Beyond the death
1 Capítulo 1 : Um pouco do passado.
Notas iniciais
Vou contar um pouquinho do que há por trás das câmeras (nesse caso da telinha) : Há exatos dois meses perdi meu único avô. Foi realmente algo inesperado e chocante. E durante esse meio tempo, me organizei e acabei resolvendo fazer uma homenagem a toda minha família e compartilhar as boas memórias que tivemos juntos.
Boa leitura!!!
“Há muito mais no mundo do que podemos ver” Sempre acreditei que esse ditado fosse mentira, e que tudo que vemos é a verdade e que era o suficiente. Mas mal sabia eu que descobriria que as coisas são muito mais além do que os cinco sentidos.
Antes que eu inicie essa história nos nossos dias, vou voltar um pouco a fita e contar como tudo isso começou que nas próximas linhas. Lembrem -se que tudo é possível, e que nesse mundo há muito mais do que estamos acostumados a ver e se estarmos dispostos, podemos fazer coisas incríveis.
Há anos, vi meu único avô morrer . O nome dele era Jefferson, e nunca imaginei que essa era a cena que marcaria toda a minha vida. Ele era alto, careca e tinha uma barriga protuberante. Quando jovem, era o contrário dessas características, além dos seus vibrantes olhos que nos últimos anos foram encobertos pelas pálpebras caídas, e que não brilhavam mais como antes e os seus cabelos castanhos se foram deixando apenas o escalpo.
Depois do almoço, se saíssemos de casa poderíamos vê -lo sentado em seu banco conversando com um amigo ou parente, na praça, que ficava em frente sua velha casa cor – de – rosa ( que estava dessa cor por que ele havia pegado as sobras de tinta de uma de minhas tias. Eu costumava chamar da Casa da Barbie ). Mas infelizmente, nunca mais veríamos isso de novo.
De todos os netos, eu e minha irmã caçula éramos as mais chegadas. Moramos lá com nossos pais dois anos antes que eles comprassem nossa casa ( que era duas quadras de distância da dele o que tornava meio impossível não vê -lo durante as semanas ). Sempre íamos lá para tirarmos cabelos das orelhas e estourar cravos, mesmo com protestos da minha mãe por estarmos o importunando, ele sempre dizia que poderíamos continuar e que estava precisando.
Nos aniversários, ele sempre estava a aprontar o churrasco com meu pai. Meus amigos da igreja, que apareciam em casa de surpresa, gostavam muito dele e de seus velhas histórias de pescador. Tudo acabava em riso.
Às quartas -feiras, meu pai me mandava entregar o resultado da loteria para o meu avô. Quando eu chegava, ele estava sentado em seu sofá amarelo mostarda, rindo de um velho programa de comédia, o qual o vira várias vezes e sempre dizia o final das histórias antes que os episódios acabassem. Em troca, ele nos mandava uma panelada de sopa ou miúdos cozidos que em menos de vinte minutos terminava.
Nos ultimo mês de sua vida, ele ficou recluso em sua pequena casa após pegar uma doença de um pernilongo. Depois de fazer uma bateria de exames, fora constatado que um de seus pulmões estava paralisado e que seu coração não tinha força suficiente para bombear o sangue para o corpo. Aquilo fez meu mundo cair.
Nas semanas que se seguiram, ele nunca ficava sozinho : eu minha irmã e meu pais, meus tios e tias, primos, primas sempre estavam por lá, fazendo companhia e o ajudando nas tarefas que antes eram cotidianas para ele, agora se tornaram um enorme esforço, mas mesmo assim, continuava a sorrir e tirar sarro.
Era sábado o aniversário de um primo. Mesmo com meu pai pedindo para que ele fosse a festa, se recusou a ir, devido as dores que estava sentindo em seu peito. Duas horas depois quando voltamos, fui visita -lo e foi quando percebi que ele não estava bem, mas mesmo assim não quis ser internado. Foi a última vez que o vi com vida.
Naquela noite, fui a uma cidade próxima, confraternizar com os poucos amigos que me restou . Era umas dez da noite, quando comecei a passar mal e voltei para casa junto com uma amiga de carro, já que com a vã que tinha vindo, iria demorar muito mais. Foi estranho já que nunca aquilo havia me acontecido.
Ao chegar, larguei minhas coisas na cozinha e me joguei na cama, torcendo para que aquela tontura e dor de cabeça passassem. Acabei sonhando com a casa de meu vô e com as cadeiras azuis da minha tia na sala dele e a mesa que ficava ao lado na varanda estava na frente da casa e amigos conversando reunidos. Mas aquilo era apenas um prenuncio do que estava a vir.
Era 1 da manhã de domingo e o telefone tocou. Toda vez que o isso acontecia, não era sinal de coisa boa. Meus pais levantaram apressados e tudo foi um caos. A única coisa que eu sabia aquela hora era que meu avô havia passado muito mal e que ele precisava de ajuda, o que acabou me deixando desesperada, sozinha em casa cuidando de minha irmã, ligando para meus tios e tias.
Esperamos orando para que nada acontecesse de ruim. Quase uma hora depois, de terem saído de casa, o meu celular tocou. Senti meu coração ir a mais de 200 batimentos por hora quando vi pelo visor que era meu pai.
- Natalie, não se desespera... — Aquela frase me fez arrepiar da cabeça aos pés. Sua voz estava embargada pelo o choro, mas estava se contendo. — Seu avô morreu.
Aquilo caiu como uma bomba. Mesmo ele ainda falando, não prestei atenção em mais nada. Uma facada havia sido dada em meu peito e meu coração foi tirado de mim. Ele era meu único avô vivo e agora não tinha mais nenhum para poder contar. Tinha 18 anos e apenas uma avó viva, tudo girou em torno de mim e eu caí de joelhos.
Contei para minha irmã a notícia e nós desabamos juntas. Em questão de segundos, minha mãe apareceu e nos consolou, nos abraçando também abalada mas mais sã do que nós. Trocamos de roupa e fomos até a casa onde quase todos a família estava reunida aos prantos, e alguns amigos chegavam para dar os pêsames.
Assim que cheguei, a visão que tive durante o sonho se confirmou : Mesa do lado de fora e as cadeiras azuis na sala. Foi aterrorizante. Na hora, nem tentei conjecturar nada pelo choque e de ver todos estarem se desmanchando em lágrimas.
As coisas se seguiram pelo resto do domingo. O clima mórbido e melancólico se estenderam por um bom tempo : primeiramente o luto cavou um buraco e em seguida a saudade, preencheu o espaço que estava faltando. Era difícil pensar que ele não estaria mais ali brincando, cozinhando e dando apelidos aos outros.
Tudo isso aconteceu faz 6 anos. E tudo se transformou depois disso. As visões em meus sonhos se tornaram mais frequentes e mais realistas e comecei a acertar resultados da loteria à conhecidos que morriam. Até meus desenhos previam o que iria acontecer. Resolvi ignorar e (tentar) continuar minha vida comum, fazendo minha faculdade e mas quando pintava meus quadros, eles começaram a retratar o futuro. Tranquei minha matricula em Artes e passei a fazer algo que me deixasse longe dessas bizarrices e me fincasse os pés no chão : Administração e contabilidade.
Nessa época acabei aprendendo a controlar minhas visões por conta própria: Parei de pintar, e desenhar, as coisas que mais amava fazer em favor de uma boa reputação, por assim dizer. Quem confiaria numa mulher que diz que prevê o futuro?
Mas quando pensei que tudo estava indo as mil maravilhas, as coisa voltaram a ficar de cabeça para baixo.
Fale com o autor