Beyond the Sea

10 Don't Make Me Sad


Notas iniciais
AND I COME LIKE A PHONIX sinceras desculpas gente, eu sei que estou demorando pra caralho, até mais do que o habitual. Mas, quem está no ensino médio sabe, você não tem descanso. Só consegui começar o capítulo na Páscoa e depois disso não tive tempo de sentar e escrever. Além da escola, também tem Saerj (pessoal que não é do rio: é uma prova do estado que é feito no ensino médio pra ver como está a educação, é essa prova que determina se o ensino da escola está bom o não, e também determina a “nota” da escola. Por exemplo, a minha escola, Higino da Silveira, tem nota A, quer dizer que o ensino é bom). Além disso, também teve UM CERTO SER DE 22 ANOS QUE SAIU DA PORRA DA BANDA, SE JUNTOU COM O COCHINHA WHO E AINDA ESTÁ NAMORANDO A PORRA DA PERRIE vai se fuder zayn malik. O outro fator importante é que: estou sem internet. Só consegui postar isso porque rotiei do meu próprio celular, sem comentários. Talvez assim minha mãe coloque wi-fi aqui em casa. GENTE GOT VOLTOU E ESTOU 100% PREOCUPADA PORQUE OS DRAGÕES ESTÃO 100% REVOLTS COM A DAENERYS CHAMA O SOLUÇO PRA TREINAR OS DRAGÕES SCRR ALIÁS EU VI ESSES DRAGÕES CRESCEREM GENTE DO CÉU. VAI TER FODINHA DE MELISSANDRE E JON, NÃO ME IMPORTO DE VER A BUNDINHA DO KIT DE NOVO NÃO ME IMPORTO. ARYA RAINHA DO NORTE CADÊ? BRAN CADÊ? SANSA VAI CONTINUAR SONSA PRO RESTO DA VIDA E É ISSO MESMO. LENA HEADLEY MEU CU É SEU. Mais algo sobre minha vida que ninguém quer saber? Ah, eu fui pra Argentina olha que lecal. Enfim. Boa leitura amores.

O sol já enfraquecia sua luz quando os dois semideuses chegaram a Orléans.

Annabeth tinha calos nos pés, sentia suas bochechas arderem por conta do frio de fim de Outono e, só não estava extremamente cansada por que já se acostumara em fugir correndo e andar longas distâncias. Percy já não parecia abatido, pelo menos não fisicamente. Os machucados causados por monstros inconvenientes ao longo da estrada – que, aliás, não foram poucos – já se curaram. Mas ele se mantinha calado desde que encontraram uma Maldição perdida – primas distantes das Fúrias, só que mais feias. Quem a mandou de volta para o Tártaro foi Percy e, vendo pela expressão dele, era como encarar os próprios demônios.

Eles só pararam quando adentravam os portões da cidade. Annabeth permitiu-se fechar os olhos ao inclinar-se na parede, descansando o corpo e percebendo o quanto as pernas estavam doloridas. Ela ergueu uma sobrancelha quando Percy passou por ela como se não a conhecesse, carregando consigo um recipiente de madeira sustentado por uma alça de metal.

– Aonde vai com isso? – perguntou ela, vendo que o balde também estava com água até a metade. Percy continuou seu caminho sem respostas, com Annabeth o seguindo. – Perseu? – ela o chamou, enquanto ele começava a assoviar descontraído. – Jackson! Por acaso dói responder alguma das minhas perguntas?

Ele finalmente parou na parte de trás de uma taverna, com a mão livre na porta dos fundos.

– Se lhe pedisse para ficar aqui, ficaria?

Annabeth levantou as duas sobrancelhas como se a resposta fosse óbvia. Percy a encarou por uns instantes e adentrou a taverna, sendo seguido pela loira logo depois. Ouvindo os passos dela, ele soltou um longo suspiro.

– Mas é claro que não. – sussurrou, deixando com que ela andasse ao seu lado.

A porta dos fundos levava a um corredor estreito com o teto rangente, portanto presumia-se que logo acima era o chão do segundo andar. O cheiro não era nada bom, nem os gemidos que vinham lá de cima. No fim do corredor, eles passaram por uma porta que levava diretamente a parte do bar: uma longa bancada com bebidas, viajantes entrando e saindo e alguns bêbados da noite interior esparramados sobre a mesa. Nas escadas, o que mais se via eram homens descendo e entregando uma moeda de prata ao homem da bancada.

