BitterSweet
10 Capítulo 10: Human
Notas iniciais
— Sábado foi legalzinho.
Stiles afirmou, com a boca cheia. Mastigava. Bebia. Engolia. Em pleno intervalo das dez da manhã, com suas amigas, discutia sobre como fora sábado. As garotas pressionavam o rapaz para que o mesmo contasse tudo.
— Tudo bem, foi legal. – Afirmou, recebendo mais olhares de desaprovação – Tudo bem, foi ótimo!
Abanou a cabeça e voltou a engolir com raiva.
— Ótimo... Com um homão da porra daqueles... – Disse Malia e o garoto a olhou com a boca cheia de pão, revirando os olhos. – Foi mais do que ótimo. Mas nos conta, como ele é, sabe, sem roupas?
— O quê?! Eu! Eu não vi ele pelado! Sua maluca! Nós nem fizemos nada!
— Hummm – Allison então fitou bem o amigo, com um olhar que tentava descobrir tudo, então afirmou. – Nada?
— Alguns beijos, tá legal? Mas nada demais.
— E vocês já se decidiram? – Ela perguntou, Malia olhava para ela, e Stiles também, sem saber o que Allison queria dizer.
— Decidimos do que? – Perguntou Stiles, começando a engolir pelo canudinho a Coca-Cola.
— Horas, quem vai dar e quem vai comer. – Falou logicamente a garota
A cena foi engraçada. Malia começou a rir alto, atraindo atenção de vários olhares desinteressados que, após um breve olhar, voltaram aos seus afazeres ignorando os adolescentes na mesa do canto. Stiles, ao contrário, reagiu mais energicamente. Engasgou-se a tal ponto que Coca-Cola saiu por seu nariz, lhe afogando com o refrigerante.
— Allison! – Ele exclamou, retomando o ar que lhe fora tomado. O rosto parecia um tomate. – Está louca?! Eu... é obvio que eu vou ser ativo.
— Olha ele, já falando dos termos todos. – Ela lhe deu um sorriso safado e o rapaz corou.
— Haham, com essa bundinha vai ser o ativo. Com um cara como Derek...
A garota se reclinou um pouco.
— Pare de ficar olhando minha bunda! – Disse Stiles, apreensivo, sem notar que uma nova pessoa se sentara na mesa então.
— Olá Scott! – Disse Malia, com um grande sorriso.
— Por que diabos você está olhando a bunda do Stiles? – Perguntou Scott, com um enorme prato de café-da-manhã.
— Temos uma teoria, o que você acha da bunda dele? – Perguntou ela à Scott.
O garoto abriu a boca para falar, mas Stiles lhe apontou o indicador, olhando-lhe fixamente.
— Não responda a isso! – Stiles falou firmemente, ainda corado.
— Ok
Scott voltou a comer.
— Céus, vai ter uma aula chatíssima de literatura – Allison falou, fechando os olhos e se curvando sobre a mesa. – Vamos matar aula, por favor, digam sim!
— Vocês vão reprovar – Stiles afirmou, pegando mais comida do prato de uma das amigas que não comera tudo – Eu é quem vou sofrer, tenho aula de Lacrosse.
— Eu não vou sofrer – Disse Scott, comendo mais.
Stiles o olhou com uma cara de ‘Eu sei que você é um lobo, idiota’. Mas ficou calado e continuou a comer, até que o sinal tocou. Levaram suas bandejas e se separaram. Stiles foi com Scott até o vestuário, onde se trocaram com o típico uniforme do esporte antes que o time de verdade chegasse.
— Seu corpo, ele está diferente – Afirmou Stiles.
— Diferente como? – Perguntou Scott, enquanto colocava a camiseta.
— Seus músculos, você tem... Seis gomos no abdômen! – Disse Stiles, que se lembrava do amigo, à um mês atrás, não ter nenhum.
— Acho que todo mundo têm seis gomos no abdômen – Disse Scott olhando para a própria barriga.
— Você sabe do que eu estou falando... – Stiles colocou o uniforme também – Isso é a coisa toda de lobo, não é? – Perguntou, entrecerrando os olhos.
— O pingente, do Derek... Está para fora – Scott se aproximou e observou-o, iria tocá-lo mas Stiles o cobriu com a mão.
— Você tem o seu.
— Eu sei! – Scott acenou, corado. – Mas eu acho que isso é a coisa toda de lobo... E Derek... O que o Alpha quer com você?
