Between Friends

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Esperamos que gostem do capítulo e da nova capa :3

POV On Isabelle

Acordei na maior ressacada minha vida e to me perguntando por que porras Lucas me trouxe, afinal o que ele quer comigo?!
Olhei no relógio.. 9:30. Ah não... Vou dormir mais.
Quando acordo novamente, olho no relógio, são 15:00, quando levanto da cama — depois de um longo processo — uma dor de cabeça me atinge, só consigo ficar de pé pois consegui me apoiar em uma cadeira que estava por perto, ando até minha mesa do computador, onde os meus remédios estão, eu tomo alguns para dor de cabeça, pego o meu celular e desço para comer alguma coisa antes que eu vomite, por estar de estomago vazio.
Quando chego na sala — bagunçada como sempre — minha tia esta lavando a louça do que eu suponho que seja do almoço.
— Boa tarde ne — ela diz me olhando com cara de reprovação
— oi.. Ai que fome, o que tem pra comer? — pergunto me aproximando do fogão
— eu odeio quando tu faz essa pergunta — ela fala e revira os olhos.
— e então...? — pergunto novamente
— estrogonofe — ela diz abrindo a panela
Pego um prato e então me sirvo, aqueço e coloco uma enorme pilha de batata palha em cima do monte de estrogonofe.
— Credo — minha tia diz se afastando
Depois de comer me vejo obrigada a lavar a louça. Depois de lavar a louça, vou pro quarto, dou uma olhada no celular. Três mensagens. Um do Lucas e outras duas da Lia.
Ela estava diferente, diferentemente estranha e eu vou descobrir o que aconteceu, ah se vou.
Mando uma mensagem para a Lia dizendo que a gente tem que se encontrar, mas ela fala que vai no cinema, então eu acho que eu vou ter que ficar em casa comendo chocolate e engordando!
Desço as escadas e quando chego lá em casa minha irmã Camila está concentrada em um daqueles programas do h&h — aquele que tem depois irmãos muito gatos que fazem reforma! Ai! — Abro a geladeira e o meu pior pesadelo — TÁ VAZIA!
— Camila! não tem comida nessa casa??
— tinha... Até você comer todo o estrogonofe!
— Ui! Essa doeu! — eu rio e me sento ao lado dela no sofá.
— então você não vai me dizer porque você tá em casa em uma sexta feira de noite? — eu olho para ela.
— por que não posso ficar em casa em uma sexta feira à noite?- ela responde brava, o que tá acontecendo com todo mundo, tá todo mundo ficando louco, ou sou eu?!
Quando penso em responder alguém toca na campainha.
— a tia esqueceu as chaves?
— não... — ela franze a testa.
Antes de abrir a porta dou uma olhada pra a minha roupa e até que tá ótima, calça jeans e uma blusa de ficar em casa!
Abro a porta e...
— Lucas?!
— ah! — minha irmã se levanta num pulo — Isa, o Lucas ligou pra saber como tu tava e eu falei que ele podia vir aqui te fazer companhia, já eu vou te que sair... Por que é sexta feira à noite — ela dá ênfase a suas últimas palavras.
— mas você disse que ia.. — ela nem deixou eu terminar e colocou o dedo na minha boca
— shhhhh, fala nada, vou la me arrumaaaar — ela falou meio que cantarolando. Droga, sozinha.. Na minha casa, com o Lucas, ferrou.
— Bom.. Entra ai e fica a vontade, quer água? — ele sinaliza que não — suco?- ele nega — refrigerante?- nega mais uma vez, dou AQUELE sorriso sem graça
— você melhorou?- ele pergunta olhando as fotos da minha sala.
— Sim.. Obrigada, fiquei sabendo que você me trouxe, queria saber porque e como surgiu la no exato momento — falei me aproximando
— ah.. Queria falar com você, mas encontrei você praticamente desmaiada numa mesa com papeis de salgadinhos no cabelo — ele fala, lembrando da cena provavelmente. Fico roxa, azul, rosa, de vergonha.
— é você?- ele fala apontando para um retrato, com uma menina morena com um imenso sorriso no rosto e com uma mulher do lado.
— Sim.. Tinha.. 7 anos. — falei me aproximando e encostando a mão na tal mulher.
— quem é ela..? Sua mãe?- ele diz me olhando fixamente nos olhos.
— aham — falo
— Ela.. Faleceu?- ele perguntou na mesma posição
Eu ia responder, senti um aperto no coração me lembrando, mas minha irmã surgiu do alem na sala
— To pronta, Isabelle, tem miojo no armario, se sentirem fome ja sabem, avisa pra andreia que vou demorar, adioos — ela diz tão rápido que processar foi bem difícil
Fecho a porta e me dou de cara com um Lucas me olhando.
— Ha.. Sozinhos, que hilário ne?- ele arqueia a sobrancelha, dou uma risada
— então.. Ta com fome?- falo me aproximando da cozinha
— Um pouco — começamos a conversar sobre qualquer bobagem pra tirar aquele silencio infernal.