O temor de Annabeth se concretizou quando Percy subiu as escadas, enquanto ela hesitou antes de segui-lo. As escadas levavam a um corredor idêntico ao de baixo, porém este continha doze portas de cada lado. Em cada porta, com exceção das que estavam fechadas, havia uma presença feminina. Só de anáguas, aquelas garotas não eram tão mais velhas que Annabeth, com espartilhos apertados e algumas com peito desnudo. Elas encaravam Percy com uma mistura de sedução e pedido, “por favor, pague para me comer”, os olhos borrados de maquiagem.

Annabeth sentiu como se uma corda estivesse amarrando o peito quando Percy estancou ao lado de uma porta abeta, a garota de cabelos negros e corpete rosa. Os dedos finos tiraram o cigarro da boca e sorriu para ele, empinando o corpo de modo que os seios apertados ficaram aparentes. Sua expressão se diluiu como água quando Percy pronunciou:

– McLean.

A garota bufou e inclinou a cabeça para o fim do corredor.

– Ela está ocupada.

Percy abriu um sorriso torto e continuou o caminho. A corda no peito de Annabeth se soltou, mas ela ainda se sentia desconfortável. As garotas lhe lançavam olhares mortais e cruzavam os braços, como se a desaviasse a tentar alguma coisa.

Eles pararam em frente à porta número dez. A loira estava curiosa para saber o que Percy pretendia, principalmente quando os gemidos vindos de dentro do quarto não eram excepcionalmente sutis. Ele segurou o balde na altura dos olhos de Annabeth; entendendo o recado em um revirar dos olhos, as mãos seguraram a madeira molhada.

– Assim que eu abrir jogue a água. – ele a instruiu.

– E fazer o que com o balde? Jogá-lo em você?

– Para de me amar. – disse enquanto tomava distância.

Com um impulso, Percy jogou a perna pra frente, chutando a porta o suficiente para soltá-la das dobradiças. No instante seguinte, Annabeth jogou a água as cegas. Pelo grito – a mistura genuína de surpresa e susto – a água chegou onde deveria.

Os dois ficaram parados na porta, apoiados no batente, observando a cena a seguir: lençóis molhados, a umidade espalhando-se pela cama e gotas se juntando às pequenas poças no chão. Uma garota de pele dourada e traços de índio gritou e se jogou contra o piso rangente de madeira, encolhendo-se contra a parede com as pernas e os braços escondendo o que podia. Seu acompanhante, — um loiro alto e pele branca – vestiu as calças tão rapidamente que acabou caindo de cara no chão ainda com a roupa dos tornozelos. Ele se contorceu para cobrir a bunda branca e se levantou em um pulo.

– Não é uma boa cena de se ver logo depois de comer. – ironizou Annabeth. – Não é uma boa cena em nenhum momento.

– Jason seu suíno imprestável! – Percy o cumprimentou com um sorriso debochado enquanto o loiro – Jason o suíno imprestável – tentava ajeitar o Pequeno Jason Suíno Imprestável dentro da calça. Não que precisasse de muito, aquilo era como Luxemburgo: história ilustre, mas certamente não muito grande. – Pelo que me lembre, combinamos que logo na entrada da cidade eu encontraria você e Blackjack. E imagine a minha decepção quando, ao invés disso, encontro você e Piper. – ele sorriu para garota, mexendo os dedos em um tchauzinho. – Pensei que era menos imbecil, Grace.

Jason Grace suspirou tão profundamente que poderia ter tirado todo o oxigênio do cômodo. Ele cruzou os braços na tentativa de se próprio se segurar.

– Em primeiro lugar: aquela criatura se alimenta de almas de filhotes e sonhos de crianças carentes! Aquela coisa é do mal! – o loiro argumentou. – Em segundo: já tentou pegar um pégaso que, definitivamente, não gosta de você?

– Sim, ele tem asas. E você é um filho de Júpiter que consegue controlar os ventos e criar tempestades mas um simples pégaso não captura. – Percy balançou a cabeça. – Se quiser achar alguma coisa que acha por si mesmo. – murmurou. Seu olhar foi para garota encolhida no chão. – Poderia ser por minha conta, mas sejamos sinceros, você não deve ser tão cara.

