Notas iniciais
9...

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respire fundo,
conte até seis
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Quando um pesadelo não é só um pesadelo?

Sonhos ruins assustam muito no momento em que estão acontecendo, aterrorizam com seu silêncio e apavoram com a sua inércia. Mas no fim das contas é tudo uma peça que o seu próprio subconsciente prega em você. É por isso que quando chega a manhã, e a escuridão cede para a luz do dia, todos os zumbis, monstros, bandidos e quedas de precipícios viram só mais uma história a ser contada. Eles são bobos, e uma vez que estamos acordados podemos ver os absurdos neles, chegando até a rir do nosso pânico ao reconhecer os eventos deles na vida real — afinal, eles nasceram de nós.

Meus pesadelos, no entanto, não eram bem assim.

Eu poderia chamá-los de terrores noturnos, embora não soubesse bem se poderia caracterizá-los assim. Afinal, eles eram tão frequentes à noite quanto no dia, bastando que eu simplesmente fechasse os olhos para que eles viessem me assombrar, e sempre deixando suas garras firmemente fincadas em mim uma vez que eu conseguia despertar.

Não preciso dizer que eu os odiava, mas estaria mentindo se dissesse que eu ainda não me acostumara com eles. Meus pesadelos eram parte da minha rotina, já intrinsecamente inseridos no meu cotidiano. Uma parte incômoda e irritante, é claro, da qual eu certamente preferiria viver sem. Mas, assim como todo mundo detesta levantar cedo para trabalhar, depois de passado um certo tempo a gente começa a parar de chorar por causa dos sofrimentos da vida e nos arrastamos quietamente pela manhã, como uma vaca que caminha pacificamente para o matadouro.

Acabei de me chamar de vaca. Que lindo.

O ponto é: os pesadelos já eram parte de mim; como um espinho preso dentro da minha carne eles me atormentavam e me acompanhavam durante o desenrolar da minha vida. Mas eu já os aceitara como meus, já me conformara com o fato de que teria que viver com eles pelo resto da minha vida. Já os adequara à minha rotina, sendo plenamente capaz de ter um pesadelo na soneca da tarde e acordar com uma bela poesia sobre a primavera na ponta da língua, porque eu era um ator muito talentoso. Porque tudo era uma questão de como eu reagia às provocações deles: se eu chorava e me acovardava ou se eu levantava de novo e colocava a cara à tapa.

Eles conseguem farejar o medo.

Eu estava sempre apavorado é claro, mas minha esperança era que, se eu me mostrasse um brinquedo interessante, eles não acabariam me descartando tão cedo. Eles iriam se divertir comigo, vindo sempre a mim com uma ideia criativa após a outra, deleitando-se com minhas reações e com minhas encenações. Assistindo curiosamente para ver se daquela vez eu chegara ao fim, ou se me levantaria para outra rodada do jogo assombroso deles.

A vida no ramo do entretenimento não é fácil.

Mas as coisas estavam saindo de controle.

Afinal, como eu saberia que estava apenas sonhando se eu nem sequer me lembrava de ter ido dormir?

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feche os olhos
repita outra vez
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— Ilusão de ótica? — a voz dela era incrédula.

— É melhor que eu dizer que você atravessou uma espécie de portal e foi para um plano paralelo com manequins vivos.

— Os manequins não estavam vivos, só tinham uma postura ameaçadora…

— Claro, porque isso faz muito mais sentido! — exclamei sarcasticamente.

Ela suspirou, o copo de nescau já frio nas suas mãos já mais estáveis, mas os olhos ainda um pouco assutados.

— Então… — ela tentou reorganizar meu discurso de maneira lógica — Você tá me dizendo que eu vi alguém parecido com você, segui um completo estranho dentro da loja, acabei me perdendo e achando que estava em uma parte diferente do estabelecimento porque os espelhos me engaram direitinho, daí a linda operadora resolveu ser a linda operadora e não só fez uma ligação cruzada como também fez eu perder a sua chamada.

— Ligações cruzadas são mais comuns do que você imagina.

