Beyond the Sea
9 Burning Desire
Notas iniciais
O silêncio que se instalou e durou por um momento prolongado fez com que Annabeth se segurasse pra não pegar sua adaga e enfiasse em sua garganta. Para falar a verdade, ela gostaria nem de ter nascido. Curiosamente, Percy não a olhava com divertimento, nem um resquício do sorriso de canalha. Ele tinha as sobrancelhas arqueadas e a boca levemente aberta.
Estava surpreso. Até mesmo chocado. Annabeth não o culpava. Se alguém pedisse o que ela pediu também ficaria do mesmo jeito. Na verdade ela cairia na gargalhada.
– Quer que eu faça o quê? – perguntou ele.
– Nada não. Que tal fingirmos que não abri a boca para falar isso? – ela falava rápido, com medo de ser interrompida. – É, isso seria bom. Boa noite.
Annabeth virou de costas para ele, se jogando contra o travesseiro como se pudesse se tornar parte dele. Aliás, nessa situação não seria má ideia.
– Posso nem responder? – ele perguntou, e de algum jeito Annabeth percebeu que ele sorria.
Os olhos de Annabeth reviravam.
– Jackson. – ela avisou.
– Sim. – falou ele, interrompendo qualquer coisa que Annabeth poderia dizer.
A respiração da loira falhou, sua boca ainda aberta com as palavras presas em sua garganta. Ela se virou, encarando-o, decifrando se tinha qualquer resquício de deboche. Ela não achou. De alguma forma, Annabeth achou que seria mais fácil se Percy tivesse brincando com ela.
– “Sim”, o que? – ela tinha até medo da resposta.
Percy abriu um sorriso que nada fez para Annabeth se acalmar.
– Deixe-me ser mais claro.
Em um movimento que nem Annabeth pôde prever, Percy a puxou pela cintura. Annabeth se viu embaixo de Percy, os lábios colados nos dele. Ela deixou o beijo acontecer e, por mais que não quisesse admitir, só aquilo lhe seria o suficiente. Mais um item nas coisas que definem Percy Jackson: beija bem.
Com o calor do demorado beijo se espalhando pelo seu corpo, parecia que cada pequeno toque que Percy a dava se tornava eletricidade em sua pele. Sua mão, que até então estava no joelho dela, desceu pela coxa, subindo a blusa branca e deslizando pela pele exposta da garota. Annabeth suspirou no meio do beijo com o toque, especialmente naquele ponto.
Ela separou os lábios dos dele, aproveitando para mudar de posição e subir em seu colo. Percy fez um bico de insatisfação e Annabeth guardou esse pequeno fato: ele não gosta de ficar embaixo. Ela segurou um comentário, preferindo beijá-lo, mesmo que não seja exatamente na boca. Annabeth mordeu o lábio dele, descendo pelo pescoço de Percy mordidas, beijos e até chupadas. Quanto mais descia a boca pelo seu corpo, as mãos da loira iam abrindo a blusa dele, indo de beijos no ombro ao definido abdômen, de arranhões nas costas e ao longo do tronco; deliciando-se ao máximo por aquele ser esculpido por Michelangelo. Assim que a boca da garota chegara perigosamente perto do cós da calça, Percy se pronunciou:
– Hm... Não seria eu que te daria prazer?
Annabeth achou graça, sorrindo ainda com a boca na pele dele. Por alguma razão, ela empinou ainda mais a bunda, olhando-o com um sorriso provocante, provando ainda mais que de santa ela não tinha era nada. Mesmo com a luz fraca, só com a iluminação lunar pela janela, ele pôde ver os olhos escurecidos dela.
– Me dá prazer te dar prazer. – respondeu simplesmente.
Ela continuou o caminho de beijos com os lábios umedecidos. Percy cravou os dedos no colchão quando Annabeth pegou o cadarço da calça com a boca, puxando-o lentamente, o encarando com o mesmo sorriso sacana. Abriu os botões apertando o volume na calça, fazendo-o morder o lábio para evitar um suspiro. As mãos da garota retiraram a calça com destreza, e ela se segurou para não falar algo estupido como “lindinho, lindo, lindão”. Também gostaria de ter se arrependido e repetido seu mantra “ai meus deuses, como odeio Perseu Jackson”, mas na visão de como ele veio ao mundo foi um pouco difícil relembrar de como ele era irritante.
