Big Lies

31 Dor Pt. 2


Notas iniciais
E aaai leitores queridos? Como vocês estão? Hoje quero começar esse capítulo de uma maneira diferente... Gostaria de agradecer a todos os leitores que continuam acompanhando, comentando e me dando forças pra continuar essa história. Eu mudei muito desde que comecei a escrever Big Lies, e por mais que ela tenha passado por diversos hiatos o meu compromisso em terminá-la sempre foi algo que levei comigo, afinal sei bem como é ser um leitor de uma história que nunca terminou. Talvez vocês pensem que a função mais importante nessa história é meu, porque sou quem escrevo, mas é ai que vocês se enganam, vocês escrevem junto comigo cada vez que comentam, favoritam, acompanham e recomendam. Enfim, obrigada por estar aqui depois de todo esse tempo ♥ Se você ainda acompanha minha história, deixa um comentário pelo menos dizendo que ainda tá aqui e que ainda curte essa loucura toda entre o Dc, Mônica, Maga e Nimbus! Ultimamente tá sendo meio desanimador postar, porque o feedback é pequeno apesar do número de visualizações. Eu gostei demais de escrever esse capítulo, porque adoro quando as histórias contam com o ponto de vista masculino. Então, vamos lá! Espero que gostem ♥

CAPÍTULO 31

Dor – Parte II

P.O.V DC

Uma semana...

De dor, pura dor...

Todos os dias desde o dia que eu descobri a verdade, eu repassava todos os nossos diálogos e lembrava de todas as vezes as quais ela disse que iria me magoar. Aquilo parecia tão impossível... Como um ser tão lindo e amável poderia magoar uma monte de nada como eu?

Mas, agora, eu entendo que pelo menos quanto a isso ela estava sendo sincera. Lembrar que ela me avisou não fazia a dor no meu peito parar, muito pelo contrário, cada dia que eu passava sem ela, era pior.

No momento, eu estava na minha casa, depois de uma noite selvagem de bebedeira, pra ver se eu tinha uma amnésia e conseguia esquecer toda essa merda que minha vida se tornou. Minha cabeça girava e eu tinha um gosto amargo na boca. Já tinha amanhecido, porém os rastros do álcool continuavam no meu corpo. Faziam algumas horas que eu estava deitado no sofá e o lustre da sala parecia girar. Peguei uma almofada para colocar na minha cabeça, mas logo me arrependi. O pedaço de pano e espumas tinha o cheiro dela o que me fez desejar ter bebido mais. Bebido ao ponto de não conseguir sentir seu cheiro, ou saudades dela ou até mesmo lembrar que um dia ela existiu e que me fez a porra do cara mais feliz que já pisou na merda desse planeta.

Essa casa parecia um maldito mausoléu e o quarto dela, abandonado, um santuário onde eu acabava terminando todas as minhas noites fazendo uma prece para acordar dessa merda de sonho ruim, para tê-la de volta, para ter meu coração restaurado. Queria nunca ter aberto aquela pasta, as vezes me pego pensando que viver uma mentira teria sido muito melhor. Nesse momento eu poderia estar acordando sentindo o cheiro de seu cabelo macio de baixo do meu nariz e então eu iria agarrá-la para que ela sentisse o volume na minha calça e ficasse corada.

O cheiro dela...

Essa merda de almofada no sofá não era mais o suficiente, eu queria mais da minha droga, eu era um viciado.

Fiz menção de levantar do sofá, mas eu não conseguia, meu corpo ainda sofria com os efeitos da quantidade excessiva de bebida ingerida durante tantos dias.

— Eu tinha me esquecido de que não há nada de normal para comer nessa casa — a Denise voltou para sala tagarelando.

Eu já havia até esquecido que deixei ela passar a noite aqui, mas na sala é claro, não queria seu cheiro enjoativo contaminando o espaço abençoado com o cheiro mais gostoso do mundo.

Olhei para a almofada na minha mão mais uma vez e logo me arrependi. A Denise iria apagar o cheiro da M... Dela de um ambiente e eu ficaria puto com isso

— Planeta Terra chamando Maurício — ela falou estralando os dedos na minha frente

O único motivo de deixar a Denise andar ao meu redor como um carrapato era que ela falava demais e isso ocupava a minha mente com alguma coisa que não fosse a garota que partiu meu coração em tantos pedaços que agora só restava um buraco em meu peito.

