Between Friends
9 Capitulo 9
POV On Isabelle
A semana estava bem agitada por sinal, apesar do Mateus ser da minha aula, já não ligava mais pra isso, não sentia mais nada por ele, apenas um vazio toda a vez que ouvia seu nome. Minha festa estava sendo organizada, estou bem animada, ja entreguei os convites, convidei pessoas do antigo colégio, pessoas que eu conhecia, e antes que me perguntem, não, Mateus não foi convidado.
Era exatamente na quinta feira, um dia antes da minha festa, a professora levava um livro, com poemas, de amor, amizade, ódio, chegou minha vez de abrir e ir na frente da classe pra ler, abri em uma pagina avulsa, passei os olhos e vi que esse era o poema perfeito pro momento:
Não chores mais o erro cometido;
Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;
O sol no eclipse é sol obscurecido;
Na flor também o inseto faz seu ninho;
Erram todos, eu mesmo errei já tanto,
Que te sobram razões de compensar
Com essas faltas minhas tudo quanto
Não terás tu somente a resgatar;
Os sentidos traíram-te, e meu senso
De parte adversa é mais teu defensor,
Se contra mim te excuso, e me convenço
Na batalha do ódio com o amor:
Vítima e cúmplice do criminoso,
Dou-me ao ladrão amado e amoroso.
— William Shakespeare.
Acabei e todos bateram palmas, porque era realmente um poema lindo.
Minha festa estava praticamente pronta, estava muito, extremamente ansiosa. Ja era noite, estava me arrumando. Celular vibrou. Era uma mensagem no Facebook, era o garoto misterioso, depois de semanas ele me chama.
~ fiquei sabendo que vai fazer uma festa ~
~ sim!! Vai ser hoje, daqui a pouco começa, queria saber quem é você, se você for, vou conhecer você? ~
~ talvez, obrigada pelo convite, quer mesmo me conhecer?~
~ claro ~
~ me encontra então do lado de fora dobrando o salão, ás 00:00 ~
~ será que devo confiar mesmo?~
~ ai é só indo para saber ~
A festa começou, meu vestido era vermelho, um vermelho lindão, ja falei que amo a cor vermelha? Minha maquiagem não era muito pesada e minha irmã tinha feito um penteado com somente a parte da frente presa e varios cachos. E assim, ja estava pronta.
Parecia festa de 15 anos, entrei com uma musica calma, ai tão lindo. Vi luisa, Julia, Carol, Lia, Eduardo, Carlos, Laura, Leandra, Felipe,várias.
E então.. A festa começou pra valer, a decoração era dourado com preto, me lembrou um pouco Oscar, mas não tinha um devido tema, era apenas dourado e preto. O pessoal dançava muito. Algumas ficavam sentadas, como Leandra e Laura, que ficavam fofocando sentadas.
— Oooi! — disse a elas por trás, imagino o susto que levaram.
— Isa! Parabéns! — as duas falaram, ri e abracei as duas.
— e os garotos? — perguntei
— ah, saíram pra sei la onde, mas estou de olho no Eduardo — Laura falou analisando o salão com um olhar meio desconfiado. Fiquei conversando com elas e convenci elas a dançar, Lia tinha simplesmente evaporado, não vejo ela faz horas. Meia noite chegou e como combinado, fui para fora, estava um ar bem friozinho, la dentro o ar estava bem quente, dobrei o salão e nada. Se ouvia o barulho da música, não tão alto, mas ainda se ouvia. Comecei a pensar sobre como ele era.
— Você veio. — ouvi uma voz, me virei, era Lucas. Oi?!
— Lucas? O que você ta fazendo aqui? — perguntei confusa.
— Vim ao teu encontro — ele disse
— v-você é o.. — não consegui terminar.
— Usui- ele riu.
— Por que? — falei de cara.
— O que..? — ele disse se apoiando na parede.
— Por que tanto mistério..? Por que eu..? — falei me apoiando junto mas logo me afastei, a parede estava extremamente fria.
— Que foi? Está com frio? — ele disse tirando seu casaco, me olhando com aqueles olhos verdes.. Tão.. Ai,nem sei mais.