“Meu corpo nú”, pensou Stiles, mas logo deu de ombros para Scott.
— Não tenho a mínima ideia, você sabe?
— Não. E ele disse que me mataria se contasse a alguém do grupo sobre você. Mas eu acho que já sei... Rock, um colega lá do bando me contou algo sobre... Tem toda essa coisa de conexão de um lobo com um parceiro...
— Hum – Stiles já sabia, mas não falaria nada para Scott.
— Você deve ser o parceiro dele, mas... É um humano.
— De fato eu sou – Stiles assentiu.
— Tem certeza que você não é um lobo? – Perguntou Scott.
— Eu tenho quase certeza que sou apenas humano Scott, ou eu juro que já teria me transformado e mordido muita gente. E falando em gente que merece ser mordida...
— McCall, Estilaque – Disse o treinador, Bobby.
— É Stilinski – Corrigiu o rapaz, com cara de desgosto e camiseta 24.
— Meu melhor jogador e... não meu melhor jogador – Falou o treinador, ignorando Stiles. Colocava as mãos nos ombros dos rapazes, os empurrando para fora do vestuário.
— Mas a aula já começou? – Perguntou Stiles, ignorando a ofensa do treinador.
— É claro que já estão todos no campo. – O homem disse, empurrando os dois para fora. – Mais cinco voltas no campo para vocês dois.
Stiles suspirou e começaram a correr. E quando terminaram parecia que o jogo já tinha acabado para o número 24, enquanto Scott já começara a jogar com as pessoas.
“Ele está trapaceando! É um baita lobo!”, pensou Stiles, mas ignorou os pensamentos, a pontada na costela e começou a tentar jogar.
O primeiro intervalo chegou e com ele o cansaço, Stiles se sentara com uma garrafinha de água deliciosamente deliciosa. Gelada, como estava deliciosa aquela água.
— Stiles! – Cutucou Scott, apontando para o extremo do campo, que estava em contato com a floresta.
— Que... Diabos... – Disse Stiles, olhando para Scott que já se levantara.
Scott fora quase correndo enquanto Stiles se arrastava. Era claro que quem estava ali era Derek Hale. O Lobo Alpha.
— E então? – Perguntou Stiles, Derek parecia pálido.
— Você precisa vir comigo. – Disse Derek, parecia furioso, mas a calmaria na voz era extremamente séria.
— Eu não posso abandonar a escola assim, Derek.
— Você vai vir comigo, agora. Está em perigo.
— É claro que estou. – Ironizou Stiles, olhando para Scott que se sentia ‘rebaixado’ perto de Derek. Stiles não sentia, mas o tom de voz de Derek era suficiente para fazer todos os betas em seu clã se submeterem.
Era algo hormonal, instintiva, superior à qualquer racionalidade humana.
— Stiles... Você precisa ir com ele... – Disse Scott, com a voz baixa.
O olhar de Derek se pôs no horizonte, um pequeno rosnar e logo Stiles se assustou ao sentir um braço em seu ombro, quase como se lhe abraçasse. O mesmo com Scott.
— Olá, posso te ajudar cidadão? – Perguntou o treinador e sua voz irritante.
Sim, Derek iria mata-lo.
Derek olhava do braço do treinador, para Stiles e para o treinador. Intercalava esse olhar. O maldito homem tocava em SEU humano. O olhar de Derek ia novamente do braço, que, claro, arrancaria, ao homem e do homem ao braço.
Stiles conseguiu perceber aquilo e se desvencilhou antes que o pai tivesse que ir limpar uma cena de crime.
— Treinador, esse é... – Disse Stiles, pensativo. Era o primeiro ano desse treinador maluco na cidade, não conhecia ninguém, então poderia mentir – Esse é meu primo.
— Seu primo? – Perguntou o treinador, olhando do homem à Stiles.
Derek encarava Stiles.
— É meu primo Miguel. Não fala nada de inglês. Acabou de chegar da espanha. – Stiles deu um grande sorriso.
— Oh! – Disse o treinador – Venistes a rogar com unas chicas... – Falou o treinador em um precário espanhol.
Derek olhou para aquilo com desprezo mortal, teria sido mais fácil matar o treinador.
— Preciso ir com ele, ele está com alguns problemas...
— Ah, é claro! Tenes que ajudar o ‘hermano’. – Fez aspas com as mãos.
Stiles queria que Derek matasse aquele homem.
Mas isso permitiu que Stiles fosse embora com Derek rapidamente, apesar de estar com as roupas do Lacrosse.
