Beyond the wood
2 Capítulo 1
Notas iniciais
6 meses atrás
E lá estava eu... Dentro de um minúsculo avião, com pessoas que, por incrível que pareça, aparentavam estar ainda mais entediadas do que eu. Com exceção da minha mãe que estava tendo uma conversa bem animada com a mulher que de agora em diante, seria nossa vizinha.
Eu ainda não havia conhecido o vilarejo onde moraríamos, mas pelo que mamãe andou me contando nos últimos dois meses, o lugar era bem ´verde`... e muito, mas muito pequeno. ela me contou também que é o lugar mais belo que ela já viu na vida, e há natureza para onde quer que a gente olhe.
Se for realmente assim, não vou ter nenhum problema para me acostumar. Há dois meses atrás achei a ideia mais absurda que eu já escutara. Quando mamãe disse que nos mudaríamos de Nova York para a Inglaterra, fiquei perplexa. Não que eu não goste de mudanças, pelo contrário... acho que uma mudança sempre faz bem, mas quando ela disse que queria se afastar do caos da cidade grande, não imaginei que fosse se afastar tanto assim.
Eu entendi o lado dela... entendo porque ela quis sair de lá. Sabe, quando se vive em na cidade mais populosa e movimentada do país, quase não se tem descanso. E além do mais, posso apostar que as pessoas por aqui são muito mais educadas e gentis do que por lá. Em Nova York ninguém te deseja bom dia ou te cumprimenta se você passa na rua.
–Não é mesmo, querida? — Disse minha mãe se virando com um sorriso radiante. Apesar de não fazer a mínima ideia do que ela estava falando, dei um sorriso e acenei com a cabeça em sinal positivo.
Pouco tempo depois já estávamos pousando. Teríamos que percorrer o restante do caminho numa caminhonete digamos que num estado não muito bom... Um dos problemas era que na caminhonete só havia espaço para três pessoas, e nós éramos 4, contando com o motorista.
Para não parecer mal educada, me ofereci para ir na traseira... O que realmente foi uma péssima ideia, devo admitir.
Além de todas as malas que eu e mamãe trouxemos, havia um Golden Retriever cor de caramelo que não parava de me lamber um instante sequer. Eu sempre amei cachorros, então não foi com ele que me importei muito. O problema eram os buracos no caminho que insistiam em me jogar de um lado a outro na traseira da caminhonete.
Quando finalmente chegamos ao vilarejo, percebi o que minha mãe quis dizer a dois meses atrás quando usou o adjetivo ´´esplêndido`` para descrever aquele lugar. Na verdade, acho que ela foi muito modesta... não haviam palavras para descrever aquele lugar. Era... era simplesmente perfeito.
Mamãe pediu para que eu a seguisse, e assim fiz. Saí arrastando duas malas enormes, enquanto tinha uma mochila em minhas costas. Ela parou em frente a uma casa que só poderia ter saído de um dos contos de fadas que ela costumava me contar quando eu ainda era só uma garotinha.
Não era nem muito grande, nem pequena demais, com dois andares e era toda construída com pedras. Mamãe não havia me dito que a casa era assim tão bonita.
Quando entramos, me surpreendi ainda mais. A casa tinha um ar rústico e moderno ao mesmo tempo. Era toda decorada em tons de mogno e vinho, o que dava um ar mais que aconchegante para aquele lugar. Uma grande escada de madeira envernizada dava para o segundo andar onde ficavam os quartos. O meu ficava na penúltima porta do corredor, que depois descobri que ficava bem ao lado da pequena biblioteca da casa.
Meu quarto era fabuloso. Havia uma janela enorme que dava para o jardim, e eu tinha uma vista privilegiada do bosque que se encontrava a poucos metros de um jardim mal cuidado nos fundos da casa.
Assim que eu ajudasse mamãe a desfazer as malas e ajeitar todas as coisas por aqui eu daria uma volta pelo lugar. O bosque era de um verde brilhante, e várias outras cores vibrantes. Era lindo. O ar por esse lugar era tão bom e tão mais fácil de respirar...
–Sunny, você pode vir aqui um instante? — mamãe gritou de lá de baixo.
–Já estou indo! — gritei de volta. Abri totalmente a janela para ventilar o quarto e desci.
–Mãe? — chamei entrando na cozinha.
–Aqui. — ela respondeu. — Venha ver! — Ela chamou da porta dos fundos da casa. — Nós podemos fazer um trabalho fantástico aqui, não acha?
Nunca tinha visto minha mãe tão radiante. Eu me sentia bem por vê- la assim. Minha mãe tinha um fascínio por jardins, acho que por ser paisagista.
–Escute, querida — ela falou gentilmente — Odeio ter feito você vir para esse fim de mundo, como vocês jovens chamam... por isso quero que fique a chave do carro. Londres fica a duas horas daqui. Saia quando quiser, vá fazer amigos, tudo bem?
–Tudo bem mãe, não precisa se preocupar. Esse lugar é maravilhoso. Eu gostei daqui. — Eu disse sorrindo. E percebi que gostei mesmo. Eu me sentia em casa... sentia que aquele era meu lugar.
E talvez fosse.
***
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