Big Lies
29 Dor Pt. 1
Notas iniciais
CAPÍTULO 29
Dor – Parte I
P.O.V Mônica
Eu fiquei imóvel naquele apartamento por um dia inteiro esperando ele voltar pra pelo menos brigar comigo ou me xingar das piores coisas, mas isso não aconteceu. Eu não mereci nem o seu ódio e fúria. Ele só me deu a sua indiferença
Na manhã seguinte ao dia que ele me deixou meu telefone começou a tocar insistentemente. Olhei o visor uma vez para colocar o aparelho no silencioso e vi 10 chamadas não atendidas do Cebola. Minha vontade inicial foi estourar o aparelho com minhas mãos, mas eu acabei atendendo depois do telefone vibrar mais 5 vezes.
— Bom Mônica, eu não sei como te contar isso...
— Eu já sei — falei a primeira palavra em 24hrs e minha voz saiu rouca e baixa
— O que? Já sabe? — ele parecia muito aflito do outro lado da linha
— Sim, o DC descobriu tudo. Nós terminamos, essa deve ser a fofoca do dia naquela universidade — mencionar pela primeira vez que nós terminamos fez o meu coração se rachar em ainda mais pedaços e por isso meu olho encheu de lágrimas
— Eu sei que ele já sabe, na verdade, todo mundo sabe
— O que? — eu queria gritar e chorar, mas eu não tinha forças, ao invés disso apenas segurei o celular mais perto da orelha para ter certeza do que o Cebola estava falando.
— O campus amanheceu cheio de cartazes com sua foto, um link pro blog da Denise e a palavra assassina escrita em letras garrafais
Denise desgraçada...
— Mônica?
— Oi?
— Você não vai dizer nada? Onde você esta? Eu vou aí te buscar agora
— Eu tô na casa do Dc e você não precisa vir me buscar. Eu vou ficar bem
— Mônica é sério, eu tô indo te buscar agora e eu não quero nem saber
— NAO CEBOLA! EU DISSE QUE NAO! — levantei minha voz, mas logo em seguida me acalmei. O Cebola não merecia esse tratamento, eu já havia descontado muita coisa da minha vida nele — Ele vai voltar... Eu sei que vai e quando ele voltar eu vou poder tentar explicar as coisas pra ele.
— Mônica, você sabe tanto quanto eu que ele não vai voltar — desliguei o aparelho
No fundo eu sabia que as chances do Dc voltar eram mínimas, mas ouvir isso da boca de outra pessoa me deixou arrasada e então, finalmente eu pude deixar as lágrimas escorrerem dos meus olhos. A cada gota que escorria eu podia ver o cansaço tomando conta do meu corpo, adormeci no chão gelado da sala e sonhei com seus braços ao meu redor.
— Mônica? – ainda atordoada escutei uma voz masculina e imediatamente passei meus braços ao redor do corpo forte, mas não era ele, eu reconheceria o seu abraço em qualquer lugar – Cebola? Como você entrou aqui? – meu Deus, parece que qualquer pessoa consegue entrar nesse prédio
— O porteiro me reconheceu, eu disse que vinha te fazer uma surpresa e a porta estava destrancada.
— O que você veio fazer aqui? O Dc pode chegar a qualquer momento e se ele te ver aqui ele pode pensar besteira – comecei a ficar desesperada, balançar os braços e tentar empurra-lo
— Mô, calma... – ele me segurou forte contra seu peito – Eu tô aqui, vai ficar tudo bem – seu sussurro se repetia nos meus ouvidos
— Não vai, Cebola, não vai... Eu o perdi pra sempre, perdi minha felicidade, a única coisa que fazia eu me sentir uma pessoa melhor. Eu era uma pessoa melhor, porque ele acreditava que eu podia ser – lágrimas escorriam dos meus olhos enquanto eu continuava abraçada ao meu melhor amigo
— Você sabe que você não é o que aquelas manchetes de jornais dizem – Cebola afagava meus cabelos, seu toque me fazia relaxar – Você sempre foi uma pessoa boa, só se perdeu um pouco do caminho por um tempo – ele segurou meu rosto perto do seu, eu olhei pra baixo – Olhe pra mim, por favor – sua mão fazia círculos pelo meu rosto – É egoísta da sua parte dar a entender que só o Dc acreditava que você pode ser uma pessoa melhor... Há eu e a Maga – a menção ao nome da Magali fez meu coração apertar, ela era outra pessoa que eu iria perder
— Me desculpa Cê, eu to tão confusa – relaxei minha cabeça em suas mãos – Eu não sei mais quem eu sou
— Você sempre soube quem é, Mô – ele sorriu – E o DC também vai saber, mas agora vocês precisam de um tempo pra se acalmarem e colocarem as coisas no lugar. Tudo vais ser explicado
Me dei por vencida, segurei a mão do Cebola e ele me acompanhou ao lugar que até ontem eu chamava de quarto. Dei uma última olhada no presente mais especial que já ganhei, meu cantinho, tudo continuava perfeito, por um momento eu senti como se nada tivesse acontecido e o Dc fosse entrar por aquela porta a qualquer momento
— Você precisa de ajuda? – Cebola perguntou encostado na porta e me tirou dos meus pensamentos idiotas. É óbvio que ele não iria voltar
— Não, eu vou ser rápida
Peguei apenas meus pertences, por mais que quisesse levar todo aquele lugar dentro da minha mala isso era fisicamente impossível e eu tinha medo de que se levasse mais do que havia trazido o Dc pensasse que eu era algum tipo de garota interesseira, apesar de agora ele saber que eu tinha até mais dinheiro do que ele.
