Big Lies

26 A Pasta


Notas iniciais
To tentando postar pelo menos uma vez por semana! Mais uma vez eu tive problema com os travessões, então se alguma fala estiver sem me desculpem, quando passo pro nyah eles somem :/ Espero que gostem!!

P.O.V MÔNICA

Era nosso último dia na casa dos pais do Dc e Nimbus e isso me deixava aliviada, porque eu não aguentava mais mentir para todo mundo. A mãe do Dc era tão maravilhosa que me fez ter certeza de que quando eu voltasse iria contar tudo, eu não queria perder todos os vínculos que eu havia construído durante esses meses.

— Sobrevivemos não é? – o Dc falou passando o braço por cima do meu ombro enquanto eu olhava um funcionário colocar o restante das malas no carro

— Parece que nem todos nós – eu falei olhando pra Maga que desde quando o Nimbus a deixou de volta em casa não tinha falado nada e estava com cara de luto

— Acho que a conversa dela com o Nimbus não foi muito boa. É uma pena, eles formam um casal irado – Dc sorriu

— Mauricio querido, vá falar com o seu pai antes de ir embora – dona Keiko chegou para se despedir de nós

— Ah mãe, não to afim de escutar as reclamações do pai – Dc falou dando de ombros e com uma voz pouco animada

— Você vai demorar pra voltar aqui, então por favor, faça esse ultimo desejo da sua velha mãe – eu ri baixo e olhei pro Dc que parecia ter sido convencidos pelas palavras da mãe

— Tudo bem, acho que dois minutos não vão me matar – ele me deu um beijou na bochecha e foi em direção a porta

P.O.V DC

Talvez eu devesse realmente dar uma chance pro coroa, a mamãe disse que tinha conversado com ele na noite anterior, então eu tinha grandes esperanças de que ele em muito tempo pudesse mostrar que aquele paizão ainda vivia dentro dele. Bati duas vezes na porta do seu escritório e escutei um “entre”.

— E ai pai – falei colocando as mãos nos bolsos do meu jeans escuro – Tô passando só pra avisar que eu, a Mônica e a Magali estamos indo embora já já

— Maurício, você pode se sentar, por favor? – ele apontou pra cadeira – Prometo não tomar cinco minutos do seu tempo

— Ok – falei me jogando na poltrona de couro a minha frente

— Bem, sua mãe conversou comigo ontem e eu vi que nos últimos anos tenho pegado pesado com você – notei ele respirar fundo – Eu cresci num mundo onde as pessoas sempre me cobraram demais então achei que esse era o único modo de educar você corretamente, mas eu estava enganado. Sua mãe ontem ficou a um passo de pedir o divórcio e então eu pude notar o quanto eu amo minha família, eu posso voltar a ser pobre, mas viver sem vocês não. Me desculpe, se eu fui um monstro, mas eu sempre quis o melhor pra você – ao terminar sua fala os olhos do meu pai estavam cheios de água, pude notar que ele se segurava para não chorar, então eu levantei e o abracei o mais forte que eu pude.

— Você não sabe quanto tempo eu esperei pra escutar isso – falei ainda abraçado a ele – Eu te amo pai

— Eu também te amo

Conversei mais um pouco com o coroa, mas antes de ir embora acabei batendo em uma mesinha de canto e pude notar uma pasta com o nome da Mônica escrito, eu já sabia do que se tratava mais ainda assim perguntei

— Pai o que é isso? – eu falei levantando a pasta

— Isso foi antes da minha conversa com sua mãe

— Pai, eu vou perguntar de novo... O que é isso? – eu falei mais firme dessa vez

— Meu filho depois da conversa com sua mãe eu juro que ia pôr um fim nisso antes mesmo de ler, eu não li uma linha desse dossiê

— O senhor mandou alguém investigar a vida da Mônica? – eu perguntei incrédulo

— S-s-sim... Mas isso foi...

