Better Living Academy
16 The End
Notas iniciais
“- Como pôde fazer isso?!”
Não.
“- Por que fez isso?!”
Também não.
“- Por que me abandonou no meio de um corredor por um atleta idiota?”
NÃO.
- Aigoo – resmunguei, jogando o notebook na cama de qualquer jeito, desistindo de escrever. – Até minhas próprias palavras estão contra mim. Merda.
Joguei-me na cama ao lado do notebook, passando as mãos no rosto, mantendo-as ali.
- Park Jungsoo maldito. Onde está você quando eu preciso? Sabe que sou um péssimo escritor sem você – murmurei contra minhas mãos.
Já era 6:30h da manhã, como mostrava o relógio. Faltavam trinta minutos para a primeira aula.
- Álgebra não – murmurei manhoso, cobrindo-me por inteiro com o enorme edredom, encolhendo-me em posição fetal.
Fiquei a porcaria da madrugada inteira tentando escrever e não saiu nada que prestasse. O prazo para eu mostrar meu novo projeto à minha editora era hoje. A ideia, eu já tinha, mas tinha que ter pelo menos o primeiro capítulo pronto. Escrevi várias e várias vezes, mas tudo ficava ruim e eu apagava o arquivo, recomeçando.
Ou seja, eu estava morrendo de sono, mas sem poder dormir por causa dos litros de café que havia tomado; frustrado por ser um incompetente que deixava a vida pessoal interferir na profissional; irritado por ter que assistir a uma maldita aula de álgebra; e etc., etc., etc.
Ah, sim, claro. Sem contar o que eu estava fazendo com meu melhor amigo e com a pessoa que mais me amava nesse mundo.
- Aiiin, Kibum, eu te odeio. Você é um fodido. Literalmente. Por que eu tenho que ser você, seu puto? – resmunguei contra o edredom, secando as lágrimas que insistiam em cair. – Inferno, eu estou falando comigo mesmo como se eu fosse o vocativo. JÁ NÃO BASTA FODER COM A MENTE DOS OUTROS, AGORA EU TENHO QUE FICAR MALUCO TAMBÉM? SEU PUTO, PATÉTICO, MEDÍOCRE.
Peguei um travesseiro – coisa não quebrável mais próxima – e comecei a batê-lo na cama.
- E EU SEI QUE NÃO ESCREVO BEM. EU SOU UM PÉSSIMO ESCRITOR. COMO AS PESSOAS COMPRAM MEUS LIVROS? EU NÃO MEREÇO TODOS AQUELES PRÊMIOS. ATÉ CREPÚSCULO É MELHOR QUE AQUILO – continuei surtando enquanto chorava desesperadamente, jogando as minhas coisas pelo quarto.
Sim, eu estava em crise. Há muito tempo, eu tinha essas crises, mas eu estava sob muita pressão. Dupla culpa, frustração, responsabilidade, trabalho... Eu estava vivendo a vida adulta em um período adolescente. Isso me matava a cada ofensa a mim mesmo que eu proferia.
- AI! – ouvi um grito agudo vindo da porta do banheiro.
Larguei o notebook que estava prestes a jogar do outro lado do quarto em cima da cama e olhei o menino loiro, que mantinha a mão na cabeça com uma expressão de dor.
Ah, por favor, não vai dizer que eu havia jogado minha escova de madeira na cabeça dele de novo.
- Você jogou sua escova de madeira na minha cabeça de novo! – ele exclamou, ainda acariciando a região atingida.
Revirei os olhos e tratei de secar meu rosto.
- Inferno – murmurei baixo, mas, pela identificação que aquela peste tinha com o lugar mencionado, ele ouviu.
- Poxa, Key. Inferno digo eu. Tá doendo. E vai demorar um século para o galo passar. Se eu não tivesse franja... – ele começou a pegar as coisas que eu jogara no chão e colocá-las em seu devido lugar, enquanto eu apenas observava-o.