— Duas vezes seguidas?

— Lembre-se que estamos falando sobre a Operadora mais Eficiente do Brasil aqui.

— Você tem um ponto. — ela suspirou — Mas ainda têm alguns buracos na sua história.

— Minha história é perfeita, você é que gosta de catar piolho em cabeça de alfinete!

— Eu ouvi música, Adriano!

— O som que você ouve nos rádios viaja através de ondas eletromagnéticas invisíveis aos seus olhos, esqueceu?

— E as penas?

— Urubu não tem pena preta não?

Ela suspirou, cansada de discutir. Sou o rei dos argumentos.

— Explicação brilhante, exceto por uma coisa.

Ergui uma sobrancelha, meu silêncio convidando-a a continuar.

— A mulher ruiva de olhos amarelos. — ela olhou para mim de maneira triunfante, orgulhosa de seu próprio pensamento.

Tsk tsk, vai precisar de muito mais, jovem padawan.

Sorri, indiferente ao tom de filme de terror que ela pôs na descrição da mulher que ela vira, e ela entendeu que a batalha havia acabado.

Repetindo, eu sou o rei dos argumentos.

— Sabe... — comecei meu belo discurso — Essa mulher me bugou por um tempo também, mas eu só precisei me lembrar que nem todo mundo nessa Terra é chato e sem graça que nem você. Depois de muito pensar em uma possibilidade de existirem ruivas com olhos amarelos, tudo veio a mim num insight. — o segredo da oratória está nas palavras, ninguém liga se você sabe ou não o que cargas d’água é um insight.

— Sei. — a incrédula tentou me desanimar, mas eu sabia que era tudo recalque e continuei.

— E eu, conhecedor de todas as vertentes que a humanidade toma, cheguei então a uma conclusão. — tambores rufaram, Brisa continuou cética — Ela tava fazendo cosplay.

Assimilem a ideia e apreciem o silêncio.

— O quê? — ela finalmente reagiu depois de ficar congelada por alguns segundos.

— Cosplay é se vestir igual a personagens de filmes, livros, séries…

— Eu sei o que é cosplay. — ela me interrompeu, embora não fizesse ideia do que era cosplay até aquele instante — Mas ruiva? Olhos amarelos? Onde ela achou isso?

Rolei os olhos. Garotinha tola.

— Se você tivesse me deixado terminar... Cosplay geralmente é feito com personagens de anime.

— E no Japão as pessoas têm olhos amarelos?

Aí, não falei que ela não fazia ideia do que era cosplay?

— Não, minha bobinha. Mas no Japão os criadores de animes e mangás não estão nem aí para as cores naturais dos olhos e dos cabelos e inventam novas. — expliquei lentamente, se tivesse papel teria desenhado — Assim, quando alguém quer fazer cosplay desses personagens eles utilizam uma tecnologia chamada de ‘lentes de contato’.

— Amarelas?

— É. Muito provavelmente ela tava fazendo cosplay da Uzumaki Kushina. Ela é uma ruiva muito popular…

— Resumindo: ilusão de ótica com espelhos, ligações cruzadas, operadora péssima, penas de urubu e uma mulher fazendo cosplay.

— Não é bem menos assustador quando você entende o que aconteceu?

— É ridículo! — ela bradou.

— Sim, — respondi sério — Muito ridículo da sua parte ficar com medo de uma mulher fazendo cosplay.

— Calado! — ela me bateu e eu soube que ela definitivamente estava de volta ao normal — Só porque não consigo pensar em outra explicação ou em um argumento que derrube a sua, não vai mudar o fato de que eu ainda acho isso tudo muito ridículo!

— A outra explicação é: você usou drogas.

Ela me lançou o olhar assassino mais lindo do mundo, quieta como uma leoa durante quase meio minuto.

— Penas de urubu, e uma louca fazendo cosplay. — ela murmurou.

— Tecnicamente falando, a louca é você.

— Seja útil e vá lavar a louça! — ela ordenou enquanto torcia meu braço.

— Sim, senhora. — grunhi através da dor.

