Between Us
8 Capítulo 7 - End of the Night
Notas iniciais
“All alone she was living
In a world without an end or beginning
(…) But I don't mind, I don't mind”
In the Night – The Weeknd
*Rebecca POV*
-Contar o quê? – Michael fala, surgindo do nada. Levo um pequeno susto.
-Que susto Mike! – digo. Ele olha de mim para Ashton, franzindo as sobrancelhas.
-O que tá rolando aqui? – pergunta por fim.
Lanço um olhar rápido para Ashton, pedindo que ele não diga nada. Ele assente disfarçadamente.
-Nada. Rebecca apenas passou mal uns minutos atrás. – Ash diz para o amigo – Eu estava por perto e a ajudei a chegar aqui em cima.
-Hmm... – Mike me analisa, como que para confirmar a informação. – E como você está? – Se aproxima e senta ao meu lado.
-Bem... eu acho. – respondo, dando um pequeno sorriso pra ele.
-Você quer que eu busque um copo d’água pra você? – o garoto de cabelos azuis me pergunta.
-Não precisa. Na verdade, acho que é melhor eu ir embora... – digo.
-Tudo bem. Eu posso te lev-
-Não! Pode deixar que eu vou com ela. – Ashton se apressa em dizer. Ele já se levantou, pegando minha bolsa e me oferecendo a outra mão. Me olha firme, e sei que não tenho escolha, ele não vai me deixar escapar.
-Ãhn... ok então. – Mike fala, quando eu coloco minha mão na do baterista, aceitando sua ajuda. – Eu logo vou embora também. Só preciso achar o Calum e os outros. Vejo vocês depois então.
Aceno com a cabeça, indo em direção a escada. Quando olho por cima do ombro, vejo os dois trocarem olhares. Ashton sussurra um “Depois eu te explico” o que só deixa o outro mais confuso ainda.
Assim que saímos do clube, o vento gelado me atinge com tudo. Abraço meus ombros, tentando me esquentar um pouco. Felizmente, quase não tem paparazzi e conseguimos entrar no carro rapidamente. Quando o carro começa a se movimentar, peço:
-Será que podemos dar uma volta antes? Não queria ir pra casa já...
Ashton parece um pouco surpreso com meu pedido, mas concorda, pedindo ao motorista para irmos em direção as praias. Após uns 2 minutos, ele quebra o silêncio.
-Sabe que vai ter que me explicar sobre isso né?
Suspiro cansada. –E se eu não quiser Ashton? Não te devo nada.
-Não, não deve. Mas... – faz uma pausa — Mas só vou poder te ajudar se me contar.
-Não preciso da sua ajuda...
-Por que você é tão teimosa hein? Caramba, eu só estou tentando ser legal! Mas você não colabora, poxa.
-Aí é que está o problema Ashton! Eu não quero que você seja legal. Se lembra do que aconteceu da última vez?!
-Sim. – ele diz e sei que está me olhando – Mas uma coisa não tem a ver com a outra. Quero saber disso aqui. — aponta para a bolsa.
Sei do que ele está falando. Os remédios. Tem pelo menos três potes com diferentes tipos de comprimidos na minha bolsa e me arrependo profundamente do momento em que decidi colocá-los ali. Agora Ashton descobriu e não sei o que falar a respeito.
-São apenas remédios Irwin. Para dor de cabeça. Mulheres sofrem com isso sabe? – tento desconversar. Porém, como eu já imaginava, não funciona.
-Não são apenas remédios Rebecca. São tarjas pretas, três deles inclusive.
-E daí? Eu tenho sofrido com enxaquecas. É só isso!
-Rebecca... Eu não sou idiota. Já presenciei um caso assim então sei que não é apenas remédios que você toma de vez em quando...
Desvio meu olhar para a janela, quando percebo a forma como ele está me olhando.
-Você não sabe de nada Ashton. – digo firme, ainda sem o olhar.
-Então me explica. Não vou te julgar... Por nada. – sua voz é tão baixa e calma que sinto lágrimas ameaçando cair. Faço uma carranca para impedir que isso aconteça.
