BitterSweet
5 Capítulo 5: The Killing Moon
Notas iniciais
Capítulo 5: The Killing Moon
O cabelo rolava ao vento. O sorriso era grande no rosto. Nunca fizera isso na vida. De fato, gostava muito de fazer coisas insanas. Até demais, achava. Mas aquela superava tudo, nunca fizera algo devidamente contra a lei. Talvez porque fosse filho do xerife da cidade. Não gostaria de ser pego fazendo algo ilegal. Não dava a mínima para sua própria reputação, mas gostaria que o pai não tivesse problemas por sua culpa.
A moto do homem que invadira sua casa era certamente muito divertida. Sim, estava a quase 80 quilômetros por hora, o que era de fato bem mais rápido do que sua pobre vespa conseguiria ver algum dia. Poderia se matar, mas...
O coração batia de uma forma como nunca batera antes. A moto era pesada, e o tamanho do guidom lhe estava dando dor nos braços. Mas... Caramba, era delicioso demais. A sensação de liberdade proporcionado pelo vento, pelo céu daquela tarde que se começava a se estender.
Quando ‘crescesse’ quereria ter uma dessas. Nem sabia quanto deveria custar, mas com certeza era caro demais para que sua mesada de cem dólares semanais conseguisse comprar. E os pais nunca aprovariam.
Naquele momento nem sabia o que fazia, apenas foi com a moto até um velho depósito de ferro-velho. O dono dali era seu conhecido e os cachorros não se incomodaram ao entrar na propriedade e ficar próximo a uma montanha de carros que passavam o tempo enferrujando.
Acariciou a cabeça de um dos cães e suspirou. Ficou pensando como encontraria Scott. Pegou o celular e começou nas redes sociais a tentar procurar qualquer noticia de onde aquele cara morava. Sua rede de contatos era bem grande, mas depois de quase dez minutos procurando já desistira de conseguir através dos meios digitais, teria que voltar aos métodos tradicionais.
Ligou para Malia, pensativo se devia falar disso para a amiga. Acabou omitindo a maior parte das coisas, só que precisava saber o nome de um cara da boate aquele dia.
— Não faço ideia, mas perai— A garota disse e então ficou muda por alguns segundos, ela lhe deixara na espera, provavelmente ela estava na busca como ele.
— Malia, não vai dar certo, eu já procurei... – Tentou falar, mas ela já havia apertado o botão da espera.
Stiles suspirou e abaixou o celular, suspirando enquanto observava com os olhos entrecerrados o Sol cortando entre os vidros dos carros. Nem parecia que o dia já estava passando. O tempo de fato estava passando cada vez mais rápido. Voltou o celular ao ouvido e algo como cinco segundos depois:
— Derek Hale.
— Oi? – Perguntou Stiles, não sabia se ela estava falando consigo.
— Derek Hale, se chama esse carinha que você está procurando. Um metro e noventa, noventa quilos, cabelos negros e olhos castanhos e...
— Malia. Eu não...
— Céus, ele é hot. Stiles, Stiles... Não sabia que estava jogando nesse partido.
— EU NÃO ESTOU – Falou Stiles, rapidamente, ficando corado sem saber por quê. – Quero dizer, eu poderia, mas... Você... Obrigado. Agora, não diga nada para ninguém.
— Stiles e Derek, de mãos dadas andando na rua...
— Sua maluca, não é nada disso. É só que...
— Espera, ele é meio perigoso, era um lutador lá naquele lugar maluco, agora eu me lembro, eu vi ele quase matando um cara. – Ela falou. – Oh gosh, você gosta das coisas pesadas, hum?
— Eu vou te matar virtualmente, sua maluca. Não, é que... Aquele dia eu derrubei a moto dele e ele descobriu, preciso pagar o conserto. Mas não conseguia o contato.
— Hummmm... Sei.
O telefone ficou mudo por alguns segundos. Stiles mordeu os lábios e falou.