— Me ajuda ai, não sou boa cozinheira mas da pro gasto — começamos a misturar ingredientes, um monte de coisa, vai dar provavelmente uma dor na barriga de algum, e vai ser na minha obviamente.
Deixamos ferver, exatamente como se faz uma devida miojo. Logo estava pronta, nos servimos.
— Ficou forte pra caralho Isabelle! — Lucas reclamou fazendo cara feia
— Sobra mais pra mim então — falei fazendo cara de brava e pegando o prato dele.
— Devolve! — ele diz quase se jogando em mim.
— nunca! -Eu rio e levanto os braços na tentativa de deixar o prato mais longe dele, mas ele se estica por cima de mim tentando alcançá-lo, mas foi só quando ele passou o braço pela minha cintura me abraçando que eu senti que aquilo não ia dar certo... O programa da TV começou a tocar algumas musicas e então Sorry do Justin chegou aos meus ouvidos...
— EU AMO ESSA MUSICA! — eu quase grito tentando fugir daquela situação... Então começo a dançar e cantar a musica..
— IT IS TOO LATE TO SAY SORRY NOW?!
Ele me encara rindo, rindo muito, e logo minha sala vira uma pista de dança, meio sensual até..
Dancinhas, olhares, aquilo estava ficando quente, quente ate demais. Meu Deus, ta rolando um incêndio aqui.
Ele se aproxima de mim e a brincadeira fica maior, o clima também. Um barulho de vidro invade o ambiente e acaba com o clima.
— O prato.. Quebrou — falo pausamente com o susto que levei.
Ele se afasta, pego uma vassoura e começo a varrer, a musica ja tinha acabado ha muito tempo.
— Agora você vai lamber isso ai pra limpar — falo apontando pro chão imundo
— eu?- ele diz — você que derrubou.
— Você que reclamou da comida — ficamos por muito tempo, muito tempo mesmo discutindo sobre o fato de ter uma pilha de massa no meio da minha sala, resolvemos desistir e pedir uma pizza, enquanto isso ficamos vendo televisão.
A pizza chegou, era de filé com cheddar.
— Podíamos ver algum filme — ele disse, dando uma parada na pizza.
— Aham.. Alguma sugestão? — pergunto com a pizza ainda na boca
— Um de terror, aqueles que assustam bastante, quero te ver com medo — ele falou, com a esperança de que eu ficasse com medo ou coisa parecida
— Não tenho medo de filme de terror — falei me levantando para ver as opções
— que tal.. Poltergeist?- falei mostrando o filme
— Pode ser.. — ele disse com uma cara duvidosa.
O filme era realmente muito bom, assustava ate que muito, mas não me deixei levar e não dei gostinho de susto para ele.
— Impressão minha ou ouvi alguns gritinhos seus durante o filme? — ele disse com um sorriso debochado no rosto
— impressão sua — falei me virando e pegando os pratos e copos para lavar.
— deixa eu te ajudar — ele fala pegando os copos, acho melhor mesmo, senão mais coisas serão quebradas.
Comecei a lavar, ele se ofereceu mas deixei pra la, é melhor ele ficar um pouco distante senão vai dar merda.
— então Isa.. — ele falou, ouvi os passos se aproximando, por instinto me virei imediatamente. Ele ficou me olhando, peguei um guardanapo e sequei as mãos enquanto ele ainda me observava.
Ele colocou uma das mãos na minha cintura, segui seus movimentos lentamente, ele colocou sua outra mão livre no meu pescoço, me arrepiei de cima a baixo, iríamos nos beijar, meu Deus, estávamos quase lá...
— Isabelle, Camila!! — ouço minha tia chegando, nos separamos a pressas, ela apareceu na cozinha.
— Ah oi.. Amigo.. Da Isa.. — ela fala analisando a cena, eu estava encostada no armário e ele quase atirado no chão, aquela coisa de " agir naturalmente " não da muito certo com a gente.
— Oi tia, tudo bem? — ele diz se ajeitando.
— Tia..? — ela fala.
— ah esse é o Lucas! Ele apareceu aqui porque a Camila falou com ele e ela saiu com uns amigos e ficamos assistindo filme e tal.. — falei dando um sorrisinho.
— ah.. Tudo bem — ela diz analisando o ambiente e então ela sobe para o quarto.
— Acho melhor eu ja ir embora — Lucas diz se afastando da cozinha.
— Ah.. Tudo bem então, ja ta bem tarde mesmo — falei olhando o visor do celular, eram 1:30 da manhã.
Levei ele ate a porta.
— Não quer dormir aqui? Ta meio tarde pra você sair por ai sozinho a essa hora — falei olhando pro lado de fora.
— Não.. Vou ficar bem, moro umas quadras daqui — ele diz olhando pra minha boca
— Toma cuidado ta?- falo fazendo cara de preocupada, porque eu realmente estava preocupada.
— Vou tomar e uma coisa.. — ele fala voltando.
— O que..? — falei abrindo mais a porta. Ele me deu um pequeno beijo demorado, me analisou e saiu e eu fiquei ali.. Parada, com cara de idiota. Cai na realidade e fechei a porta, mas o sorriso bobo permaneceu.
Subi para o quarto, tomei um banho e resolvi dormir, bom.. Pelo menos tentei