Ela me soltou e se jogou de vez na cama, respirando aliviada. Assim como qualquer outro pesadelo, a experiência recente que ela passara se tornara boba assim que ela se acalmara e encontrara uma explicação lógica para tudo. Algo ridículo, como uma mulher fazendo cosplay em plena luz do dia. Eu queria rir da cara dela, mas ela nem ligaria, aliviada demais após tirar o peso imenso que estava sobre seu peito para ouvir minhas gracinhas.

E sinceramente, eu estava bem demais comigo mesmo depois de ajudá-la a superar o susto para perturbá-la com minhas gracinhas.

Eu conseguira fazer aquela sombra de terror se afastar dela com facilidade, já que eu sempre estava tentando encontrar explicações que faziam sentido para a cacofonia dentro da minha própria cabeça. No entanto, no meu caso e no meu caos, eu geralmente apenas mentia para mim mesmo. Criava um molde crível, realista e lógico, então forçava a verdade dentro dele, espremendo-a até caber, para que eu não acabasse enlouquecendo.

Eu não poderia deixar Brisa passar por tudo aquilo, toda aquela pressão e desespero quando você não consegue assimilar o que acontece com você, todo aquela vertigem das imagens se misturando — como um caleidoscópio de uma tempestade — que te destrói ao ponto de você não conseguir mais confiar em si mesmo para dizer onde a realidade começa e onde as alucinações terminam. Então eu precisara criar um novo molde para ela, oferecer algo que lhe traria alívio, uma respiração estável para alguém que acaba de despertar de um pesadelo, uma lufada de ar para quem esteve muito tempo de baixo d’água, e torcer para que ela se agarrasse ao molde como se fosse uma boia salva-vidas.

Ela não precisava saber. Porque o que quer que acontecera com ela estava ligado à mim, então era eu quem estava destinado a carregar aquele peso. Por isso, eu a ergueria da água negra e deixaria que ela saísse livre, enquanto que eu afundaria mais e mais na loucura que me ameaçava levar até o mais profundo leito marinho. Eu a salvaria, e continuaria a me perder, porque o molde que eu fizera para Brisa definitivamente não funcionaria para mim.

Afinal, Uzumaki Kushina não tinha olhos amarelos.

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não abra a porta
ou eles vão entrar
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Louças completamente lavadas, humor completamente arruinado, e eu completamente sozinho e abandonado. (É assim que nascem as melhores músicas sertanejas).

Eu sei que Brisa não pediu pra que eu entrasse na vida dela desse jeito, mas me largar lavando os pratos e sumir em um banho quente de quase duas horas é crueldade. Mesmo que tenha sido eu a sujar a louça em primeiro lugar. Quase tão cruel quando me largar sozinho foi me largar sem comida. Mesmo que tenha sido eu a esvaziar a geladeira em primeiro lugar.

Deus manda amar o próximo e alimentar os pequeninos, certo? E nem me venha com o discurso de que nem só de pão viverá o homem... (Nem só de pão, Brisa, quer dizer que uma dieta ideal para o ser humano precisa de outros alimentos!)

Mas enfim, eu estava largado num sofá admirando a beleza da mesinha de centro, já que, por algum motivo que eu ainda não entendo Brisa tinha me proibido de ficar lá em cima sempre que ela estivesse tomando banho. Depois de sabe Deus quanto tempo peguei um livro que estava por cima dos outros (mas só porque tinha um rato na capa e eu estava começando a me incomodar) e folheei para passar o tempo.

Nossa, Adriano! Não sabia que você era uma pessoa dada à leitura! Pois é, me julgaram mal.

Só porque eu abro um livro em uma parte aleatória e começo a ler sem entender nada não quer dizer que eu não seja uma pessoa culta.

‘A Ilha Negra’, era o nome do capítulo aleatório daquela vez, e sinceramente eu não sei porque continuei a ler. Depois de duas páginas eu já me arrependera de ser um garoto lente e de ter obedecido a ordem de descer as escadas em primeiro lugar, e já estava quase me convencendo de que tinha caído no sono e estava tendo outro pesadelo.