- Galo... Sei de alguém que ia querer te comer se ouvisse isso – suspirei e fui botar as coisas nos lugares certos; pfff, minha escova de cerdas vermelhas não poderia ficar ao lado da de rosas.
- O quê? – ele perguntou, sua expressão confusa.
- Nada – revirei os olhos.
- Hm... Por que estava jogando as coisas pelo quarto e gritando coisas sem sentido?
- Não importa – dei de ombros. – Por que ainda não foi para a aula. Você tem saído mais cedo esses dias...
- A-Ah... Você percebeu? – seu rosto ficou corado instantaneamente, o que me fez desconfiar de que ele não ia direto para a sala de aula.
- É claro. Coincidentemente, eu tenho acordado mais cedo também – lembrei-me das vezes que ele esbarrava no meu criado-mudo logo depois de sair de sua cama, derrubando meu hidratante da Etude; isso havia virado meu novo despertador.
- Err... Desculpe – ele desviou o rosto ainda corado e sentou-se em sua cama depois de terminar a me ajudar.
- Só se você me responder uma coisa – sentei-me na minha e desliguei o notebook, pondo-o em meu criado-mudo.
- O quê? – perguntou inocentemente enquanto eu me postava na posição de lótus, de frente para ele.
- Quem você anda encontrando antes de ir para a aula, hein, mocinho? – pus as mãos na cintura.
Seus olhos arregalaram-se e suas bochechas ficaram ainda mais coradas.
- Por que acha isso, Key? – perguntou, tentando não se entregar, mas o fato de desviar o olhar já dizia: “Sim, você está certo, Key”.
Quando eu não estava certo?
- Você acha que sou idiota, Taemin? De repente, você começa a levantar mais cedo, sendo que eu sei que você ama dormir, e até se lembra de pentear o cabelo — apontei para seu cabelo perfeitamente alinhado. – Anda, fala, quem é a vadia que você tá pegando?
- Eu não to pegando nenhuma vadia...
- Então quem é o puto?
- AISH, KEY, PARE DE SE PÔR NO LUGAR DA MINHA MÃE – ele exclamou, franzindo o cenho.
- Ela está aqui por acaso?
- Não...
- Então vou cuidar da sua virtude por ela – usei meu tom mais categórico, olhando-o com firmeza.
Eu nunca tive uma mãe ou qualquer outra pessoa que tivesse feito isso por mim, o que acabou acarretando no que sou hoje: um impuro sem virtude que acaba indo para a cama com qualquer atleta idiota ou qualquer maldito conquistador francês. Eu estremecia só de pensar nos fios loiros do francês e na pele morena do atleta. Não que eu só tivesse transado com os dois e Onew. Pelo contrário, metade do colégio interno só para garotos na França tinha provada da essência corporal de Kim Kibum. Não, eu não tinha orgulho disso. Por isso não queria que o pequeno e puro Taemin passasse por alguma situação parecida.
Puro, sei... Aposto que ele carrega mais perversão nessa cabecinha que eu, JongHyun, Onew e a metade do internato francês juntos, pensei.
- T-Tudo bem – ele respondeu ainda envergonhado.
- É o MinHo, não é? – perguntei mais suavemente.
- C-Como você sabe? – seus olhos arregalaram-se.
Sorri.
- Vocês estão sempre juntos. E dá para ver o jeito que se olham e o modo como se portam quando estão juntos. Se ele cruza as pernas, você, inconscientemente, cruza, e vice-versa. Na psicologia, isso só significa uma coisa, Taemin: muito afeto.
À medida que eu falava, ele parecia encolher-se no lugar onde estava, como se aquilo comprimisse seu corpo.
- Você gosta dele, né, Taemin? Gosta muito, não é? – perguntei com o tom mais doce possível para que ele visse que podia confiar em mim.
Seus olhos estavam grudados em seus pés, que balançavam freneticamente, o que denunciava seu nervosismo. Sua ple encontrava-se em um belo tom rubro e seus ombros ainda estavam comprimidos.
- S-Sim – ele respondeu em um tom quase inaudível.
