Beyond the wood
4 Capitulo 3
Notas iniciais
Acordei com o barulho do meu celular tocando insistentemente em cima do meu criado mudo. Me estiquei na cama com um pouco de dificuldade até finalmente o alcançar. Atendi.
–Alô... — falei meio sonolenta.
–Oi, querida... — reconheci a voz imediatamente. — Não sei a que horas voltarei para casa... desculpe te acordar, precisei sair as presas.
–Tudo bem, mãe. Onde você está? — perguntei.
–Estou a mais ou menos 40 minutos de Londres. Acho que consegui um cliente...
–Que bom mãe, boa sorte! — falei animada. — Você chega antes do jantar?
–Provavelmente... não tenho certeza. Ainda terei que resolver alguns problemas... — Ela faz uma pausa e escuto o barulho de buzinas. — Querida, preciso desligar. Estou dirigindo e falando ao celular, vou acabar com uma multa de transito.
–Okay...
–Beijos, eu amo você.
–Eu também te amo. — Suspirei. Ela já havia desligado o celular.
Sai da cama e fui tomar um banho quente. Embora ainda houvesse sol, a temperatura estava um pouco mais baixa do que no dia anterior. Ao terminar meu banho, resolvi dar uma saida. Passei na cozinha para pegar uma maçã e vesti meu casaco ao atravessar a porta dos fundos e sentir um vento frio. Segui em direção ao bosque.
Andei até chegar ao lugar onde encontrei Foster. Me surpreendi quando fiquei decepcionada por não te-lo encontrado novamente. Resolvi esperar um pouco para ver se ele apareceria em algum momento. Me encostei na mesma arvore do dia anterior e fiquei mexendo no meu celular para passar o tempo.
–Grrrrrrrr!!! — Alguém me cutucou de repente.
–AAAAAAAAAAAAAAAAH! — Gritei me levantando num pulo.
–Você devia... ver... sua cara! — Foster disse gargalhando tanto que mau conseguia pronunciar a frase direito.
–Isso não tem graça! Você deve estar muito ansioso para levar aquele golpe na cabeça que eu disse ontem! — Falei cruzando os braços. Eu estava furiosa. Ele parou de gargalhar, se endireitou e olhou para mim com uma expressão muito séria.
–Desculpe. — Ele disse.
Não sei o que me deu, mas dessa vez quem começou com as gargalhadas fui eu. Ele voltou a rir também e ficamos assim por alguns minutos, um rindo da cara do outro.
–Então — Ele disse finalmente. — O que faz por aqui outra vez?
–Nada... — Me sentei em uma das raizes altas da Árvore. Foster se sentou também ao meu lado. — Eu só... gostei daqui.
–É... Esse lugar tem uma coisa especial... — Ele disse olhando em volta. Seus olhos brilhavam. Percebi que tinham um tom diferente, que me lembraram as folhas de bordo quando caem amareladas no outono. Ele estava com a mesma roupa de antes, e tive a curiosidade de perguntar o porque, mas não o fiz pois ele poderia se ofender.
–E você? o que faz aqui? — perguntei.
–O de sempre. Eu lhe disse que gosto de ficar aqui.
–Sim, eu me lembro.
–Porque não me fala sobre você, Sunny? — Ele sorriu.
–Sobre mim? — Olhei surpresa para ele. — Oh, não. Quer dizer... não há nada sobre mim que eu possa contar. Sou uma garota bem sem graça. — Eu disse corando.
–Eu duvido muito. Você sempre morou por aqui?
–Na verdade não. Eu sou nova por aqui, me mudei a três dias. — Dei de ombros.
–Ah, e de onde você veio?
–Nova York.
–Nova York? Onde fica? — Ele quis saber.
–Nunca ouviu falar de Nova York? — Perguntei. Ele balançou a cabeça em sinal negativo. Arregalei os olhos sem conseguir acreditar. — Mas afinal, de que mundo você é?
Ele abaixou a cabeça, corou um pouco e se levantou de repente.
–Preciso ir, Sunny. Desculpe. — Ele me deu um beijo no rosto e saiu andando em passos longos até sumir por entre as outras árvores. Fico ali pensando no que acabou de acontecer e olhando fixamente para o ponto onde ele acabou de desaparecer.
Eu não deveria ter sido grossa. Não deveria tê-lo ofendido. Eu deveria ter me desculpado.
***
Fale com o autor