BitterSweet
9 Capítulo 9: Wish you were here
Notas iniciais
Ele olhava Stiles com aqueles olhos famintos. Era noite. O carro parado na frente de sua casa, os amigos entregues em suas casas.
Derek lhe devorava, com os olhos.
Stiles recostou-se no banco do carro de Derek, esperando veemente que os pais não lhe vissem. Seriam explicações demais que teria que dar. Muitas explicações.
— Seu carro chama muito atenção – Afirmou Stiles – Vocês gostam de chamar atenção, hum?
Derek não respondeu, os olhos famintos continuavam a lhe devorar. O lobo avançou para si e, por um momento, pensou em abrir a portar e saltar para fora. Mas apenas deixou-se beijar lenta e sutilmente pelo maior.
— Você gosta, disso tudo? – Perguntou Derek, observando Stiles.
O garoto não conseguia ser divertido naquela hora, não conseguia ser sarcástico.
Não sozinho, não sozinho com Derek.
Desarmado, respondeu.
— Eu acho que gosto – Falou, corando, em um tom baixo – É algo novo, algo que eu nunca... Imaginei, sabe? Eu nunca tive uma sexualidade definida completamente.
Engoliu em seco, se recostando novamente no banco.
— Será que podemos dar mais uma volta? – Perguntou Stiles, Derek não sorriu, apenas voltou-se para o volante e ligou a ignição.
Sozinhos, davam uma volta.
— É lua cheia hoje.
— É.
— Pensei que vocês viravam lobos, ou algo do tipo, e saíam uivar para a lua.
— Você tem uma imaginação muito fértil, Stiles.
— Me chame de amor.
Derek freou o carro e olhou Stiles enquanto o ricochete do cinto de segurança os seguravam.
— O... Que? – Derek olhava Stiles, parecia desconcertado.
— Estou brincando – Disse divertido Stiles – Me chame de amor e nunca mais nos veremos.
Derek voltou a dirigir. Stiles poderia jurar que as bochechas de Derek estavam coradas, mas talvez não estivessem.
— Onde você quer ir?
— Só quero andar.
Stiles voltou a se sentar de lado, voltou a receber no belo corpo a luz da lua. O medalhão estava quente em seu pescoço, tirou-o para fora e o mesmo brilhou. Intensamente.
— Você o quer de volta? – Perguntou Stiles, enquanto tateava o prisma com os dedos.
Derek olhou, sim, o queria de volta.
Era um fluxo de energia muito maior do que o pequeno prisma que carregava no próprio pescoço. Era a primeira lua cheia da sua recém conseguida pedra-da-lua. Mas ao vê-lo com o objeto... Era tão belo, seria um ultraje, seria horrível tirá-lo dele.
— Deixo com você – Respondeu Derek, voltando a dirigir sem rumo, apenas virando uma rua ou outra com o garoto, até que pararam em uma praça vazia no meio da noite, ainda dentro do carro ficaram calados.
— Você é grande – Afirmou Stiles, recostando-se no banco, suspirando e olhando para frente.
— É, eu sou.
Sentia-se desconfortável com Derek, sentia-se vulnerável. Derek sentia-se da mesma forma com Stiles. Completamente vulnerável, mais vulnerável do que qualquer outra pessoa com quem já estivera.
— Posso te beijar? – Perguntou o rapaz, lábios molhados com a própria língua. Virou o rosto, Derek virara o rosto também.
— Você quer me beijar? – Questionou Derek.
— Eu sei... É estranho – Stiles corou, olhando para aqueles olhos azulados – Mas eu quero.
— Eu não acho estranho. – Derek deu um meio sorriso, mostrando sutilmente seus caninos levemente ressaltados – é adorável.
— Seu vocabulário vem se aperfeiçoando, – Stiles ligou o rádio, começou a brincar com a rodinha e a estática do rádio.
— Gosto dessa música – Falou Derek, quando o rapaz parou em uma estação.
Tocava Wish you were here, do Pink Floyd.
— Ela é meio triste – Murmurou Stiles, olhando para Derek recostado no banco. O homem levou um dos braços atrás da cabeça.
