Notas iniciais
Depois de um tempo, cá estou eu!!!! Mais um capitulo... Aproveitem!!

Eu tinha voltado tarde do escritório onde trabalhava. Era exaustivo estar ali, num cubículo cinza, cercado de pessoas estranhas te cobrando organização e te olhando feio a cada cinco segundos. Não era o trabalho que eu queria, mas pelo menos eu ganhava bem o suficiente para pagar minhas contas e as prestações do apartamento e me esquecer das visões.

Deixei meu carro na garagem do prédio e subi carregando minhas pastas e as coisas que havia comprado num mercado tudo de uma vez ( o que era comum já que nunca gostei de fazer duas viagens) . Quando cheguei, no saguão, havia apenas um homem sentado no sofá. Vendo ele que não conseguia carregar minhas tralhas, se dispôs em me ajudar em pô -las no elevador. Ele foi muito simpático mas não disse uma palavra se quer e a invés de dizer um “de nada” ele apenas sorriu e me seguiu.

Suas roupas eram chiques : um terno muito bem alinhado como de um ator que estava recebendo o Oscar. Geralmente, via muito homens assim apenas no serviço. Se bobeasse, no meu prédio os homens andavam apenas de cueca pelos corredores ( o que é ou máximo sinal de conforto, ou máximo sinal de preguiça de levar as roupas para a lavanderia do outro lado da rua) .

O homem era taciturno. Tinha olhos azuis que fitavam cada movimento que eu fazia. Aquilo dava muito medo e quase que instantaneamente, veio em minha cabeça que poderia ser um estuprador, um assassino ou qualquer outra categoria que me fizesse temer pela minha vida. A coisa boa, era que se atrevesse em fazer qualquer coisa contra mim, o meu spray de pimenta frearia seu plano.

Mas foi então que o pesadelo começou : o elevador parou entre os andares 9 e 10 enquanto o meu era o 11. Agora eu estava presa com um cara desconhecido, com as câmeras de segurança em funcionar e apenas as luzes de emergência ligadas. Era uma cena de filme de terror onde eu seria a próxima vítima.

– Você é Natalie, filha do Jonas Caven? — O homem disse me encarando. Não arrisquei a olhá -lo direto nos olhos. Meu coração disparou. Como ele sabia o nome do meu pai? De um jeito sorrateiro peguei o vidrinho do spray no meu bolso.

– Talvez... O que deseja? — Movi o dedo para o botão. Ele expirou o ar aliviado.

– Achei que nunca iria te encontrar de novo... Fiquei tão preocupado... -Ele tentou me abraçar mas deu um passo para trás. Encarei — o assustada sem palavras. Seus olhos se encheram de água e meu instinto dizia para confiar nele, mas a consciência dizia o oposto. — Sou eu, seu avô Jefferson.

– É impossível... — Levantei minha mão com o spray mirando em seu rosto. Ele não tinha idade para ser meu avô. Talvez o máximo ser meu irmão.

–Já faz seis longos anos, desde que...bem... eu parti. Sei o quanto está em pânico mas acredite em mim, Nat … Você precisa acreditar...

– Me diga algo que apenas eu e meu avô sabíamos, se é que está falando a verdade. Se não irei ligar para a polícia … -Eu odiava dizer clichês mas precisava dizer aquilo. Com minha mão esquerda segurei meu celular. Não havia área mas era um bom blefe para ganhar tempo.

– São tantas coisas... Teve o dia que você foi em casa e me pediu pra contar as histórias da nossa família, ou então quando te acompanhei ao dentista para extrair um de seus dentes e ao invés de voltarmos para casa passamos no mercado para comprarmos banha de porco... Seu ciso sangrou o resto daquele dia....- Fui bombardeada por essas memórias que fez uma pequena lágrima acumular no canto de meu olho. Mas não era o que eu estava querendo- Mas a mais interessante foi quando a última vez que apareci lá na sua casa, com dois bolos caseiros que comprei para que você, a Amanda, seu pai e sua mãe repartissem. — Seu sorriso contagiante era idêntico da foto favorita que tinha dele — Era simples. Um era de coco e o outro de abacaxi. Suas amigas estavam lá e não quis atrapalhar então fui embora. Vi o brilho em seus olhos antes de ir para minha casa do quão feliz você ficou pelo presente. Eu deveria ter comprado mais mas não tive tempo...