Piper fez uma expressão de alguém que acabara de levar um tapa. Sem nem mais uma palavra, Percy se dirigiu pelo corredor sem olhar para trás. Annabeth deixou o balde no chão do quarto, mas estancou no meio do caminho e retornou.

– Você é um Grace? – ela perguntou sem delongas. Piper, que amarrava sua anágua a cintura, a encarou e depois olhou para Jason.

– Sim, por que quer saber? – respondeu ele, ocupado colocando a blusa sem olhá-la.

– É irmão da Thalia Grace?

Isso fez com que ele a encarasse, um brilho de interesse nos olhos azuis elétricos.

– Sim... – ele parou, parecendo reconhecer Annabeth. – Você é a Annabeth Chase, não? – ela assentiu e, por alguma razão, ele riu. – Então minha irmã finalmente contou-lhe sobre tudo?

– Não exatamente...

– Até mesmo o que Atena mandou que ela e Luke fizessem?

Annabeth estancou. As palavras presas como se um nó tivesse se formado em sua garganta.

– O que Atena mandou que eles fizessem?

Antes de Jason responder, alguém pegou no braço de Annabeth de repente. Se ela não tivesse visto, provavelmente Percy estaria com um braço torcido. Ela olhou novamente para Jason, esperando a resposta, mas o garoto loiro nada dissera. Então, Annabeth permitiu ser levada para saída.

***

(LEIAM O CAPS DAS NOTAS FINAIS, obrigada pela atenção tenham uma boa semana).

***

– Missão Um comprida. – disse Percy quando já tinham cruzado a cidade. – Missão Dois: encontrar um cavalo alado negro egocêntrico.

Annabeth já não o ouvia. Sua mente reproduzia sua conversa com Jason Grace repetidas vezes, de novo e de novo. Os acontecimentos nos últimos dias não lhe deram momento para se sentir amargurada, até mesmo se sentir traída, por nenhum deles ter lhe contado. Claro, isso não é algo que se fala assim do nada “você é uma semideusa filha da deusa Atena, passe o sal por favor?”. Mas, para todos os efeitos, também não precisava esconder até que a própria Annabeth descobrisse tudo de uma vez.

Além disso, ainda havia o que Jason não lhe contara. Até mesmo o que Atena mandou que ela e Luke fizessem. Estava ficando cada vez pior. Atena lhe confiara uma maldição, um mapa para um artefato misterioso, sem lhe dizer mais nada senão “siga a Marca de Atena. Vingue-me.” Agora Annabeth se encontrava pensando no que sua mãe mandasse Thalia e Luke fazer. De primeira, lhe passou a ideia inocente de que eles fossem tutores. Porém a expressão de Jason foi como se o segredo fosse mais cabeludo que isso.

A bolsa que carregava o críptex ficou ainda mais pesada.

Siga a Marca de Atena.

Vingue-me.

Annabeth suspirou uma fumaça de ar quente contra a noite de novembro. Abraçando os próprios braços, ela olhou para cima e constatou que a lua tinha sumido nas nuvens, de alguma forma deixando o tempo mais frio. Sua blusa fina nem de longe a esquentava e já tremia claramente.

– E-e como pre-pretende conseguir acha-lo? – Annabeth balbuciou com os dentes tremendo.

– Não é assim tão difícil. – disse Percy, olhando-a de soslaio antes de tirar o casaco e o estender para Annabeth. Ela encarou o casaco e depois se voltou para ele com a testa franzida e as sobrancelhas juntas. – Ande, não seja tão orgulhosa. É só um casaco.

As mãos de Annabeth pegaram a peça com relutância, mas colocou-a em seus ombros agradecida. O casaco de couro era quente e cheirava a Percy: maresia e sal.

– E quanto a você?

– Muito gentil se preocupar comigo, Cachinhos Dourados, mas não é necessário. Não vou virar um Persicolé.

Annabeth emitiu um ruído de risada abafada.

– Isso poderia ser um flerte. Chame-me de Persicolé e vem me provar.

A risada de Percy fez Annabeth sorrir, só um pouco.

– Então, diga-me, essa péssima cantada funcionaria com uma dama como você? – ele se virou para olhá-la, ou ao menos achou que fosse ela pelo brilho dourado do cabelo.

