Notas iniciais
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—Eu sabia que ele tinha entrado aqui e não tinha saído.— Já era a segunda vez que Camie entrava na livraria.
Minha conversa com o Nathan não durou muito mais depois do quase-convite, ficamos em silêncio, terminamos de ajeitar a prateleira e ele se despediu de mim.
5 minutos depois Camie apareceu novamente.
—Você são namorados?
—O quê? Não!— Eu respondi rapidamente. Sabia o quão rápido as notícias poderiam correr na internet.— Eu o conheci no mesmo dia em que te conheci, nossos celulares foram trocados por engano, ele soube que minha melhor amiga era fã dele e nos ofereceu os ingressos.
—Então a história da cartomante era mentira?— Ela levantou uma sobrancelha.
—É isso aí, mas você vai ter que me prometer que não vai postar no Twitter, nem contar para a mãe, melhor amiga, nem nada disso... — Camie assentiu avidamente com a cabeça.—Minha vida é parada e gosto que seja assim.
Ficamos em silêncio enquanto eu lia um livro de uma nova autora no mercado. Não era tão bom, mas não era ruim. Com os conselhos certos, a história ficaria incrível.
—Eu não tenho melhor amiga.— Camie murmurou algo.
—O quê?—Levantei o olhar encontrando-a dedilhando os livros.
—Eu não tenho amigas e minha mãe não para muito em casa. Não teria ninguém para contar, mesmo se quisesse.—Inclinei a cabeça me simpatizando mais um pouco com a garota à minha frente.
Também já havia passado por esses dias ruins na minha adolescência.
—E aquelas meninas que estavam com você quando nos conhecemos?
—Eram do grupo de fãs e só me notaram no momento que eu disse que tinha visto Nathan entrar aqui.— Ela disse dando de ombros.
—E eu? Não conto como sua amiga?— Camie me encarou com os olhos arregalados.
—Você quer ser minha amiga?— Ela perguntou com um sorriso no rosto.
—Já tenho segredos meus com você, isso já não nos faz amigas?— Sorri de volta e a menina atravessou o balcão me dando o mais apertados dos abraços.
—Quer dizer que posso vim aqui conversar com você sempre que quiser?— Ela disse ainda agarrada em mim.
— Desde que você não esteja bolando aula ou fugindo de suas tarefas para olhar a minha linda face, fique à vontade.— Camie se afastou rindo.
—Tenho que ir. Você sabe, contar à Bethany que agora tenho uma amiga.—Franzi a testa.
—Pensei que não tinha outras amigas.
—Bethany é minha babá e nem comece a me zoar por isso. Enfim, ela tem 62 anos e alguns problemas auditivos. Não ouve metade do que eu falo, infelizmente. — Ela deu de ombros realmente chateada. —Ah! Tenho que ver um dia para você ir lá em casa agora que somos amigas. Oh, meu Deus, ainda não consigo acreditar.
Camie saiu pela porta lançando beijinhos no ar e me deixando rindo.
❣
—Oh...isso!— Leoné gritou com vontade.—Você me satisfaz tanto.
Franzi a testa e fiz uma careta.
—Incrível! e você cheira tão bem.— Ela ronronou.
—Tá, tudo bem aí, filha?— Minha mãe perguntou do outro lado da linha.
—Tudo em perfeito estado, mãe. Acho que Leoné está meio fora de órbita apenas.— Cobri o microfone do celular. —Leoné tem como você segurar seus orgasmos só enquanto eu falo com a minha mãe?
—Não sei se conseguirei, oh, linda Lizzie. Esse rapaz me dá um prazer imenso.— Revirei os olhos para a minha amiga contorcida no sofá esfregando o ingresso para o show de Nathan por lugares nem um pouco decentes.
Graças a Deus, mesmo eu ainda não tendo certeza se iria, o meu ingresso estava dentro da minha bolsa bem longe das mãos ousadas de Leoné.
—Você tem certeza que não precisa de nada? Você poderia ir para um apartamento mais... Digno. Ajudaríamos Leoné com o aluguel de lá também. Agora que você terminou com aquele tal de David, não tem mais motivos para continuar aí.
—Como a senhora sabe que eu e David terminamos?— Lancei um olhar estreito para Leo que se endireitou e levantou.
—Bem, eu vou terminar minha sessão de amassos no quarto. — Ela correu antes que eu tivesse tempos ordenar para que ela ficasse e trancou a porta do quarto.
—Leoné me contou, querida. Entretanto, não brigue com ela. A garota só queria me deixar a par da sua vida já que você não faz isso.
Meus pais amavam Leoné. Apesar de seu jeito louco, despreocupado e rebelde, ela conseguia fazer as pessoas mais responsáveis, puritanas e religiosas se apaixonar por ela. Pode apostar que grande foi minha surpresa quando minha mãe me contou, completamente animada, que estava trocando mensagens de texto com Leoné e que ela era uma menina maravilhosa.
Isso foi uma semana depois de começarmos a morar juntas.
Para ser honesta, minha mãe conversava mais com Leoné do que comigo. Talvez, isso foi pelo fato que Leoné foi a minha primeira amiga depois de muito tempo.
Camie não era tão diferente de mim mais nova, como já disse.
—Mãe, eu quero ser uma adulta independente e responsável por minha vida. Não posso deixar que você e papai tomem conta de mim durante minha vida toda. Preciso passar por dificuldades e aprender com elas. Foi por isso que saí de casa.
—Eu sei, meu amor. Porém, entenda que você é nossa única filha e zelamos por sua segurança, bem-estar e conforto. Só queremos o melhor para você.— Senti um aperto no coração. Eu sabia que tudo que ela dizia era verdade e eu sentia tanta falta dela e de papai, mas não apreciava a ideia de voltar atrás e colocar as rédeas da minha vida nas costas dos meus progenitores como se eu tivesse 7 anos.
—Eu sei, mamãe.
—Tenho que ir agora, mas espero que venha nos visitar aqui em Londres em breve.
No mesmo instante, o quase-convite de Nathan pipocou em minha mente e eu não tinha certeza do porquê tudo dentro de mim parecia se agitar como uma rua tumultuada.
—Prometo que assim que acabar essa temporada infernal de entrega de trabalhos, eu irei aí.— Disse por fim tentando manter minha voz normal.
—Traga Leoné .—Minha mãe acrescentou antes de nos despedirmos.
Claro, se ela ainda estiver viva.
—LEONEEEEÉ! ABRA JÁ ESSA PORTA!
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