Notas iniciais
É um salto temporal, não vou dizer de quando. Boa leitura~

Seu suspiro ressoou pelo quarto. Estava escuro, mas seu corpo suado rolava de um lado para o outro na imensa cama.

Não era bem devido ao clima quente. Não. Sentia seu corpo em chamas, cada pequeno pedaço de seu corpo estava sendo lambido por labaredas escaldantes.

Seus olhos se abriram. O quarto escuro estava silencioso, exceto pelo som de sua respiração descompassada. Se mexer era doloroso.

Gemeu com a dor, em um lamento doloroso, sua voz estava falha e rouca.

Se arrastou até seu banheiro, abrindo a torneira e jogando água gelada em seu rosto em chamas, parecia piorar cada vez mais seu estado.

— Ugh. — Foi seu lamento. Encarando sua expressão no espelho.

Não tinha palavras para descrever o que estava sentindo, nem se existia de fato um nome para o que se passava consigo. Contou mentalmente, os dias que já tinham se passado. Parecia que havia se passado meses, não apenas alguns dias. Não sabia o que fazer, mas sentia uma espécie de... Desejo? Talvez.

Não tinha a quem recorrer para conversar sobre seus sentimentos, nem sabia se conseguiria dialogar com alguém sem sentir um enorme constrangimento. Afinal, como admitir para outra pessoa que sentia uma necessidade imensurável de algo em particular? Sendo que mal conseguia dizer as palavras em voz alta.

Desceu as escadas com as pernas fracas, se segurando nas paredes.

Mas que merda! Só tinha apenas um mês que tudo isso começou? Por que seu corpo estava daquele jeito? Mais se parecia com uma puta no cio do que com seu eu. Rosnou enquanto pegava o único telefone que tinha na casa, numa mesinha no canto abandonado. Quase nunca o usava, porque nunca vira necessidade para tal aparelho.

Discou o número com os dedos trêmulos.

Fala logo o que quer às 3 da manhã. — A voz soou sonolenta e irritada depois do terceiro toque.

— Rouge... Preciso... Uh... De algo... — Engasgou as palavras, quase gaguejando-as. — Me... Desculpe...

Olha, eu não sei onde ele está, não faço ideia de onde foi dessa vez. — Resmungou. — Sério? Pega um vibrador e enfia no cu. Você tem vários deles. — Ela desligou, certamente enfurecida.

— Geez, tenho que me lembrar de nunca mais acordar a Rouge de madrugada. — Balançou a cabeça e colocou o telefone de volta.

Encarou o aparelho melancólico. Rouge era o único elo com Shadow.

Odiava o fato de parecer estar usando as pessoas para seus propósitos, principalmente quando estava morrendo de desejo de ser usado e abusado.

Só queria que Shadow não fosse tão impossível de ser encontrado quando ele quer desaparecer. Às vezes era bem inconveniente essa situação.

Ia subindo as escadas tristemente, naquele estado, estava mesmo cogitando a proposta de Rouge, embora nunca sentisse a necessidade de introduzir em seu orifício algo que não fosse o órgão genital de Shadow.

Ouviu o som da porta, alguém estava batendo com entusiasmo.

Sem nenhuma expectativa, abriu a porta, sendo saudado com a imagem espetacular de quem estava desejando tanto que havia sido desperto de seu sono morrendo de tesão.

— Ok, me diz que isso foi coincidência. — Comentou, embora estivesse interiormente agraciado com sua súbita aparição. Em dias normais, acharia aquilo irritante ou, bizarro, mas não naquele, por alguma razão, queria muito a presença de Shadow.

— Rouge me contatou. Ao que parece alguém não sabe esperar até o sol nascer. — O ouriço negro cruzou os braços no peito e o olhou com superioridade. — Então, o que você tanto quer comigo que precisou acordar ela de madrugada? — Um meio sorrisinho ameaçava despontar em seus lábios bronzeados.

Engoliu em seco, sentiu o arrependimento cravando garras profundas em sua coluna, arranhando sua carne e subindo até seu pescoço. Aquele olhar de Shadow o fazia se sentir pequeno, mínimo e estupido.

Se sentiu confuso com seus pensamentos, ao mesmo tempo em que queria muito que Shadow o tomasse como seu, ainda havia o conflito com seu orgulho, criando uma batalha interna entre se manter de pé de manter sua dignidade, ou admitir em voz alta que estava quase enlouquecendo. Será que o ouriço negro não percebia o quanto aquilo era uma tortura? Ao olhar em seu rosto, ele sabia e muito bem.

