Beyond the wood
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Era nosso terceiro dia na nova casa. Ajudei mamãe a trocar alguns móveis de lugares para deixar a casa com a nossa cara, já que quando chegamos já estava toda mobiliada.
–Acho que ficou ótimo assim — Dei um suspiro pesado e me joguei no sofá preto e confortável. — por hoje chega, mãe, por favor.
Minha mãe sorriu e fez alguma piadinhas sobre eu já estar velha e me cansando facilmente.
–Muito engraçado! — Joguei uma almofada nela. — Fiz 18 anos a 3 meses, não estou velha.
–Mas está parecendo... — Ela riu. Eu revirei os olhos.
–Vou tomar um ar e aproveitar para fazer o reconhecimento do lugar. — Falei.
–Tudo bem, só não vá muito longe. — Ela disse já se concentrando em outra tarefa.
–Okay.
Me levantei, peguei meu livro e fui em direção a porta da frente. Parei no gramado do casa para pensar onde eu poderia ir...O que eu poderia fazer num vilarejo tão pequeno?! Acabei tendo uma ideia.
Dei a volta na casa e cheguei ao jardim. Espiei pela janela para ver se minha mãe estava na cozinha, e como não estava, segui em frente. O bosque irradiava vida.
Fui andando por entre as arvores tomando muito cuidado para não escorregar no musgo. O solo estava bastante úmido e haviam algumas folhas secas no chão. Era tudo realmente muito lindo, haviam tons de verde que nunca havia visto antes... e numa altura considerável, acima da minha cabeça, os galhos das arvores se expandiam num emaranhado que parecia ter sido planejado meticulosamente.
Andei por uns 30 minutos procurando um lugar seco e limpo o bastante para poder me sentar e relaxar lendo meu livro. Cheguei a uma árvore grande, com raízes altas e que se estendiam por uma boa parte do lugar, a deixando um pouco afastada das outras.
Sentei no chão e me encostei tentando me acomodar no chão duro cheio de pedrinhas pequenas. Abri meu livro, e em algum momento entre o capitulo 7 e 8, acabei pegando no sono. Quando acordei e olhei as horas no meu relógio já eram 15:45... Droga!!! quando saí de casa ainda ia dar 11 da manhã. Mamãe devia estar pirando nesse momento.
Eu também teria surtado ali mesmo se eu não tivesse tido a sensação de que havia alguém me observando por entre as árvores.
Tentei manter a calma e pensar que bibury era segura, e que psicopatas ou sequestradores raramente deviam aparecer por aqui. Mas as folhas de alguns arbustos balançando vez ou outra me diziam o contrário... Talvez hoje não fosse o meu dia de sorte. Talvez alguém queira estuprar uma garota indefesa que pelo azar do destino, resolveu dar uma volta sozinha pelo bosque. Ou talvez... talvez fosse alguém do próprio vilarejo. Quando percebeu que eu tinha visto seu vulto, quem quer que seja se abaixou em meio aos arbustos e permaneceu sem fazer nenhum movimento.
Resolvi ir de fininho até o lugar onde o ser desconhecido estava se escondendo, me abaixei e peguei um galho que estava caído ao chão. Quando cheguei bem próximo, levantei o galho no ar esperando que amedrontasse quem quer que fosse.
–Quem é voce e o que faz me observando?! — Gritei dando um pulo bem atrás do garoto cujos olhos varriam o local onde eu estava antes. Ele parecia não ter percebido quando eu saí de lá.
–Ai meu deus! — Ele também gritou se virando imediatamente para mim. — Pelo amor da rainha mãe! Será que precisava me assustar assim? E o que pretendia fazer? Me acertar na cabeça com esse galho? — Ele pareceu ofendido.
–Sim, e farei exatamente isso se não me disser o que faz aqui, quem é voce e porque estava me espionando. — Falei observando o garoto de roupas estranhas a minha frente. Ele parecia ter saído de um dos livros que eu lia a muito tempo atrás. Eu nunca tinha visto nada parecido. Ele parecia estar numa fantasia bizarra de... Fada?! Não sei se fada era a palavra certa, afinal, ele é um cara. Seria um anjo? Não... provavelmente não. As asas em suas costas eram muito pequenas para um anjo, e tinham um tom de verde transparente que as faziam parecer asas de borboletas.
Não descobri do que ele estava vestido, mas tenho que admitir que a fantasia ficara realmente muito boa. E ele era, hm, muito bonito. E parecia ter mais ou menos a mesma idade que eu.