Tríceps contraído, o olhar no teto do veículo. O violão da música ressoava melancolicamente.
— Ela é – Disse Derek, fechando os olhos.
O lobo gostava da música e, realmente combinava exatamente como se sentia quando longe do humano. Nunca pensou que se importaria tanto com um maldito humano. Maldito humano.
Bendito humano.
Lindo humano.
Seu humano.
Seu.
Quente ficaram seus lábios quando sentiu a boca de Stiles. Os olhos abriram levemente, não fora surpresa sentir aquele beijo. O crescendo da música fazia seu coração bater fortemente enquanto a melancolia da mesma fazia-lhe sentir-se apenas bem.
Beijavam-se.
Simples e perfeitamente. Línguas macias se encostando, se tocando e se roçando. Um dueto de só quem realmente beija alguém que ama sabe. Era muito mais que beijo, era música.
Sentiu o colo do rapaz subir no seu colo, acionou a trava do banco que se deslizou para trás. Stiles lhe beijava de forma amorosa, a camiseta dizia ´Pi´. De fato, aquele garoto era muito mais que um beta, era algo irracional demais para ser medido, para ser dito como qualquer outro.
Stiles em êxtase puxou a sua camiseta, que lentamente deslizou-se até sair do próprio corpo. Peitoral, abdômen, o corpo de exercícios se mostrava ao humano que observava.
Olhos amendoados na pele esculpida de Derek.
— Você gosta do que vê? – perguntou Derek com um meio sorriso íntimo.
Lascivo.
— Tem que engordar um pouquinho... – Disse Stiles, corando levemente, sentia-se envergonhado.
Derek levou os dedos até a camiseta do humano, que impediu que ele levantasse.
— Eu...
— Hum? – Indagou Derek, não parecia o homem bruto e ríspido de sempre.
Estava vulnerável.
— Eu não tenho assim tantos músculos... Eu... – Estava corado, Derek forçou e lhe tirou a camiseta.
Revelou o corpo esguio, magricela e desprovido de músculos tão definidos. A pele esbranquiçada tinha pintinhas espalhadas. Era como observar um pequeno universo de infinitas perfeições.
— Você é lindo.
Derek lhe falara aquilo. Stiles sentia-se estranho ao ouvir aquilo da boca de um homem. Um homem como Derek. De Derek. Sentia-se estranho ao ouvir ser elogiado, e beijado.
— Estou aqui pensando... – Stiles corou levemente, sentia algo quente embaixo de seu traseiro. Era o mesmo que tinha na frente. Um volume tensionado: excitado.
— Você gosta de pensar, hum? – Perguntou Derek – O que esteve pensando?
— Eu não quero transar... Assim... – Falou, lentamente, tinha medo de espantar Derek.
— Eu sei, não vamos – Disse Derek – Não assim, não agora, em um carro, em uma praça. Apesar de que...
Stiles observava aqueles olhos azul-acinzentados. Apesar da escuridão podia vê-los como se o conhecesse a um bom tempo.
— Apesar de quê?
— O modo que a lua está hoje... E como ela reflete em você para mim(...) – Derek falava de forma quase voraz, levantava o tronco um pouco mais, fazia seu corpo colar mais ao de Stiles.
Fazia as peles se tocarem. A violência daquela pele bronzeada com a calmaria da pele esbranquiçada cheia de pintinhas. Mar furioso nas rochas. A música parecia em um looping infinito. Ou tudo estava mais rápido, ou mais lento.
— (...) o jeito que ela bate em você... Me faz querer lhe amar com força. Me faz querer ouvir seus gemidos aqui e agora. – Derek falava de forma quase selvagem. Stiles corou, Stiles se sentiu quente.
Stiles suspirou.
Derek lhe abraçava com tamanha força que o corpo parecia querer se esmagar naquele espaço pequeno, apertado, porém tão acolhedor.
— Mas eu quero que seja outra hora, eu quero te amar com amor. Quero te tocar e lhe beijar até ficarmos esgotados.
— Derek... Meu deus... – Stiles desviou o olhar que estava tão próximo de si, sentia-se desarmado.