POV On Lia

Eu acordei no sábado e o dia estava lindo, para a minha surpresa a minha cabeça não doía, mesmo com tudo que aconteceu ontem. Não sei dizer bem o que aconteceu ontem, mas para mim — tentar pelo menos — me livrar do Pedro de uma vez por todas só me fez bem.

Saio da cama e vou direto para o banho. Depois de a água estar em uma temperatura, entro, e a água morna desse pelo meu corpo levando todo o sono.

Eu me visto, decido usar esse dia maravilhoso para fazer algo bom, pego a minha bicicleta e saio de casa. A cidade esta calma e não tem muitos carros circulando nas ruas, passo por parques e vejo crianças brincando com seus animais e seus pais sentados aproveitando o sol.

Finalmente eu chego, o cinema, meu querido cinema, encaixo a bicicleta naqueles lugares específicos para bicicletas e entro, o cheiro de pipoca amanteigada invade os meus sentidos, os tons de vermelho e preto são a combinação mais perfeita que já se viu. Eu realmente amo o cinema.

— Um bilhete para “Orgulho e Preconceito” – eu peço a atendente. Especialmente nos sábados o cinema passa um filme clássico, hoje o meu filme favorito está passando, e até pode parecer muito clichê eu gostar de orgulho e preconceito, mas e um dos poucos romances que eu realmente gosto, prefiro filmes de ação e aventura, principalmente aqueles que envolvem carros e corridas, como “Need for Speed” e “Velozes e Furiosos” — o quinto ou o sétimo filme são os meus preferidos (saudades do Paul) -.

— 15 reais – ela fala com má vontade, mascando chiclete.

Entrego o dinheiro e ela me entrega o bilhete, compro as pipocas e sento no meu lugar, parece que eu sou a única sozinha, todos acompanhados de ficantes ou namorados – Urgh! Eu mereço... – e o filme começa.

Quando eu saio do cinema, meus olhos demoram para se acostumar com a claridade...

OH MEU DEUS!!! Não sei se posso chamar de deuses gregos ou anjos, mas ver dois caras correndo sem camisa me deu um troço na mente. Por um momento esqueci que estava pedalando, que estava no meio da rua e que...

Estou no chão. Minha bicicleta está jogada para um lado e eu estou com dor no meu joelho. Levanto e fico apoiada nos cotovelos e vejo que meu joelho esquerdo está coberto de sangue, mas dá pra ver que vou só superficial, alguns arranhões.

MAS QUE MERDA! Tem um garoto sentado no meio da rua com a mão perna, provavelmente foi nele que eu bati.

Levanto sentindo uma ardência no joelho.

— OH MEU DEUS! Você tá bem? — eu pergunto pro garoto que está levantando-se meio desajeitado, consigo ver seu rosto, AÍ NÃO! Ele é gato! Tipo demais, seus olhos são castanhos, seu cabelo é loiro e tem um piercing preto no labio.

— To bem... Eu só bati a coxa no pneu. — ele fala com a voz meio abatida pela dor.

— Desculpa! Desculpa! Desculpa! — eu suplico- eu sou uma retardada. Não consigo parar de olhar para ele, seu rosto, seus olhos, parece que tudo nele faz com que eu queira me jogar em seus braços e não sair nunca mais. Meu rosto fica vermelho, e eu riu com o nervosismo.

— Não... Tudo bem! — ele olha para o meu joelho ensanguentado – Quer ajuda para limpar isso?