Antes de sair eu reparei em cada detalhe daquele quarto e tirei uma fotografia mental do lugar no qual tinha passado os melhores momentos da minha vida. Olhei pro porta retrato na cabeceira e tive vontade de leva-lo, mas ele tinha sido caro demais. Dei as costas pra minha felicidade e peguei a mão do meu melhor amigo para que pudesse seguir em frente, ou pelo menos, tentar.
UMA SEMANA DEPOIS...
Uma semana...
De dor, pura dor...
Não aquela física que você tem quando arranha os joelhos na infância ou quando quebra algum osso
Minha dor é profunda. A dor de alguém que teve o coração e a felicidade arrancados do peito e sabe que nunca mais vai conseguir tê-los de volta.
Toda a esperança que eu tinha de que o Dc fosse aparecer pela porta do apartamento do Cebola irritado comigo foi por água abaixo a uns dois dias quando eu li no maldito blog da Denise que ele já voltou a frequentar todas as nojentas festas possíveis dessa cidade.
A Magali foi a mesma coisa, ela nem sequer me enviou uma mensagem ou me ligou. Na melhor das hipóteses nesse momento ela tem apenas nojo de mim e talvez se me ver algum dia na rua finja que eu nem existo.
Pelo menos eu não precisava lidar com o julgamento do Cascão já que ele ia ficar bastante tempo fora por causa de alguma conferência.
— Mônica, você precisa comer, fiz seu prato preferido, estrogonofe – o Cebola falava enquanto balançava uma colher parcialmente cheia na frente da minha cara. Eu parecia tão patética agora, não restou nem a sombra da Mônica forte e corajosa que eu um dia tinha sido
— Não quero e você está fazendo eu me sentir uma criança patética – resmunguei
— Talvez se você parasse de se comportar como uma eu pudesse parar de te tratar assim – o seu tom era firme
— Se a minha vida não fosse tão patética talvez eu pudesse ser menos patética – revirei os olhos
— Mônica, uma hora você vai ter que sair dessa cama e voltar a ter uma vida a qual não se pareça com a de uma planta
— Ou talvez eu simplesmente finque raízes aqui e comece a fazer fotossíntese. Não seria uma má ideia, pelo menos eu daria oxigênio ao planeta – ele riu
— Até assim você é engraçada – ele deu um longo suspiro – Eu não vou ficar aqui bancando sua babá, já estou muito feliz que você se mexeu pra tomar um banho, porque sinceramente ele era mais que necessário – revirei meus olhos – Eu vou deixar o seu prato aqui e vou pra sala, se precisar me chama – ele depositou um beijo na minha testa antes de deixar o quarto vazio
Continuei de olhos fechados tentando dormir, mas a maldita campainha não parava de tocar, provavelmente algum dos colegas do Cebola veio pegar algum projeto. Esses caras não conseguem esperar. O barulho parou, mas o inferno não, agora alguém estava discutindo na sala. EU SÓ QUERIA DORMIR QUE MERDA!
— Você não pode falar com ela, ela só começou a me responder ontem – consegui escutar o Cebola falar
— Bom, eu não me importo com a sua opinião, Cebola... Eu vou entrar nesse maldito quarto nem que eu tenha que passar por cima de você – escutei aquela voz familiar e meu coração parou por um momento.
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