-O que eu disse é verdade... Sobre as enxaquecas. – antes que ele possa protestar, continuo: — No começo acontecia de vez em quando. Mas depois foi piorando e eu não sabia mais o que fazer. O trabalho, a faculdade, tudo me estressava. Além disso, tinha meus pais, que mesmo já separados não param de brigar e isso só serviu pra piorar. – reviro os olhos, lembrando da forma como eles sempre acham um jeito de me colocar no meio de suas discussões ridículas – Então quando me falaram que eu melhoraria se tomasse os comprimidos, não pensei duas vezes. Afinal eram remédios, certo? Eu não estava me drogando nem nada parecido... Acontece que dia após dia fui me tornando cada vez mais dependente, e as crises de enxaqueca acontecendo com mais frequência e eu... – sinto as lágrimas escaparem – Eu não conseguia parar. Eu não consigo...
Fecho os olhos, deixando as lágrimas caírem finalmente. Levo minhas mãos trêmulas até meu rosto, o escondendo de Ashton. Porém, ele as retira de lá e delicadamente me puxa para seu peito. Após alguns minutos chorando em seus braços, começo a me acalmar. Dou um longo suspiro.
-Você precisa parar. – Ashton diz baixo. Me afasto.
-Não é tão fácil assim...
-Mas você tem que tentar. Você tem que-
-Não dá ok?! Eu já tentei, várias vezes e eu...eu não consigo! – Ele me olha preocupado e eu desvio de seu olhar.
-Consegue sim Becca! Se você procurar-
-Procurar o que Ashton? Você não entende! Eu disse que eu NÃO consigo droga! — o corto novamente.
-Droga digo eu Becca! Não tá vendo que está fazendo de si uma bomba, se auto medicando e bebendo desse jeito!?! – ele explode.
Levo um pequeno susto com sua reação, mas estou irritada demais com o seu jeito mandão, como se soubesse de tudo, para demonstrar isso. Apenas bufo, saindo do carro que ainda está em movimento, mas numa velocidade baixa. Nem quero pensar no que o motorista Julian está pensando.
-Ei! Onde está indo? – Ash grita, saindo do carro também quando este para e andando até o pequeno parquinho onde eu estou – Você está louca? Não pode continuar agindo desse jeito Rebecca, vai se matar assim! Está me ouvindo?!
Coloco as mãos no ouvido num ato infantil, mas o que Ashton está falando só está me deixando mais nervosa.
-Quer parar?! – grito brava, me virando pra ele – Acha que não sei disso que está me dizendo? Hein? – bato minha mão em seu peito – Acha que não tento fazer isso, hã?!
Ash apenas continua parado, escutando. Isso por algum motivo apenas me irrita e motiva mais a continuar gritando.
— Todo. Santo. Dia! – continuo com as batidas, uma para cada palavra, descontando mesmo sem querer e perceber toda minha frustração nele. Mas quando vou dar mais uma, Ashton segura meu pulso.
Não me machuca, mas é firme o suficiente para que eu pare e olhe em seus olhos. – O que foi!?
-Chega. – ele diz, seus olhos verdes encarando os meus de uma forma tão intensa que faz meu coração perder uma batida. – Você tem que parar de ser tão teimosa.
-Eu... eu não... – xingo meu cérebro por parecer ter ficado paralisado com a proximidade de Ashton.
Então, antes que eu consiga formular uma resposta, seus lábios encontram os meus. O beijo é mais bruto do que carinhoso, mas ainda assim me sinto amolecer com seu toque. Ele coloca uma mão em minha cintura me puxando até que não haja espaço entre nossos corpos. A outra se encontra segurando meu rosto possessivamente. Não nos mexemos, os únicos movimentos sendo o de nossos peitos subindo e descendo conforme nossos pulmões se enchem e esvaziam de ar e de nossas línguas travando uma batalha durante o beijo.
-E de ser tão imprudente. – ele acrescenta bravo, quando respirar se torna quase impossível, separando nossas bocas.