Maldito seja Shadow! Queria fechar a porta naquele sorrisinho convencido de quem se acha o dono do mundo, mas sabia que fazendo isso estaria jogando fora sua oportunidade de ouro e teria que se contentar com brinquedos frios sem vida.

— Eu... Só... — Tentou. Mas as palavras estavam presas em sua garganta. — Eu... Eu...

Não conseguia. Apenas sentia o desejo. Mas dizer em voz alta? Parecia um tabu imperdoável.

Afinal, havia apenas um mês que ele e seu rival se envolviam de forma muito mais íntima e mesmo com toda atividade extra, não conseguia pronunciar as palavras “transar” e “sexo” sem sentir constrangimento. Principalmente quando se tratava de Shadow, seu orgulho competitivo não lhe deixaria sucumbir a tal humilhação, ao mesmo tempo em que o desejo lutava por reconhecimento.

— Que... Cheiro é esse? — O ouriço ébano murmurou confuso, se adentrando na sala e farejando ao redor, curioso e confuso.

— Que liberdade é essa? — Resmungou, fingindo uma indignação que tampouco tinha. Via sempre as situações de um lado positivo e naquele momento estava pensando sobre não precisar se humilhar para o convidar a entrar.

Ao mesmo tempo em que sua oportunidade de fechar a porta na cara dele descia pelo ralo.

— Está usando algum perfume ou algo assim? — Shadow se aproximou dele com a testa franzida, ao mesmo tempo em que se afastava de costas para a investida inesperada.

— Uh, não, do que está falando? Perfume? Não preciso, hey! — Sonic protestou enquanto as mãos fortes e seguras de Shadow seguravam o topo dos seus braços, o mantendo no lugar.

— Fica quieto. — o ouriço ébano resmungou enquanto aproximava seu rosto de seu pescoço curto e peludo, sentia a respiração quente em sua pele já em chamas, aumentando as batidas de seu coração que chegavam a ecoar em seus ouvidos.

— Uh — tentou pensar em algo para dizer, mas sua mente estava em branco, engoliu em seco quando sentiu o nariz gelado encostando em sua pele. Suas pernas quase perdeu a estabilidade, se sentiu tonto.

Shadow de repente o soltou, suas pernas já instáveis, eram insuficientes para o sustentar de pé, quando deu por si, tinha despencado no chão, com um som audível.

— Patético, faker. — Shadow cruzou os braços no peito com arrogância. Seu olhar era altivo e superior.

Sonic fechou a cara para o ouriço ébano, sua língua coçando da grande vontade de proferir um palavrão, mas sentindo um bloqueio ético chato sobre palavras de baixo calão, sendo ele uma figura pública e rodeado de crianças.

— E também, você não foi claro sobre para que razão precisou fazer toda essa comoção, faker. — Shadow sustentou sua aura zombeteira.

— Está mesmo querendo que eu fale isso? — Sussurrou para si mesmo, em um fio de voz constrangido.

— Eu não sei ler pensamentos, você sabe, se você não falar, como irei saber? — Fez-se de inocente em seu tom.

Fechou suas pernas com força enquanto tentava juntar toda dignidade para se levantar da posição humilhante no chão. Sua mente girava conflituosa, pensamentos se misturando.

— Você sabe, Shadow... É... Aquilo... — Tentou articular sua frase.

— Defina aquilo. — Pressionou.

— A-Aquilo que... — Seu rosto estava em chamas, enquanto ele juntava o polegar e o indicador da mão direita que usava o indicador da outra mão para fazer um gesto bem sugestivo. Desviou os olhos para chão, evitando ver a expressão de Shadow.

— Eu não entendi, faker. — Podia sentir o sorriso em sua voz. Não precisava olhar para ver que ele estava se divertindo.

Sonic olhou para ele em choque, seus olhos se arregalando. Seus dedos baixaram e depois fechou sua mão em punhos. Fechou os olhos com força, respirou algumas vezes, profundamente.

— EU QUERO QUE ME FODA, PORRA. — Ele explodiu. Em um grito rouco e profundo. — Satisfeito agora ou vai continuar com esse joguinho idiota?

Os olhos carmesins se arregalaram surpresos, não esperando tamanha explosão, principalmente vindo de Sonic. Mas não podia reclamar, já que ele provocou a situação.

— Estou pensando... Em aproveitar apetrechos que Rouge nos tinha presenteado. Já que foi um bom garoto, merece uma recompensa que vai gostar. — O ouriço cobalto engoliu com a frase, sabendo muito bem que Shadow poderia ser surpreendente quando quer.