Stiles se sentia estranho. Sentia ter um homem como aquele perto de si. Sentia toda aquela sexualidade e a forma como ele falava... Era até redundante seus pensamentos, tão confusos estavam.
Derek voltou a se reclinar, voltou a levar a mão ao quadril de Stiles, puxou-o para si e voltaram a se beijar. A excitação não passou, os corpos se tocavam ainda. Mas faziam com calma a dança musical de língua com língua.
A música acabou e Stiles voltou para seu banco. Olharam-se. Olharam para a frente. Olharam-se e sorriram.
— Você sorrindo é estranho – Comentou Stiles.
— Eu não gosto de sorrir – Disse Derek.
— Eu percebi – O humano pegou na mão do lobo.
— Me leva para casa?
— Levo.
oOo
Derek dirigia sem rumo. O carro grande do pai ocupava toda a faixa enquanto queimava o combustível e carregava o lobo, junto aos seus pensamentos. Pensamentos esses que lhe fazia afundar no banco.
Uma parte de si fazia-lhe querer voltar na casa de Stiles, roubá-lo dos pais, deixar a família e ir embora para algum país quente com o pintadinho.
E como ele era pintado. Aquelas marquinhas inúmeras na pele branca. Um contraste de tentações. Aquele corpo deliciosamente bem desenhado, bem delineado. De fato, se Stiles não tivesse falado nada teriam transado.
Só de imaginar ficava completamente excitado, chegara o mais perto dos pensamentos sujos que tivera com o humano. Mas de qualquer forma não teria transado.
Teria o amado.
O rádio desligado fazia-lhe lembrar-se de Stiles e como este gostava de música. Deu um meio sorriso. Pegou-se sorrindo. Algo incomum, mas que o humano estava conseguindo promover: sorrisos leves no rosto intrinsecamente sério do lobo.
Depois de muito andar estacionou em sua casa, era já quase a uma. Seria um bom tempo para tomar um banho gelado e sair correndo pela mata um pouco. Era lua cheia afinal.
— Seus irmãos ficaram lhe esperando – Disse o pai assim que entrou em casa, o homem sentava-se com a mãe na mesa, tinham alguns papéis que resolviam coisas financeiras do clã.
— Eu sei, tive que sair.
— Teve? Tem uma garota te esperando aqui Derek. Você precisa tomar responsabilidades meu filho... O que está acontecendo? Você está estranho... Deixou sua prima... – O pai insistia.
— Eu não quero nada com ela – O filho rebateu. Seco. – E quanto mais vocês forçarem, mais vão iludir a garota. Mandem-na de volta ao tio.
— Mas você nem ao menos deu uma chance... Ela é uma bela loba... E você até agora não teve nenhum Beta como seu, não vai ter – Disse categoricamente o pai.
Derek quase sorriu ao pensar “Eu não tenho um beta, tenho um Pi”. Mas o semblante continuava fixo.
— Uma hora você vai ter que parar e sossegar. Parar de ficar saindo para essas boates e crescer um pouco – O pai contava alguns cheques na mesa, dizia isso sem ao menos olhar para o filho.
Derek já estava subindo as escadas enquanto o pai falava de forma que um ignorava o outro.
Abriu a porta, Derek quase rosnou. Seria muito agressivo se o fizesse. A loba estava ali, a dita cuja prima. Maldita garota que invadia seus momentos de solidão mental.
— Oi – Disse ríspido.
— Derek... A lua estava tão linda... Pensei se você queria sair... Dar uma corrida.
— Não, estou cansado.
— Mas hoje é lua cheia... Talvez pudéssemos ir até as cascatas da minha família... – Ela se aproximou, predadora, a garota tinha os lábios entreabertos e colocou as mãos no peito de Derek, a mão então desceu até o meio das pernas de Derek, apertando-o ali.
Era lua cheia, ela queria isso. Derek também precisava. Precisava se aliviar em um corpo. Fazer sexo e deixar toda a energia acumulada fluir. A loba poderia ser um bom receptáculo para suas masturbações mentais. Poderia até fechar os olhos e imaginar o seu humano, seu parceiro para a vida toda.
