Between Storms
1 Acabamos com o Baile de Inverno!
Notas iniciais
Essa fanfic é minha e da Ferry, minha melhor amiga. Pensamos em, para depois de terminarmos, fazê-la interativa. Espero que gostem.
Quem quer começar a história com ação? *u*
AMBER KOWALSKI
Meu nome é Amber Kowalski e tenho 14 anos. Minha casa é uma mansão em Manhattan. Meu padrasto é o diretor do FBI e minha mãe é advogada criminalista. Tenho uma irmã mais velha que se chama Faith. Para começar, se você encontrar Faith e eu na rua, nunca saberá que somos irmãs se não falarmos. Enquanto eu tenho cabelo castanho liso com cachos nas pontas e olhos verde turquesa, Fay tem um cabelo ondulado negro com californianas vermelhas e olhos de um azul turquesa profundo. Faith tem 15 anos.
Fay e eu estudamos em uma escola particular. Não somos próximas. Fay acha que eu roubei seu lugar quando nasci. Mamãe vivia para Fay e só para ela depois da morte de seu primeiro marido. Quando eu nasci, um ano depois, minha mãe se apaixonara por um amante das águas. Certo dia, antes do meu nascimento, ele a abandonou. Ela nunca toca nesse assunto. Dominic, atual marido da mamãe, era um antigo amigo. Era apaixonado há muito tempo por ela. Quando mamãe ficou desolada pelo abandono, Don se ofereceu para cuidar de mim e de Fay. Com o tempo, acabou se apaixonando por Don, mas eu acho que ela nunca superou o homem que é meu pai de sangue. Trisha Kowalski, hoje, é uma das mais renomadas advogadas dos Estados Unidos.
Nesse momento, estou no CRV do meu padrasto junto com Fay indo para o Baile de Inverno da escola. Sinto que algo vai acontecer. Desde que saímos de casa, tenho a sensação de alguém nos seguindo. Claro que estamos protegidas com Don, mas ele só irá nos levar. Antes de sair de casa, Kevin, meu melhor amigo, me disse que Fay e eu não devíamos ir ao baile, mas Kevin tem estado muito estranho ultimamente. Olha para mim de olhos arregalados. Parece que acha que eu não devia estar ali. Eu disse que iria e então ele concordou em ir comigo. Para te proteger, ele disse. Ainda não sei como ele acha que vai me proteger. Sou bem mais forte que Kevin. E ele ainda usa aquelas muletas.
Estávamos atrasados. A música já soava alto dentro do salão. Don se despediu de nós e seguiu para casa. Disse que nos buscaria às 21h. Eram 19h55min.
Kevin nos esperava na porta. Ele era o único dos meus amigos que Fay gostava. Isso era estranho por que ela só anda com gente riquinha e esnobe. Kevin era o oposto disso. Ele ganhara uma bolsa, por isso estudava na Trinity School. Morava em um orfanato e tinha algum problema de articulação nas pernas. Tinha um cabelo meio rebelde e era tido como o “intruso” na escola. Faith o adorava.
— Amber! Você... Você está linda! — Kevin me elogiou quando chegamos. — Faith! Nossa! Você está... Incrível!
— Obrigada Kevin. — Fay respondeu. — Pensei que não viria.
— Eu não iria, mas como Amber insistiu...
— Então Kevin, que tal entrarmos? — Eu falei. Nós entramos e eu pedi a Kevin para pegar um ponche para nós.
— Fay, acho que não devemos ficar aqui...
— E por que iríamos embora? Esse é o Baile de Inverno, maninha. E eu vou ser coroada à rainha dele!
— Fay, é sério! Tem algo estranho aqui. Tenho o pressentimento de que estamos em perigo. — Eu falei, mas eu mesma me achei louca ao ouvir.
— Maninha você tem olhado muito filme. Nada vai acontecer. Ah, meu par acabou de chegar. Tchau, tchau.
Faith às vezes era muito fútil. Geralmente era por causa dela que entrávamos em confusões. O motivo de estarmos na quinta escola consecutiva provava isso. E o motivo de sermos aceita na Trinity School é a classe social dos nossos pais.
Don e mamãe viajam bastante por causa de seus trabalhos. Com isso, eu e Fay ficamos com Ally, nossa “acompanhante”. Por Fay e eu sermos de origem britânica a chamaríamos de Au pair, uma estudante que trabalha cuidando de crianças para pagar os estudos. Mas como estamos na América, o termo correto é babá. Triste isso.