— Te amo viu? Não conta para ninguém. Obrigado.
— Eu também te amo e eu nunca faria isso, Stilinski. Então... – Ela ficou muda alguns segundos – Vamos nos ver sábado?
— Isso é um encontro? – Stiles perguntou rapidamente, o coração dando uma pequena pulsada. Malia era sua amiga, tinha medo que as vezes ela achasse “algo a mais”...
— Bem, tomando o fato que vamos sair em seis pessoas. Temos um cinema marcado, lembra?
— Ohhh, verdade, verdade! – Ele falou, corando por ter pensado que estava sendo romântico ou algo do tipo. – Você paga a pipoca.
— Interesseiro. Mesmo se fosse um encontro, eu seria o macho da relação – Ela afirmou, Stiles começou a rir.
— Com toda certeza você seria. Mas então, você paga a pipoca?
— Pago.
— Beijos. – E Stiles quem desligou, rindo e abanando a cabeça.
De fato, tinha se esquecido que iriam ver filme no cinema no fatídico sábado. Mas naquele momento precisava ser o super-herói e salvar Scott das garras do dito cujo 1,90 e 90kg de puros músculos, também conhecido como Derek Hale.
— Stiles! – Disse uma voz, virou-se, era o dono do ferro velho – Uau, a pintura nova que iria fazer em sua vespa ficou bem bacana eim. – Ele disse rindo. Era um senhor de idade que sempre ligava para Stiles quando tinha algum pedaço de motor por uma barganha para arrumar sua moto que vivia dando problemas.
— Pois é, nem parece que tem meio pônei de potência embaixo dela né? – Brincou, sua pobre vespa não conseguiria apostar uma corrida com um pônei manco. – O senhor não conhece um tal de Hale, não é mesmo?
— Ah, é claro que conheço. Eles são donos de uma parte da floresta... Conheço alguns rapazes que vivem vindo aqui, e o pai da família deles. São uma família grande, vivem todos juntos, estranho esses tipos. Essa moto não é de algum deles por um acaso, não é? – O velho entrecerrou os olhos.
— Sim, é – Disse Stiles e viu o homem arregalar os olhos – Eu comprei de um deles, mas precisava combinar umas coisas e acabei perdendo o número de celular. Se pudesse me falar onde moram. Seria mais fácil.
— Ah sim! – O senhor deu um sorriso amarelo e pegou um mapa. O que seria bem mais fácil de mostrar no celular para Stiles, mas o garoto observou e tirou uma foto com o celular. Agradecendo ele e saindo dali antes que desse algum problema para o senhor. Ou antes que ele resolvesse ligar para os Hales e tirar a história a limpo.
O fato era que roubara a moto. Ou algo do tipo. Pois tecnicamente o cara invadira sua casa, deixara a chave lá. O tal do Hale roubara seu amigo. Antes de devolver o veículo, iria dar mais algumas voltas, enquanto isso, agora com o nome do sequestrador, iria descobrir mais a seu respeito.
Andou pelas rodovias, soltando gritos quando chegava nos cem km/hr. Depois, voltou a um percurso até parar em uma lanchonete de beira de rodovia, próxima a Beacon Hills, conhecia a dona, então teve que parar meio escondido. Comeu algumas coisas e saiu quando o sol começava a se por. Já sabia onde ele morava, sabia quem ele era. Precisava apenas pegar o amigo de volta.
Armou-se com um velho canivete que passara em sua casa pegar, e incrivelmente os pais não estavam ainda (descobriu por meio de um bilhete que se perdera no meio da bagunça que eles acabaram fazendo outro plantão). “Isso que é gostar de trabalhar”, pensou Stiles. O canivete estava tão enferrujado que se precisasse usar, provavelmente iria matar o outro de tétano.