— Parece que o senhor não muda mesmo. Você não conseguiu respeitar nem a mulher que eu amo – eu me segurei para não gritar, afinal eu odiava levantar o tom de voz para os meus pais

— Mauricio! Isso foi antes de... – antes que ele pudesse terminar sua frase eu já estava longe do escritório

P.O.V MÔNICA

O Do Contra voltou transtornado da conversa com o pai. Na hora eu achei melhor não perguntar nada, mas já fazia meia hora que estávamos no avião e ele continuava imóvel e a Magali continuava com o seu humor de luto, então eu resolvi fazer alguma coisa

— O que houve? – perguntei sem arrudeios – Você tá assim desde a conversa com o seu pai

— Eu não falei nada, porque eu nem sei como te contar isso – agora ele falava olhando para mim

— Você tá me preocupando – mil coisas passavam na minha cabeça. Será que seu pai tinha descoberto algo?

— O meu pai ele... – houve uma longa pausa – Ele mandou alguém investigar você, quando eu cheguei lá tinha um dossiê com o seu nome na capa – na hora eu fiquei gelada, meu corpo parecia pedra pura, eu suava frio – Mô? Você tá bem?

— T-t-tô – eu agora tremia

— Eu sei que não, mas ele me prometeu que não iria ler nada e que daria um fim aquilo – ele me abraçou sem jeito já que estávamos lado a lado no avião.

— Eu não consegui responder o Do Contra, mas eu sabia que não podia adiar mais. Eu iria contar a verdade a ele assim que chegássemos a New Heaven, se eu fosse perdê-lo pelo menos seria com a coragem de contar tudo. Apertei forte sua mão e respirei fundo, sabendo que aqueles podiam ser nosso últimos momentos de paz.

XxX

Ainda era final de tarde quando chegamos a New Heaven. Eu sabia que meu nervosismo estava a flor da pele, mas por sorte tanto o Dc quanto a Maga estavam em outro mundo e não notaram nada.

Eu tinha decidido contar ainda hoje tudo para o Dc, assim que chegássemos em casa, mas na hora que eu ia colocar o táxi para voltar ao nosso apartamento meu telefone tocou. Era o Cebola, me afastei um pouco do Dc e da Maga para atendê-lo

— Mônica preciso falar com você imediatamente. É urgente! – eu notava o nervosismo em sua voz. Agora eu estava mais nervosa ainda

— Não posso falar agora, acabei de chegar com o Dc e a Maga – minha voz estava fraca, minha mão suava e eu estava quase deixando o celular cair

— Mônica, isso é urgente – ele fez uma longa pausa – O Toni veio falar comigo – senti que meu coração parou de bater por um instante

— Eu estou indo ai agora – foi o que falei antes de desligar o telefone

Dei uma desculpa esfarrapada para o Dc de que precisava passar na casa do Cebola para contar sobre a viagem e ter uma conversa de amigos, por sorte ele estava tão cansado que acreditou.

Peguei o primeiro táxi que vi pela frente, o percurso que normalmente demoraria 20 minutos pareceu durar uma eternidade. Eu suava tanto que me perguntava de onde saia tanta água do meu corpo, minhas mãos estavam geladas, sentia que podia desmaiar a qualquer momento, mas antes que isso pudesse acontecer o taxista avisou que havíamos chegado ao destino, dei o dinheiro sem nem saber quanto pagava e sai correndo do veículo.

Tomei o elevador e rapidamente estava na frente da porta do Cebola, ele abriu rápido

— Oi, acho melhor você sentar – ele falou enquanto me levava até o sofá – O Toni me ligou ontem – eu fiquei imóvel – Ela sabe onde você tá Mônica e é bem provável de que ela dê um jeito de contar tudo ao Do Contra, você sabe que ela é não pode te ver bem, ela vai dar um jeito de estragar o que você tem. Eu nem sei o que fez o Toni me contar isso, mas... Você precisa contar a verdade logo! Eu não sou o maior fã do seu relacionamento com o Dc, mas se você contar acho mais fácil dele entender.

— E-e-eu sei, eu pretendo contar tudo hoje – falei num tom de voz baixo – Esse telefone do Toni me pegou de surpresa – eu apertava forte o estofado do sofá do Cebola

— Você quer uma carona pra casa?

