Beyond the Sea

15 We Both Know That Isn't Fashionable to Love Me


Notas iniciais
Eu comecei a ponderar aqui que seria muito bom morrer. Sério. Esse fim de semana teve a feira de ciências e aconteceu tudo de errado: acordei meio atrasada, não expliquei direito o trabalho, a gente ficou na sala errada quando a gente deveria ter arrumado a tranqueira do trabalho na quadra então tivemos que desmontar tudo descer três lances de escada com o trabalho e mesas para remontar tudo na quadra, ficar exposta ao Sol das 9h às 11h30 e só pra melhorar a situação eu vi o garoto que eu gosto NÃO É NEM CRUSH É UMA QUEDA AO TÁRTARO de mãos dadas com outra garota e nem olhando para minha cara todo o tempo e no final ir até o meu trabalho perguntar o que era aquele monte de terra com planta e finalmente olhar nos meus olhos como se nada tivesse acontecendo. Eu To Bem Triste Então, espero que gostem desse capítulo e se eu não aparecer com o próximo é que eu saquei que todo o bullying que sofri quando criança das pessoas dizendo que ia morrer sozinha porque era feia e estranha é verdade e eu resolvi me matar e dessa vez deu certo.

Passaram-se dois dias desde a ida à Líbia, basicamente na manhã seguinte à costa romana já estaria bem à vista e enfim Annabeth começaria o ápice de sua missão em Roma: encontrar a maldita Marca de Atena, ser mais uma entre os mortos ou acabar de vez com a causa de rixa entre gregos e romanos.

Annabeth, obviamente, não conseguia dormir. Não pregava os olhos por conta da ansiedade e, principalmente, por causa dos pesadelos que sabia que teria. Já estar em uma missão suicida era pesadelo o suficiente.

Enquanto Annabeth se equilibrava na borda quebrada do que outrora era uma sacada, o luar gerava uma luz fantasmagórica na pele alva da filha de Atena, admirando os vários pontos no céu mediterrâneo. Dali era possível ver um rastro branco no céu, o que poderia ser uma neblina qualquer, mas que na verdade era nossa galáxia. Ademais, as estrelas pareciam mais brilhantes e significativas, fazendo qualquer um ficar horas observando como um bobo a abobada celeste.

– Em Londres não temos um céu assim. – comentou. Não para si mesma, podia ver Percy parado ao lado dela, sem falar ou encosta-la. Essa tática de se manter fora do alcance e frio que ele estava bancando era até de certa forma irônica, sendo que Annabeth não podia se lembrar de um único espaço de seu corpo que ele não tinha tocado. – E, pensando melhor, acho que não seria um grande problema para você se orientar se as estrelas desaparecerem.

– Grover diz que poluímos tudo, inclusive o céu.

Annabeth assentiu distraída, observando as ondas do mar que batiam contra o casco, quase do mesmo jeito que gostaria de bater na cabeça de Percy com um livro de, pelo menos, 600 páginas por fingir que não sente nada.

– Muito bem, senhor Don’t Let Them Know Don’t Let Them See Be The Good Girl You Always Have To Be, amanhã chegaremos a Roma e não estou nem um pouco disposta em sentir que estou partindo para a morte cheia de mentiras.

Percy piscou, depois juntou as sobrancelhas.

– Seja a boa garota que você sempre teve que ser? Sério Annabeth?

– Não mude de assunto, Jackson.

Ele bufou.

– É preferível morrer com uma doce mentira... – ele começou, deixando no ar.

– Do que viver com uma dura verdade. – continuou Annabeth, impaciente. – Sem frases de efeito, Percy. Para de achar que sou frágil, cassete! Sou uma semideusa também! Sou Annabeth Chase, filha da deusa da sabedoria e eu não nem uma princesa delicada que você tenha que proteger!

Percy a encarou longamente, mordendo a bochecha por dentro e com aquele olhar de que estava ponderando a ideia.

– Perseu...

– Luke e Thalia iam te matar. – disparou, calando Annabeth na mesma hora. Encarando os brilhantes olhos cinza, ele continuou – Seus queridos amigos de infância só foram até você para entregar sua infantil e linda cabeça loura para sua madrasta má. – ele deu de ombros. – Aparentemente, ela não pagou. Então eles ficaram com a vossa senhoria, e acabaram se afeiçoando.

