Notas iniciais
Demorei de postar, eu sei. Estava com crise produtiva e imaginativa. Tudo culpa do Enem. Espero que me perdoem. E gostem.

Virei a esquina certo de que a minha capacidade sedutora não estava comprometida. Tenho que admitir que gostei dela. Não apenas a maneira como ela sente raiva de mim, mas há algo misterioso nela que me chama a atenção. Algum passado obscuro, algum trauma de infância. Só isso explicaria o fato dela ainda não ter se apaixonado de vez por mim. Deve ter sido muito rejeitada, pobrezinha.

Cheguei à casa abandonada, onde eu morei por muitos meses antes de tudo na minha vida ser destruído. Chutei a porta e ela se abriu com um ranger das dobradiças enferrujadas. No canto da sala estavam todos os meus pertences. Um colchão e um cobertor sujos, uma lanterna, minha guitarra, pedaleira e o amplificador, os tesouros mais preciosos do mundo.

Morar sozinho não era ruim. Eu não tinha que obedecer regras, nem arrumar ou lavar algo. Mas eu também não tinha quem fizesse tudo para mim, como por exemplo, comida. Procurei algo para comer, tinham algumas caixas de pizza espalhadas pelo chão, mas nenhum mísero pedaço de algo comestível. Droga, tenho que arrumar um bico.

Troquei a farda do colégio pela roupa mais limpa que achei, dei um tapa no cabelo e fui de rua em rua procurando qualquer vaga que me rendesse um rango. Encontrei uma de entregador de lanche, o que foi uma maravilha. Eu comia todos os restos aceitáveis que sobravam nas mesas. Adoro essas garotas bulímicas. Elas sempre se arrependem de comer na metade do sanduíche.

O serviço era bem tranquilo. Eu servia e limpava as mesas, e ainda fazia entregas a domicílio. Pilotar a moto da lanchonete me deixava mais animado, mais livre. Mas na maior parte do tempo, eu sentava no balção e me perdia em pensamentos, que vez ou outra se voltavam para Brisa.

Tinha tanto mistério envolvendo-a e tantas camadas de pura resistência que era um desafio desvendar tudo aquilo. E eu, como um bom aventureiro curioso não descansaria até descobrir tudo o que estava por trás daquele coração armado.

O sol já havia se posto há algum tempo quando o telefone tocou e eu fui atendê-lo.

– Boa noite, Lanchonete FaceFood, o que deseja? — Eu sou muito educado quando eu quero...

– Boa noite – Uma voz feminina respondeu – Vocês fazem entrega a domicílio?

– Fazemos – E eu conheço essa voz...

– Eu quero dois X-Burguers no endereço... Você tem papel e caneta?

– Pode falar que eu estou anotando.

Escrevi a localização e descobri mais uma vez que eu estou sempre certo.

– Em quinze minutos sua entrega estará pronta.

– Obrigada.

Sim, Brisa. Você irá me agradecer muito esta noite...

Notas finais
Capítulo pequeno, o próximo será maior.. Eu só precisava de uma introdução para o desenvolvimento do casal *-* Beijos para vocês lindos que leram até aqui.