— Acho melhor não, eu vou de táxi – falei me levantando – Tenho que chegar em casa logo, de hoje não passa.

Assim que falei isso sai pela porta do apartamento do Cebola, desci rápido de elevador e corri para o meio da rua tentando achar o táxi. Agora o tempo era meu maior inimigo

P.O.V DC

Deixei a Magali em casa de táxi e fui direto para o meu apartamento. Estava cansado, esse final de semana na casa dos meus pais tinha sido em sua maioria bom, mas bem cansativo.

Ao chegar em casa coloquei as chaves na fechadura, mas percebi que a porta já estava aberta. Aquilo me preocupou, ainda era cedo para a Mônica ter voltado e o Nimbus estavam na Europa. Abri a porta com cuidado e então me deparei com a Denise sentada no sofá

— O que você está fazendo aqui? – perguntei sem paciência – Isso é invasão de domicílio, eu podia mandar te prender

— Sabe Dc... O porteiro do seu prédio ainda é o mesmo de quando a gente namorava, apenas joguei um charminho e falei que precisava pegar umas coisas que esqueci aqui quando a gente namorava e ele abriu a porta de boa vontade – ela tinha uma expressão calma

— Denise, sai fora daqui! – eu falei em tom firme, porém calmo

— Do Contra, eu tô aqui, porque me preocupo com você – ela continuava calma, mas isso não me estressava – Você não sabe que namora uma mentirosa e como você foi uma pessoa importante na minha vida eu acho que tenho o dever de te mostrar a verdade – agora ela tinha conseguido me estressar

— DENISE, DÁ O FORA! – eu levantei meu tom de voz e ela se levantou do sofá com uma pasta em mãos

— Tudo bem Dc, eu já estou indo, mas antes eu queria te entregar isso daqui – ela me mostrou a pasta que tinha o nome da Mônica na cama e colocou em cima da mesa de centro – Eu sei que você, não vai ler, mas eu pelo menos fiz minha parte de avisar – ela deu um leve sorrisinho

— Denise, eu tô perdendo minha paciência. Rala daqui agora! – ao falar isso ela passou por mim e foi em direção a porta

— A decisão de ler ou não tá em suas mãos – foi a última coisa que ela falou antes de girar a maçaneta e sair

Eu fui em direção a pasta para jogá-la no lixo, afinal eu não queria que a Mônica visse algo do tipo quando chegasse. Essa era bem mais grossa do que a que meu pai tinha em seu escritório e por um momento eu tive curiosidade em abri-la, mas essa ideia logo saiu da minha cabeça. Peguei a pasta com uma das mãos mas ao tirá-la da mesa de centro alguns papeis escorregaram para fora e caíram no chão, pude notar que eram alguns recortes de jornal, ao me abaixar para pegar acabei vendo a foto da Mônica e uma manchete enorme. Na hora meu corpo paralisou, eu não podia acreditar no que aquele pedaço de papel dizia, no mesmo momento eu peguei o resto dos papeis que tinham caído e coloquei eles de volta na pasta, sentei no sofá e comecei a ler tudo que tinha ali dentro.

P.O.V MÔNICA

Deveria ter aceitado a carona do Cebola, demorei um tempo para conseguir pegar um táxi e ainda peguei um engarrafamento por causa do caminho que o taxista escolheu, mas pelo menos finalmente estava em casa.

Apertei o botão do elevador várias vezes achando que isso faria ele chegar mais rápido ao andar do apartamento do Dc, aqueles foram os minutos mais longos da minha vida. Ao chegar em casa a única luz acesa era a de um abajur e ao seu lado estava o Do Contra, ele segurava uma pasta e poderia dizer que ele era uma estátua de cera se não fosse pela leve tremor que passava pelo seu corpo

— Do Contra, eu preciso urgentete falar com você – ele nada me respondeu, continuava olhando para o mesmo lugar sem mexer os olhos

Notas finais
Faça uma autora feliz, deixe um comentário Até o próximo ;)