Me virei dando de cara com um Kevin apreensivo. Ele olhava tudo em volta e se esforçava para equilibrar os três copos de ponche em uma mão.
— Kevin! Me dê isso aqui. A Faith não vai tomar. — Peguei um dos copos e larguei em uma mesa próxima. Quem se importa! — Agora me diz por que está todo preocupado desse jeito?
— Nada, nada... Eu... — Kevin começou a cheirar o ar. Estranho? É óbvio! —Precisamos ir embora Amber. Agora!
— Mas acabamos de chegar! Vamos ficar Kevin. E outra: Fay quer ser coroada. Depois vamos embora.
— Amber, me prometa uma coisa. Assim que Fay for coroada, vamos chamar seu pai e vamos embora. Nenhum minuto a mais!
— Kevin como vai chamar meu pai? Esqueceu que eu não tenho um celular? Fay também não. Você sabe que mamãe é assim com tecnologia.
— Olá... — Fomos interrompidos por um homem de cadeiras de rodas. Era um sujeito de meia-idadede cabelo ralo, uma barba desalinhada e usava um casaco surrado de tweed que cheirava café.
— Olá. — Eu respondi cautelosa. Kevin quase saltava de alegria. — O senhor seria...?
— Oh sim... Sou o Sr. Brunner. O novo professor de História. Eu estava dando uma olhada nas notas dos alunos, e percebi que a sua não anda muito bem, e queria saber se você não gostaria de umas aulas extras... Eu sei que aqui não é um lugar para se falar disso, mas...
— Ah... É que não adianta aulas extras. Mamãe já até contratou um professor, mas eu tenho dislexia e TDAH, isso complica muito as coisas. — Eu respondi. Estava, agora, observando nosso diretor. Eu não tinha percebido, mas ele tem olhos de duas cores. E esses olhos estavam observando minha irmã com uma expressão predadora. Eu não gostei disso.
— Com licença, Sr. Brunner, mas eu preciso falar com a minha irmã. — Avisei e saí.
Fay estava dançando com Ryan Banks, um riquinho idiota que só gosta de fazer bullying com os menores. Seu vestido vermelho e curto contrastava com suas californianas. Banks parecia extasiado em dançar com Faith Kowalski.
— Fay, quero falar com você. Só com você. — Eu acrescentei quando Ryan tencionou seu corpo para ir com a gente.
Fui em direção ao banheiro. Não olhei para ver se Fay me acompanhava. Eu sabia que sim, eu nunca dizia que queria falar com Fay sozinha.
— Não quero ninguém dentro desse banheiro. Brittany cuida a porta. — Eu ordenei. Fay e eu conseguíamos isso. Ser as mais populares, as mais legais. A gente podia mandar.
— Tá legal, alguma coisa está acontecendo. Amber, o que é?
— Fay... Lembra quando o diretor Thorn assumiu o cargo? — Eu perguntei e Faith me olhou estranho.
— Para que você quer saber? Não...
— Faith! É Importante! Você lembra ou não?
— Não, mas que importância tem isso? — Ela perguntou sem entender nada. Nem eu entendia, mas sentia que isso era importante.
— Eu não sei... Ele é muito estranho. Já reparou que ele tem dois olhos...
— Sério que ele tem dois olhos? Acharia estranho se tivesse apenas um! — Fay debochou. Isso era comum.
— Não! As cores dos olhos são diferentes! — Eu estava me irritando. Fay devia perceber a gravidade da situação!
— E daí? Muita gente que sofreu algum trauma ou tem alguma doença pode ter olhos de duas cores... — Faith era a mais inteligente de nós duas. Ambas tínhamos dislexia, mas Faith conseguia contorna-la. Eu não sei como.
— E daí que você alguma vez já tinha visto isso? Ter olhos de cores diferentes chama atenção.
— Não, mas... Você está exagerando. Pode ser efeito de luz, afinal o salão está todo iluminado...
— Fay ele parecia querer te devorar com os olhos. Ele está esquisito. Venho observando-o e hoje foi a primeira vez que o vi com olhos diferentes. E mais... Faith, eu não sei... Estou com medo.