Annabeth preferiu não pensar em nada. Então voltou a beijá-lo com vontade, segurando seu membro e o masturbando com um vai e vem constante, sua mão deslizando da base à cabeça. Traçou o mesmo caminho de beijos e mordidas, os movimentos de suas mãos indo mais rápido enquanto ela se abaixava. Sugando a cabeça com força e colocando o que podia na boca, a loira se deliciou ao ouvir um gemido que Percy deixara escapulir.
As mãos dele praticamente perfuravam o colchão e Annabeth não imaginava o que poderia acontecer se ele as soltasse. Ela acabou descobrindo assim que acabara o trabalho, limpando uma gota que escapuliu pelo queixo com o dedo, o chupando do jeito mais sensual que conseguira.
Os braços de Percy relaxaram e em seguida ele pegou Annabeth em um beijo de tirar o ar dos pulmões. Ele a deitou novamente na cama, ainda no beijo desesperado. As mãos dele pararam no pescoço dela, as pontas dos dedos tocando sua pele enquanto deslizava sobre o colarinho da blusa. Annabeth arfou quando ele chegou aos botões, rasgando a blusa ao meio sem cerimonia. Sua calça também lhe foi tirada, e quando se deu conta só o que cobria a pele eram as mangas meio caídas pelos braços.
Percy indicou dois dedos, e Annabeth os colocou na boca, olhando diretamente para a imensidão verde-escura. Os dedos desapareceram dentro da garota, ao qual revirou os olhos de prazer com os movimentos circulares e os lábios de Percy que seguiam um caminho delicioso pelo pescoço. Quanto mais baixo a boca dele ia, mais rápido seus dedos trabalhavam, fazendo Annabeth gemer, suspirar e arfar.
Percy deliciou-se quando Annabeth arqueou as costas e soltou um gemido demorado quando seus dedos encontraram um ponto especifico dentro dela. Ele fez um teste, massageando o mesmo ponto. A reação de Annabeth o fez sorrir ainda mais: ela gemeu até mais alto. Com a boca nos seios dela, ele introduziu mais um dedo, fazendo movimentos mais rápidos e precisos.
Annabeth estava delirando e não esperava que Percy pudesse deixa-la mais insana, mas ele o fez. Os lábios do moreno desceram pela barriga dela, retirando os dedos de uma só fez, e antes que Annabeth pudesse reclamar, Percy já tinha enfiado a língua nela. Dizer que Annabeth viu estrelas seria um jeito fofo de falar, ela viu constelações, quase o universo inteiro. Suas mãos procuraram algo e acharam os cabelos de Percy, bagunçando os fios já rebeldes ainda mais, praticamente os arrancando quando ele a fez gozar.
As bochechas de Annabeth estavam rubras, a pele quente com os olhos fechados, sua respiração estava descompensada, mas ela queria mais. Como se lesse seus pensamentos, Percy a puxou pela cintura de encontro a ele num beijo quente. Ele retirou o que restou da blusa dela e a jogou para o lado, as mãos imediatamente foram para os quadris de Annabeth enquanto ela o colocava dentro dela. Ela não perdeu tempo, rebolando e quicando em cima dele com vontade, os gemidos entre beijos e ambos praticamente queimando de desejo.
Como Annabeth já percebeu, Percy não gosta de ficar muito tempo por baixo, mas dessa vez ela não se importou quando foi jogada contra a cama. Ele entocava bem mais rápido e mais forte que ela, e se só isso não bastasse ainda mordia e beijava o pescoço da loira, entrelaçando sua mão com a dela e a prendendo contra o colchão. Os gemidos de ambos preenchiam a noite, aumentando na medida em que Percy ia mais rápido.
Ela gostaria de pensar nas consequências dessa noite na manhã seguinte, como ambos se comportariam dali em diante etc., mas a única coisa que lhe vinha a mente é que Percy ficava maravilhoso com o rosto vermelho e gemendo “Annabeth”, enquanto desafiavam a lei da física que dizia que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Vendo desse modo, quem inventara a impermeabilidade com certeza era virgem.
