Between Lyrics And Quotes
7 Seven
Notas iniciais
❣
—Isso não vai fazer você deixar de ir no show comigo, não é?
—Não sei, Leoné, não sei. Você não pode ficar contando cada passo da minha vida para a mamãe. Não preciso que ela fique com pena de mim por ter namorado algum dia com aquele ridículo.
Já era noite e eu só tinha conseguido entrar naquele assunto com a minha amiga há poucos instantes porque ela tinha feito seu interrogatório sobre meu encontro com o Nathan.
Estávamos esparramadas no sofá bebendo um vinho barato é ruim que Leoné havia ganhado num rifa no Conservatório.
—Desculpa, amor da minha vida, mas sua mãe se importa muito com você. Não gosto de ver mães chorando por uma notícia da filha.— Ergui uma sobrancelha. —Exceto a minha porque ela não foi uma boa garota nos últimos anos.
Ficamos em silêncio ouvindo a voz arranhada, desafinada e horrível, vinda de debaixo da nossa janela.
Era o dia da serenata de David.
—Ele gostou mesmo de você.— Leoné falou de repente.
—Quem? O David?
—Não,— Ela riu —Estou falando do Nathan. Vocês já se encontraram 3 vezes. Caralho, você é puta sortuda, Lizzie.
Me limitei apenas a revirar os olhos.
—O que virá agora? Um convite para a casa dele?— Leoné disse brincando.
—Na verdade...
Ela arregalou os olhos e praticamente pulou em cima de mim.
— ELE TE CONVIDOU PARA IR NA CASA DELE?— Ela gritou na minha cara
—Não foi bem assim. Se acalme, mulher! — Então eu expliquei pacientemente como tudo havia acontecido.
—Quer dizer que eu praticamente tenho passe livre para ir na casa de Nathan Hughes quando eu quiser?
Gente, por que ninguém me avisou que eu dividia o apartamento com uma fangirl louca?
—Até que enfim ser sua amiga está trazendo benefícios. —Fiz uma cara feia para ela.
—Eu disse que ele fez um convite, Leoné, não disse nada sobre aceitá-lo.
A garota paralisou e olhou para como se eu fosse louca.
— Elizabeth Zummach, eu preciso te explicar que quando um garoto te convida para a sua casa, você aceita.—Rolei os olhos e ela deu de ombros.—Bem, se você não aceita, eu aceito. Quem sabe eu finalmente não acho uma entrada para o mundo da fama?
Suspirei fundo. E esperei. Eu sabia muito bem o que estava por vir.
3, 2, 1...
—Poxa, Lizzie, você sabe que eu não vou sem você. Assim, que graça teria eu ir na casa de um famoso meter o famoso louco se você não estivesse lá comigo?— Ela apelou para cara de gato perdido.
No plano de fundo daquela cena, um gato de verdade se espreguiçava em cima do sofá. O que aquele ser fazia ali ainda?
—Nem pense em fazer alguma besteira na casa do garoto, não posso ser processada e ter que pagar um dinheiro que não tenho.
—Por favooor, vai pegar super mal se eu aparecer lá sozinha. Quem vai me dar coragem para eu divulgar a minha arte para o Nathan?— Ela se ajoelhou ao meus pés e abraçou minhas pernas .
—Você poderia divulgar por SMS que tal?
Esperei que seus olhos marejassem, mas, como já disse, ela era uma péssima atriz.
Bufei.
—Eu vou para a casa dos meus pais assim que a minha faculdade der uma folga. Você pergunta se, por um acaso, o famosão vai estar em Londres nessa semana. Se ele não estiver a culpa não será minha e só vamos poder ir novamente quando eu tiver outra folga.
Seus olhos verde-oliva brilharam em minha direção.
—Lizzie, você é um anjo! Já posso ver você sendo canonizada após sua morte.- ela disse juntando as mãos antes de me agarrar.
—Credo, Leoné. Eu querendo realizar seus sonhos e você querendo me ver morta. -brinquei e ela mostrou a língua.
❣
Três semanas nunca passaram tão depressa, como aquelas últimas.
O show de Nathan seria naquela noite, o que estava deixando a agitação do nosso lar em seu nível máximo.
