Between Two Paths
3 Olhares Entre Fórmulas
O saguão principal da Quimiks Marks era um espetáculo de modernidade: piso de mármore polido, paredes de vidro que refletiam a luz fria da manhã e uma recepção movimentada onde o som dos saltos e vozes ecoava como uma melodia de rotina.
Daeron respirou fundo, tentando parecer calmo. O ar ali dentro tinha cheiro de café e metal, e o coração dele ainda batia acelerado por estar ao lado de Derek — o novo diretor de pesquisas e, agora, oficialmente, seu futuro supervisor.
— Impressionante, não é? — disse Derek, quebrando o silêncio enquanto caminhavam lado a lado em direção aos elevadores.
— É… — Daeron respondeu, a voz um pouco rouca. — Eu ainda não me acostumei a passar por aqui sem olhar pra tudo. Parece que o prédio respira tecnologia.
Derek sorriu.
— Então vai gostar do laboratório principal. É o coração da empresa.
Quando o elevador chegou, os dois entraram. As portas se fecharam suavemente, e o som do mundo lá fora desapareceu, restando apenas o zumbido discreto do motor e o som ritmado das respirações deles.
Daeron olhava fixamente para o painel de botões, evitando o olhar de Derek. Mas o moreno o observava, divertido, com os braços cruzados e um sorriso de canto.
— Você sempre fica assim tenso quando está comigo, ou é impressão minha? — perguntou Derek, num tom leve, quase provocador.
Daeron engoliu em seco, os olhos arregalados.
— E-eu? Tenso? N-não, claro que não! — respondeu rápido demais, o que só fez Derek rir.
— Aham. — ele respondeu, arqueando uma sobrancelha. — Nem um pouco, né?
As portas se abriram no último andar. O corredor era mais silencioso, iluminado por luzes brancas e painéis transparentes que mostravam os laboratórios ao lado. Pessoas de jaleco caminhavam de um lado para o outro, mas o tempo parecia desacelerar enquanto eles seguiam juntos.
Derek abriu uma das portas e fez um gesto para que Daeron entrasse primeiro.
— Bem-vindo ao seu novo campo de batalha.
O laboratório era imenso — bancadas de inox, equipamentos reluzentes, vidrarias alinhadas como um exército de cristal. O som de máquinas e líquidos borbulhando era quase hipnótico.
Daeron deu alguns passos à frente, admirado.
— Isso é… incrível. — sussurrou.
— É, realmente é. — Derek respondeu, aproximando-se até ficar bem atrás dele. — Mas o que vai torná-lo especial é quem trabalha aqui.
Daeron virou-se devagar e o encontrou a poucos centímetros de distância. O olhar de Derek era intenso, mas não ameaçador; havia curiosidade, interesse… algo mais profundo.
— Você tem um talento raro, Daeron. Eu li seus relatórios, suas simulações. — disse Derek, a voz baixa, quase um sussurro. — A forma como você analisa resultados é instintiva. É como se… sentisse a química.
Daeron ficou imóvel. O elogio — vindo dele — soava quase íntimo.
— E-eu apenas… tento fazer o meu melhor.
Derek inclinou um pouco a cabeça, sorrindo.
— Humildade também. Que perigosa combinação.
Por um segundo, o ar pareceu se tornar mais denso entre eles. O olhar de Derek se demorou demais, e Daeron desviou o rosto, fingindo estar interessado em uma bancada próxima.
— Bom, eu… eu deveria começar a revisar as anotações do estágio. — disse, tentando disfarçar o rubor que subia pelo pescoço.
Derek deu um passo para o lado, mas o sorriso não desapareceu.
— Claro. — respondeu calmamente. — Só não esqueça de almoçar. Alguns estagiários costumam ficar tão concentrados que eu tenho que arrastá-los pro refeitório.
— Prometo que não vai precisar fazer isso comigo.
— Espero que não. — Derek respondeu, ainda olhando-o com aquele mesmo brilho nos olhos. — Mas, se precisar, não vou hesitar.
Daeron riu, nervoso, e virou-se para esconder o rosto. Derek, satisfeito, caminhou até uma das mesas e começou a revisar algumas pastas, mas sem deixar de observá-lo discretamente.
Enquanto isso, Daeron tentava focar nas planilhas à sua frente. Mas, toda vez que sentia o olhar do moreno sobre si, o estômago dava um nó — uma mistura de ansiedade, admiração e algo que ele ainda não queria admitir.
No fundo, sabia que aquela seria uma longa jornada.
E, de alguma forma, Derek parecia saber também.
Continua…
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