Larguei minhas sacolas no chão espalhando meus mantimentos e o abracei com a toda a força que tinha em meus braços. As lágrimas que estavam sendo contidas saíram como uma cachoeira. Achei que iria desmaiar de tanta saudade. Seus braços me envolveram e por um minuto pude esquecer de todo o cansaço que estava sentindo. Encostei a cabeça no seu peito achando que iria ouvir seu pulsante coração e seus pulmões trabalhar mas não havia nada ali, apenas um fúnebre silêncio.

– Como o senhor ficou tão jovem ? — Disse assim que nos separamos, porém continuei segurar seus ombros o fazendo me encarar.

– É uma longa história Na...- Ele puxou meu rabo de cavalo, como costumava fazer quando tinha uns 5 anos, sorrindo. — Sou apenas um espirito e com esse anel posso me tornar de carne e osso por 3 horas. E suas visões?

– Como sabe? — Era a segunda pergunta que fiz em dois segundos. Aquilo estava ficando sem nexo.

– Como posso te explicar... Resumindo a história : Você é a próxima da linhagem querida e está na hora de sua primeira missão...

– Que linhagem? Missão? Do que está falando ? — Nada fazia sentido para mim. Parecia que ele havia usado drogas ou era a falta delas.

– Versão longa já que você não está entendendo... Desde os tempos imemoriais os Caven são Observadores, que é o nome bonito para vidente. Podemos saber o que vem pela frente e moldar o nosso futuro, ver coisas que pessoas comuns não veem. Você, Natasha é um tipo raro : Além dos sonhos, seus desenhos mostram o que está por vir. A última da nossa família com esse dom foi sua avó Elsa que morreu a mais de 40 anos. Pensei que havia acabado até que fiquei sabendo que havia previsto minha morte. -Ainda estava estonteada com as informações que havia acabado de receber.

– E sobre a tal missão? — Questionei -o querendo saber da segunda parte da coisa.

– Sim... Terá de descobrir quem me matou... Sei entrou de férias do trabalho estão terá tempo suficiente...

– Mas você morreu de infarto fulminante...O documento da necropsia comprovou...

– Não exatamente. A ultima coisa que me lembro do mundo vivo era que tomei um chá feito com isso daqui. — Ele tirou um saquinho do bolso de sua calça. As folhas estavam secas. Não quis abrir e cheirar com medo de ser maconha e acabar viciada. Mas do jeito que as coisas estavam indo, um pouquinho não faria tão mal para por a culpa em alguma coisa.

– Se estou certo, o laudo deu que ingeri um chá pouco tempo antes... — Acenei que sim com a cabeça … Há algo a mais nessas folhas, Nat e você vai descobrir por mim...

– O que devo fazer?

– Encontre Phillip Stone. Ele é botânico e deve saber o que é isso...

– Qual o endereço dele?

– Vai descobrir em seu sonho, Tasha... — Ele nunca me chamava pelo nome certo, Era irritante, mas senti a falta disso. — Não precisa ter medo. — Ele olhou na pedrinha em eu anel e viu que estava quase branca. — Vou indo. Confie ok... — Ele me abraçou e me beijou na testa. — Nos vemos em breve...

As luzes piscaram e ele não estava mais ali. Poderia dizer que não havia tomado meus remédios mas eu não tinha nenhuma doença mental, ou então bruxaria se eu acreditasse nisso. Minhas compras que estavam espalhadas no chão, voltaram para as sacolas e o saquinho com a erva misteriosa estava em meu bolso.

Assim que cheguei, larguei as coisas na mesa e o cansaço me atingiu como uma bala na cabeça. Até tentei arrumar as coisas no armário mais a exaustão foi maior. Me arrastei até meu quarto e me joguei na cama. Não foi dois segundos e Morfeu já me carregava em seu braços num sono pesado e relaxante.

Foi então que um nome apareceu em minha mente : Florian Fischer, a rua a três quarteirões do meu prédio. Acordei num pulo, com um pouco de medo. Encarei o teto por minutos, por uma trégua nos meus pensamentos conflituosos. Eu odiava tentar entender algo inexplicável com videntes, futuro e meu avô que havia aparecido. Pensei que tinha enlouquecido e aceitei que tudo havia sido apenas um delírio.

Liguei o rádio e um dos narradores anunciou enquanto fazia meu café da manhã :

“Congestionamento na avenida central. Aconselharia pegar essa manhã a Florian Fischer para cumprirem seus compromissos inadiáveis.”

Levei aquilo como um empurrão para continuar. Peguei minha jaqueta jeans e corri para o endereço, antes que fosse tarde demais.

Notas finais
COmentem!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.