Beyond the Sea

12 Love Me Like You Do


Notas iniciais
SO LOVE ME LIKE YOU LO-LOVE ME LIKE YOU DO TOUCH ME LIKE YOU DO TO-TOUCH LIKE YOU DO músiquinha de 50 shades para um capítulo apropriado. Entendam como quiser.

Três dias.

Três dias inteiros que Annabeth ficou enfurnada no quarto, lendo cartas, livros e estudando mapas enquanto olhava a placa dourada que indicava algum lugar à margem do Tibre. Ela acabou achando um mapa de Roma e com este achou também o lugar exato que o mapa dourado indicava.

Will Solace passara pelo menos umas duas vezes para trocar as ataduras, até que, finalmente no terceiro dia, ele lhe deu alta. De quebra ela ainda conseguiu tomar um banho e trocar de roupa, mas o que mais lhe agradou foi poder andar novamente. Ainda estava manca, de modo que a perna esquerda ganhava mais peso do que a direita, porém isso já era de bom tamanho.

Soubera também por Will que só chegariam a Roma em oito dias, pois ainda precisavam ancorar na Líbia primeiro. Por Annabeth, tudo bem. Ela teria até mais tempo para encarar o obvio: que desta viagem talvez não volte.

Aproveitando que agora podia sair de sua cabine, esperou a lua se estender alta no céu para subir as escadas. Annabeth parou a dois degraus do alto, espiando se teria alguém do caminho até a porta. O cômodo estava com velas acessas, iluminando-o por inteiro, mas Annabeth não vira uma única alma viva.

Continuou seu caminho sem olhar para trás, parando na porta ainda com o vidro quebrado e escutando. Convicta que não havia ninguém do lado de fora – ela sabia que, pela lei, havia um toque de recolher que se iniciava às 20h – destrancou a maçaneta e saiu para o ar livre. O frescor da noite lhe foi bem aceito; sua pele saboreando a luz da lua como se fosse a luz do sol.

– Ora, mas vejam só – Annabeth dera um pulo e já tinha a mão na adaga, mas quando se virou para o lado e viu quem era, suspirou de alivio. – Quem é vivo sempre aparece.

Leo tocou uns breves acordes em seu pequeno violão antes de se espreguiçar. Ele se encontrava jogado em um dos degraus da escada que levava a elevação do timão, os dedos distraidamente no instrumento musical. Parecia que sua mente estava longe dali, se bem que, quando se é um semideus isso é bastante comum.

– O que fazes uma dama estar acordada tão tarde desta fria noite? – Valdez cantarolou. – Será amor?

Annabeth achou graça.

– E o que fazes um marujo ainda estar em seu posto no frio da noite? – disse ela, subindo as escadas e sentando-se a um degrau abaixo dele. – O doce desprezo de uma garota latina? – ele não respondeu, focalizou o olhar em algo além e se manteve em silêncio até Annabeth perguntar – Se me permite saber, porque ela te despreza tanto?

– Reyna não me despreza, aquela mulher me ama. – contou vantagem. – Só não sabe demonstrar o sentimento.

– Ah, certo – debochou a loira – porque querer cortar a garganta do outro é um ótimo jeito de demonstrar que está amando.

– Não pode falar muito Cachinhos Dourados, você e Percy vivem querendo se matar.

Annabeth sentiu-se enrubescer e agradeceu por estar escuro.

– Isso não vem ao caso.

– Bem, então me diga por que iria te contar a causa do amor incubado de Mí Reyna por mim?

– E porque não iria? – Annabeth deu de ombros, e pelo silencio do outro conseguiu o desejado.

– Sabe, é muito irritante conversar com um filho de Atena porque no final ele sempre vai ter razão. – comentou Leo, deixando seu violão de lado e pegando uma garrafa de bebida. – Não preciso explicar muito, você a ouviu quando a encontramos. Queimei o navio dela e você nunca, nunca mesmo, deve queimar um navio se o capitão não for junto. E, bem...

– Não poderia deixar que Reyna morresse. – Annabeth adivinhou. Ela percebeu que, mesmo sendo piratas, ainda eram semideuses. E só pelas histórias ela podia ver que quando um meio-sangue ama, ama incondicionalmente. Odeia incondicionalmente. Como se todas as emoções são aumentadas pelo icor divino. – Agora, como e porque queimou o navio dela?