– De jeito nenhum. – admitiu.

– Então não me serve.

Ela abriu a boca, mas o comentário se perdeu quando dentre as árvores um barulho de galho se quebrando ecoou. Em um movimento rápido, Annabeth já tinha a adaga em mãos, os músculos tensionados e a audição – já melhorada pela falta de luz – ainda mais aguçada. Ao seu lado, Percy assoviou.

– Seus reflexos estão melhorando.

Annabeth poderia manda-lo calar a boca, mas já não adiantava. Uma forma enorme pulou a copa das árvores e pousou bem à frente deles. Como não houve barulho, podia presumir que o tamanho não interferia na graciosidade da...Do... Da coisa lá. Annabeth se impulsionou para frente, com a adaga em punho, até ser parada por Percy, segurando seus braços com força.

– Regra número um: ninguém encosta no meu cavalo. Nem mesmo você. Muito menos com uma adaga afiada.

– Seu... O que?

Percy a soltou e ela sentiu-o longe. Só conseguiu enxerga-lo de novo quando ele desembainhou a espada. 90 cm de puro bronze celestial brilhavam como ouro, então Annabeth nem precisou semicerrar os olhos para enxergar a face de Percy e a cara de um cavalo negro. Só pela cabeça, se conseguia ver que o animal era lindo, apontar qualquer arma para ele seria um crime.

Annabeth guardou a adaga de volta à bainha e se aproximou. O pégaso não se afastou quando ela pousou a mão entre seus olhos negros.

– Ele é lindo.

Até um cego pode ver isso, querida. Blackjack pensou, fazendo Percy revirar os olhos. Quem é a criança, chefe?

Annabeth, Blackjack. Blackjack, Annabeth.

E não me chame de chefe.

Mestre?

Piorou.

Garoto d’água?

Percy o encarou com o maxilar trincado.

Certo. Homem d’água?

O olhar de Annabeth passou de Percy para Blackjack e retornou para Percy novamente.

– Está conversando com ele? – perguntou, quase incrédula.

– Sim, por quê?

– E, sabe, ele te entende? – seu tom era debochado.

– Não sei se leu em algum daqueles livros que Poseidon criara os cavalos a partir da espuma do mar. Por conta disso, eu. Entendo. O. Que. Eles. Pensam. – ele falou bem pausadamente, como se ensinasse uma criança o alfabeto. Mesmo sabendo que ele provavelmente não veria, Annabeth fez uma careta de desgosto. – Agora vamos. Prefiro mil vezes cair de cima de Blackjack do que ouvir sua voz irritante mais uma vez.

Percy embainhou a espada e sumiu na escuridão. Annabeth seguiu as cegas para o lado de Blackjack, sentindo a asa do pégaso subir para ela passar. Suas mãos tatearam o tronco do animal e se impulsionou para cima, se ajeitando como pôde. Ela sequer encostava-se a Percy, segurando-se nos pelos de Blackjack.

– Hm... – Annabeth murmurou. Pelo pouco que a conhecia, Percy já sabia que aquilo não era um bom sinal. – É possível que ele chegue ao outro lado do país em tão pouco tempo?

– Ainda achando que algo pode ser impossível, lamentável. – uma ideia lhe passou pela cabeça e, de alguma forma, Annabeth quase sentiu isso. – Aposta quanto?

Sabia a loira pensou, revirando os olhos.

– Dez libras.

– Prefiro sua blusa.

– Porque quer minha blusa?

– Por que prefiro você sem ela. – Percy respondeu simplesmente.

– Ontem não foi suficiente?

Mesmo sabendo que talvez ela não enxergasse, Percy olhou para ela sobre o ombro, sorrindo de lado.

– Nem dez mil noites serão suficientes, minha cara.

Annabeth agradeceu a escuridão, pois sentiu seu rosto esquentar automaticamente.

Esquecera a ruiva, chefe? Blackjack perguntou.

Que ruiva? Percy o respondeu telepaticamente.

– Pronta? – ele perguntou.

– A qual velocidade ele voa?

– Mais devagar impossível. – mentiu.

– Estou intrigada, como ele pode chegar ao sul assim? – o tom de Annabeth era de deboche. – Já está dando a aposta de bandeja, Jackson?