— O que diabos foi aquilo? – Perguntou Derek.
— Eu precisava inventar algo! – Exclamou Stiles, enquanto andava dentro da floresta.
— Miguel... – Derek resmungou – Quem é Miguel?
— Foi o primeiro nome que veio à minha cabeça!
— E por que diabos não foi o meu nome que veio primeiro a sua cabeça?! E sim de algum espanhol por aí! – Disse Derek, nervoso.
— Você... Está com ciúmes? – Stiles perguntou lentamente. – Miguel.
Derek queria matar Stiles, mordê-lo até fazê-lo em pedacinhos. Olhava aquele garoto. Seu autocontrole se perdia completamente. Derek apenas rosnou.
— Ok, desculpa – Falou Stiles, parando com Derek quando chegaram até a rua depois de atravessar uma porção da floresta da escola. A moto dele estava ali, mesmo com os amassados voltara a funcionar perfeitamente. – Agora por quê diabos me tirou da aula em plena segunda-feira?
— Meus parentes, descobriram. – Disse Derek, com simplicidade, subindo em sua moto e ligando-a. A moto rugiu. – Preciso te apresentar à minha família.
— Agora? – Perguntou Stiles – Eu estou suado, vestido como um idiota, você quer me apresentar aos seus pais assim? Agora?
Derek acelerou a moto que rugiu mais uma vez, o olhar de Derek não era nada divertido, apenas seriedade.
— Ok.
Stiles subiu na moto pegando o capacete oferecido por Derek. Primeiro se segurou no apoio traseiro da moto. Mas logo que Derek acelerou e a inércia lhe manteve para trás, os braços voaram em direção ao corpo do Alpha que, apesar de todas as preocupações, sorriu.
oOo
Segunda pela manha,
A manhã iniciara com um tédio mortal. Conseguira um cristal da mina particular da família. Dessa forma, passara algum tempo tentando moldá-lo como um novo prisma regular. Era um trabalho demorado e cuidadoso.
Dentro da casa do avô, tinha essa paz para trabalhar no objeto e, enquanto moldava o objeto, pensava em Stiles.
Sentia-se mais seguro pois Scott tinha aulas com ele, então, poderia relaxar a cabeça e pensar que nada de ruim aconteceria com ele. Mas o humano parecia ser um imã para problemas, de forma que não ficava tão despreocupado assim.
Ergueu o olhar e quase rasgou o dedo com o esmeril do avô. Sentia um cheiro, vários cheiros. Lobos, vários lobos. Abandonou seu cristal e colocou no pescoço o que estivera usando, saindo da casa do avô. Pulou para fora da casa em forma de lobo.
Uma alcateia inteira rodeava a casa. Não eram tão numerosos como a sua alcateia, mas mesmo assim eram de impressionantes lobos. Havia um grande lobo cinzento, mas Derek rosnou para ele quando se aproximou. O pai já estava transformado também. A mãe, da porta, em sua forma humana observava tudo.
— O que é isso?! – Questionou o pai, nervoso. – Negan. O que é isso, me explique?!
— Seu filho! – Rosnou o outro lobo, mas o pai de Derek não se deixara intimidar, mostrando os dentes enquanto se aproximava.
Derek via a loba branca atrás do pai. Não entendia o que acontecera.
— O que tem Derek? O que você fez Derek? Diga, seu tio pede – Disse o pai.
— Eu não peço, eu ordeno esclarecimentos! – O lobo negro ficou em uma postura mais agressiva. – Depois de tudo, seu filho tem se encontrado escondido com um humano, enquanto mantêm interesses com minha filha.
Damian, pai de Derek, olhou-o fixamente. Os grandes olhos fixos no filho. Como o pai podia ser tão covarde? Como podia responder e acreditar em seu tio assim tão facilmente?!
— Essa é a verdade Derek?
— Sim – Respondeu Derek, recebendo mais rosnados do clã do tio, e os olhares pedados de seu pai.
Apesar de serem da mesma família, os clãs sempre disputaram pelo território herdado pelo filho mais velho, no caso, seu pai.
— O que diabos está acontecendo aqui?
Uma figura apareceu, em forma humana. Era seu avô, Rogan, quem saíra de sua casa.
— Eu estava dormindo! – Exclamou o homem, tinha cabelos cinzentos, os olhos severos e um rosto observador – Agora, voltem como humanos, ou eu os deserdo a todos.