— Não – Disse Derek, nem mesmo ficara excitado ao senti-la lhe tocar ali. Em outros tempos já estariam no mato. – Escuta Alana... Nossos pais querem isso, você pode até querer, mas eu não quero. – O alfa olhou para a garota se retraiu instintivamente. Não lhe tocava, não insistia. – Quero deixar claro já para que não tenha corações partidos depois.
Ela pareceu ficar roxa, Derek por um instante pensou que ela se transformaria. A garota saiu de seu quarto e desceu as escadas. Nem tomou tempo de dar desculpa ao seu pai, apenas saiu porta a fora.
Era lua cheia, mas Derek não sentia a mínima vontade de sair e correr entre as árvores.
Não sem Stiles.
Desejava que o humano estivesse ali, seria tão melhor.
Olhou para sua própria cama, podia imaginá-lo deitado ali, pegando em suas fotos e fazendo aqueles comentários sarcásticos que só ele conseguia elaborar. Podia imaginá-lo com uma de suas largas camisetas depois de fazerem amor por alguns instantes.
Era lua cheia, mas o lobo continuava sem vontade alguma de sair. Stiles não estava ali afinal.
Como queria que ele estivesse.
O lobo abriu um caderno da faculdade, tão empoeirado. Começou a ler, distraído, tentando cair em um sono que logo viria.
Viria?
oOo
— Vocês voltaram tarde... – Disse um dos pais, estava sentado no sofá e lia uma revista médica enquanto Stiles se sentava no sofá oposto.
— É, voltamos. – Stiles refletiu se deveria falar com o pai.
O médico tinha os olhos fixos na revista, enquanto Stiles ficou algum tempo assistindo um filme. Era bom que o pai policial não estivesse ali embaixo, estava no andar de cima, roncando e dormindo, então tomou coragem e começou a falar com o pai médico.
— Meio que preciso falar com você...
— Meio que precisa? – O pai arqueou uma das sobrancelhas e olhou o filho.
Ele tinha esse modo de observar as pessoas e extrair delas tudo que precisava saber apenas com o olhar.
— É, é que aconteceu algo hoje... Bem, aconteceu fazem alguns dias, mas hoje aconteceu e eu quero falar sobre.
— Filho é normal fazer sexo... – O pai principiou.
— PAI, NÃO. É. ISSO. – Disse de forma pausada, erguendo as mãos e fazendo sinal para que o pai parasse. – Eca, não... Não é isso. Céus. Não vou falar de sexo com você.
— Ei... Eu sou seu pai, e eu sou médico, se tem alguém que pode falar sobre isso...
— Pai eu beijei um cara – Falou Stiles logo.
O pai ficou calado, observando o filho. O Sr. Stilinski sempre tivera medo disso. Medo do filho ser gay? Sim. Tinha medo dele enfrentar o mesmo preconceito que ele enfrentara. Tinha medo de acusarem ele e o marido de ter influenciado a sexualidade do filho. Mas não deixou-se demonstrar esses medos aos filhos, apenas continou.
— E...?
— Eu não sei, foi estranho – Falou Stiles, se recostando, pensativo.
— Estranho bom ou estranho mal? – Perguntou o pai, apreensivo, querendo saber tudo com interesse. – Você gostou? Foi bom para você?
— Eu sei o que você está pensando pai... – Disse o filho, se recostando melhor para fixar o olhar no pai – Eu sei que você tem todo esse medo e paranoia, do que vão falar... O filho gay do casal gay.
— Não filho, não é...
— Mas eu não me importo com ninguém pai, eu só me importo com você, papai e... – Por um instante ia falar ‘Derek’.
Por que diabos iria falar que se importava com aquele dito cujo lobo?!
— E?...
— E eu realmente não me importo com mais nada além de vocês dois. Se as outras pessoas fossem tão boas eu não teria sido abandonado quando bebê...
— Stiles não precisa começar assim. – O pai se levantou e se sentou ao lado do filho.
De fato, Stiles Stilinski era a pessoa mais forte que conhecia. Seu filho encarava tudo e todos com uma fúria violenta que poucos teriam a coragem.