Parou na frente do espelho e ficou se olhando. Ficou procurando uma boa roupa para ir fazer uma troca com um sequestrador. Um boné para esconder seu rosto e criar uma sensação de incerteza ao outro. Uma jaqueta de couro preta, que logo foi substituída por um moletom (a jaqueta estava apertada demais), calça e tênis. Era um péssimo negociador.
Acabou deixando o boné também, voltava a ser o mesmo Stiles Stilinski.
Voltou pela porta da frente e viu a vespa ali, parada em uma posição de quem pede para morrer. O guidom magrelo torcido, aquele grande farol como um olho choroso.
— Eu nunca lhe trocaria por aquele monte de músculos, bebê. – Falou, roçando os dedos no grande farol. Ficou olhando para o objeto e esperando que ela falasse de volta, ou algo do tipo. – Que droga, você bem que poderia ser como o Herbie. Mover os faróis ou algo do tipo. – Resmungou solitário e teve a decência de pegar uma toalha e cobrir os ‘olhos’ de sua moto, enquanto saia com a Harley Davidson.
Antes de sair pilotando o veículo, começou a procurar no celular uma música que pudesse combinar com seu estado de ânimo, acabou colocando Livin’ on a Prayer. Bon Jovi tinha características de um verdadeiro motoqueiro, a música combinaria perfeitamente com o que estava fazendo.
Começou a pilotar, o barulho fazendo seu corpo estremecer. Sabia que era perigoso dirigir ouvindo música, especialmente em um veículo de duas rodas. Mas, o que de perigoso poderia ter nas estradas em Beacon Hills?
Teve que parar uma ou outra vez para mudar a música e ver no mapa que o velho do ferro-velho lhe dera. Como não encontrava a tal entrada que ele havia lhe dito, entrou com a moto entre as árvores. As raízes das árvores faziam seu corpo tremer e perder o equilíbrio. Parava novamente e olhava no celular, tinha que seguir em uma direção até onde supostamente estavam as casas.
“Vire a direita”, disse a voz feminina do GPS.
— Como diabos vou virar à direita sua maluca – Disse alto, enquanto dirigia lentamente. Olhava ao redor e apenas o farol iluminava o caminho a frente.
Pouco a pouco a aventura e ação ia se transformando em medo. Até que finalmente o pior aconteceu. O sinal do celular caiu e a moto afogou. Uma moto de não sabe quantos mil dólares afogara! É claro, ele era um péssimo motorista para uma moto de milhares de dólares.
— Vamos lá, liga. Droga, droga. – Falava consigo mesmo, olhou ao redor ao ter pensado ouvir algum barulho. – São só esquilos – Falou para si mesmo enquanto empurrava o pedal da moto, vendo ela dar partidas e o farol piscar em meio ao breu que se formava pela densidade da floresta.
Quando pisou mais uma vez com força, o farol ligou e, um enorme. Tipo. Muito grande mesmo, lobo estava à sua frente. Era cinzento e com manchas por todo o corpo.
— AHHHHHHHHHHHHHHH! – Poderia colocar mais ‘H’ para representar o grito que Stiles dera, mas o rapaz logo pisara na embreagem, primeira. E o acelerador cantara a moto, fazendo ele ir para cima do lobo que, atônico, apenas desviou-se do caminho da moto.
Podia-se ver o farol ir iluminando o caminho, desviando-se de árvores em uma velocidade incrível. Stiles não sabia o que era, se era a adrenalina ou o que diabos era. Mas sentia-se por um segundo o melhor motorista do mundo ao estar dirigindo com tamanha velocidade entre árvores. É claro que a sorte apenas durava um pouco. Havia um barranco, a moto voou alguns segundos até a gravidade lhe puxar, o corpo ficou mas o veículo foi rodando, rodando, até que parou.
O breu novamente encheu tudo. Não queria nem imaginar como estava a moto, o corpo doía muito. Muito mesmo, o celular nem ao menos sabia onde estava. Apenas ficou sentadinho ali, querendo chorar ou gritar. Mas, até adiantaria por alguns minutos fazê-lo, mas logo teria que parar de chorar e gritar e fazer algo, então apenas pulou esse drama e se levantou. Não era lua cheia, nada estava iluminado.