– Isso nunca, Chase. Mas, se está tão preocupada, Blackjack vai a uma velocidade segura. – quanto mais veloz melhor, Blackjack.

Chefe, com todo respeito, você é um cafajeste.

Eu sei. Percy respondeu mentalmente, com um sorriso torto nascendo nos lábios.

O pégaso trotou no chão antes de se impulsionar para cima em vertical, a rapidez como a de um Galvão Peregrino em queda livre. O grito que Annabeth emitiu veio junto com o pensamento de enforcar Percy quando isso acabasse. Suas pernas balançaram no ar e ela quase deu uma cambalhota para a trágica queda. No fim, não teve alternativa senão se prender a Percy. Os braços e as coxas de Annabeth o envolveram e Percy pode sentir a cabeça dela sendo enterrada em suas costas, a respiração ofegante. As unhas dela cravaram-se no ombro e no tórax dele quando Blackjack rodopiou, deixando-os de cabeça para baixo e retornando ao normal nem um segundo depois.

– Percy! – Annabeth gritou ainda com a cabeça enterrada em suas costas. – Diga... A Blackjack... que... Por mais que ele seja um lindo animal... Vou matá-lo se... O Criptex... Quebrar!

Percy suspirou. Havia se esquecido desse pequeno detalhe.

Mercadoria frágil a bordo.

Em resposta, Blackjack planou por cima das nuvens e depois passou por elas, diminuindo consideravelmente a velocidade.

Ela vai me matar, chefe?

Nada, mentiu. Não mata nem uma mosca.

Annabeth ainda tremia quando soltou uma das mãos e verificou a caixinha dentro da bolsa: o vinagre não se partiu. Ela soltou um suspiro de alivio.

– Se continuar se escondendo vai perder a vista. – Percy falou por cima do ombro.

Annabeth levantou a cabeça, o encarando. Depois, olhou para baixo. Ilhas de luzes passavam como um borrão por de baixo das nuvens e, quando se olhava para cima, se conseguia ver estrelas mais claramente. Milhares de pontos de luz. O vento balançava os cabelos e, se esticasse o braço, era capaz de literalmente encostar-se às nuvens. A sensação de pura liberdade vez com que Annabeth soltasse Percy muito lentamente, mantendo apenas as mãos entrelaçadas na cintura dele.

Enquanto ela observava com fascínio o céu estrelado, Percy girou o tronco e, em um movimento rápido, pegou a cintura de Annabeth e inverteu posições: ela agora estava na frente. A ação foi tão rápida que Annabeth só teve tempo de arfar em surpresa antes estar segura novamente em cima de Blackjack. Ela passou a perna por cima do pégaso do jeito que podia antes de encarar Percy por cima do ombro.

– Não podemos correr o risco de você cair, podemos? – ele deu de ombros.

Annabeth continuou olhando-o até perceber que estavam muito próximos e que o olhar dele passando da sua boca e encarando-a nos olhos não era bom sinal. Ela se virou e se acomodou no lombo do pégaso, aliviando-se quando Percy aumentou a distância entre os dois.

– Quanto... – Annabeth pigarreou antes de continuar. – Quanto tempo a mais?

– Umas quatro horas no máximo.

Ela assentiu. Sem nem se dar conta, caiu no sono aos braços de Percy, os ombros dele servindo-lhe como descanso. As ilhas de luzes passaram mais rápido e o amanhecer no horizonte mostrou o que Percy já sentia: o litoral estava perto.

Que tal a velocidade, chefe?

Melhor impossível.

Feno extra de café da manhã?

Cubos de açúcar até.

Isso pareceu animar o pégaso, fazendo com que ele fosse até mais rápido. Marseille passou como um silvo e o conjunto de ilhas se tornou visível. E, mais precisamente, um navio atracado à Cavalaire-sur-Mer, alguns minutos há nado de Iles d’Hyères. Annabeth se remexeu e acabou acordando quando Blackjack pousou perto do timão, acima da cabine do capitão.

Annabeth coçou os olhos e, quando percebeu o quão perto de Percy estava, pulou do pégaso com mais destreza do que uma pessoal normal que acaba de acordar faria. Blackjack partiu assim que Percy lhe dera cubos de açúcar. O pégaso acariciou a cabeça no pescoço do pirata em agradecimento.

– Então, — disse Annabeth observando o pégaso virar um ponto negro no horizonte alaranjado – ele não fica com você?