–Será que dá para abaixar esse galho? Estou começando a me sentir ameaçado de verdade! — Ele falou parecendo irritado. Depois suspirou e mudou seu tom para um mais suave. — Se abaixar eu te digo meu nome.
Relutei no início, mas acabei cedendo e colocando o galho de volta ao chão.
–Agora diz seu nome. — Falei meio ríspida.
–Foster.
–Foster? — Eu ri. — não é um nome muito comum.
–Sim, eu sei. Mas até que me cai bem. — Ele disse convencido. — E o seu?
–Sunny.
–Sunny. — Ele repetiu.
–É... sunny. — Franzi os lábios começando a ficar meio envergonhada.
–Sunny. — Ele disse de novo. — É um nome bonito.
–Obrigada, mas... vamos ficar aqui repetindo meu nome ou vai me dizer o que fazia me observando? — Perguntei.
–Eu... er... eu estava passando por aqui e... eu te vi. — Ele pareceu sem graça.
–Voce me viu. E por isso resolveu ficar me observando?
–Eu estava te vigiando. Esse bosque pode ser bem perigoso, sabia? — Ele disse.
–Ah, sim. Acabei de descobrir isso a alguns minutos atrás, quando um louco vestido numa fantasia não sei de que, estava me espionando por entre as árvores e arbustos!! — Falei sendo o mais sarcástica possível.
–Hey! Eu não sou louco! — Ele disse apontontando o dedo para mim.
–Ah, claro! Me desculpe senhor ´´Eu não sou louco``, eu só pensei por um momento que alguém vagando por aí numa fantasia dessas, poderia ter um pouco, talvez muitos problemas mentais! — Fui o rude que eu pude, e saí andando. -Se me permite, agora preciso ir embora.
–Estou me sentindo ofendido! — Ele falou mais alto.
–ÓTIMO! — gritei enquanto eu continuava a andar. — Era exatamente esse o propósito.
Ouvi passos atrás de mim.
–Voce sabe voltar por onde veio? — Ele perguntou. Sua voz estava bem mais próxima.
–É óbvio que sei.
–Se voce realmente sabe, então porque está indo pelo caminho contrário ao vilarejo? Voce é de lá não é?
–Sim, eu sou. E eu já sabia o caminho. Só estou procurando um brinco que eu deixei cair por aqui. — Tentei ser convincente.
–Engraçado... Isso nas suas orelhas, parecem ser seus brincos. — Pude sentir que ele parou atrás de mim.
Coloquei uma mão em uma de minhas orelhas automaticamente, e me virei para olha-lo.
–Oh, aqui estão eles. — Falei com um sorriso falso. — Obrigada por encontra-los. Pensei que um havia caído. Mas não pense que isso muda as coisas, ainda não gosto de você. — Fechei a cara.
–Ah, não caio nessa dos brincos. — Ele cruzou os braços e sorriu. — Posso te mostrar o caminho de volta.
–Não, obrigada. Eu consigo voltar sozinha.
–Tem certeza? Voce não vai querer voltar tarde. — ele tentou me convencer.
Suspirei.
Ele tinha razão. Mamãe me mataria. Ela já devia estar preocupada.
–Okay. — revirei os olhos. — Pode me mostrar o caminho... mas vou levar o galho comigo. Só por precaução.
–Faça como quiser. Vamos logo. — Ele disse indo na frente.
Foi até bem legal ele ter me mostrado o caminho. Apesar de ele ser meio estranho, ele sabia como ser educado. Posso dizer que talvez até tenha feito um amigo por aqui. Falamos sobre coisas aleatórias, como legumes, frio, raízes e outras coisas meio estranhas.
Ele me disse que o local mais fácil de encontra-lo é no bosque, porque adora a energia que o lugar traz, e se despediu de mim com um ´´até logo`` , quando me deixou bem em frente ao jardim da minha casa.
Quando entrei, mamãe estava furiosa, disse que quando eu fosse demorar, eu deveria avisar antes. Ela disse que acabamos de nos mudar e posso acabar me perdendo por aí se eu me afastar das casas. Sei que ela tinha razão. Lembrei do bosque... Se não fosse por Foster, eu nunca saberia como voltar para casa. Ele me pareceu ser bem legal. Talvez fosse o início de uma grande amizade entre nós.
Mais tarde, fui dormir pensando em como seria bom ter um amigo para conversar nesse lugar, e em como Foster tinha um sorriso bonito. Queria dizer que tive uma ótima noite de sono, mas um pesadelo que tive não permitiu que isso acontecesse.
***
Fale com o autor