Big Lies
24 Família Pt.2
Notas iniciais
P.O.V MAGALI
Depois da pequena confusão entre o Dc e o pai dele, todos nós permanecemos na sala de jantar e dona Keiko foi ver quem estava na porta. Porém a pessoa que apareceu me fez ficar pálida em questão de segundos
— NIMBUS?
— MAGALI?
Fiquei paralisada, não era possível que ele estivesse aqui! Eu perguntei tantas vezes pra Mônica se ele vinha e ela me garantiu que não. Permaneci olhando para ele em estado de choque e ele igualmente.
— Oh, vocês já se conhecem? Que ótimo!! — a mãe de Nimbus me tirou do meu transe, ela realmente parecia feliz — Estou tão feliz que a família esteja reunida nesse feriado e ainda mais com amigos. Quanto tempo não via isso aqui em casa
— MEU GAROTO! — o sr. Nimbao levantou para abraçar o filho — Achei que você tinha shows programados para esse fim de semana.
— Tinha sim pai, mas é que o tempo em Paris não anda dos melhores então eu resolvi pegar um voo para casa. Não sabia que o DC e as garotas iam estar aqui — não sabia, sei...
— Ainda bem que você veio, vamos subir para o escritório, quero que você me conte como anda sua carreira
— Foi mau pai, mas eu acho que vou ficar por aqui mesmo. Eu quero aproveitar o feriado para descansar. Nada de falar de negócios
— Tudo bem então, vou subir sozinho! A empresa não para. Boa noite para todos — Nimbao deu as costas e nos deixo as sós
— E então meu querido... Como você está? — dona Keiko deu um abraço apertado no filho
— O mesmo de sempre mãe — ele sorriu, podia jurar que olhou para mim rapidamente em sinal de desconforto
— Oh céus! Só temos um problema... Eu acabei colocando a Magali para dormir no seu quarto, os quartos para visitas foram dedetizados faz pouco tempo — nossos olhares se cruzaram nesse momento, mas nenhum de nós dois disse nada
— Sem problemas mãe — DC interrompeu e nos salvou — A Maga e a Mô podem ficar no meu quarto e eu durmo com o Nimbus no dele
— Tudo bem para todos? — todos concordamos com a cabeça — Venham para sala de TV, vou pedir pra sobremesa ser servida lá, aí nós podemos engordar um pouco enquanto você me conta o que o DC anda aprontando, você sabe que o seu irmão é um túmulo!
— Ah mamãe, acho que você não conhece mais o seu filho. Você não sabe o que ele anda fazendo... — Nimbus falou com um tom de voz suspeito
— Não me diga que ele andou aprontando! Do Contra, eu achei que você tivesse parado com a farra e bebida.
— Pior que isso! Ele anda fazendo clichês românticos — ele fez uma cara de desaprovação — Assumiu o namoro com a Mônica aos berros no meio do pátio da faculdade. Você acredita nisso?
— Mentira! — dona Keiko pareceu realmente chocada, mas animada ao mesmo tempo — DC! Você nem me falou isso, que lindo meu filho
— Não precisei né... O Nimbus boca aperta já me fez esse favor
— Já falei que você fica lindo estressadinho? — Nimbus falou e todos riram, menos eu
— Mamãe, acho que vou dispensar a sobremesa — DC falou — Vou subir logo e arrumar as coisas no quarto do Nimbus
— Eu vou te ajudar! — Mônica imediatamente se ofereceu
— Tudo bem então crianças. Amanhã nós nos encontramos cedo para andar de lancha no lago?
— Certo mãe — Dc deu um beijo na bochecha da mãe e subiu
— Agora que o DC subiu... Eu gostaria que você me contasse o que foi isso do pai quando eu cheguei. Você falou que ia conversar com ele mãe — quando notei que o assunto era pessoal tratei de subir, mas ainda consegui escutar parte da conversa
— Eu sei querido é que... Não é fácil pra mim
— Mas tem que ser feito! O DC é um filho tão bom quanto eu e ele está afastando-o, ele está afastando todos nós!