Percy balançou a cabeça.

– Eu o libertei das algemas uma vez, não vou permitir que ele seja preso de novo.

Annabeth relanceou o olhar de Percy para Blackjack, que desaparecia cada vez mais no colorido amanhecer, voltando os olhos para Percy, permanecendo nele até aquilo parecer ridículo. Ela pigarreou e retirou o casaco dos ombros, entregando-lhe com um “obrigada” quase inaudível. No convés, duas figuras observavam Annabeth descer as escadas, uma delas com um sorriso presunçoso.

– Há! – Nico soltou no ouvido de Grover, fazendo o sátiro revirar os olhos. – Contente-se, meu caro Homem-Bode, ninguém ganha de Nicholas DiAngelo! – vangloriou-se enquanto, com cara emburrada, Grover lhe entregava um rolo de papel-moeda. – Talvez da próxima...

O sorriso de Nico diluiu-se quando Perseu apareceu no alto das escadas. Grover riu em êxodo, estendendo a mão para DiAngelo, que devolvera o rolo de dinheiro.

– Não fique assim, Nicholas. Talvez da próxima você vença o Homem-Bode.

– Vai-te a merda.

Annabeth cruzou os braços.

– Apostaram se um de nós voltaria?

– Na verdade, apostei que ambos voltariam. – explicou Grover. – O Nico aqui não foi tão otimista.

– Apostou se um de nós voltaria? – Percy perguntou, parando ao lado de Annabeth. – Você, como sempre, sendo um poço de otimismo.

– É um dos meus talentos. – Nico sorriu. – E, para falar a verdade Jackson, apostei que Annabeth voltaria. – Percy o encarou, e aquilo bastou para que Nico mudasse de tópico. – Mas vamos ao que interessa: temos um problema.

Percy juntou as sobrancelhas.

– Que problema? Alguém...

– Não. – Grover o vetou. – Infelizmente para o carrasco aqui – ele maneou a cabeça para Nico, que fez uma expressão teatral de pura tristeza – nenhum mortal teve a infelicidade de ver qualquer coisa. É até pior que isso.

– Que seria...? – Percy se retesou, se preparando para alguma noticia ruim.

Grover e Nico se entreolharam e, em um dar de ombros, Grover suspirou antes de dizer:

– Você tem uma visita.

***

– Só pode ser brincadeira. – foi a única coisa que Percy poderia pensar em dizer naquele momento.

Assim que entraram pelo corredor e a cabine se abriu a sua frente, sentiu um misto de incredulidade e surpresa. Sentada em cima da sua mesa, estava uma garota que aparentava ter quinze, dezesseis no máximo. Usava o mesmo vestido em estilo grego que Percy se lembrava, como o cabelo caramelo trançado e os grandes olhos de um castanho quase ocre. Ela sorriu ao vê-lo, correndo para abraça-lo. A garota estava claramente feliz, mas Percy não podia dizer o mesmo. Enquanto ela lhe dava um caloroso abraço, ele olhou para Grover procurando respostas. O sátiro parecia mais surpreso que ele.

Apoiada na parede do corredor, Annabeth observava a cena com a mesma corda apertando-lhe o peito. Quando a garota de trança se afastou e tascara um beijo em Percy, Annabeth não se importou com o fato de ele não ter correspondido. A corda a sufocou e, querendo sair dali, ela praticamente atropelou Grover enquanto corria para seu quarto escadas abaixo. O sátiro juntou as sobrancelhas, ainda mais intrigado quando sentiu o ciúme que emanava da loira.

– Calipso?! – Percy exclamou quando ela se afastou. Ele estava tão surpreso que nem conseguira afastá-la antes. – Como...?

Calipso riu da confusão do filho de Poseidon. Ele estava tão mais lindo agora.

– Te achar não foi a parte difícil, você é alguém conhecido até entre mortais. – explicou ela. – Como saí também foi fácil, eu mandei uma carta por Hermes para os deuses com um pedido. Uma proposta, para ser exata. Como pode ver, eles aceitaram.

O olhar de Percy foi de Grover para Nico, depois de volta à Calipso. Os três pareciam intrigados, olhando para a musa com expectativa.

– E essa proposta seria...?