Estou arfando, tentando pensar claramente, o perfume de Ash me cercando e dificultando isso. Faço menção de me afastar, mas sua mão continua firme em minha cintura, me prendendo junto a si. Levanto meus olhos para saber a razão dele não ter me soltado ainda, um pouco indignada com isso e me arrependo profundamente. Seu olhar está tão cheio de desejo e eles está tão bonito cercado pelas luzes desfocadas pela distância, que não consigo resistir quando ele me beija novamente.
Minhas mãos trêmulas sobem por seus braços, percorrendo os músculos que as pontas de meus dedos encontram. Elas param nos cabelos, se enroscando em suas mechas cor de areia do mesmo jeito que ele fez nas minhas.
-Precisa parar com isso Becky... – um arrepio percorre meu corpo com o apelido que ele me chamou naquela noite há meses atrás. Uma noite cheia de promessas não cumpridas. Não tinha percebido o quanto queria ouvir isso saindo de seus lábios outra vez até agora.
– Tem muita gente que se preocupa com você... – ele sussurra em meu ouvido, enquanto me abraça forte, minha cabeça repousando em seu ombro. É tão estranho e reconfortante ao mesmo tempo. – Eu me preocupo com você.
E com isso me beija de novo. E de novo. E eu apenas me rendo em seus braços, me permitindo ser cuidada pelo menos por aquela noite.
*POV Julie*
Caleb foi buscar bebidas para gente já que as nossas acabaram e enquanto isso eu continuei dançando no meio da pista. Fecho meus olhos, sentido as batidas da música e mexendo meu corpo em sincronia com elas. Essa noite tem sido maravilhosa. Preciso confessar que até me esqueci dos outros e sei que talvez a meninas estejam preocupadas com o meu paradeiro, mas penso que a essa altura elas já devem imaginar que estou com alguém. Acontece que Caleb tem roubado toda minha atenção e juízo hoje.
Segundos depois, sinto um par de mãos em meus quadris me puxando de encontro com o seu, se esfregando de maneira nada delicada em mim. Penso ser Caleb que voltou e estranho um pouco seu comportamento, mas quando sinto o bafo bêbado do cara, percebo que não é ele. Eu reparei que Leb não bebeu nada alcoólico essa noite.
Começo a me afastar do cara, que me puxa de volta pra ele, sua voz arrastada sussurrando coisas praticamente incompreensíveis em meu ouvido. Antes que eu precise tentar me afastar novamente, um braço forte passa delicadamente pela minha cintura. Reconheço a tatuagem de cruz e as três linhas pretas que cruzam seu antebraço e sei que é Caleb.
-Ela tá comigo. – fala ríspido. Olho para ele e percebo seu olhar nada feliz.
-Foi mal. — o cara desconhecido levanta as mãos em sinal de rendição e sai resmungando. Me viro para o gêmeo de minha amiga.
-Tudo bem? – pergunto vendo que sua carranca continua e que uma de suas mãos está fechada num punho.
-Sim. – finalmente olha para mim, seus olhos percorrendo todo meu rosto até parar em meus lábios. – Eu só...nada. Vamos dançar.
Puxa meu corpo para mais perto do seu, nos movendo no ritmo da música, sua mãos firmes em meu quadril. Um pouco depois sinto seus lábios no meu pescoço, beijando e dando leves mordidas. Mordo meu lábio, reprimindo um gemido. Quando não consigo mais e o som escapa, sinto ele sorrir contra minha pele.
-Eu...quero...você. – Leb sussurra entre as mordidas e beijos.
E então me puxa para um beijo, lento a principio, sugando meu lábio inferior. Separa nossas bocas só para voltar com mais intensidade depois. Levo minhas mãos até sua cabeça, retirando o boné que ele estava usando novamente e puxando suas mechas castanhas.
Estou sem fôlego quando nos separamos de novo, mas consigo dizer:
-Eu também.
Ele sorri e esmaga seus lábios nos meus mais uma vez.