— Eu prometo que irei falar querido, só me dê um tempo
— Certo! Mas essa situação não pode se estender por mais tempo
P.O.V MÔNICA
Subi as escadas com pressa. Eu sabia que o Dc não estava bem e eu iria tentar conversar com ele. Entrei no quarto sem fazer barulho
— Amor? — falei me aproximando dele que estava acocorado mexendo em uma gaveta
— Oi linda — ele falou virando a cabeça e olhando pra mim — Estou apenas pegando algumas coisas para levar para o quarto do Nimbus
— Tudo bem... Será que nós podemos conversar?
— Claro que sim — ele falou se levantando e se sentando comigo na cama — Se for sobre o meu pai, me desculpa pelo jeito que ele te tratou.
— É sobre o seu pai sim — dei uma leve pausa — Acho que a gente podia conversar sobre isso ou melhor... Sobre ele. Você sempre me parece tão distante quando toco no assunto
— É que pra mim é difícil sabe Mô... Meu pai nem sempre foi assim, ele costumava ser meu herói, um marido amoroso, mas tudo mudou desde que ele assinou a empresa do meu avô, o pai da minha mãe
— Você sabe que pode dividir tudo comigo
— E é isso que eu vou fazer — ele respirou fundo
— Meu pai trabalhava como meteorologista em uma das estações de extração de petróleo no Alaska, era o melhor, mas como não trabalhava no alto poder administrativo não era reconhecido. Ele e minha mãe se conheceram em uma festa de ano novo da empresa que reunia a maioria dos funcionários de baixos até altos cargos. Como minha mãe tem feições orientais ninguém da festa desconfiou que ela era filha do chefe e meu pai se apaixonou por ela a primeira vista. Depois de alguns meses de namoro chegou a hora dela apresentar o namorado aos pais e para o choque do meu avô o namorado da sua filha era nada mais nada menos que um de seus funcionários. Meu avô foi extremamente preconceituoso e acusou meu pai de apenas estar interessado no dinheiro da família, mas apesar de tudo isso minha mãe foi firme e lutou pelo amor dos dois e eles se casaram. Logo após o casamento eles tiveram o Nimbus e um ano depois a mim e nossa família era feliz e completa, mas meu avô apesar de amar a mim e a meu irmão com toda força continuava implicando com meu pai até que ele faleceu quando eu tinha 10 anos. A empresa não tinha um administrador e começou a entrar em crise e foi ai que meu pai apesar do conselho ser contra assumiu as rédeas do negocio. Ele vivia aquilo! Parecia que ele queria mostrar pra alguém que era capaz. E então ele começou a viver na empresa, ele comia lá, dormia lá... Era uma coisa de louco! E então ele começou a se distanciar de nós e se aproximar cada vez mais da empresa e com o sucesso, ele começou a achar que todos que se aproximavam dele tinham algum interesse em seu patrimônio. E então... Ele virou isso que você tá vendo hoje
— Nossa Dc... Eu jamais poderia imaginar. Você já tentou conversar com ele? — eu afagava seus cabelos
— Não Mô e ele não escuta ninguém. Eu já perdi as esperanças
— Dc, se um dia ele já foi esse homem tão bom que você diz que ele foi um dia, eu tenho certeza que esse amor ainda está guardado nele
— Eu tenho minhas duvidas Mô — naquele momento eu só queria abraçar o Dc e não largá-lo nunca mais.
P.O.V NIMBUS
Entrei no meu quarto com cuidado, mas a Magali já não estava mais lá. Dei uma suspiro de alivio e me joguei na minha cama, porém a ideia não foi das melhores, assim que meu corpo cansado encostou-se aos lençóis o cheiro doce e familiar dela subiu e aquele cheiro só me lembrava a manhã que eu acordei desesperado procurando ela pela casa. Fechei meus olhos com força querendo esquecer aquela lembrança, aquele cheiro, aquele toque e então escutei batidas na porta
— Nimbus? — era ela, a maldita era linda sempre — Eu acho que esqueci a minha escova aqui...