Como só tinham a luz lunar, Annabeth não podia ver sua expressão, mas de algum jeito Leo pareceu constrangido. Depois de um tempo, labaredas apareceram. O mais estrondoso era que o fogo vinha dos dedos de Leo. No reflexo laranja, Leo viu algo que não era comum: Annabeth não parecia nem um pouco surpresa. Sua expressão era de entendimento.

– Certo, agora o por quê?

Mesmo com a pele morena e a luz alaranjada, Annabeth viu Leo enrubescer até mais que o normal. Pressionando os lábios, ela não precisou de mais nenhuma explicação dele.

– A Reyna estava junto... Acertei? – perguntou, mesmo sabendo a resposta. – Sinceramente não preciso saber o que exatamente estavam fazendo, mas pelo jeito a expressão “meu bem meu corpo ferve por você” se tornou perigosamente literal.

– Basicamente, depois disso tudo pairou sobre a minha cabeça sem sentido nenhum.

– Leo, sem ofensas, mas você é desse tamanho. — Annabeth fez um gesto com a mão, como se medisse o ar. – Tudo paira sobre a sua cabeça. – Leo a encarou, mas a única coisa que fez foi fazê-la rir da sua expressão. – Certo, desculpe. Ah, então, quer algum conselho feminino?

Leo Valdez soltou uma risada cansada, apagando o fogo das mãos e pôs o ambiente sob a luz prateada novamente.

– Não sou eu que preciso de um conselho. – sua voz saiu com um tom que ficava difícil não entender o que ele queria dizer. Leo se arrependeu da indireta assim que viu a cara de Annabeth. Ele percebera que a garota não precisava de muito para intimidar, somente a sobrancelha levantada lhe dava calafrios. De algum jeito, ele conseguiu continuar: — Não me olhe assim. Eu... Olhe, eu não conheço o Percy há tanto tempo quanto Silena e Nico, nem o conheço tão bem quanto Grover. Mas sei reconhecer quando alguém apaixonado. E não vejo isso só nele, também consigo ver isso em você.

– Bem, — Annabeth pigarreou, se sentindo extremamente desconfortável – é algo complicado.

– Não, não é. Vocês que complicam. – ele conseguiu fazer algo histórico: Annabeth se calou, encarando-o profundamente. Mesmo assim, Leo conseguiu continuar – Acho que vocês tem que parar de palhaçada. Pois o tempo está acabando. E o seu tempo, mais precisamente, não vai ser muito longo.

***

Annabeth odiava admitir que alguém estava certo. Principalmente quando esse alguém não era ela própria. Mas o argumento de Leo era válido e merecia ser repensado. Antes que pensasse demais e acabasse hesitando – e inevitavelmente desistindo. Em uma decisão impulsionada, Annabeth levantou-se e saiu com passos tão decididos que qualquer um que passasse por ela sairia do caminho.

Leo a observou até ela desaparecer porta dentro.

– Boa noite para você também.

Lá dentro, ainda no corredor, Annabeth ouviu vozes e então estancou. Ela pensara na garota que viera até Percy no dia que voltaram de Paris... Calipso, era o nome dela. Annabeth então parou e ouviu. Não conseguiu distinguir palavras, mas soube que uma era de Percy, claro, a outra era de Grover. Com a coragem de volta, ela continuou seu caminho.

Percy estava sentado em sua cadeira de encosto alto, debruçado sobre a mesa estudando um mapa. Grover estava em pé ao seu lado, examinando um astrolábio e direcionando o olhar do céu estrelado para o instrumento. Em um desses lances, Grover acabou vendo-a na porta. Ele a cumprimentou com um sorriso.

– Que bom ver que já está andando, senhorita Chase.

– Se você acha bom, quem dirá eu. – Annabeth sorriu, o mais amigável que conseguira por debaixo de todo o nervosismo.

Ela encarou Percy até ele perceber isso.

– Que foi? – disse, provavelmente o mais arrogante e rude que conseguiu. Annabeth se estressou por ele nem ter sequer a encarado. – Não espere que eu te parabenize por se curar de um ferimento que praticamente fez em si mesma.