— Não precisa.. Eu acho.. Acho que vou entrar. — me dirijo de volta ao portão mas minha mão é puxada
— Não vai.. — ele diz
— por que? É alguma coisa do Mateus isso tudo? Alguma sacanagem? Porque ate onde eu sei, vocês são muito amigos. — falei cruzando os braços.
— Não tem nada ver, quando comecei a falar com você, você não tinha nada com ele — ele disse
— Isa? Onde você ta? — ouvi uma voz, era Laura. Droga.
— tenho que voltar.. — falei olhando pra trás.
— tudo bem, só.. Não age estranha depois por favor. — ele disse.
— Não prometo nada. — falei, dei um sorriso e me retirei.
— Onde você tava? Faz horas que você disse " vou tomar um ar " e nada — Laura disse fazendo aspas nos dedos.
— ah... Tava meio zonza, precisava de mais ar do que eu imaginava. — falei suspirando.
— ta tudo bem? — ela perguntou.
— Não.. Quer dizer... Ta.. Na verdade, não sei.. Depois te explico melhor — falo puxando ela para dentro do salão. A hora tinha passado muito rápido, eram mais ou menos 2:30, ate que me dou de cara com Lia, avisando que iria embora, mas ja? Não me deu muita explicação, apenas saiu quase correndo para fora, ela parecia muito abalada.
A festa continuou, muita dança, acho que Lucas foi embora. Admito que bebi um pouco e quando eu bebo um pouco, fico levemente alterada, talvez demais do que devia. Carlos estava sozinho na mesa, mexia no celular.
— Como assim na minha festa tu fica ai sozinho em um canto, mexendo no celular?! — cheguei falando.
— Ah isa.. Não sei dançar e o Eduardo ta la, dançando com a Laura.
— Isso me parece ciúmes do teu amigo? — eu disse ainda de frente pra ele.
— Não tenho ciúmes dele, isso seria muito gay. — ele diz virando a cara.
— vem! — falo e puxo ele pra pista.
— Ah não, você não vai ficar parado ai igual a uma árvore! — peguei as mãos dele fazendo ele seguir o ritmo em que eu estava. Ficamos ali dançando por muito tempo, e rindo, nunca fui tão próxima dele, próxima ate demais.
— vou pegar uma bebida — falo e ele se afasta e concorda, saio e pego uma que eu já não reconhecia mais, era vermelha com aqueles canudos divertidos e fazem mim voltas. Como não era festa de 15, não teria vídeo da vida, valsa, nem nada do tipo, então foi uma festa comum. Eram basicamente 6:30 da manhã, eu estava morta, estava me despedindo de quem ainda estava la, minha tia e minha irmã ja tinham ido pra casa, era me virar e.. Me virar. Me sentei em uma mesa para descansar, estava tão cansada que dormi. Estranho que eu dormi em uma mesa dura e molhada e acordei em uma cama quente e fofinha. Olho em volta e eu estava na minha casa! Oi?! Me transportei? Olho em volta.. Não tinha ninguém..
Levanto, que puta dor de cabeça. Vou em direção a sala.
— Como vim parar aqui? — pergunto colocando a mão na cabeca.
— ah.. Um rapaz te trouxe, disse que te encontrou dormindo em uma das mesas — minha tia falou com tranquilidade. What?
— quem? — pergunto
— Ah.. Acho que o nome dele era Lucas. — Como ele apareceu la?
— ah.. Ok — falo e vou em direção a cozinha, bebo um copo grande de suco, verifico as mensagens e tinham várias, respondi algumas, outras não, voltei para cama e não queria nada mais a não ser dormir.
POV On Lia
Quinta-feira, colégio e aulas, com isso tudo passou rápido, e parecia que a cada hora que passava a Isa ficava mais ansiosa, que ela chegou a não conseguir ficar mais sentada na classe.
Olho para o relógio – 20h30min. — ,passei o dia inteiro estudando para as provas finais do semestre, que acabei me desligando do mundo, decido dar uma pausa e relaxar.
Eu acordo, abro os olhos e tento botar o cérebro para funcionar em meio aos bocejos, hoje é quinta... não... sexta-feira, OH NÃO! Hoje é o aniversario da Isa e isso quer disser Cabelereiro, maquiagem e festa.