— Malditos hormônios adolescentes – Resmungou, sem saber o por quê diabos pensara ser um plano decente. – Ok Scott, você está morto. Desculpa amigo. – Falou consigo mesmo, enquanto, de quatro, tateava o chão em busca do celular.
Os dedos tocaram o chão até que encontraram.
Um pé.
Ou melhor, um tênis, um sapato, sabe-se lá o quê.
O pé tinha um corpo, Stiles lentamente foi roçando os dedos por uma panturrilha. Ouviu um barulhinho, era seu celular, uma notificação, a tela se acendeu e iluminou mais o corpo e o rosto do qual aquele pé que havia encontrado pertencia.
Derek Hale.
— Pensei que você fosse jovem demais para morrer. – Disse a voz, parecia. No mínimo, muito, muito nervoso.
— E eu sou, totalmente novo – Stiles respondeu, indo para trás até se encostar em um tronco.
Ouviu um barulho, ele se movia, com seu celular novamente apagado e lhe cegando. A única forma de escapar era se tivesse seu celular. Céus, morreria naquela noite. Se tivesse muita sorte poderia escapar. Se gritasse, mas não se rebaixaria a isso.
“Vou morrer com alguma dignidade”, pensou.
Ouviu um barulho de algo sendo pisado, Derek dava partida na moto. A mesma acendeu a luz de forma forte. Iluminou a si, em seus olhos e não conseguia ver nada além da moto. Logo o corpo de Derek se formou como uma silhueta.
— Vem – Ele disse apenas.
— Onde está meu amigo? – Perguntou Stiles.
— Quê? Sem tempo para isso, vem.
Falava de forma seca e ríspida. Stiles não queria ir com ninguém, queria Scott a salva comigo.
— O que você fez com meu amigo? Eu só vou quando ele aparecer.
— Você não está em posição de discutir, vem. – Derek foi em direção à Stiles, mas o rapaz tirou o canivete do bolso. – O que é isso?
— É um canivete, muito afiado – E apertou o botão. O canivete não abriu, ou melhor, abriu apenas metade, ficando emperrado pela ferrugem, e Stiles teve que puxar a lamina para terminar de abri-la – Um minuto – Disse, enquanto fazia isso – Pronto! É um canivete... Enferrujado, você vai se envenenar com ferrugem se vier pra cima!
Derek sorriu, Stiles não conseguia ver, mas Derek sorria divertidamente, mas logo abanou a cabeça. Se aproximou do garoto e com um movimento lhe desarmou, Stiles iria gritar, mas novamente não iria se rebaixar a isso.
— Se você não vier comigo – Disse Derek, muito seriamente ao outro – Eu vou lhe rasgar o pescoço. Com meus dentes.
Stiles apenas ficou calado, enquanto foi puxado até a moto, agora que a luz não estava mais em seus olhos podia observar fracamente a figura do outro.
— Rápido, se os outros chegarem você vai estar encrencado.
O coração do garoto pulsava rápido, pensava em sair correndo. Mas sabia que não iria muito longe.
Subiu na moto e segurou-se no apoio traseiro. Não iria abraçar aquele cara. Que nem mesmo conhecia. Mas logo a moto arrancou de forma brusca demais e o corpo foi projetado para frente, com medo de cair acabou avançando para frente e agarrando a barriga daquele cara. Ouviu um pequeno rosnado, mas logo o rosnado sumiu e começou a dirigir.
Estavam a uma velocidade alucinante, entre as árvores o cara passava dos cem por hora, o que era insano. E Stiles pensava seriamente se ele queria lhe assustar, ou algo do tipo. Fechou os olhos e apenas queria que passasse tudo rápido, queria que o desfecho disso se passasse.