Eu não sei exatamente como isso aconteceu, mas de repente Fay estava me abraçando. Mas quando eu fui conferir se não era alucinação, ela me puxou para trás e estava em posição de alerta. Olhei para a entrada para ver o diretor Thorn sorrindo com seus olhos de cores diferentes.
Gritei por Brittany. Alguém a segurava nos braços. Thorn nos olhava de um jeito horripilante, horrendo. De repente, ele fez alguma coisa que não sei o que foi. Só sei que quando olhei para ele uma cauda espinhenta se insinuava por de trás do Sr. Thorn.
— Bem... Vejamos o que temos aqui. Duas, mas fui instruído de apenas uma. Duas semideusas na mesma família! Isso é algo extremamente raro. — Thorn falava deixando Fay e eu cada vez mais confusa. Eu não desviava os olhos dos espinhos da cauda... Pensando bem... Eu estava com raiva. Ele não sabia nada da gente! Essa coisa estava louca. Ou eu estava alucinando, afinal eu pensei ter abraçado minha irmã.
— Um manticore! — Fay sussurrou para mim.
— O quê?
— Um manticore! Uma criatura mitológica. Não acredito que estou vendo uma! — Fay estava fascinada. Eu conhecia sua adoração por mitologias. De vez em quando eu a flagrava discutindo com mamãe por causa disso.
— Faith isso não pode ser real! Não tem como ser!
— Então... — Continuou o diretor/monstro. — Receio que tenho de matar uma de vocês duas. Quem se voluntaria?
— Ninguém vai sair ferido daqui!
Você pode não acreditar, mas eu juro que Kevin tinha duas pernas de bode! Ele não estava ameaçador daquele jeito, mas sim engraçado. E aquela flauta não combinava nada com a pose que ele queria passar.
— Pensei que estava morto. — De onde o Sr. Brunner surgiu mesmo?
— Realmente eu pensei que levaria mais tempo para me regenerar. Na última vez em que vi seus pupilos me atacaram com flechas de prata. Não foi nenhum pouco gentil.
— Por que está aqui? — Kevin perguntou.
— Acredito que pelo mesmo motivo que você, sátiro. — O diretor falou com desdém. — Já falei que odeio cheiro de bode?
— Hum-hum! — Fay limpou a garganta. — Gostaríamos de saber o que está acontecendo... Se não for muito a pedir.
— Oh, então você não sabe? Lá vai a história resumida: sua mãe, jovem e indefesa, se apaixona pelo deus galã. Tem duas filhas com sangue divino e se esconde no mundo mortal para proteger as crianças da fúria de outros deuses, afinal Zeus quebrou o juramento. Mas uma coisa me intriga. Como ela conseguiu isso por tanto tempo? — Dessa vez parecia estar falando sozinho, mas Brunner respondeu. Eu acho.
— O padrasto delas. Um homem, quando mata muitos homens, mesmo se for necessário, fica marcado. O padrasto é policial. Seu cheiro de morte as encobre.
— Parabéns Quíron! Vejo que as meninas são especiais não é? Pensei que estaria de luto. Seu pai acabou de morrer, não é?
— Para tudo! — Eu gritei furiosa. — Você é o Sr. Brunner, mas não é. Kevin tem pernas de bode. O diretor tem uma cauda espinhenta e nós somos filhas de um deus. Cadê a câmera? Isso só pode ser uma pegadinha. Meu pai verdadeiro abandonou minha mãe! O pai da Fay morreu! Don não é um assassino a sangue frio! E pelo amor de Deus! Eu cansei disso tudo.
Eu não sei o que deu em mim, mas eu saí do banheiro batendo a porta com toda a força. Monstros não existem! Deuses não existem! E eu odeio essa escola!
Eu ouvi Kevin começar a tocar alguma coisa na flauta de bambu, mas eu já estava indo para o estacionamento. Ouvi Fay me chamando, mas eu estava muito irritada. Passei pelo estacionamento indo em direção ao jardim.
— Amber! Pare aí agora! — Fay gritava. Em algum lugar próximo soou um trovão.
— Me deixa em paz, Faith! Você e suas pegadinhas. Quando você vai crescer? Isso não tem a mínima graça!
— Eu não tenho nada a ver com isso! Eu juro Amber.
Meu corpo estava tremendo de raiva. Próximo a nós estourou um irrigador. Ótimo!