Olho para o meu joelho e agora não parece mais só um aranhão, minha panturrilha esta coberta com gotas de sangue.

—Oh Meu Deus! Eu não tinha notado isso – Eu toco onde parecia esta machucado, mas foi só eu encostar a ponta do meu dedo para ardência e dor aparecerem – Não precisa! Minha casa não é muito longe daqui, consigo aguentar... – dou um sorriso sem mostrar os dentes.

Depois de pedir desculpa novamente, pego a minha bicicleta que agora está com um dos aros um pouco amassados — Meu pai vai me matar! — e vou pra casa.

Eu peço o um dia de descanso e agora eu quase passo por cima de um garoto muito lindo.

Abro a porta e me dou de cara com uma reunião de família, minha tia e meu tio estão sentados em poltronas, enquanto minha mãe está na cozinha preparando alguns aperitivos e meu pai está tentando arrumar a máquina de chope.

— Oi prima Lia! — essa voz, AÍ NÃO! Então ela aparece, minha prima Giovana, filha única dos meus tios, aí você já sabe, tem tudo que quer, nunca recebeu um não, e eu ainda acho que ela só passou de ano por que os pais dela (meus tios), tiveram uma conversa com a direção da escola, ela estuda ainda no meu colégio antigo. Hoje para uma reunião de família, ela estava usando um vestidinho boneca, mas ela não me engana com essa roupinha.

— LIA! O QUE ACONTECEU? — minha mãe sai correndo da cozinha.

— Ah... Eu estava voltando do cinema e esbarrei num cara e cai! — eu digo depois de cumprimentar meus tios.

— Carlos! — minha mãe grita para o meu pai — vai pegar umas ataduras para fazer um curativo no joelho dessa garota! – ela me guia até um banco da cozinha para que eu me sente.

Enquanto ela fazia os curativos, eu só pensava no garoto que eu acabei machucando – totalmente sem querer – que além de ser muito lindo, era educado. Queria ver ele de novo, mas não sei se aguentaria passar por essa vergonha, capaz de ele me mandar um documento para que eu tenha que ficar no mínimo uns 2 metros de distancia dele. Eu realmente acho que eu devia andar com uma plaquinha – Cuidado! Risco de morte – na cabeça.

Depois, do que pareceram anos meus tios finalmente decidiram ir embora e deixar a minha prima para dormir aqui! Eu não podia nem dizer não. Amo os meus tios e minha prima não dever ser muito fácil de lidar, por isso fiz o favor e dei um “dia de descanso” para eles! Se eu já estou achando que não vou sobreviver a uma noite, imagina conviver com ela todos os dias?!

— Giovana eu não tenho pijama – eu falo entrando no quarto – mas eu posso te emprestar uma camiseta para você dormir, se você quiser?

—Obvio que eu quero Lia! – ela fala, com aquele nariz quase encostando no teto– Como tu acha que eu vou dormir? — ela ri falsamente, enquanto senta na minha cama.

— Então Lia... O cara que você machucou era gato? — parecia que ela estava lendo os meus pensamentos.

—Oi¿ Obvio que não! – minto – nem deu pra ver o rosto dele – minto novamente.

—Hum... Que pena! – ela diz fazendo cara de triste – Achei que você tinha visto algo, por que enquanto tua mãe estava fazendo o seu curativo você parecia longe – ela dramatiza.

—Aqui esta a camiseta! –eu alcanço a camiseta, tentando mudar de assunto.

Depois eu arrumo o colchão no chão para que ela possa se deitar.

—Licença – eu peço para que ela, agora eu só preciso me atirar na cama e dormir, por que amanhã ela já vai embora.

—Você vai arrumar a cama para eu deitar? — O QUE? Ela fala imitando doçura – E que você sabe, eu tenho problema na coluna –MINTIROSA – eu penso, tenho vontade de jogar uma faca nela, minha raiva esta acumulada á muito tempo — e não posso dormir só no colchão!- ela termina de se fazer de coitada.

—Mas... – eu não sei o que dizer, estou indignada! Como ela pode ser tão falsa.

—Ah... Eu sei que não ia nem precisar, mas eu já até falei com a sua mãe e ela, obvio, deixou que eu dormisse na cama e ainda disse que você não se importaria.

Eu estou com vontade de sair gritando pela casa como ela é uma puta desgraçada e como eu a odeio, mas eu prefiro não arriscar levar mais uma bronca da minha mãe. Eu tenho que me controlar eu tenho 16 não 10 anos, devo agir como tal.

Deito no colchão e me cubro com os lençóis, então o rosto do garoto que eu quase tirei a perna aparece na minha mente.

Então... durmo.