Até que finalmente saíram da floresta. Estavam na pedreira, quantos quilômetros haviam se afastado de Beacon Hills? Trinta? Sabia que aquela pedreira era muito longe de sua casa. Estava fodido, no sentido mais terrível da palavra.
Derek pilotou a moto até subir a pedreira e estarem no topo, onde a floresta poderia ser vista se estivesse de dia, e apenas a projeção das pequenas cidades se viam longínquas, como milhões de vagalumes. A lua era minguante, de forma que havia apenas uma pequena parcela de luminosidade a os iluminar.
— Você destruiu minha moto – Disse Derek, de forma ríspida.
— Você destruiu minha sala, invadiu minha casa...
— Seu amigo estava muito mal.
— Eu estava cuidando dele!
— Nenhum remédio de vocês fará efeito.
— Desculpa por sua moto, ela é bem bacana... Eu vi um lobo e me assustei. Eu iria levar ela na sua casa, e trocar pelo meu amigo. Ele está bem?
— O bastardo está bem – Disse Derek, sem se lembrar que o garoto não sabia nada do que estava acontecendo.
— Ei, bastardo?! Você nem conhece os pais dele para chama-lo de bastardo, seu idiota!
Stiles se afastou mais do outro. Derek estava de pé, encostado na moto. Passava os dedos, estava amassada, a pintura estava descascada. Voltou a atenção para o humano. Seu humano. O garoto não parava de se mover e falar, Derek só murmurava e observava a figura.
— Qual seu nome? – Perguntou o lobo, enquanto Stiles não parava de falar.
— É... É Stiles. Stilinski, filho do xerife. E ele está me procurando agora!
O humano não parava definitivamente de se mover, ia para lá e para cá, Derek o observava.
— Ei! – Falou nervoso Derek, e Stiles parou, olhando para a figura na moto, que despojado lhe observava.
— O que?!
— Fique parado.
— Por que diabos quer que eu fique parado?! – Retorquiu Stilinski.
— Estou te olhando. A lua está fraca.
Stiles ficou com as bochechas aquecidas. O que diabos aquele cara estava falando. ‘que estava lhe olhando’.
Derek tinha todos os sentidos mais apurados próximos do rapaz. Seu lado lobo estava fervoroso, seu lado humano estava mais ágil, mais forte. Era o efeito que sua outra metade lhe causava. Levantou-se e o outro deu um passo para trás. O maior apenas ficou fitando Stiles. A lua estava fraca, mas o conseguia sentir, que era muito melhor do que o ver.
Sempre o via pela janela, mas o sentir era especial. O maior se aproximou mais, Stiles estava com medo, a todo instante pensava que ele lhe mataria ou algo do tipo. Isso estava muito estranho para sua vã consciência entender. Derek tocou o seu rosto, os dedos dele eram ásperos.
— O que diab...
— Fica quieto, você fala demais – Disse de forma ríspida Derek. Por alguma razão Stiles se sentiu compelido a ficar calado.
Derek gostava disso, era um alpha, gostava de controlar. Gostava de saber que ele era o seu beta, seu obediente beta.
— Você está maluco?! – Stiles bateu na mão de Derek. – Ainda por cima me mandando ficar quieto! Cara, eu quero meu amigo, eu te pago sua droga de moto.
O lobo sentiu-se compelido a mordê-lo. Sua desobediência... Era quase erótica. Ali perto de si, queria roçar o nariz em sua pele e sentir seu cheiro. Lambê-lo lentamente. Despi-lo... Quem sabe. Não necessariamente precisava. Mas queria.
— Seu amigo não é mais o que você pensava ser – Disse Derek, começando a tirar a camiseta.
— O... O que diabos v-você...?!
— Seu amigo é o que eu sou agora. Alguém fez isso com ele. E você logo vai aprender a conviver com isso.
