Big Lies
30 Você?
Notas iniciais
CAPÍTULO 30
Você?
— Magali? — eu dei um pequeno pulo da cama e meu corpo doeu
— Magali, eu já disse que não vai fazer bem a ela discutir com você agora — o Cebola entrou logo atrás dela
— Não vai fazer bem pra ela? E você acha que fez bem pra mim saber de toda essa palhaçada por meio do blog imbecil da Denise e cartazes espalhados pela universidade? — eu nunca tinha visto a Magali nervosa desse jeito com alguém, ser sem o Nimbus — Não tente me impedir, Cebola! Já basta a mentira que eu tive que contar pro Nimbus pra consegui vir até aqui, então eu só vou dizer pra você mais uma vez: me deixe a sós com ela — Nimbus? Mas ele não estava na França? E por que ela estaria se importando com o que ele pensaria? Minha cabeça girava...
— N...
— Tudo bem, Cê — eu o interrompi — Pode deixar, eu vou falar com ela
— Certo, mas se precisar de alguma coisa é só gritar — dei a ele um sorriso cúmplice e ele se virou saindo do quarto
— Merda, o Nimbus tá me mandando mensagem — Eu fui transportada pra um mundo paralelo durante essa semana?
— Você e o Nimbus se acertaram?
— Sim — ela deu um sorriso sincero — A gente tá meio que junto. Eu acho
— Uooou Maga!! Isso é incrível — eu ameacei dar um abraço nela, mas logo me contive
— Olha só pra mim... Vim aqui te falar um monte e já tô toda animada querendo contar tudo que aconteceu — pude ver tristeza passando pelo seu rosto
— Eu sei que é confuso
— Não é só confuso... É triste, revoltante e bizarro — ela fez uma longa pausa — Se eu estou me sentindo assim imagine o DC — a menção ao nome dele fez meu peito apertar
— Eu não sei o que falar...
— Talvez você pudesse me explicar essa história de você ser uma vadia psicopata na adolescência — eu fiquei calada não sabia nem por onde começar, jamais imaginaria que a Magali fosse aparecer aqui — Mônica, se você algum dia já se importou com alguma das pessoas que entrou na sua vida desde que você chegou nessa cidade é melhor você começar a falar
— É claro que eu me importo MUITO com cada um de vocês, eu só não sei por onde começar, não imaginei que você fosse aparecer aqui
— Que tal pelo começo?
— Tudo bem
Passei horas contando tudo que havia acontecido desde antes dos acontecimentos retratados na matéria até o fatídico dia do acidente e depois disso. Contei sobre a grande motivadora de todos esses problemas e o tempo todo eu não sabia se a Magali estava ou não acreditando em mim, afinal ela não me interrompeu em nenhum momento.
— Bom isso é tudo — falei ao terminar toda a história.
— Eu não sei nem o que te dizer — uma Magali chocada se encontrava na minha frente — Isso é mais louco do que eu podia imaginar. Mas fico feliz que a maioria das coisas estão longe da verdade, porém tem outras que também não são mentiras.
— Magali, eu sei que é difícil de acreditar, mas eu não sou mais aquela pessoa. Eu juro! Eu sou realmente aquilo que você conheceu. Eu... — Magali me interrompeu com um abraço
— Eu acredito em você! Eu fiquei com tanta raiva Mô, mas foi mais por você não ter confiado em mim o suficiente pra me contar seu passado — ela chorava enquanto me prendia em um abraço forte
— Desculpa Maga, você é a melhor amiga que eu já tive na minha vida e eu tinha tanta vergonha de quem eu fui e tanto medo de que não fossem me aceitar. Eu sei que eu não devia ter mentido sobre a minha condição financeira, mas eu não sabia como começar de novo
— Eu ainda tô com raiva, mas a merda é que você também é a melhor amiga que eu já tive e eu me sinto tão imbecil em não conseguir te odiar.