— Pode ficar a vontade pra procurar — fiz minha melhor cara de irrelevância
— Obrigada — me afastei da porta e ela entrou
— Sabe... — fiz uma longa pausa, mas isso não adiantou — Esse quarto só cheira a você
— Tenho certeza que você tem outros lençóis e pode mandar mudar estes se meu cheiro te incomoda tanto — ela falou depois de um tempo
— Seu cheiro é ótimo, mas ele não me trás boas lembranças — droga Nimbus, se controla
— Por quê?
— Porque ele me lembra da sensação de como é ter tudo na sua mão e perder em questão de segundos
— Nimbus...
— Me desculpa
— Pelo o que?
— Se algum dia eu te dei motivo pra você achar que eu não te mereço, por ter sido um babaca com você na festa — ela continuava abaixada procurando algo de baixo do meu guarda-roupa — Eu não sabia... Não sabia que você nunca tinha feito aquilo... — me senti corar, eu parecia um adolescente virgem
— Você não tem que pedir desculpas por nada, eu também fui babaca naquela festa e quanto a parada de ser virgem, pode ficar tranquilo, tudo aquilo foi ótimo pra mim, você não decepcionou.
— Então porque você foi embora?
— Porque não daria certo Nimbus, porque eu e você... Eu sou a caça e você o predador e eles nunca são amigos. Eu te dou satisfação e você me dá adrenalina e é só esse tipo de relação que a gente pode ter — escutar aquelas palavras dela fazia meu coração doer, mas nem aquilo conseguia fazer eu me afastar
— Você tem certeza? — eu me ajoelhei no chão e aproximei nossos rostos — Não diga pra mim que quando eu fico perto de você assim é só adrenalina que você sente, você sabe que não é Maga
— N-n-nimbus — a palavra quase não saia de sua boca — E-e-e-u achei minha escova — ele me mostrou o objeto e eu imediatamente tirei ele de sua mão e o joguei longe
— Eu sei que você sente o mesmo que eu quando eu te toco assim — passei meu dedo sobre a pele de seu pescoço e pude vê-la ficar arrepiada — E não é só adrenalina, é uma sensação de felicidade que parece que vai explodir seu coração, que faz você sentir frio na barriga — eu continuei tocando sua pele de maneira carinhosa — E eu só senti isso com você Magali... E eu sei que você só sente isso comigo também — eu a deitei no chão e me coloquei por cima dela segurando meu peso em meus braços — Você também quer sentir isso de novo?
— Q-q-q-uero — sua respiração estava acelerada
— Tem uma condição...
— Q-q-q-ual?
— Me prometa que você vai ficar no outro dia, que você não vai embora. Não é uma questão de orgulho Magali, eu... eu... realmente gosto de você. Fica comigo? Não quero abrir meus olhos amanhã e ver que eu perdi tudo novamente
Ela continuou calada e pra mim aquilo ali representava uma resposta. Tirei meu corpo de cima do seu e a deixei –a sozinha saindo do quarto. Naquele momento eu não sentia nada, raiva, tristeza, ódio... Naquele momento eu estava anestesiado, sem reação. Será que aquilo tudo que eu sentia tinha morrido?
P.O.V MAGALI
Sai do quarto do Nimbus logo após ele e já não havia qualquer sinal dele no corredor.
Eu estava zonza pelo que tinha acabado de acontecer. Meu coração batia forte no peito e minhas pernas bambas dificultavam a minha locomoção. Tive vontade de vomitar, mas não fiz isso. O Nimbus gostava de mim... De mim! E eu não tinha sido capaz nem de dar uma resposta a ele, porque na realidade eu não sabia o que responder. Como eu poderia prometer a ele que ficaria se eu ainda tinha tanto medo de ser machucada?
Entrei no quarto do Dc ainda pálida e era óbvio que a Mônica notaria
— O que aconteceu? — ela me perguntou assim que eu entrei — Você tá bem Magali?