— Faith eu já disse que não quero conversar. Me deixa em paz, ok? Aliás, por que você está aqui mesmo? Devia estar rindo com seus amigos!
— Amber... Por favor, me ouça. Eu juro que não fiz nada.
Eu estava de costas para o irrigador, mas me virei quando o barulho começou a me irritar. Água sempre me fez bem, mas nesse momento o que eu mais queria era que tudo explodisse. Ao longe ouvi mais um estourar. Podia ouvir as pessoas dentro do baile gritando. Alguma coisa estava acontecendo.
— Amber. Precisamos voltar e ajudar os outros. — Fay ainda falava.
— Que chance nós teríamos contra um manticore? Se é que é real! Faith se quiser volte, mas me deixe em paz, eu já disse! — Alguma coisa tremeu aos meus pés. Eu não sei como eu sabia, mas era o encanamento. Iria explodir. Impulsionei-me para frente, derrubando Fay.
Os jatos d’água explodiram à nossa volta.
— Idiota! Você... Como você fez isso? — Fay balbuciava.
— Eu não fiz isso ok? Não sou uma esquisita. Não sou filha de um deus. Eu...
Fay estava irritada agora. Eu conseguia irritá-la sem tentar muito. Na entrada do salão eu vi uma saraivada de espinhos.
— Isso é real Amber! Você dizer que não só vai piorar. Se você não percebeu, tem pessoas correndo perigo por nossa causa.
— Eu duvido que isso... — Quando foi que começou a chover. Um trovão roncava no céu.
— Amber, para com isso! Você está sendo idiota!
— Eu não estou nem aí, Faith!
— Amber Kowalski! Se você der mais um passo...
— Vai o quê? Me bater? Atirar um raio em mim?
Eu estava começando a ficar com medo. Trovões explodiam no céu com a água abaixo de nossos pés. Admito que andavam na mesma velocidade que nossa raiva.
— Faith, o que você está fazendo? — Eu perguntei ao ver um funil se erguendo na terra. Forcei meus olhos para perceber que era a água se juntando ao vento. Meu cabelo voava. O de fay também, mas ela estava encharcada.
— Eu não estou fazendo nada! — Fay gritou por cima do vento. Minha atenção é chamada para a porta do salão aonde vejo Kevin ser jogado.
Eu sei que deve ter sido loucura, mas... Eu corri. Não para longe. Passei por Fay e entrei no estacionamento. Eu fui para o olho do furacão. Faith gritou.
Meu olhar foi diretamente a um leão ruivo com cabeça de homem. Sr. Thorn! Minha raiva era intrigante. Alguma coisa caiu perto de Kevin. Olhei a tempo de ver o corpo sem vida de Brittany cair um baque no chão.
Concentrando meus pensamentos, direcionei toda a energia raivosa para Thorn. Ao meu lado estava Fay. Ela estava procurando minha mão. Agarrei a sua sem muita gentileza. O Furacão estava vindo para nós. Surpreendente como a revelação disso, ele nos contornou e atingiu o manticore em cheio. Não olhei tempo o suficiente. Virei para Kevin. Ele estava desmaiado. O Sr. Brunner acabava de atravessar a porta de entrada. Corri para Kevin soltando a mão de Fay.
— Kevin? Acorda, já passou. Me desculpe por favor. Kevin?
— Ele vai ficar bem. — Era o Sr. Brunner.
— E Brittany?
— Desculpe. Ela foi atingida por um dos espinhos. Isso é terrível a um mortal.
Olhei o corpo de Brittany. As pessoas de dentro do baile começavam a se amontoar em nossa volta.
— Você viu? Ele virou pó! — Fay disse quando eu a olhei.
— Hei, acho que te devo desculpas...
— Com certeza! Aliás, desculpas é pouco. Se não fosse por mim, você estaria empalada com espinhos venenosos!
— Bem, menina. Acho que devo leva-las à sua casa para pegarem suas coisas e irmos para o Acampamento.
— Acampamento? Mas ainda é inverno! — Eu afirmei.
— Creio que temos muito a conversar. Deixaremos explicações para mais tarde.
Eu não sei exatamente como explicar, mas parecia correto ir para esse acampamento. Parecia seguro. Não me pergunte. Eu nem sabia aonde ficava.
Notas finais
Então até a próxima. Beijos,
Lyne.
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