Agora, realmente, Annabeth sentiu vontade de vomitar. Chorar de raiva por não ter percebido que havia algo errado, mas no momento que soube que eles eram semideuses, concluiu que talvez fosse isso. Também gostaria de socar uma parede. Ou duas. Ou talvez a cara de Thalia por ter omitido esse fato. Contudo, não é exatamente algo que conta-se casualmente “Aliás, era para eu te matar, mas você é tão fofa que não consegui, enfim, pode me passar o sal?”, acho que não.

Annabeth fechou os olhos fortemente, cravando as unhas na palma da mão de tanto apertar o punho para parar de tremer. A sensação era de ser esfaqueada cruelmente nas costas.

– Eu te avisei. – proferiu Percy.

Claro que ele não seria nem um pouco fofo ou compassivo. Claro que não, Chase. Não se pode se iludir com romantismo quando se está em um relacionamento conturbado com um pirata.

– Vou ficar bem. – concluiu Annabeth. – Obrigada por perguntar.

Ele a encarou confuso.

– Perdoe-me, Sabidinha I’m The Best of the Best and I can’t Be Hurt, foi você que pediu. Eu avisei que era melhor morrer com a mentira de que eles eram seus protetores.

Annabeth fechou os olhos novamente, dessa vez para que as lágrimas não saíssem. Talvez não as de raiva, mas pelo orgulho ferido pela teimosia e pela cara quebrada. As lagrimas saíram e saíram grossas e dando um banho no rosto de Annabeth, que tentava desesperadamente seca-las enquanto fungava baixinho. Percy, por bem ou não, acabou por não aguentar vê-la chorando. E, mesmo que Annabeth diga que odiou, na verdade ela o amou um pouco mais quando ele a abraçou.

– Vai me contar o que aconteceu com Rachel? – ela perguntou sem hesitar, meio que fungando, contra o peito dele.

Percy soltou um suspiro.

– Tens um dom digno de nota em cortar o clima pela raiz, senhorita Chase.

– Percy – ela choramingou, em tom apelativo. – Thalia e Luke já me machucaram o suficiente. Mesmo não tendo nada a ver comigo, não preciso de mais uma mentira me rondando.

Percy pensou, e concluiu que da próxima vez tentaria se apaixonar por alguém menos argumentativa. E, vamos combinar, discutir com um filho de Atena não é muito inteligente da sua parte.

– A pior parte da história não foi Rachel. – admitiu ele. – Eu a deixei, porque esse era o certo e geralmente a morte é o fim de pessoas que ficam muito tempo comigo. – ele deu de ombros, tentando sair casual. – Ela foi até mim um dia, aborrecida com algo, então, eles a mataram na minha frente. Rachel engasgou e só o que se via era sangue saindo pela garganta dela. – Percy balançou a cabeça, tentando em vão tirar a imagem da mente. – O pior é que sempre carrego a sensação que poderia fazer algo.

Annabeth, ainda engolida pelos braços dele, assentiu.

– E depois você negou uma missão aos deuses? – ela perguntou.

– Sim. – concordou. – Eles só me deserdaram. E sinceramente não achei algo tão ruim. Depois, como um ótimo filho que sou, fui ver como minha mãe estava com a noticia de que não estaria mais entre a vida e a morte todo verão. – Percy respirou fundo, parecendo que as palavras os engasgavam. – Mas quando cheguei à casa dela, ela, o marido e minha irmã mais nova estavam com os corpos cravados nas paredes por estacas. As cabeças arrancadas e o coração aos pés de cada corpo.

Annabeth percebeu que ele estava tremendo. Ela abriu a boca para dizer que não precisava continuar, mas ele continuou antes que ela pudesse fazer algo.

– Na parede estava escrito com o sangue deles, da minha família, é isso que acontece quando nos diz não. – Percy parou, encarando o nada e lembrando-se de como caiu de joelhos na porta de casa. Só tinha dezesseis anos e todos que amou estavam mortos. – Minha mãe se chamava Sally. Seu marido, Paul. E minha irmã...

– Charlotte Cecília. – Annabeth se recordou. – Sua marca. SPC.

Percy concordou, assentindo. Ele parecia longe, mas estava pensando em algo muito concreto. Ele não ia aguentar perder Annabeth também. Pelos mares, ela não. Ela não. Ela não.