*POV Zoe*
Desde quando Luke me achou, já dançamos algumas (várias) músicas, que eu até já perdi a conta, assim como o quanto eu já bebi. Estou me sentindo tão alegre e livre dançando. Viva. Eu e Luke já fizemos isso outras vezes antes, mas dessa vez sinto que algo está diferente.
Em partes é óbvio que é por causa da mudança em nossa relação. Até antes de ele propor que tentássemos algo, nunca imaginei que Luke se interessaria por mim, não com a quantidade de garotas a sua disposição. De certa forma, era como se houvesse um bloqueio impedindo que eu permitisse a idéia de que alguém pudesse gostar de mim.
Em partes tem algo a ver comigo também. É como se naquele momento nada de ruim pudesse acontecer comigo. Nada de acidente nem abandonos. E nada de James. Sinto um leve pontada ao lembrar dele então trato de pensar em outra coisa. Como no garoto loiro alto sorrindo e vindo na minha direção. Ele me entrega uma garrafa.
-Água? – pergunto fazendo bico.
-Sim, você já bebeu demais Zoey.
-Só mais um drink... – peço.
-Nada disso. Trate de beber toda essa água pra ver se você melhora um pouco – Luke diz firme. Reviro os olhos com sua ordem, mas bebo um gole. – Mais. – ele diz quando paro.
-Só se você me der um beijo. – jogo meus braços ao redor do seu pescoço e aproximo meu corpo. Luke levanta uma sobrancelha, mas sorri divertido. Não dou tempo de ele responder e juntos nossos lábios num beijo lento e profundo. Me afasto mordendo de leve seu piercing.
-Wow Zoe... – Luke sussurra com suas mãos em minha cintura, me dando pequenos selinhos — Agora a água. – ele finaliza, rindo quando eu bufo.
-E aí casal? Partiu voltar pra casa?! – Mike surge na área vip, seu cabelo azul bagunçado.
-Sim, acho que já está na hora mesmo. – Luke responde olhando na minha direção.
Calum aparecendo logo depois. – Tô pronto pra ir galera! – ele diz, com uma garrafa de água na mão também. Parece estar tão bêbado quanto eu.
-Vamos então. – Luke pega na minha mão.
Lá fora, enquanto esperamos o carro, eu e Calum começamos a dançar e cantar a música que está tão alta que dá pra ouvir daqui. Nós inventamos passos ridículos e rimos de nós mesmos. Michael e Luke apenas reviram os olhos para nós. Quando um paparazzi aparece nós paramos. Ele começa a fazer perguntas, mas logo o carro chega e eu agradeço assim que entro no veículo, fugindo das perguntas intrusivas. Trato logo de ligar o som, me sentindo agitada demais para ficar em silêncio.
-Caramba Zoe, tá agitada hoje hein – Mike comenta rindo. Mostro a língua pra ele.
-Só estou feliz. – digo sorrindo genuinamente, dando de ombros.
-E a que se deve essa felicidade toda? – ele levanta uma sobrancelha, curioso.
Olho para Luke, que está tentando conversar com Calum enquanto este está bastante agitado também. Quando o loiro percebe meu olhar em sua direção, sorri.
-Ok, já entendi. – Michael diz, revirando os olhos, mas sorrindo também.
Pego meu celular, sincronizando com o rádio do carro e procuro por uma música. Escolho I Can Be Somebody do Deorro e começo a cantar, Calum e Michael se juntando a mim. Nossa cantoria continua com Basket Case do Green Day e Crazy in Love da Beyonce, onde eu começo a dançar também, tentando fazer Luke se juntar a nós. Mas não funciona muito, nem mesmo quando coloco Money, uma música deles.
-In a couple hours we'll be like… — Cal e Mike cantam.
-Take my moneyyy, take my keyssss! Drive this car through the drive thru pleaseee! – eu grito, quando essa parte chega.
Depois dessa música, decidimos passar em um lugar para comer algo, já que percebemos que estávamos famintos. Vamos até o Burger King e após cada um de nós ter comido um lanche, seguimos nosso caminho para casa. Aproveito esse momento para me aproximar de Luke, já que fiquei com a impressão de que ele estava se sentindo excluído, mesmo que em algumas partes ele risse de nós.