— Eu já falei que pra você é Do Contra — eu rosnei pra ela
– Deixa de ser agressivo... Aposto que com a Mônica você era bem mais carinhoso — a menção ao nome dela fez meu estômago revirar e eu quase vomitei tudol no tapete caro comprado pelo Nimbus
– Denise, eu só vou dizer uma vez, porque eu odeio ser grosseiro com qualquer mulher mesmo ela sendo você. Cala a boca! — meu sangue ferveu e eu aumentei o tom da minha voz um pouco, sua provocação estava se tornando tão irritante!
– O que foi? Não posso falar o nome dela?
– Não, não pode! Não com esse veneno escorrendo por essas suas presas de cobra! — apertei meus lábios com força — Não pensa que eu esqueci sobre o blog e os panfletos. Você é a maior sem noção dessa faculdade e dê o fora da minha casa — agora que eu tinha lembrado o que a Denise fez à M... A ela eu sentia nojo de mim, eu não devia ter aceitado nem sequer ficar 5 metros perto da Denise, mas eu estava com tanto ódio que não raciocinei
– Eu já te disse, os panfletos não foram coisa minha e eu não podia perder um furo de reportagem daquele — uma cara angelical brotou em seu rosto e me fez ficar com nojo
– Eu já disse, dê o fora! Já basta da sua desculpa estúpida de que não consegue dirigir porque está bêbada. Arrume esses pompons ruivos e dê o fora do meu apartamento

A serventia da Denise tinha chegado ao fim, na verdade nunca nem devia ter começado. Ela estava me irritando e eu não suportava escutar o nome da M... Dela sair da sua boca, eu podia estar muito puto, mas nunca deixaria alguém falar mal da M... Merda, daquela mentirosa na minha frente.

— Você tem certeza? — Denise começou a desabotoar os primeiros botões da sua camisa transparente — Ontem a noite a gente quase conseguiu começar a se divertir — a lembrança da noite passada fez meu estômago revirar e eu tinha certeza que iria vomitar a qualquer momento.
– Denise, você não vai mesmo continuar com isso né? Ou você quer que de novo eu chame o nome dela? Ou imagine que são os seios dela por de baixo dessa camisa? — eu reagi rápido sendo tão venenoso quanto ela, mas eu não estava mentindo.

Só a imaginação dela usando a camisa começava a me deixar excitado.

— Você quase chegou a ficar duro ontem — Denise falou me tirando dos meus pensamentos pervertidos e me irritando ainda mais
– É verdade, mas foi na hora que eu enxerguei ela em você

Eu estava bêbado demais ontem. A Denise disse que também estava e que não conseguiria voltar pra casa dirigindo. Eu sabia que era mentira, porque ela só bebeu uma lata de cerveja, mas deixei ela passar a noite no sofá da sala, porém logo me arrependi da minha ingenuidade quando ela começou a investir. Ela tirou sua roupa e se colocou por cima de mim. Eu sabia que aquilo era errado. Tentei empurra-la e falar alguma coisa, mas eu tinha bebido tanto e usado umas coisinhas a mais que eu não comandava meu corpo e minha fala saia embolada. Ela continuava suas investidas apesar de minhas viradas de rosto toda vez que ela tentava me beijar. Vendo-me relutar ela partiu pro meu pau e o apertou por cima do jeans preto e grosso. Porém, "life is a bitch", e não importava o quanto ela tenta-se o meu amiguinho lá em baixo simplesmente parecia ter entrado de luto. Eu estava sendo assediado e não conseguia nem me defender, eu era tão patético. Então resolvi abrir os olhos e foi ai que tudo melhorou. Pude ver os cabelos pretos, o quadril largo, as pernas grossas e os dentes um pouco salientes, era a minha baixinha, tão linda que fez o meu amigo lá em baixo latejar, mas logo ele morreu de novo quando eu pisquei forte e a imagem da Denise voltou. Depois disso eu tenho certeza que adormeci, porque nos meus sonhos eu encontrei a baixinha que tanto desejava e pelo menos lá, eu pude ter ela em meus braços, sem mentiras.