Ela não.

– Provável que o que saia de minha boca vá parecer bem egoísta – disse Percy, pegando o rosto de Annabeth e olhando profundamente para o cinza intenso. – Mas, por favor, não morra. Eu... não posso perder você também.

Um sorriso tímido começou se abrir no rosto de Annabeth, aumentando e dando brilho no meio do rosto molhado pelas lágrimas.

– Não é porque vou numa missão ao qual ninguém nunca voltou vivo que você pode pensar que eu vá morrer. – ela piscou. – Você não vai se livrar tão fácil de mim, Cabeça de Alga. Disso, pode ter certeza.

Quando Annabeth se esticou para beijá-lo, foi como Percy nunca tivesse beijado uma garota antes. Seu cérebro pareceu virar liquido quando seus lábios se encostaram-se aos da filha de Atena, beijando-a sem pressa.

Estranhamente, Percy não sentiu vontade de arrancar a roupa dela em nenhuma hora. Eles se beijaram por um longo tempo, ele a levou para cama, mas nada além. Talvez, esse tenha sido um ótimo jeito de dizer adeus.

***

Annabeth abriu os olhos com o sentimento estranho de que, ao fim daquele dia, ela desejaria nunca ter saído da cama.

Mesmo assim, ela levantou. Arrumou suas coisas em sua bolsa de viagem e colocou todos os livros que pegara no devido lugar. Dobrou as cobertas e ajeitou a cama. Prendeu seu cabelo em trança mesmo com as possíveis reclamações de Silena. De quebra, ainda vestiu a mesma coisa da vez que chegou àquele navio.

Parecia a mesma Annabeth de sempre.

Só parecia.

Era meio de novembro, então o convés ficou com os respingos de água salgada congelados mais a neve que caia em flocos. O navio já estava atracado, não precisaria de muito, ela já tinha visto o mapa, era só pular a amurada e pronto.

– Às três da tarde. – combinou Percy, com as mãos nos bolsos do casaco e com as bochechas um pouco vermelhas pelo frio. – Esteja aqui às três.

Annabeth ergueu uma sobrancelha.

– E se não estiver?

Percy a encarou. O cabelo dele estava mais bagunçado do que o normal pelo vento, o negro contrastando com os flocos brancos que caiam nele. O verde dos olhos dele pareciam mais brilhantes com a pele corada de frio. Ele já estava muito mais bonito do que normal e, quando ele abriu o sorris torto, não foi difícil criar uma teoria de toda a população feminina poderia estar apaixonada pelo filho de Poseidon.

– Então serei obrigado a te procurar até no Tártaro, senhorita Chase.

Então ele a beijou com consciência de que todos os estavam encarando. Percy não ligou, e aparentemente Annabeth muito menos.

– Vou ficar bem. – disse ela. – Prometo a você.

– Está em um relacionamento comigo, Annabeth. – Percy constatou. – As coisas nunca ficarão bem. – ela abriu a boca, mas Percy a interrompeu. – Mas, por favor, vê se volta viva. E mate uns monstros por mim.

Annabeth sorriu e o beijou novamente. Percy apertou uma última vez a mão dela e a deixou ir. Ele a observou até ela ser um ponto no meio dos prédios e finalmente sumir por dentro da cidade.

– Você acha que ela vai voltar? – perguntou Nico.

Percy encarou a costa romana como se pudesse ver Annabeth por entre as muralhas e igrejas da cidade italiana.

– Espero.

Notas finais
espero que tenham gostado, realmente. Enfim, vou estar aqui, ouvindo Terrense Loves You ou outra música que dona Lana vazar de Honeymoon mas Terrense Loves You traduz muito minha fossa principalmente a parte da I lost myself when I lost you. Aliás dona Lana muda essa capa enquanto é tempo tá linda, já tenho muita decepção na minha vida. Gente, sério, eu to sentindo como se me coracção tivesse sido arrancado esfaqueado e colocado de qualquer jeito no meu peito ta doendo muito muito mesmo. Talvez eu fique bem com os incentivos de vida da minha amiga. O último dela foi " sua vagina é preciosa de mais para a boca cheia de afta dele". Enfim. Ninguém quer saber. Vejo vocês nos reviews. No One Could Love Me XOXO Gossip Fossa Girl