— Mas me conta... Você não me disse se gostou.
— Gostei – Disse Stiles, pensativo.
— Isso é bom. Eu conheço?
— Acho que não, não sei. Talvez.
— Humm... Ele é fofinho? – O pai ficou corado ao perguntar isso, mordendo os lábios, ainda achava estranho estar conversando sobre isso com o pai.
— Bem... Fofinho não é bem a definição... Ele é legal. Dá pro gasto.
— Stiles – O pai sorriu de lado, abanando a cabeça e se levantando – Vem, vamos tomar um milk-shake.
— É madrugada pai, tomar um milk-shake? Ok.
Stiles foi com o pai até a cozinha. Ficava pensando se deveria falar quem era, resolveu ficar quieto um pouco, pensativo.
— Vocês são namorados ou algo assim? – Perguntou o pai, pegando uma colherada de sorvete direto do pote, conversando com o filho como se fossem amigos.
— Não. Não. – Teve que negar duas vezes, para ter completa certeza. – Nós só ficamos...
— Humm – O pai pegou outra colherada.
— Mas...
— Mas?
— Sei lá, acho que ele quer algo assim. Mas eu não vou aceitar é claro.
Stiles pegou uma colher e começou a tomar no pote junto ao pai, estavam ocupados demais para fazerem o milk-shake.
— É claro – Disse o pai, erguendo uma sobrancelha e erguendo a colher de sorvete, fazendo uma expressão que fez Stiles rir. Era algo como uma concordância em forma de elegância, mas era algo difícil de se fazer quando segurava uma colher de sorvete. – Mas se quiser trazê-lo, para jantar aqui, comigo e com seu pai...
— Céus, é bizarro até de imaginar. Papai teria que estar completamente desarmado – Brincou Stiles, sentindo o bolso vibrar. Olhou e arqueou a sobrancelha, vendo a mensagem.
“Derek Hale (01:13): Vai demorar? Entrei pela sua janela.”
— Er... Pai. Vou ir dormir – Disse Stiles, fazendo uma expressão de incredualidade ainda.
— Okay filho, eu também vou depois de lavar essas coisas. Te amo. E não se esqueça de tomar cuidado com os nudes.
— Quero ficar surdo, ahhh! – Tapou os ouvidos e saiu dali ao ouvir o pai falar em coisas tão adolescentes.
Subiu as escadas e abriu a porta. Derek Hale, em todo seu tamanho, estava ali em seu quarto. Parecia estar com os cabelos molhados.
— O. Que. Diabos você está fazendo no meu quarto?
— A janela estava aberta. – Derek respondeu simplesmente, sentava-se na borda de sua cama, reto e observador.
— E?
— Estava sem sono – Foi a desculpa do lobo.
— E veio aqui? – Perguntou Stiles.
Derek parecia meio contragosto em responder o humano. Apenas abanou a cabeça. Ficando ali em seu quarto. Stiles sentou-se ao lado do lobo, com o corpo também ereto. Ambos observando a parede sem nada, um do lado do outro.
Se olharam. Voltaram a olhar para a parede.
— Você não consegue ouvir lá embaixo, não é? Não tem tipo super-audição, ou algo do tipo... Não é?
— Você lê muitos quadrinhos – Disse Derek, voltando a olhar para Stiles. – Você estava conversando algo que não queria que eu ouvisse?
— Eu contei para o meu pai.
Derek assentiu. Stiles era mais corajoso que ele próprio, que não falara nada aos pais.
“Covarde”. Seu ego gritou. Mas calado, apenas ouviu.
— Quero dizer, contei que tinha beijado um cara. É algo estranho de se contar a um pai... Sabe, meus pais são gays, mas eles, acho, não queriam que eu fosse também...
— E você quer? – A voz de Derek era sempre inquisitiva demais. Ele fazia perguntas simples, mas extremamente diretas.