— Você não devia, você tem um dos corações mais puros que eu já tive a honra de conviver
— Se você quis dizer que eu sou muito trouxa, tudo bem, pq é verdade – ela sorriu me soltando — Desculpa por ter demorado tanto pra vir aqui... Eu só tava tentando organizar as coisas na minha cabeça. Muita coisa aconteceu em uma semana.
— Tudo bem, Maga. Você não tem com o que se desculpar
— Eu tenho tanta coisa pra te contar sobre mim e o Nimbus. Sobre como ele simplesmente apareceu na minha porta depois de horas de viagem e me pegou no colo e me fez a mulher mais feliz do mundo só de estar lá – ela sorria e corava e sorria de novo
— Vocês finalmente se acertaram?
— Eu acho que sim, não é nada oficial e tudo mais, mas eu estou feliz
— Bom, se um cara aparecesse na minha porta depois de pegar um avião e recusar uma proposta milionária eu, com certeza, diria que é oficial.
— É, eu sei... Mas é que a gente ainda não... Você sabe... A gente ainda não tcheco tcheco— Magali fazia movimentos engraçados com a mão enquanto sua cara ficava mais vermelha que a de um tomate e eu logo entendi que ela estava falando de sexo.
— Maga, você pode falar a palavra transar comigo
— É que bom... Eu ainda não sou muito acostumada com uma vida sexual ativa – ela sorriu – Eu tenho medo que ele tenha perdido o você sabe...
— Tesão?
— É – ela corou de novo
— Com certeza não, olha pra você! Eu só acho que ele fica nervoso porque a primeira vez de vocês foi uma confusão e você não quis falar com ele depois, então ele deve achar que você não gostou muito e não tá sabendo lidar com isso ainda.
— Mas eu AMEI! Os deuses do sexo devem me odiar – eu dei um pequena risadinha voltando a me deitar – Até quando você pretende ficar colada nessa cama?
— Não sei... Até eu e ela virarmos o mesmo objeto me parece ótimo
— Mônica, você tem que voltar a ir pra faculdade, voltar a viver
— Não, não quero, eu vou trancar o semestre e voltar a morar com minha mãe no Brasil
— Com essa atitude você só confirma tudo pra todos
— Eu não ligo pra opinião deles
— Mônica, é a faculdade e não o ensino médio, já já alguém faz uma merda nova e todos esquecem do seu boato
— Todos menos ele – a Magali continuou calada – Como ele está? – eu sabia que não devia perguntar, mas a minha curiosidade foi maior que o medo
— Um lixo – ela respondeu – De festa, em festa... Bebendo e usando sabe-se lá o que. Todo dia o Nimbus tem que ir buscar ele num lugar diferente o que cansa os dois – todos os pedaços do meu coração que haviam se juntado um pouco se quebraram de novo
— É tudo culpa minha... Ele pelo menos está indo pras aulas?
— Bom, ele frequenta o campus, mas se ele vai pras aulas é um grande mistério – o telefone da Maga vibrou – É o Nimbus, eu tenho que ir, marquei com ele daqui alguns minutos para almoçarmos juntos.
— Ele me odeia? — Magali fez cara de quem não entendeu — O Nimbus...
— Você não pode culpar o Nimbus se ele odiar... Acho que grande parte da raiva dele é pelo Dc, ele não suporta ver o irmão sofrendo e ele se sentiu traído também, afinal ele te tratava como uma irmã – meu coração ficou do tamanho de um grão de ervilha – Dê tempo a ele, nós vamos conversar e eu vou tentar amolecer aquele coraçãozinho, mas por enquanto acho melhor ele não saber que nós estamos nos falando e pense sobre ir pra faculdade – Maga me deu um abraço antes de sair do quarto
Eu fiz a vida das pessoas que eu mais amava um inferno. Eu devia sumir daquela cidade pra sempre, deixar eles reconstruírem tudo que haviam perdido sem a interferência de alguém que só carrega desgraça por onde passa. Eu não sabia o que fazer... Ficar e ser julgada ou fugir como uma covarde?
Fale com o autor