Levanto e corro para o banheiro, enquanto a água esquenta eu leio as trilhões de mensagens que a Isa esta me mandando desde às 8h da manha, tiro a calça jeans que acabei dormindo no dia anterior, quando a finalmente arrumo a agua para uma temperatura, que fique entre congelada ou queimada, entro e tomo uma ducha do pescoço para baixo.
Minha maquiagem está feita e meu cabelo está completamente liso, o que deixa tudo com um ar mais chique. Chego em cima da hora em casa, me visto e desci o as escadas, minha mãe pede para que eu tire umas fotos – coisa de mãe – e meu irmão me ofereceu uma carona – estranho. – mas acabei aceitando.
Não conseguia acreditar no que via, era tão bonito, parecia a premiação Oscar todo o salão estava lindamente decorado, rosas ocupavam vasos que estavam distribuídos, algumas mesas estavam dispostas perto do bar onde lindos drinks estavam sendo feitos, e a Isa no centro de tudo isso em um lindo vestido vermelho e maquiada com perfeição enquanto conversava ansiosamente com sua tia, que tinha seu cabelo preso em um coque banana, lindos brincos de perolas combinado com seu colar e um vestido longo clássico em diversos tons de amarelo, as duas estavam lindas.
— Hey! – falo nervosa.
Nunca tinha visto a tia da Isa de longe, e hoje ela estava a menos de um passo de mim, seu rosto transbordava autoridade, mas com ternura.
—Oi! – Isa fala e salta em meu colo, me abraçando – Lia essa é minha tia Andreia – ela me apresenta.
— Oi. – dou um sorriso tímido.
Mas para a minha surpresa ela me puxa para um abraço, seu perfume era doce, mas não chegava a ser enjoativo, como de costume.
A festa começou a encher, e todos estavam dançando, as luzes coloridas percorriam o salão e às vezes até me deixavam tonta. Estava suando, todos pulavam e gritavam a letra da musica sem se importar.
— Vou pegar uma bebida – grito no ouvido da Isa.
— Ok – ela responde então eu me dirijo ao bar, escolho um drink laranja que vinha com um canudo torcido em forma de espiral e uma sombrinha. Bebia distraidamente, sentada em um dos bancos do bar.
—Oi! – o garoto que está sentado no banco meu lado fala, ah, por favor! que não seja mais um bêbado.
— Hum... – falo ainda distraída.
—Terra chamando – o garoto fala.
— Oi, desculpa — então eu me viro, não consigo saber qual é a cor dos seus olhos ou cabelo, estava muito escuro, mas consigo ver pelo seu rosto que é bonito, muito bonito para falar a verdade.
Ele ri.
Sua risada era gostosa, seu sorriso alinhado e branco e numa pequena brecha de luz vejo que no canto de sua boca tem um piercing, não sei como, mas estou impressionada por um garoto que provavelmente deve ser invenção da minha cabeça que já esta nadando em bebidas alcoólicas muito legais.
— Martin – ele se apresenta, estendendo a mão, quando penso em estender a mão para ele e me apresentar, luiza aparece, visivelmente bêbada.
— Hey L... – ela para quando percebe que Martin está ali – Ui quem é o gato? — ela pergunta alto o bastante para que ele ouça.
— Eu sou Martin – ele se apresenta para a Luiza enquanto a olha de cima para baixo. Luiza hoje especialmente esta usando um tubinho preto, que se puxado para cima mostra sua bunda gigante ou se puxado para baixo mostra seus seios estranhamente grandes também... Urgh, eu estou com ciúmes, desde quando eu tenho ciúmes da luiza? Desde quando ela se intromete na conversa minha com o garoto do sorriso lindo e piercing.
— Luiza – ela fala, enrolando uma mexa de seu cabelo no dedo.
— Então... Eu vou procurar a Isa – digo saindo, senti que aquilo não ia acabar de um jeito civilizado.
—Qua... – ele fala algo, mas é interrompido pela Luiza que chama a atenção.
Realmente gostei do garoto, mas ele é garoto né?! Não da para dar muita bola, pois todos tem aquele pequeno problema: não resistem a uma bunda ou um par de seios grandes.
Acabo sentando em uma mesa, onde Ângela esta, mas não ligo.
Meus olhos passeiam pela festa, mas quando avisto uma pessoa eu paro.
— Pedro...