Leoné não deixou eu vender meu ingresso para uma das suas colegas de fandom e praticamente me decapitou ao ouvir o meu menor pensamento sobre isso.
Porém, ela estava se preocupando à toa. Apesar de não ser fã do cara, seria uma falta de educação não aparecer por lá nem que fosse por alguns minutos. Além disso, depois que ela me explicou todos aqueles termos ( M&G, VIP e Soundcheck) descobri que nem
se eu realmente quisesse vender o ingresso, eu poderia.
De alguma forma, nossos ingressos, por ter aqueles códigos especiais, eram pessoais e intransferíveis.
Como Nathan havia descoberto minhas informações pessoais, eu não sabia, mas tinha certeza que deveria ter o dedo de Leo no meio.
Não sendo suficiente a presença de uma fangirl no meu recanto, Camie perguntou se poderia se aprontar conosco. Ou melhor, com Leoné.
Justamente naquele dia, a livraria estava lotada e não parava de chegar mais clientes a cada instante. Então, eu não chegaria em casa a tempo do Soundcheck, passagem de som, que aconteceria naquela tarde.
Nathan, com quem eu não falava desde a última vez que o vi na livraria, atendeu o meu pedido de permitir pelo menos que a Camie fosse no meu lugar ao Soundcheck.
Ele atendeu prontamente, e me fez garantir que pelo menos no show eu apareceria.
Confirmei, não só porque ele pediu, mas porque eu seria morta dentro daquela quitinete horrorosa se deixasse Leoné sozinha no show.
Eu estava acabada fisicamente e psicologicamente naquela semana. Estava no último semestre da faculdade que por sinal estava tirando o meu couro e comprometendo o meu sono, a clientela da livraria resolveu aparecer toda de uma vez e ainda tinha o fato de que cada centímetro da minha casa durante toda a semana tocava uma música do Nathan.
Para não dizer que eu estou inventado, eu já sabia de cor cantar pelo menos 5 músicas de cada álbum do garoto.
Não poderia dizer que eram todas ruins, mas a maioria não faziam o meu estilo. Para o meu azar, geralmente essas eram as mais conhecidas.
O resultado de tudo isso foi chegar em casa, depois daquele dia exaustivo, suando como uma porca, com os cabelos oleosos que grudavam em cada parte do meu rosto, pescoço e busto, e encontrar meu apartamento virado do avesso literalmente.
Complementos:
·David estava sentado em cima de toda a bagunça assistindo calmamente à MINHA televisão
·O gato —aquele mesmo gato que roubou a água quente do MEU chuveiro e que eu não sabia o que estava fazendo ali ainda — encarava o babaca no MEU sofá com uma expressão nada agradável, miando furiosamente.
Agora ele tinha ganhado uns pontos comigo. Quem sabe ele não ganhava mais uns dias de estadia ali?
—Boa tarde, gracinha.— Revirei os olhos ao ouvir a voz do canalha.
Não respondi, apenas peguei sua cerveja long neck, suas sandálias surradas e o controle da televisão, e caminhei até a porta aberta deixando os dois primeiros itens na porta ao lado.
—Cai fora, David!— Eu disse antes de enfiar a mão no seu bolso e pegar a 5086ª chave reserva que ele havia feito do meu apartamento.
—Nossa, que agressividade. Gosto quando você está assim.— Ele segurou o meu queixo no caminho até a porta e eu fiz uma careta imediatamente mudando para uma cara amável.
—Sabe quando eu gosto de você, David?— Seus olhos brilharam de esperança. Que idiota! —Quando eu esqueço que te conheço. Agora. Cai. Fora!
Tirei sua mão de mim com um tapa e praticamente o joguei em cima de sua porta e bati a minha.
Pude ouvi-lo choramingar:
—Você me deixou excitado.— Quase vomitei.
—Você tem duas mãos, use uma delas.— Gritei de volta e me joguei no meio da bagunça.
Respirando fundo, pelo o que eu tinha quase certeza que era a primeira vez no dia, e com uma quentura felina nos meus pés, fui embalada pelo sono sem que me desse conta.
❣
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