— Eu acho que aquelas coisas não veem com manual de instruções, acho que alguém andou fazendo pesquisas indecentes. — Tentou brincar com a situação, para tentar mascarar o frio no estomago e a sensação de ansiedade que corroía seu íntimo. Tinha receio, medo do que viria como consequência, mas também estava curioso e interessado.

— Não posso dizer que não vai gostar, faker. Só não esperava que fosse tão logo. — Zombou, lembrando-lhe sobre a situação de que se encontrava e porque ele estava ali em primeiro lugar.

— Só acabe logo com isso. — Baixou o olhar para tentar ocultar seu constrangimento.

— Paciência, faker. Paciência. — Shadow se certificou que a porta da frente da casa estava bem trancada, mesmo que fosse de madrugada e duvidasse que outra pessoa além dele fosse louco o suficiente para bater na porta de Sonic às três da manhã, preferia prevenir que deixar brechas para um problema maior.

— Odeio essa palavra. — Resmungou o ouriço cobalto e não era apenas uma brincadeira, paciência era uma das palavras que não entravam em seu dicionário.

— Talvez eu mude esse seu ódio. — O ouriço negro passou por ele, mas, sem antes provoca-lo. O estalo do tapa fez com que Sonic estremecesse, o som ecoando em seus ouvidos enquanto o ardor em suas nádegas passava aos poucos. — Não faça corpo mole agora, faker. Você procurou por isso.

— Como chegou aqui rápido assim? — Perguntou para preencher o silêncio desconfortável pelos breves minutos até alcançar seu quarto e os apetrechos que não sabia muito sobre.

Chaos control. — Revirou os olhos, embora o ouriço azul não pudesse ver.

— E por que bateu na porta ao invés de teleportar aqui dentro? — Parecia uma pergunta idiota a se fazer.

— Porque seria falta de educação. — O ouriço ébano respondeu sem entonação ou interesse. — Estava tão ansioso assim que esperava que eu entrasse direto? — Não podia deixar a oportunidade da provocação passar.

— Eh! Não! — Negou, embora uma pequena voz interior gritasse vários “sim” em sua mente como um coro.

O tempo que levou até que subissem as escadas e atravessassem o corredor parecia transcorrer lentamente, como se Shadow estivesse brincando com ele, ou talvez fosse seu nervosismo brincando com sua noção temporal. Apenas sabia que quanto mais os minutos passavam, mais parecia que estava andando em câmera lenta.

Quando entraram no cômodo, que parecia bagunçado e desleixado, causando uma careta em Shadow pela desorganização, que fora obrigado a apenas assistir enquanto Sonic procurava onde escondera as sacolas de apetrechos, se sentou desgostoso na cama de lençóis abarrotados, reprimindo o impulso de arrumar a cama dele, mesmo sabendo que bagunçaria tudo outra vez.

Sonic entregou as sacolas para Shadow, enquanto se afastava e olhava para o chão, não sabendo bem se queria mesmo saber o que ele planejava para a noite. Mas, depois de alguns minutos ouvindo o som de plástico sendo movido e papel sendo rasgado, a curiosidade venceu sua vergonha e medo e finalmente olhou.

E levantou o olhar para as escolhas de Shadow para a noite.

Uma venda, uma bola vermelha com elásticos que pareciam servir para prendê-la ao redor de algo, uma espécie de cano de ferro longo, um pote de algo que parecia um gel e não parecia ser para fins de lubrificação e por fim, as algemas que lhe provocava sentimentos mistos de terror e satisfação, já que limitava muito seus movimentos.

— Já terminou? — Perguntou fingindo impaciência, porém estava tentando desesperadamente esconder seu medo.

— Ainda não. — Tirou por fim um pequeno objeto prateado que lembrava a ponta de uma fecha, porém arredondada com um cabo que formava um círculo, talvez para colocar um dedo?

— O que é isso? — Sua voz tremeu.

— Um plug. — Respondeu sem hesitar.

— E onde vai colocar isso? — Sentiu que fez a pergunta errada, mas não podia reprimir sua curiosidade.

— Advinha.

Ele engoliu em seco.

Notas finais
KKKKKK VOU DEIXAR O CLIFFHANGER MESMO E também iria ficar muito grande e vocês tem preguiça monstra de ler coisa grande que puta que pariu. Enfim, dependendo do meu ânimo eu posto a sessão de bondage. Aliais, forçar o submisso a dizer as coisas em voz alta é usado sim nas praticas s/m como força de humilhação branda.