— Eu nunca tinha pensado muito sobre isso... Não até você me beijar e tudo mais. Eu gostei, mas... – Ficou levemente corado ao confessar que gostara do beijo – Mas ainda é algo que estou me acostumando. É diferente... Você tem braços enormes, e um corpo forte e barba... Eu me sinto como se fosse uma garota indefesa. Eu não quero isso. E tem todo o resto... Do sexo e tudo mais, eu nem sei como é que... Vamos fazer isso.
— Você está pensando muito, Stiles, tudo acontece como deveria acontecer.
— Não! Esse não sou eu! Eu não penso muito, é pelo contrário – Falava baixinho Stiles, apesar de saber que o pai não era de ouvir atrás da porta – Eu estou pensando muito sobre isso. Sobre você.
“Ele está pensando muito sobre mim”, pensou Derek. Observando aquele rapaz. O homem tinha a expressão séria de sempre, observava Stiles que se recostara e deitara na cama, ao menos meio tronco, enquanto as pernas ficaram para fora.
O lobo deitou-se também, ficando lado-a-lado de Stiles.
— Eu nunca vou te machucar – Falou Derek, em um momento extremamente íntimo, não conseguia ser tão aperto com qualquer um, tão preocupado em não machucar com palavras ríspidas e diretas – Não você. – Afirmou, pegando uma mão de Stiles e beijando.
Queria falar as palavras. Mas sentia e tinha medo que o humano pensasse ser mentira, pensasse ser vazias. Mas o problema é que não eram, o problema era que eram completamente carregadas de sentido e de verdade.
Se tinha uma verdade no universo, era aquela.
E aquele cheiro lhe embriagava. O cheiro de Stiles insuportável lhe fazia querer ficar ali ao lado dele toda a eternidade.
— Te amo. – Contou a verdade para Stiles, o garoto virou o rosto e lhe encarou.
Esperava ouvir um ‘Eu também te amo’, mas sabia que era pedir muito para Stiles. Era pedir muito aquele humano que recém lhe conhecera, que não sabia e nem sentia nada do que os lobos sentiam.
— Eu sei – Respondeu Stiles, com um sorriso convencido – Sempre quis dizer isso – Falou excitado. Derek ficou sem entender, mas sorriu de lado. O pôster de Han Solo na parede dizia a verdade da frase de Stiles.
Mas para Derek, bastava que ele “Ao menos ele sabia”.
— Meu pai quer te conhecer – Disse Stiles, observando Derek. – Apesar de eu ter dito que somos só ‘Ficantes’.
Derek rosnou baixinho, aquela palavra, ele não gostava. Era o que usavam entre si naquelas boates nojentas. ‘Ficantes’, todos aqueles que beijavam e transavam ocasionalmente, sem relação nenhuma, sem amor algum, apenas prazer.
— Quero ser seu namorado – Derek se levantou, sentando-se na mesma. Enquanto Stiles também o fez.
— Derek... Nós nos conhecemos a... Uma fração minúscula de tempo e...
— Eu não quero perder tempo de vida longe de você – O lobo lhe olhava – É que você não sente. Você não consegue sentir... Eu consigo sentir seu cheiro à quilômetros Stiles, é insuportável. É um cheiro que trava meus sentidos, especialmente quando estou na forma de lobo – Derek pegou na mão do outro. – Por favor... Eu nunca vou deixar que ninguém lhe machuque, eu vou te proteger...
Se fosse qualquer outro lobo, se fosse Stiles um Beta... Já teria aceitado-lhe como Alfa, já teriam se beijado e marcado um casamento.
Mas Stiles era um humano.
Complexo humano.
— Eu preciso de tempo para pensar, é algo que eu nunca pensei Derek. Por favor... – Stiles olhou para baixo. Sentia péssimo ao falar aquilo ao outro, mas de fato precisava definitivamente pensar.
Derek apenas assentiu, aceitando o tempo do outro, ele tinha que ter seu próprio tempo. Lentamente beijou seus lábios, e deitou-se junto de Stiles na cama de casal dele. A porta trancada não lhes oferecia perigo. Mas a janela aberta levava o cheiro dos dois para fora.
E lá fora tinha um lobo, que observava todos os odores da noite, contemplativo. Incrédulo. Iria contar à todos o que presenciara.
Como ia!
O lobo era branco.
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