O antigo Alpha da família Hale falara, exigindo-os. A maioria já estivera curvados quando o velho apareceu. Era o Alpha de todos eles, mesmo que ‘aposentado’, era o antigo líder da família.
Assim, o pai, Derek e todo o resto do clã voltaram para dentro de suas casas, enquanto os tios voltaram para a floresta, se transformando em humanos e se trocando, para então voltar novamente para a grande clareira onde moravam Derek e seu clã.
Se sentaram na grande mesa de madeira que, mesmo com todos ainda sobrava vários lugares mais ao final.
O avô sentava na ponta, enquanto irmão e irmão sentava-se um de frente ao outro. Alana tinha um olhar dissimulado de tristeza, que enojava Derek.
— O que está acontecendo? – Perguntou o avô.
— Minha filha, pai, sua neta, foi traída! – Disse Negan, apontando para Derek – Seu neto a traiu com um humano! Eles estavam em acordo de conhecimento, e ela o pegou pulando a janela de um humano! Outro homem se querem saber! – Disse Negan para que todo o clã soubesse.
Ouviu-se murmurinhos. Derek manteve sereno, olhava para Alana. Olhava apenas para ela. O olhar a queimava viva.
— Derek, o que você tem a dizer? – Perguntou o avô.
— É verdade – Disse Derek apenas.
Todo o clã pareceu olhá-lo fixamente, tanto o seu quanto o do tio.
— O acordo era apenas de conhecimento! Não tinham casamento marcado... – Principiou seu pai, mas o avô ergueu a mão.
— Ainda não lhe concedi a palavra Damian.
— Continue Derek, o que mais têm a dizer em sua defesa?
Derek estava em problemas, em reais e ásperos problemas. Se contasse para a família que, de fato, era apenas um humano com quem estava transando, nunca mais o poderia apresentar para sua família, a honra deles estaria manchada e, pior, teria realmente traído Alana e o acordo de conhecimento entre eles. Seria deposto como Alpha, perderia a confiança de sua família.
Por outro lado, se contasse quem realmente era Stiles, sua segurança estaria em jogo. Tinha medo do que poderia acontecer com ele, tinha medo da disputa por poder e, pior, tinha medo do que achariam de si, um completo estranho do seu clã. Ninguém jamais tivera um companheiro humano. Derek não esperava realmente por isso. O corpo todo queria tremer, queria rosnar, se transformar e morder o pescoço daquela maldita loba até matá-la.
— Diga Derek, diga o que aconteceu – Disse o avô, Derek assentiu.
— Eu não devo satisfação à vocês, eu nem mesmo queria um casamento com ela.
— Como você não queria?! – Gritou Alana, se levantando e apontando o dedo para Derek. Que ainda a olhava, imaginando a morte dela, lenta e dolorosa.
— Calada mulher – Disse Negan, o pai da garota – Agora você senta, e se cala. – Disse para ela e Derek sentiu ainda mais nojo daquela sua parte da família. – Proponho uma deposição dele como Alpha de seu clã... – Negan continuou.
— Então é sobre isso...?! – Começou o pai, mas foi interrompido.
— Eu mandei vocês ficarem calados – Disse o avô.
O clima estava muito pesado, nunca vira o avô falar daquela forma.
— Você não é o herdeiro dessa casa e desse território, é convidado aqui, abaixe sua cabeça e engula seu orgulho. Quem decide aqui é Damian. – Disse o avô pesadamente. – Apesar de que infelizmente deva concordar, é uma falta grave, um tipo desses de traição apenas por instinto sexual, Derek. Nossa família não pode coabitar com esse tipo de comportamento.
— Ele não queria conhecer ela! – Começou a defesa de seu pai – Eu e Talia que insistimos para que ela viesse!
— Mesmo assim é uma traição, Damian – O avô falou calmamente, e então voltou a olhar para Derek – Olhe para mim Derek. – Derek teve que quebrar seu olhar fixo na loba.
Derek queria matá-la, como queria.
O avô lhe chamou a atenção e teve que quebrar aquele olhar contra ela.
— Isso é uma traição grave, a não ser que exista outro motivo.
— Que outro motivo existiria! Isso é a verd...
— Mandei ficar calado Negan – Disse o avô, olhando para o filho mais novo com seriedade.
O coração de Derek queria sair por sua boca, eram quase nove e meia da manhã, o Sol logo estaria a pino. Talvez se fosse o entardecer criar-se-iam sombras mais longas e assustaria-lhe ainda mais aquele momento.