— Você acha que eu e o Nimbus poderíamos dar certo? — foi a primeira coisa que falei assim que entrei no quarto
— Oi? — minha amiga indagou confusa e fez uma cara de quem não estava entendendo nada
— Só me responde Mônica
— Sim — a resposta veio imediatamente
— Por quê?
— Sério isso? — ela perguntou irônica e eu fiz que sim com a cabeça — Vocês dois são extremamente preocupados com seus amigos, tem um coração do tamanho do mundo e sempre se preocupam com as outras pessoas antes de tomar uma decisão. Ele é a única pessoa que topa ir com você naqueles restaurantes vegetarianos e melhor ainda ele gosta de fazer isso. Tem também o fato de vocês dois serem as duas únicas pessoas que gostam de ver aqueles programas de mágica na TV e nem adianta negar, porque grande parte das vezes que eu fui na sua casa sua TV estava ligada nisso. Mas a cima de tudo... Acho que vocês dariam certo pelo jeito que olham um para o outro, até mesmo quando estão implicando
— Que jeito? — eu tinha certeza que estava vermelha
— Eu não sei explicar, mas é aquele jeito sabe... AQUELE JEITO!! — ele fez uma carinha fofa
— Queria tanto que fosse fácil assim Mô...
— E por que não é?
— Depois do Quim, eu não sei se consigo confiar em outro homem — me abracei com minha amiga — Por que o Nimbus tinha que fazer isso comigo? Despertar esses sentimentos? Nem pelo Quim eu me sentia assim!
— Eu me perguntava sempre a mesma coisa quando eu me apaixonei pelo Dc e eu descobri que essas coisas a gente não escolhe Maga, a gente simplesmente sente e torce pra que seja recíproco e dure a vida toda. Você deu sorte de ter alguém que se sente do mesmo jeito que você... Não deixe o Nimbus pagar por erros que não foi ele que cometeu — ela acariciou meus cabelos — Eu nunca te falei nada, porque eu achava que não tinha necessidade mas acho que você passou dos limites
— Como assim?
— Eu sei que o Nimbus tem fama de mulherengo e todo mundo sabe disso, mas ele sempre lutou pra provar o contrário a você. Ele na realidade sempre quis te mostrar o contrário e ao invés de dar uma chance a ele, você simplesmente continuava atacando-o. Você nunca pensou que para não sair magoada, você acabou magoando ele? Você devia ter confiado mais no que ele sempre te mostrou ao invés de confiar naquilo que as pessoas diziam sobre ele. Afinal, o Quim nunca teve fama de mulherengo e fez o que fez
— Mô... Eu nem sei o que te falar, eu...
— Você não precisa me falar nada Maga, eu só to te falando isso pra ver se você enxerga melhor as coisas. Eu só espero que não seja tarde demais pra você quando você abrir seus olhos e perceber que o amor esteve sempre do seu lado e você não quis ver por orgulho e outras coisas irrelevantes
Eu me abraçava forte com a Mônica lembrando de minhas últimas palavras para o Nimbus
"Eu sou a caça e você o predador e eles nunca são amigos. Eu te dou satisfação e você me dá adrenalina e é só esse tipo de relação que a gente pode ter"
Lágrimas começaram a brotar dos meus olhos. Como eu pude ser tão ridícula? Era óbvio que o Nimbus me fazia sentir um milhão de coisas e não só adrenalina. Ele fazia eu me sentir felicidade, desejo, paixão, amor... Sim, amor... Eu amei o Nimbus quando vi ele entregando comida ao Andy, quando ele me defendeu do Quim, quando ele me protegeu de mim mesma quando eu estava bêbada e a cima de tudo quando ele me tocou como nenhum homem jamais me tocou e a Mônica tinha me feito perceber isso.
— Não chora Maga... Talvez você devesse dormir, é o melhor que você pode fazer agora
— Mônica... Eu o amo — foi a única coisa que eu consegui dizer antes de voltar para o choro compulsivo
Fale com o autor