Há a algum tempo já percebi que por mais que Luke faça parte de uma banda famosa e cante em shows para milhares de pessoas pelo mundo todo, ele é um pouco tímido, mesmo perto de seus amigos mais próximos, preferindo ficar na dele em alguns momentos de agito, como o de agora pouco. E por mais estranho que pareça, esse é uma das coisas que acho adorável nele.
Sorrio com meus pensamentos, sentando ao seu lado. Já estou mais calma e talvez sonolenta agora, mas então Chocolate do The 1975 começa, eu dou um pulo no meu lugar, olhando para Luke.
-Essa você tem que cantar comigo. – eu digo – Ah, vamos lá Luke! Por favor, é praticamente nossa tradição – faço bico, tentando convencê-lo.
Ele me olha durante alguns segundos, e penso que não vou conseguir, até que ele começa:
-And my car smells like chocolate... – sorrio largamente, e me junto a ele. Cantamos juntos e animados até que a música acabe. No final Mike e Calum aplaudem e assoviam, rindo depois. Eu e Luke rimos também como bobos da minha tentativa falha de cantar as partes mais rápidas.
~===~
-Vejamos quem vai ser... Luke e... Zoe! — Julie exclama, olhando para nós dois.
Fico tensa no meu lugar. Tinha que ser justo com ele? Olho pro outro lado da mesa, onde Luke está sentado. Pela primeira vez desde que comecei a sair com a banda, ele não está com uma garota. Me olha e um sorriso estranho brinca em seus lábios. Estranho porque nunca até agora ele tinha sorrido pra mim. Não sorrio de volta.
Ele levanta uma sobrancelha com isso, mas levanta também quando eu o faço, me seguindo até o palco. Enquanto eu tento ajustar o microfone para ficar na minha altura, ouço uma voz bem próxima do meu ouvido:
-Precisa de ajuda aí Melacci? — ele pergunta.
-Não, eu me viro. — respondo, conseguindo arrumar o microfone. — E aí Hemmings? Preparado?
Ele faz um som de deboche:
-Sempre. — e então os primeiros acordes de Chocolate do The 1975 começam.
Fico pensando quem será que escolheu essa bendita música. Não que eu não goste dela, mas eu nunca consigo cantá-la inteira. Respiro fundo, não querendo deixar transparecer meu nervosismo, muito menos com o Hemmings ao meu lado.
O único problema foi que, não teve jeito, me embolei em algumas partes. Porém, ao contrário do que eu imaginava, o loiro riu. Não de uma forma zombeteria, mas como alguém que estava se divertindo. Acabei rindo também, sendo contagiada pelo seu sorriso.
No final, nós dois descemos do palco rindo. Quando a risada cessou, um pouco antes de chegarmos a mesa, achei que ele voltaria a me tratar igual à antes. Começo a me dirigir ao meu lugar, certa que ele vai me ignorar como fez até agora, quando sou surpreendida por sua mão em meu braço.
-Hm... Er-Então... Foi legal Melacci. — ele sorri — De verdade.
O observo por uns instantes, antes de responder:
-Eu também me diverti Hemmings. — e antes que perceba estou sorrindo para ele.
Não deixo de perceber que isso o surpreende. Ele está para falar algo quando escutamos a galera nos chamando.
-E aí? Viraram estátuas vocês dois?
Me viro pra eles, revirando os olhos e acenando que já estou indo. Quando volto a olhar para Luke, ele ainda está me olhando, seu olhar curioso.
-Acho melhor voltarmos... Eles não vão parar. — rio leve.
Ele concorda, tomando a frente e voltando para a mesa. Durante o resto da noite, conversamos com o grupo, e Luke me faz algumas perguntas. Acabamos indo cantar outras musicas juntos, em que eu me sai melhor, na medida do possível.
No final da noite, não posso deixar de perceber o quanto os olhares que o loiro dirige a mim ficaram mais calorosos. Espero que isso signifique que seja lá qual era o motivo pelo qual ele não gostava de mim, isso tenha mudado e que quem sabe possamos nos relacionar melhor.