– Não espero que faça isso até porque você esperava que eu ficasse quieta enquanto vocês estavam sendo mortos. – Percy a olhou por baixo dos cílios, o tipo de olhar que te faria gelar. Mas não Annabeth. Ele não a atingia desse jeito. – Eu sou Annabeth Chase, Perseu, não Rachel Dare. Eu sou uma semideusa não uma mortal.

Por um momento, pareceu que o mundo se silenciou. Annabeth sentiu que tocara no ponto fraco só pela trincada no maxilar que Percy dera. Seu rosto era uma máscara e, pela primeira vez, Annabeth sentiu um calafrio primitivo de sobrevivência. Ela buscou se lembrar que conseguia ser tão perigosa quanto ele para poder continuar com a expressão gélida.

Pelo canto do olho, Annabeth viu Grover se distanciar o mais silenciosamente que conseguiu, se esgueirando na parede como se pudesse se tornar parte dela. Ainda com os olhos em Annabeth, Percy o chamou:

– Nem pense nisso, Homem-Bode.

Annabeth não viu o que ele fez, mas pela audição ou ele bufou ou soltou o ar pesadamente.

– Penso e repenso, Jackson. – foi a resposta dele. – Já são adultos o suficiente para se entenderem sozinhos. Au revour!

– Prometo ser matura, só não posso fazer nada quanto ao idiota na minha frente. – Annabeth soltou, sorrindo debochada para Percy.

Percy parecia fazer esforço pra não voar com as mãos para o pescoço dela e, antes de sair, Grover rezou à Afrodite que fosse boazinha ao menos uma vez. O sátiro não imaginava que não precisava de uma oração para que no fim aqueles dois se entendessem.

– Cuidado com suas palavras loirinha. – ele avisou, levantando-se e contornando a mesa lentamente, os olhos cravados nos dela. – Ainda sou o único idiota que chega o mais perto de se importar com você.

Aquilo foi como a gota d’água, tudo que Annabeth derramou depois era o que estava entalado, pedindo para sair a muito tempo.

– Não me faça vomitar, Jackson. Você é um egocêntrico que só se importa consigo mesmo e a única coisa que vê é o seu nariz empinado! Lealdade é uma ova, é tão orgulhoso e arrogante quanto eu! – nesse momento, Percy estava muito perto dela, colocando-a entre ele e a mesa, mas nem por isso ela hesitara. Estava no embalo. – Então não me venha com essa porque não vejo motivo aparente para você...

Annabeth praticamente perdeu a voz quando Percy socou a mesa atrás dela, os rostos a centímetros de distancia. Ela praticamente podia ver-se no reflexo da íris dele. Quando Percy começou a falar, era praticamente um rosnado:

– O motivo, caso não tenha percebido sua criatura imbecil, é que eu estou apaixonado por você. – Annabeth tinha um detector de mentiras eficaz interno, mas Percy falara de uma maneira tão convicta e a encarando tão diretamente que ela não teve dúvidas. – Eu... Droga, estou em um precipício e rezo para que a queda nunca chegue; quero te proteger e também quero te jogar na minha cama e nunca te deixar sair de lá.

Annabeth sentiu a boca secar e ficar sem fôlego, o coração bater forte e ir até sua boca e voltar. Ela se sentia uma idiota por sentir isso, exatamente como se sentiu quando se achou grata por ele ter a acompanhado na missão na França. Lembrou-se também de como a dor no peito causada por ciúmes era sufocante. Ela queria que ele fosse dela. Só dela.

– Então me empurre para a queda, mas nunca deixe-me cair no chão.

Annabeth viu o brilho do sorriso torto antes de chocar com força os seus lábios nos dele; as mãos de Percy apertaram sua cintura para cima, fazendo com que ela se se sentasse à mesa atrás dela. Annabeth encaixou a mão na nuca dele, entrelaçando os dedos no cabelo revolto, enquanto a outra adentrava a camisa de Percy sem pudor algum. Os dedos dele desfaziam os nós do espartilho enquanto as mãos dela o incitavam a chegar mais perto, mesmo que ambos estivessem totalmente grudados.