– É simples: eu tenho uma chance. Para te ver. Para saber se você me quer. Se me aceitar, serei sua e não precisarei voltar a Ogigía. – ela sorriu animada, mas por dentro não entendia porque os três homens a sua frente estavam com expressões fechadas. – Não é bom?

Calipso se impulsionou para frente, mas Percy a deteve. Segurando os seus pulsos finos e olhando-a com intensidade, ele não parecia mais seu Percy. Parecia alguém... Diferente. Diferente para mal.

– Percy...?

– Os deuses fizeram o que eles fazem de melhor: te enganaram.

Ela sorriu sem graça, como se a ideia dele fosse ridícula. Certo, eles a amaldiçoaram, mas também lhe deram a chance certa de ser livre. Seu Percy a aceitaria, não?

– Não... – Calipso balançou a cabeça. – Eles... Eles não seriam capazes... Você... – ela estava quase chorando – Você vai me aceitar, certo? – Percy a encarou e, por mais que não quisesse, ela já sabia a resposta. – Certo?

– Creio eu, que você poderia conversar com o Conselho. Talvez eles te deixem voltar a sua Ilha...

– Não! – Calipso foi categórica. – Não voltarei àquela ilha!

Percy suspirou desapontado. Calipso sentiu algo penetrar sua carne, então ela sentiu algo quente e denso escorrer pela túnica. Ela olhou para baixo incrédula, vendo o sangue rubro manchar suas vestes. Então se lembrou do sorriso presunçoso do Senhor Zeus, o brilho de divertimento enquanto a voz marcante pronunciava:

– Devo lembrar-lhe que, assim que sair da sua ilha, será mortal como qualquer um.

Antes ela não ligaria, mas, agora, suas lágrimas caíam igualmente como o sangue que escorria pela perna.

– Que decepcionante. – disse o novo Percy, observando o sangue com menosprezo. – Você sangra como todo mundo. – ele deu de ombros e a jogou para um homem alto e pálido ao seu lado. – Diversão para hoje, DiAngelo.

O sorriso do tal DiAngelo cortou como uma faca, mas não foi tão doído quando ver Percy lhe dando as costas, enquanto o homem pálido a carregava pelo corredor. Assim que ouviu a porta se fechando, Percy dera um murro na parede.

– Filhos da mãe. – rosnou. – Eles sabiam o que eu ia fazer. Sabiam que não a aceitaria.

– Então porque não fez exatamente o que eles não esperavam? – perguntou Grover. – É sua especialidade.

Percy balançou a cabeça.

– Porque não seria justo para com a garota. Não a amo. Nunca amei.

– Entendo. – disse Grover por fim. – Falando em amar, acho melhor você ter uma conversa com a nossa convidada. – Percy o encarou, provavelmente com um blefe em mente dizendo que não sentia nada em relação à Annabeth. De certa forma, ele nunca os usou com Grover. Sátiros podem ler emoções e era uma droga logo Grover ser o melhor nisso. – Não sei o que aconteceu entre vocês dois e nem precisa me contar, mas não cometa o mesmo erro que fez com Rachel. – ele hesitou, mas Percy não o interrompeu. – Não deixe-a ir.

Notas finais
Foi meio merda esse capítulo, foi mais tipo "eles transaram e estão agindo como se não ligassem mas eles ligam sim" e também porque adoro fazer calipso morrendo. Amo. Adoro. Amosou. Anyway, eu vou TENTAR fazer mais rápido, porém eu estou tendo pelo menos duas provas e três trabalhos POR DIA pior que não estou brincando, sexta por exemplo, tive trabalho de português física e ainda tem outro de português para acabar, mais prova de física e história (aliás média 10,0 em história geral everybody know is a fact kiss kiss). GENTE VOU TE COLOCAR ISSO NO CAPS PORQUE: QUEM LÊ/LEU CLOSER AVISANDO QUE VOU VOLTAR COM TRÊS OU CINCO CAPÍTULOS EXTRAS, EU NÃO SEI AINDA, MAS A FIC VAI SE CHAMAR: CLOSER TO THE EDGE: THE GRAND FINALE assim que postar mando link pra vocês, avisem aos amigos postem no twitter fb whats orkut espalhem mesmo. Acho que é só, vocês sabem que me amam, beijinhos, a Garot... Eca. You Know You Love Me XOXO Gossip Girl