~===~
Depois dessa vez no karaokê, começamos a cantar Chocolate toda vez que esta toca. Seja no carro indo para um ensaio, na rua numa vez que saímos para tomar sorvete ou em outra que o próprio Luke colocou, enquanto eu arrumava seu cabelo para um show. Eu ainda erro em algumas partes, e ele tenta me ajudar sem deixar de rir. Foi assim que começou a nossa “tradição” de cantar essa música juntos toda vez que ela toca, independente do lugar.
Após nosso “dueto” sinto o sono começar a me envolver. Hold me Down do Mansionair toca ao fundo e isso só serve como incentivo para meu sono. Quando Luke percebe meus bocejos cada vez mais frequentes, ele delicadamente passa seu braço por meus ombros e me puxa para mais perto de si. Encosto minha cabeça em seu ombro e conforme ele faz um carinho em meu braço, sinto minhas pálpebras pesarem. Antes que eu perceba estou dormindo, embalada pela música.
*Luke POV*
Depois de cantar Chocolate comigo, Zoe encostou a cabeça em meu ombro e apagou. É sempre assim: toda vez que saímos e a baixinha bebe um pouco além ela dorme super rápido depois. A ajeito melhor no meu colo e continuo conversando com os garotos.
Mike diz que Ash e Becca já foram embora juntos, o que eu estranho devido à discussão deles mais cedo. Ele faz uma cara de quem estranhou também, mas encolhe os ombros. Calum começa a contar sobre a garota que ele ficou essa noite e dou risada de algumas coisas que Michael conta. Sinto Zoe se mexer e soltar um suspiro. Automaticamente levo minha mão até seu cabelo acariciando.
-E a Julie e o Caleb? — pergunto.
-A última vez que vi os dois foi na pista de dança. Pela forma que dançavam tá rolando algo entre eles... — Calum responde.
-O Melacci não perde tempo hein! — Michael exclama.
-Ele é um sortudo isso sim. — Cal revira os olhos — A Julie não é fácil de se conquistar.
-Mais difícil que ela, só a Becca. — Mike ri — Mas tô pensando aqui que quem não vai gostar nada disso é o Louis... A Julie é a protegida dele.
-Nós todos sabemos que não é só isso. Ele é afim dela também, só não quer admitir. — comento.
Calum e Michael concordam.
-Quero só ver quando eles vierem fazer o show semana que vem... Prevejo um Louis com ciúmes. — Cal diz, rindo.
-Com certeza. — eu e Mike falamos, rindo também.
Quando chegamos em casa penso em acordar Zoe mas ao olhar pra ela, dormindo tão profundamente decido que vou carregá-la até a cama.
-Quer ajuda aí cara? – Mike pergunta, se referindo a Zoe no meu colo. Calum já está indo em direção a porta.
-Não precisa. Eu levo ela – eu respondo, talvez soando protetor demais. Só espero que Michael não tenha percebido.
Mas ele percebe.
-Ok então. Só estava querendo ajudar. – diz num tom zombeteiro, enquanto sorri.
Consigo finalmente sair do carro com a baixinha no colo. Ela nem dá sinal que percebeu a movimentação. Estou tão distraído pela forma como suas bochechas estão vermelhas por conta do calor, que só escuto o final do que Mike está falando.
-...e agora finalmente, estão namorando. – ele ri.
-Não estamos namorando... Bom, não oficialmente ainda... – percebo meu amigo revirar os olhos – Mas ela é minha. – acrescento sem pensar.
-Cara eu tava falando do Matt e da Hanna — Mike ri alto, e eu fico um pouco envergonhado — Relaxa Luke que nós já sabemos disso há algum tempo... Aliás, não sei como o Caleb não sacou ainda. Está tããão óbvio na cara de vocês dois.
-Eu queria ter contado pra ele, mas a Zoe achou melhor esperar mais um pouco...