— oi? – Ângela fala na minha frente e percebo que falei alto demais.
— nada- digo enquanto me levanto, caminho em direção de garoto de cabelos escuros que está de costas para mim, a pista de dança está lotada, mas preciso passar por ela para chegar onde eu quero. Meus braços empurram com certa delicadeza as pessoas, para que eu possa passar, enquanto algumas garotas olham para mim com raiva, devolvo o olhar e passo por elas.
Quando chego perto dele, eu paro, dizem que nessas situações seu coração para e você esquece de respirar, mas eu simplesmente parei, respirei fundo, tirei a Patrícia que metia sua língua dentro da boca do Pedro, virei para ficar frente à frente com ele, ele parecia bravo, mas não por muito tempo... Minha mão ardia, mas eu só conseguia olhar para a face do Pedro que exibia a linda marca vermelha dos meus cinco dedos.
Porque eu fiz isso? Realmente não sei porque eu fiz aquilo, mas pareceu que ainda tinha alguma esperança com o Pedro mesmo depois de toda a insegurança e de todas as merdas, eu ainda tinha esperança, como eu sou ingênua, como sou idiota, minha família tinha razão!
— MAS QUE MERDA LIA! — Pedro anda em minha direção, sua cara está agora totalmente vermelha e sua fúria no faz com que eu tenha medo, muito pelo contrário, faz com que eu a minha raiva aumente.
—QUEM TU PENSA QUE É? — ele segue gritando, então eu respiro fundo, e uso do o que sobrou do meu bom senso e falo:
—Eu... Eu... Como você pode? — passo a mão pelo meu cabelo tentando controlar minha raiva.
Ele ri.
— Lia você é tão ingênua — ele fala é minha cabeça vai explodir de raiva — você achou mesmo que eu gostava de você? que a gente ia namorar? — não consigo reagir às palavras dele — ahh você achou mesmo — ele fala com pena — mas.. As coisas...- são as únicas palavras que saem da minha boca, estou indignada.
— as coisas? Foi tudo fingimento Lia, você mesmo achava que eu ia querer alguma coisa com uma pirralha tipo tu? Eu queria dar o troco no seu irmão por umas coisas aí, e aí você apareceu, tão desesperada, tão tola... E depois que te peguei, a cara do seu irmão foi impagável, ele estava com tanta raiva, que eu tive que fazer de novo, mas como você já estava toda apaixon...
— CALA A BOCA — eu grito alto, e ele para de falar — CALA A BOCA PEDRO — eu grito novamente e saio correndo.
— Volta aqui sua vadiazinha — Pedro agarra o meu braço, mas quando eu me viro, Pedro está no chão, e meu irmão está em cima dele – de onde ele saio?- o socando repetidas vezes, não dando chance do Pedro se defender, gostaria de deixar que meu irmão batesse várias vezes nele, mas sei que se ele segui assim, ele vai ser preso.
— AUGUSTO PARA! — grito para que ele possa me ouvir, ele não para, a cara do Pedro está coberta de sangue, e que para a minha surpresa eu não sinto pena.
Alguns caras aparecem para separar a briga, e quando finalmente meu irmão sai de cima do Pedro, e ele passa a mão pelos meus ombros.
— Vamos sair daqui! — ele me acompanha até a saída, bato em várias pessoas, mas antes de chegarmos na saída, então lembro da Isa, OH MEU DEUS! Como eu pude me esquecer disso, falo pro meu irmão me esperar no carro por que iria me despedir da Isa.
Encontro Isa no bar pegando algo para beber, e nesse mesmo momento lembro do Martin, mas procurar foi em vão, era obvio que ele não estaria aqui.
—Isa – eu a chamo.
— LIA! – ela grita e posso ver que esta bêbada, quando ela chega mais perto carregando dois copos de drinks coloridos, eu falo:
— Isa eu vou ter que ir para casa
— Ah, não Lia... – Ela faz cara de triste e seu hálito era de álcool, só para confirmar minha suspeitas da bebedeira.
— Amanha eu te explico – eu falo e ela concorda com a cabeça.
Depois de vários abraços e beijos da Isa ela me solta e vou em direção a saída, entro no carro onde me irmão me espera impaciente, ele sai do estacionamento, mas antes de chegar em casa eu adormeço.
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