— Gosta das Crônicas de Nárnia? — a voz do Pastor Calebe me tirou da leitura.

— O quê? — indaguei o mais educadamente o possível.

Ele apontou para o livro que eu segurava.

— As Crônicas de Nárnia. Gosta? — ele explicou calmamente.

— Só sei que tem um leão no meio. — respondi dando de ombros.

— Não devia começar por esse, então. — ele se sentou no outro sofá — É um dos que o Leão menos aparece. Que parte você está lendo?

Virei para ele a ilustração do capítulo, um barco rumando à uma ilha mergulhada nas trevas.

Ele sorriu.

— Você definitivamente não devia começar por aí. Não deve ter entendido muita coisa.

— Me pareceu bem simples de entender. — murmurei sem querer parecer insolente.

— E meio assustador, imagino. — ele continuou — Um lugar que transforma seus pesadelos em realidade? Não, não tem cristão que esteja pronto para esse tipo de coisa…

Olhei mais uma vez para a ilustração e me imaginei preso naquele lugar durante anos. Podia dizer que eu sabia mais ou menos como seria a experiência, mas que não estava nem um pouco a fim de experimentar.

— Pastor, uma dúvida. — ele virou o olhar para mim e eu continuei — Uma pessoa pode ser influenciada a ter um certo tipo de pesadelo?

Ele estranhou minha pergunta, mas respondeu assim mesmo.

— Pesadelos são apenas truques do nosso subconsciente, ou até sintomas de que algo está errado com nosso corpo. Se alguém pisa em sua perna quando você está dormindo você pode sonhar que tem um tubarão agarrado à ela ou algo do tipo. — ele fez uma pausa antes de prosseguir — Mas os humanos têm uma mente muito fraca. Se nossos pensamentos podem ser influenciados, que dirá nossos sonhos…

Acenei, indicando que tinha compreendido o que ele queria dizer. Mas entender não significa gostar, e o Pastor Calebe certamente percebera meu olhar de tristeza quando voltei a olhar para o livro. Por um minuto achei que ele fosse perguntar o que havia de errado, mas ele se levantou e começou a sair da sala.

— Termine o capítulo, é interessantíssimo. — ele falou antes de entrar em seu escritório e me deixar mais uma vez sozinho.

Sozinho e com uma ilha na escuridão.

Tem alguém olhando para mim?

— Lavou a louça direito? — a prima do Hulk perguntou atrás de mim.

— Com bucha e detergente. — acenei ainda olhando para o livro.

Se meu humor estivesse melhor e se ela não estivesse em uma posição favorável para me dar uma chave de braço eu teria dito: “com lágrimas e solidão”.

Ela olhou por cima do meu ombro, buscando a fonte que prendia meu interesse.

— Eu morria de medo dessa parte. — ela comentou.

— Você morreu de medo de uma guria fazendo cosplay. — comentei quando ela se sentou ao meu lado, ganhando um belo beliscão no braço.

— E porque você tá lendo isso aí em primeiro lugar?

Dei de ombros, camuflando o tremor súbito que me dera.

— Eu só queria saber como o rato se relacionava com a história… — murmurei, desviando sua atenção.

— Rato? — ela ergueu uma sobrancelha. Eu não podia ver, mas tinha certeza.

— Que é que tem? — retruquei.

Ela deu de ombros, já desistindo de qualquer possibilidade de me compreender direito.

— Só vou falando que o rato não é muito ativo nesse capit…

— Sabe porque a ilha tem esse nome? — interrompi.

— Nossa, — ela arregalou os olhos de maneira forçada — Eu não sei, talvez porque ela seja completamente negra.

— Medo do desconhecido. — falei indiferente às implicâncias dela, menina sem graça. — O toque final da ilha: você sabe que seus pesadelos se tornaram realidade, e que eles estão próximos de você, mas você não sabe qual deles está prestes a te atacar.