-Entendo. Bom eu vou indo, o sono chegou legal aqui – ele comenta, dando um grande bocejo logo em seguida.
-Boa noite cara. – digo, entrando no corredor.
Sigo por ele com Zoe, até a porta do meu quarto. A coloco delicadamente na cama e ela logo se ajeita numa posição confortável para dormir. Rio disso. Vou até seus pés e retiro suas sandálias de salto. Sei o quanto ela não gosta de usá-las, já tendo ouvido várias reclamações em outras ocasiões. Ela solta um suspiro de alívio e percebo que está um pouco desperta.
-Zoe, você precisa trocar de roupa, colocar algo mais confortável. – tento acordá-la, mas ela apenas grunhe, mexendo a cabeça em sinal de “não” e se encolhe na cama.
-É sério baixinha, vai se arrepender amanhã se dormir nesse vestido... – tento persuadi-la.
Ela grunhe novamente, virando de barriga pra cima e esticando as pernas. Seu vestido sobe levemente com seu movimento e não posso deixar de reparar no quão sexy suas pernas são. Finalmente ela abre os olhos, uma carranca se formando.
-Mas eu quero dormir... — diz fazendo bico.
-E você vai. Mas antes precisa se trocar... – pego uma camiseta minha em meu guarda roupa pra ela, que se levanta finalmente. Penso que ela vai para o banheiro se trocar, mas em vez disso começa a abrir o zíper lateral ali mesmo. Quando este está todo aberto, Zoe retira o vestido, o que a deixa apenas num conjunto de lingerie, que devo confessar, me fez ter pensamentos nada inocentes. Engulo em seco, observando seu corpo se mover na minha direção, sua pele destacada pelas pequenas peças de renda preta. Tento desviar o olhar sem êxito. Então me forço a controlar meus pensamentos quando Zoe para na minha frente, o olhar sonolento e os braços esticados para cima.
Percebo que é um sinal para que eu vista a camiseta nela. E assim o faço, sorrindo com sua atitude. O tecido desliza facilmente por seu corpo, já que é largo para ela. Depois ela fica na ponta dos pés e me dá um selinho, antes de se virar e caminhar até a cama, se jogando nela. Rio leve disso e vou até o banheiro me ajeitar pra dormir também. Enquanto estou lá, ouço sua voz me chamar.
-Luke?...
-Estou no banheiro. – respondo, escovando os dentes.
-Lu...Lukey... – ela diz, sua voz um pouca rouca.
-Oi, já estou indo. – rio.
Segundos depois deito na cama ao seu lado. Penso que ela já voltou a dormir, mas logo ela vem para mais perto de mim, ajeitando sua cabeça em meu peito. Suspira satisfeita.
-Boa noite Zoe. – sussurro, passando meu braço ao seu redor.
-Boa noite. – responde, no que parece mais um ronronar de gato.
~
Acordo no meio da noite, sentindo um movimento no colchão. Abro um pouco os olhos e vejo Zoe sentada ao meu lado na cama. Ela está acordada.
-Zoe? – a chamo.
Ela vira seu rosto na minha direção, e mesmo estando escuro percebo suas feições confusas.
-O que aconteceu? – pergunto, me apoiando em meus cotovelos para poder vê-la melhor.
-Eu... – faz uma pausa, suas sobrancelhas franzindo de leve – Nada, foi só um sonho estranho.
-Tem certeza? – despertando um pouco mais quando percebo que ela está um pouco tensa.
-Sim... – ela sorri pra mim e aceita quando a puxo para deitar de volta.
-Quer falar sobre o sonho? – indago enquanto mexo em seu cabelo.
-Não... Não foi nada demais, só deixou uma sensação estranha depois... – diz baixinho.
-Ok... – decido não insistir mais no assunto.
Continuo com o cafuné, percebendo que Zoe permanece um tanto inquieta. Por fim, alguns minutos depois sinto sua respiração ficar profunda, sinalizando que ela dormiu. Fico mais um tempo acordado, imaginando o que pode ter sido esse sonho para que ela tenha tido essa sensação estranha.
Adormeço pensando nisso.
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