Depois de jogar o espartilho para longe, Percy pousou as mãos na mesa e, com um movimento jogou tudo que estava em cima no chão. Os objetos que caíram fizeram um estrondo danado, mas eles não pareceram se importar. Estavam perdidos em beijos quentes e lentos, sem pressa pra acabar, obviamente dizendo um ao outro que queriam que aquilo durasse para sempre.

Annabeth retirou a camisa dele, aproveitando para senti-lo. Desde a pele arrepiada ao jeito que os músculos se definiam. Os calçados de ambos estavam longe e estavam praticamente debruçados sobre a mesa. Annabeth sentia tudo ficar prazerosamente quente. Uma das únicas vezes que se desgrudaram foi quando as mãos de Percy passearam pelo corpo dela ao mesmo tempo em que lhe retirava a blusa por cima da cabeça, emaranhando a cabeleira dourada.

Percy puxou a cintura de Annabeth ao seu encontro, deitando-a na mesa e retirando-lhe a calça. Ela puxou o pescoço dele para frente, no encontro de outro beijo, retirando o que lhe restava de roupa. Antes que percebesse, estava debaixo dela, olhando aquele corpo que poderia ser uma obra-prima de Bernini trabalhando, rebolando com intensidade. Percy a olhou umedecendo os lábios antes de gemer seu nome.

Percy então cravou os dedos nas coxas de Annabeth e se inclinou para frente, ao encontro da boca dela. Annabeth sentiu as mãos dele um pouco acima da sua cintura, e de repente ela estava debaixo dele. Eles se encararam por um momento e tudo pareceu diluir, todos os problemas desapareceram e o mundo era só eles: grudados, suados, loucos de paixão. Nenhum dos dois desgrudou os olhos um do outro depois disso, as íris dilatadas enquanto gemiam e suspiravam entre beijos.

No último momento, Annabeth arqueou o corpo em puro êxtase e se enroscou mais em Percy; ele, por sua vez, chocou o corpo contra o dela em uma entocada tão forte que ela se segurou para não gritar. O corpo inteiro dele tremeu, mas ainda assim se concentrou para não despencar em cima dela. Percy a encarou, os olhos semicerrados e a boca entreaberta, o peito subindo e descendo rapidamente. Ele depositou um beijo rápido dos lábios dela antes de se distanciar, colocando os pés no chão e se segurando na mesa.

– Isso foi... – suspirou Annabeth, inspirando profundamente. – Intenso.

– É. – Percy concordou, ainda um pouco ofegante. – Intenso é uma boa palavra.

Annabeth o olhou, fitando as letras em grego marcadas entre a nuca e as costas dele. SPC em grego. Annabeth impulsionou-se para cima, sentando ao lado dele e passando a ponta dos dedos na pele com tinta. Percy se arrepiou na hora. Com uma sobrancelha levantada, Annabeth lhe mandara uma pergunta silenciosa. No mesmo silencio ele respondeu um claro “não agora”. Ela não quis insistir.

– Então, — ela arriscou – planos para o resto da noite?

Percy abriu um sorriso torto, sacana e sarcástico. Ele só precisou de um outro beijo para mostra-la o que tinha em mente.

Notas finais
ALELUIA ALEEEEEEELUIA AMÉM GLÓRIA A... deuses? Enfim, graças que esses dois se pegaram até eu estava esperando pra fazer isso até mais do que eu estou esperando o senhor Langdon pegar a senhorita Vettra o livro de Anjos e Demônios inteiro. Aliás, o santo do Robert é forte, ele devia ter morrido umas três e o viado sobreviveu até uma queda do helicoptero sem para-quedas. Anyway amores, eu não sei se vou demorar e -ah, aliás, se tiver algum erro podem avisar porque eu colei e postei isso rapidão nem tive tempo de betar. AH E QUERO AVISAR QUE SE TUDO CORRER COMO DEVE CLOSER VOLTARÁ DAQUI HÁ DUAS SEMANAS se tudo correr como deve, mas acho que sim porque estou com saudades da minha Charlotte. ENFIM beijos amados vocês estão no meu coração por me suportarem You Know You Love Me XOXO Gossip Girl