Não queria, não iria, não. Não iria denunciar Stiles, não iria denunciar seu Pi, sua letra grega fundamental. Seu amor. O garoto com a pele pálida e cheia de pintinhas que amava tanto.
Apesar de humano, apesar de fraco.
Seu amor, seu companheiro.
— Derek. – Perguntou o avô.
— Ele é meu companheiro – Disse Derek, querendo chorar. Querendo muito chorar por ser obrigado a confessar aquilo, por trair a pessoa que mais amava naquele momento. – Meu beta. O humano.
Sim, amava. O humano fraco. Fraco humano.
Sentia-se péssimo, sentia-se um traidor.
Mas as lágrimas foram seguradas pelo orgulho e pela raiva.
Mas a verdade era libertadora.
Como era libertadora a verdade.
Sentia todos os olhares contra si, inquisitivos, odiosos, questionadores, preconceituosos, surpresos. Todos os mais variados tipos de olhares. Sentia-os contra si.
— E eu não me importo com a opinião de vocês – Continuou Derek, se levantando, apesar deles terem ainda estarem em reunião. – Aceitem ou não essa é a verdade. E, tio. – Olhou para Negan – Eu estou pouco me fodendo para o que você acha. Quero que saia do meu território e leve a desgraçada da sua filha daqui. Você não é bem vindo aqui.
— Derek... – O pai começou, como o pai poderia ser tão medroso? Como poderia ter virado tão humano assim?
Em um momento todos explodiram como lobos.
Animais.
Rosnadores e perigosos. Derek não defendia apenas o clã, não defendia apenas o orgulho. Defendia o seu humano e o que era agora. Um Alpha com um humano, com um Pi.
Aquele garoto irracional.
Rosnados trocados, o tio e seu clã foram embora. O avô, ao contrário do que pensava, estava muito calmo. Quando voltou a ser humano, se aproximou do velho.
— Eu vou pedir ao meu pai para colocar um dos meus irmãos como alpha. – Disse ao homem. – Me desculpe vovô.
— E por quê? – Perguntou o velho, pegando um cigarro e o acendendo, começando a fumar em longas aspiradas – Se se provou tão bom alpha hoje?
— Eu... – Derek estava sem palavras.
— Você. Seu pai é quem foi fraco. Mesmo que Negan seja meu filho, ele deve saber que o território pertence ao seu pai. Existe apenas um Alpha em um território, Derek.
— Mas... E como vou ser eu e o humano... Não está certo, nenhum deles vai me respeitar – Disse apontando para sua alcateia, que voltara os afazeres, recolhiam as roupas rasgadas no momento de tensão.
— Não é sobre ter um Beta ou não. – Disse o avô, fumando – É sobre se afirmar como Alpha.
Derek mantinha os fortes olhos contra o avô que, tão simplesmente calara todos os alfas do recinto aquela hora. Aquilo era ser um verdadeiro Alpha.
— Vai buscar o garoto, temos que conhecê-lo e, agora mais do que nunca você vai ter que protegê-lo. É apenas um humano, e seu tio pode querer vingança.
— Ah, ele com certeza quer vingança – Disse Derek.
— Tenho certeza – O avô assentiu – Mas sabe o ditado de todo lobo: O lobo solitário morre...
— Mas a alcateia unida sobrevive. – Completou Derek, assentindo silenciosamente.
— Não vai ir buscar o rapaz?
— Ele é... Complicado – Disse Derek.
— Mesmo assim, busque o rapaz, o apresente à sua família.
— É... – Disse Derek, pensando em como o garoto iria reagir a tudo isso. – Mas ainda assim ele é meio complicado vovô.
— Não esperava que o seu companheiro fosse menos do que isso – O avô sorriu carinhosamente. – Vou ir falar com seu pai, o homem deve estar surtando.
Derek sorriu ao avô e assentiu, saindo dali em direção à sua moto. Sorriu ao pensar que, apesar de tudo, seu avô havia aceitado. Seus pais também teriam que aceitá-lo. Sentia-se perigosamente feliz.
Se provara um Alpha verdadeiro ao ter terminado o assunto de família.
Se sentia feliz por ter que agora cuidar de Stiles, ter que protegê-lo. Era um motivo para ficar perto do humano. Um genuíno motivo.
Ele era humano, e por isso precisava de sua proteção. Era o que afirmava para si. Erguia o pé da moto e dava partida. Rumo à escola.
Rumo ao seu humano.
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