— O que você disse? — ela me tirou novamente dos meus pensamentos e parecia mais irritada ainda
– A verdade, me desculpe — fui sincero — Naquele breve momento eu vi ela ao invés de você
– VAI SE FUDER, DO CONTRA! — Denise saiu como um furacão pegando seus sapatos e bolsa. Ela levantou o dedo do meio antes de bater a porta de saída e me deixar sozinho e um alívio percorreu meu corpo

Eu sei que tinha sido um babaca com a Denise e que garota nenhuma merecia isso, mas eu só andava no piloto automático desde a descoberta de toda a merda por trás do quase amor da minha vida.

Olhei pra sala mais uma vez lembrando de novo de como a presença dela enchia todo o espaço. No meu quarto ela ainda parecia tão real e por isso eu não deixava ninguém entrar lá. Quando eu dormia eu quase conseguia sentir meus braços ao redor dela e o cheiro do seu cabelo macio. Fiquei ereto novamente só com essa lembrança e apertei uma das almofadas do sofá fingindo ser a garota que nunca existiu.

— Eu trouxe café – Nimbus chegou me assustando e eu logo cobri minha ereção com a almofada — Essas almofadas precisam ser lavadas — ele falou sentando-se no braço do sofá
– NÃO! — eu praticamente gritei
– Ei... Tudo bem, não precisa rosnar — uma longa pausa se deu — Pensei que a ruiva irritante não ia embora.
– Eu também – dei um sorriso fraco
– Você sabe que bebidas e outras mulheres não vão te fazer melhor né? — o Nimbus e a sua maldita vocação pra dar lição de moral já estavam de volta
– Você nao tem mais nada pra fazer? Achei que você tava ocupado demais se divertindo com a Magali pra encher meu saco
– Já disse pra você não falar da Magali como diversão! — seu tom de voz aumentou — Repita mais uma frase do tipo e além de bêbado e estúpido você vai ser sem teto!
– Aquelas malditas mulheres fizeram a merda de uma lavagem cerebral na nossa cabeça — eu ri, mas de desespero
– Você ainda está bêbado né?
– Com certeza
– Posso te perguntar uma coisa?
– Você não vai me dizer que é gay né? Porque isso eu já sabia a muito tempo e eu aceito você do jeito que é — dei outra risada sem humor
– Do Contra, vai tomar no cu — ele passou a mão pelos cabelos longos em sinal de nervosismo — É que bom... Eu não tô conseguindo... Você sabe... Fazer... Aquilo... Aquela coisa... Sexo com a Magali – se eu tivesse em minhas condições normais eu provavelmente iria rir do embaraço do Nimbus para falar sobre sexo comigo, afinal isso nunca foi um tema que tivemos problemas para conversar
– Como? Com todo respeito ela é uma gata, então qual o seu problema? – falei tentando parecer compreensivo
– Não é que eu não tenha tesão nela, ela me deixa duro como uma pedra! Mas eu tenho medo
– Medo de que?
– De que ela não goste ou sinta dor ou sei lá. Você sabe que ela era virgem e eu não sabia então não fui o cara mais carinhoso do mundo.

— Mas ela tá com você não tá? Então no mínimo ela gostou

— É que...

— É que o que? – eu o interrompi — A Magali é uma mulher como todas as outras – sua cara se fechou – Não, não... Eu não quero dizer nesse sentido. Eu tô falando que ela não é uma boneca de porcelana, ela quer ser amada, tocada e sentida. Você tá colocando mais importância na virgindade dela do que a própria, como é típico dos homens.

— Não, eu não ligo pra virgindade! É que eu não sei como agir com ela, ela é muito importante e eu tenho medo de estragar tudo.

— Então você prefere estragar tudo por medo de viver? Porque se você não fizer, um dia ou outro, um cara vai chegar lá e fazer.

