada e era vermelha, da cor do sangue de Mary, mas em um tom mais místico, sombrio.
A morcega mexeu com a espada na vertical e testou o peso da arma em suas mãos.
— A guerra chegou... — ela sussurrou com a voz arrastada, sua cabeça se moveu para o lado, observando o campo de batalha destroçado a sua frente antes de avançar contra a horda de metal retorcido que conseguia ver claramente, sem nenhuma interferência externa.
Agora conseguia ver quais eram os verdadeiros inimigos, pequenos endoesqueletos sem armadura ou qualquer proteção, exceto pelos primeiros que compunham a linha de frente, com maças, lanças, escudos e uma simulação porca de espadas.
Seu corpo não parecia mais cansado, tinha se revigorado instantaneamente, pegando poder do sangue da irmandade.
Se moveu contra os estúpidos inimigos, em uma velocidade que era impressionante para alguém que carregava uma espada daquele tamanho, brandia sua arma contra vários inimigos ao mesmo tempo, cortando metal como se fosse papel.
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— Isso... — Amy olhou surpresa para a morcega negra, parecia uma pessoa totalmente diferente.
— Então é isso... — Espio apareceu depois de alguns minutos, sua voz tinha um tom de resignação. — É o meu destino. A propósito, barra limpa, não acho que Eggman pensaria que precisasse de um sensor de movimento infravermelho de qualquer forma. — o camaleão balançou a cabeça com um sorriso.
— Bem, é sua deixa, Amy. — Sally suspirou. — De qualquer forma, fique longe do caminho da Mary. Apenas fique bem longe. — a esquila advertiu com preocupação.
— Por quê? — a ouriça rosa perguntou ao mesmo tempo em que procurava a morcega com os olhos, o que parecia ser difícil pela velocidade dela.
— Você não vai querer saber. Só isso que eu digo.
A ouriça assentiu, mesmo confusa e com isso materializou Piko Piko Hammer e com uma respiração profunda, correu de encontro ao robô, tomando cuidado com os que estavam lutando perto dela. Espio já invisível, tocava-lhe o ombro, lhe guiando pelo ombro, era estranho para Amy, ser guiada por algo que não podia ver, mas fingiu que nada acontecia e avançava para o perigo com o martelo e a coragem.
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Skye se ergueu. Suas mãos tocando o campo de força com mais força.
— Acho que não vai passar nada por aqui. — Comentou com suas mãos suspensas no ar, colocou força e nada. — Tem um escudo? Campo de força? Algo assim. Você. — Olhou para Topaz. — Tente atirar.
A overlander ergueu a sobrancelha para o mobian enquanto se erguia, apesar de contrariada por perder a visão do que estava acontecendo.
— Certo. Vou atirar mais para cima, para não acertar ninguém, se afaste daí. — Ordenou, o gato assentiu e caminhou para trás da overlander.
Topaz mirou e ao puxar o gatilho, prendeu a respiração. A bala ao contrário do esperado, foi perdendo velocidade e parou no ar, sem ricochetear nem nada, como se tivesse atingido algo mole e invisível.
Uma parede invisível? Um escudo? Não sabia.
Quem tivera a ideia para alto assim? Por quê? Para impedir que forças militares passem? O que estava realmente acontecendo.
— Seu idiota! — O gato murmurou em um rosnado de repente, fazendo as overlanders pularem. — Ele pulou para o outro lado e correu em velocidade impressionante para as duas.
Quando olharam através da tela espessa, onde a bala ainda estava alojada, pode ver o serviçal do garoto caindo em direção ao chão, fumaça saia de suas asas.
Ele fora ferido.
Mas pelo quê?
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