Ela ficou em silêncio por um tempo e eu temi ter sido sombrio demais

— É como conversar com você — voltei a explicar — A gente sabe que eventualmente vai apanhar, mas não sabe aonde e nem como. — fingi um arrepio — Nossa, é assustador

Ela pisou com força no meu pé. Ai.

— Larga o livro e vem me ajudar a fazer a janta.

— Mas eu já lavei a louça. — reclamei.

— Não fez mais que sua obrigação, agora vem. — ela falou enquanto caminhava em direção à cozinha.

Fechei o livro e afastei as trevas dos meus olhos, mas não da minha mente.

— O que vai ser hoje? — perguntei quando ela começou a tirar as panelas do armário.

— Eu não sei... Acho que vou fazer macarronada, ou peixe com bolinho de arroz, quem sabe... — ela interrompeu sua própria fala, percebendo o que acabara de dizer e a bela munição que ela acabara de pôr nas minhas mãos.

Meu sorriso combinou com o do gato de Cheshire.

Agora, por favor, todo mundo cantando junto no três.

— Adriano, não! — Três.

— Porque eu sou um bolinho de arroz! De arroz! Meus bracinhos vieram bem depois! Bem depois! Minhas perninhas aind- AI BRISA!

— Eu falei pra não cantar!

— Não é motivo pra arrancar meu lindo cabelo! — olhei assombrado para a mão dela que agora seguravam fios da minha sedosa e brilhante cabeleira.

— Quero nem saber! Agora pega aquela vasilha lá no alto pra mim.

— Tá. — choraminguei.

— E em silêncio!

— Tá. — choraminguei de novo.

Fiz o que ela mandou, e fiquei quieto, encostado na parede e observando-a começar a preparar a comida. Tudo bem que eu pedira pra apanhar praticamente o dia todo, mas se aquilo queria dizer que ela pararia de se angustiar e se preocupar, então eu estava disposto a ganhar alguns hematomas. Se ela já voltara a sorrir sempre que pensava que eu não estava olhando, então eu estava mais que satisfeito. Se os olhos dela se mostravam mais calmos e livres de lágrimas, então eu não tinha motivos para reclamar. Se os ombros dela... é, deixa eu calar a boca.

O fato é: ela estava bem, e eu estava bem com isso.

Mas o que quer que tenha acontecido com ela, refleti com a mente ainda presa na Ilha Negra, certamente voltaria a se repetir. E eu deveria estar pronto para protegê-la de tudo aquilo. Pronto para protegê-la de mim.

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eles estão olhando
fique no seu lugar
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Quando um pesadelo não é só um pesadelo?

Quando a agonia não chega a um fim quando finalmente amanhece. Quando você cai pelo abismo sem fundo durante toda uma vida. Quando um beliscão não consegue te tirar do torpor que o sono lhe impõe. Quando não importa o quanto você grite, seu corpo continua imóvel e as sombras continuam a se aproximar de você. Quando você corre desesperado para proteger alguém, mas não consegue sair do lugar, e assiste, impotente, ela desaparecer para sempre. Quando todos os seus esforços em escapar são frustrados, e você perde todas as suas esperanças, porque você simplesmente não consegue acordar. Quando você habita em uma ilha imersa nas trevas que consegue entrar no mais profundo da sua mente e fazer com que eles sejam emergidos na sua pior e mais assustadora forma.

Quando um pesadelo não é só um pesadelo?

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Quando ele é real.

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não olhe debaixo da cama
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Notas finais
Agora as notas finais da autora responsável por manter essa história com um ritmo mais legalzinho com acontecimentos interessantes e impedir que a outra autora só coloque fluff e beijinhos na bagaça toda (porque ela faz muitas referências que precisam ser esclarecidas): A linda da Uzumaki Kushina :: http://bit.ly/1VFsf4r Livro que Adriano pega pra ler (As Crônicas de Nárnia #5, ABU) :: http://bit.ly/1PrLpDu Ilustração da Ilha Negra :: http://bit.ly/1pIwVL5 Música do bolinho de Arroz (pra quem não conhece) :: http://bit.ly/1o6Y9cl