Derek se afastou alguns passos de Stiles. Precisava mostrar-lhe. Precisava mostrar o quão grande e perigoso era. Precisava impressioná-lo. E mostrar que não precisava ter medo.
O homem então desabotoou as calças.
— Você quer me estuprar?! – Perguntou Stiles horrorizado – Cara... Eu sou muito magrelo... Sem lugar para apalpar, sério.
— Eu não vou lhe estuprar – Respondeu Derek, agora quase com humor.
“Não ainda”, pensou, em uma risada interna, enquanto terminou de abaixar a roupa íntima e ficar completamente nu. A noite ocultava sua nudez, mas o prisma em seu pescoço pulsava de uma forma que nunca fizera antes e tão logo virara o lobo.
Um lobo enorme e negro.
Stiles gritou, olhando ao redor, para onde correr. Se havia algum pau ou algo do tipo para bater naquela besta que havia se transformado na sua frente. Será que ele lhe comeria? Era enorme, um lobo gigantesco, maior inclusive do que aquele que vira na floresta.
Derek se aproximou, o garoto não desmaiara, o que já era, ao menos, um começo. Se aproximara mais e ele parecia estar estático. O lobo não lhe deu muito tempo para pensar, com o focinho quente cheirou sua mão. Stiles tremia, o lobo lambeu sua mão. A mão tremia mas acariciou o rosto, o focinho.
O mais velho precisava mostrar-se...
Queria rosnar diante daquele pensamento. Mas não rosnou, não podia assustar o outro.
Precisava mostrar-se... Carinhoso. Isso. Precisava ser... “Mortalmente carinhoso”. Derek lhe levou o focinho quente até a barriga do garoto, lhe lambendo ali, ouvindo risadas divertidas.
— Eu não... Esperava isso... – Começou a rir, rir para não chorar. Estava apavorado, mas uma parte de si estava simplesmente apaixonada pelo que acontecia. Pensava estar sonhando, no mínimo. Era muita loucura.
Sentiu um empurrão do focinho do lobo, e acabou caindo para trás. A criatura veio para cima de si, sentia que iria ser devorado, mas o lobo apenas ficou lhe fitando com os olhos inteligentes que tinha.
Sim, não era como olhar para um animal. Aqueles grandes olhos cinza-azulados lhe fitavam de forma compenetrante. Parecia poder sentir o olhar daquele homem sobre si, mesmo que de forma animal. Não sabia o que sentia, voltava a sentir todos os aromas que outrora, aquele dia na boate, sentira. A grama nascendo, o cheiro do orvalho em uma manhã úmida. Podia ouvir o som da floresta, o roçar das folhas das árvores. Tudo.
Era um sentimento de calmaria extrema. Algo que passava esse mundo e sentia-se a milhares de anos atrás, quando seres humanos se amavam completamente por algo muito mais forte que o amor. Era algo intrínseco, não um amor a primeira vista de um romance qualquer. Muito mais do que isso. Era algo animalesco que preenchia cada lacuna da sua existência.
Aqueles olhos.
Sentiu o lobo lhe acarinhar com a língua áspera, úmida e quente.
— Eca... – Murmurou Stilinski, mas sem se importar muito. Era cálido, amoroso. Não sentia-se com medo mais. Como dissera, havia sempre um tempo para chorar e surtar, mas preferia muito mais evitar esse momento e se concentrar no que era realmente importante.
Os pelos foram sumindo como se evaporassem, entrassem para dentro, era uma transformação estranha. O focinho entrava para dentro e uma névoa moldava magicamente o rosto forte do homem que outrora fora lobo. Não sabia o que estava acontecendo. Precisava saber e sabia que tinha algo a ver consigo.
A lua não era cheia, o que poderia ter deixado tudo mais perfeito. Mas, sob a lua minguante conversaram em um silêncio quase que melancólico.
— Você está com medo? – Perguntou a criatura.
— Não. – Respondeu a presa.
— Ótimo.
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