Annabeth praticamente rasgou as costas de Percy com suas unhas quando o primeiro orgasmo da sua vida chegara. Era uma sensação maravilhosa, inebriante, quase elétrica. Seus músculos relaxaram e sua boca emitiu um longo gemido. Percy caiu na cama, ofegante e com suor na testa. Não muito melhor estava Annabeth, suada e com as bochechas vermelhas, olhos fechados e tentando em vão não abrir um sorriso de satisfação.
– Obrigada. – Annabeth suspirou.
Percy deu de ombros, e só ali Annabeth viu os traços negros de uma tatuagem nas costas. Perguntava-se o que poderia ser.
– O prazer foi meu. – ele respondeu.
Annabeth juntou as sobrancelhas.
– Isso foi um trocadilho?
– Um dos piores. – ele admitiu, fazendo-a soltar uma risada cansada.
Annabeth encarou um Percy caindo no sono, e seus olhos pesaram também. Antes que percebesse, adormeceu.
***
Annabeth acordara abraçada ao travesseiro. O sol matinal que mais trazia frio do que calor entrava pelos vidros da janela.
Ela lembrava que, assim que adormecera na noite anterior, sonhara com as suas amiguinhas aranhas. Perguntava-se se tinha gritado – o que seria bem constrangedor considerando que não estava dormindo só. Annabeth verificou se tinha teia em seus cabelos e mordidas dos lindíssimos aracnídeos, mas as únicas mordidas que encontrou foi as que Percy tinha feito.
Seus olhos voaram por cima do ombro, mas a cama estava vazia. Nada menos do que já esperava. O que a surpreendeu foi a rosa vermelho-sangue no travesseiro. Annabeth piscou algumas vezes, porém quando pegara a flor constatou que era de verdade. Ela deixou um pequeno sorriso se abrir, fechando-o tão rapidamente quanto apareceu. Deixou a rosa na cama e foi se vestir.
Desceu as escadas amarrando o espartilho com mais nós do que de costume, juntando ao máximo as duas partes da blusa que Percy fez o favor de rasgar ao meio.
– Ah, a Bela Adormecida resolveu acordar. – Annabeth presumiu que eram seis da manhã no mínimo; ouvir o tom debochado e encarar o sorriso torto àquela hora não era muito animador. – Problemas com a blusa, princesa?
A loira desistiu de ajeitar a blusa, deixando-a com um pequeno vão em forma de V. Colocou as mãos nos quadris, encarando Percy três degraus abaixo dela com sua melhor expressão de “sai daqui”. Ele, obviamente, não se afetou.
– Era uma blusa de botões. – ela esclareceu. – E você fez o favor de arrancar mais da metade!
– Estava com pressa. – ele deu de ombros, jogando uma maçã pra ela no ar. – Café da manhã.
Annabeth dera uma mordida e Percy jogou outra coisa. Uma bolsa de couro com uma alça larga, com o que ela achara em Rosslyn devidamente protegido.
– O que é isso? – perguntou ela, com a expressão de desconfiança, mesmo assim, passou a alça pela cabeça e ajeitou no ombro.
– Obrigada, Percy. – ele imitou a voz dela. – Ora, não há de que, Annabeth. – a garota revirou os olhos com a voz imitada, andando pra porta com a atenção virada na maçã. – Se esse clipix, cripts, não me importa o nome, é tão precioso como diz, creio que deveria estar em algo mais protegido.
– Se ele esteve em suas mãos Jackson, não está tão mais protegido assim. – Annabeth disse.
– Ei, Flor do Dia, apenas agradeça.
Ambos passaram pela varanda. Assim que estavam em uma distância razoável, Percy riscou o fósforo e o jogou com precisão na varanda da casa, que se tornou uma barreira em chamas, com fumaça dançando pelo céu claro. Annabeth não se impressionou; dando uma última mordida, jogou o resto de seu café da manhã nas chamas, seguindo Percy de volta à trilha logo depois.
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