— Cala a boca, Do Contra – ele fez uma cara de nojo

— Eu to falando a verdade – tentei me sentar no sofá, mas foi mais uma tentativa falha – A primeira vez dela não teve flores e músicas, mas e dai? Isso não quer dizer que não foi especial... Se você gosta mesmo dela, vocês vão ter o resto da vida pra terem noites românticas e também noites de puro sexo e tesão – fiz uma longa pausa para tomar coragem – Se eu soubesse que meu tempo com a M... Com ela, com a mentirosa, seria tão curto eu teria aproveitado cada minuto de romance, de tesão, de brigas, de tudo... Só para cultivar mais sofrimento no meu maldito peito, mas eu não ligo, naquele momento eu era o cara mais feliz do mundo e foda-se. – Nimbus ficou por um tempo calado apenas absorvendo o que eu havia dito

— Obrigado, mano! – ele me deu um sorriso sincero – Queria te abraçar, mas você tá com um cheiro de cachaça desgraçado – eu ri sinceramente pela primeira vez em muitos dias – Desculpa, você tá ai todo... Sei lá e eu aqui te pedindo conselho.

— Vai se fuder – falei quebrando o clima melancólico – Você é meu irmão, toda hora é hora de conversar comigo.

— Você devia tentar pelo menos conversar com ela – ele soltou do nada – Você não tá se saindo muito bem longe dela, você nem consegue falar o nome dela. Fingir que ela nunca existiu não me parece a melhor solução

Eu odiava o jeito que o Nimbus sempre estava tão certo. Realmente fingir que ela nunca existiu não me deixava melhor, porque era impossível esquecer a felicidade quase constante que circundava essa casa quando ela estava aqui. Entretanto, pra mim era só dar tempo ao tempo e seria como se ela nunca tivesse existido.

— Inferno... Achei que você também tivesse ódio dela

— Ódio é uma palavra muito forte. Não gosto do que ela fez com você, comigo e com a Magali. Me sinto traído, porque considerava ela uma irmã mais nova – ele respirou fundo ponderando o que falaria a seguir – Mas odeio mais ainda te ver perdido e se o único modo de você voltar ao normal for estando com ela ou sei lá conversando com ela, eu não tô nem ai se ela é o que é. Eu só quero te ver bem e feliz, porque você é uma das pessoas que eu mais amo no mundo.

Eu e o Nimbus sempre tivemos certeza do sentimento que ambos tínhamos um pelo outro. Mas era difícil que a gente externasse isso com palavras. Aquilo quebrou a última barreira que eu havia construído ao redor dos meu sentimentos e eu simplesmente desabei chorando.

— Caralho – falei entre soluços – Tá foda, Nimbus... A dor ela não para, é constante e eu continuo me apegando as migalhas que ela deixou. Eu continuo indo na merda daquele campus com a esperança de ver ela, pelo menos de longe, mas ao mesmo tempo eu to com tanto ódio e magoa dela que eu não quero vê-la nunca mais – minhas lágrimas ficaram mais espessas e eu não conseguia nem ver a reação do Nimbus ao meu escândalo

— Vai ficar tudo bem, irmão... Vai passar – o Nimbus me levantou do sofá e me deu um braço fraternal – Você é forte, o cara mais forte que eu conheço.

Um forte aperto se instalou no meu peito e o meu estômago embrulhou me fazendo vomitar no chão da sala ainda abraçado com o Nimbus. Eu parecia tão patético e por isso esperei meu irmão me dar uma bronca por ter melado a merda do chão. Mas, ao invés disso, ele simplesmente me soltou e voltou minutos depois com produtos de limpeza e dois baldes. Me deu um deles e eu continuei vomitando enquanto ele limpava a bagunça que eu fiz. Era assim desde mais novos, o Nimbus sempre me consolava e arrumava a merda que eu tinha deixado pra trás.

— Vomitar não vai te fazer expelir o que você sente por ela, mas vai fazer você melhorar – o Nimbus falou, enquanto se sentava do meu lado e me dava uma toalha.

O resto do dia passou assim. Eu vomitando e o Nimbus tomando conta de mim. Apesar da minha vida estar uma bagunça total, eu ainda podia ter uma certeza na vida: meu irmão sempre estaria lá comigo.

Notas finais
Capítulo pesado né? O Dc tem tantos sentimentos dentro dele, ele é tão complexo, por isso eu amo qualquer história que envolva ele. E ai? Gostou do capítulo? O que você acha que vai acontecer daqui pra frente? Leia as notas iniciais xD Faça uma autora feliz, deixe um comentário *-* Ps: eu tive alguns problemas de novo passando do word pro Nyah! e talvez alguns travessões ficaram esquisitos, mas não é culpa minha... Eu já tentei ajeitar e não consigo :(