Sorri. Era seu primeiro amor e ele parecia uma menininha do fundamental.
Sentei-me ao seu lado e envolvi seus pequenos ombros com meu braço direito.
- Está com medo – era uma afirmação, não uma pergunta.
Ele balançou a cabeça positivamente.
- Do que exatamente.
- Não sei... Acho que tenho medo de não dar certo... – seu lábios formaram um beicinho muito fofo.
- Ah, Taemin, se isso está te incomodando, imagina se você estivesse na minha pele – ri gravemente. – Olha, você deveria falar com ele e resolver logo isso.
- M-Mas, Key... Nós nos tornamos amigos. Acho que isso dificulta as coisas. Acho que agora eu tenho mais vergonha – ele levantou seu rosto com a insegurança dominando sua expressão.
Levantei e postei-me à sua frente, pondo as mãos na cintura novamente.
- Kim Taemin...
- É Lee...
- Tanto faz – dei de ombros. – Você vai falar com ele. E vai ser hoje.
- O QUÊ? – seus olhos arregalaram-se novamente.
Olhei para o relógio.
- Faltam quinze minutos. Não vai dar tempo de falar com ele, mas você pode resolver isso no fim das aulas. Vem – peguei seu braço e puxei-o até a cadeira em frente à minha penteadeira. – Lembra-se de quando nos conhecemos?
- Sim – ele riu. – Você falou mal das minhas roupas, jogou uma escova na minha cabeça e me maquiou.
- É. Agora só falta falar mal das suas roupas, que, aliás... – olhei para a blusa branca e simples e os jeans surrados que ele usava. – Estão péssimas, como de costume. Pff, você não vai se declarar para o MinHo desse jeito. Não estando sob os cuidados de Kim Kibum.
Ele riu enquanto eu passava uma base para deixar sua pele mais uniforme do que já era.
Depois de maquiá-lo, escolhi umas roupas mais antigas minhas, pois ele era mais magro que eu.
Segurei seus ombros e levei-o ao espelho comprido na porta do meu armário.
Sorri, satisfeito. Ele estava lindo e MinHo não resistiria. Só podia ser uma obra minha, claro.
- Gostou das roupas, Taeminnie? – perguntei, olhando-o pelo espelho.
- Sim, muito! Confesso que nunca pensei em usar uma calça skinny. Mas eu gostei – ele sorriu-me.
- Suas pernas ficam legais com skinny. E, apesar da blusa azul ser simples, o colete preto combinando com a calça dá um estilo. Bem casual e não foge muito do seu próprio estilo. E é toda sua.
- T-Toda minha?
- Exatamente. Pode ficar com essas roupas. Eu tenho muitas outras.
- Ah, Key...
- Não estou pedindo. É uma ordem.
- O-Ok... E você sabe o que está fazendo, né – ele riu, pegando sua mochila ao lado de sua cama, pondo-a nas costas.
- Ah, meu bem, depois de tanto tempo na França, você acaba aprendendo algumas coisas – peguei a minha também sem nem me dar ao trabalho de pegar algum livro; não ia conseguir prestar atenção em nada mesmo.
- França? Você já esteve na França? – ele perguntou-me, surpreso.
- França, Itália, Alemanha, Grécia... Quase na Europa inteira.
- Wow! E você sabe falar francês? – sua admiração era até cômica.
- Sim. E consigo me safar em italiano e alemão. E algumas frases aleatórias em outras línguas.
- Nossa...
Eu ria das perguntas que ele fazia. Queria saber sobre tudo! Era um interesse tão genuíno. Parecia uma criança. Mas logo tivemos que nos separar. Ele foi rumo à sala do primeiro ano e eu para a do segundo. Junto com MinHo e... JongHyun.
Suspirei ao adentrar a sala, pensando em todos aqueles dias que passar longe do moreno de pele macia. As aulas não eram mais tão interessantes, as trocas de sala não eram mais tão divertidas, as tardes de sábado em meu quarto também não... Sim, eu sentia falta de Kim JongHyun. Mas o que eu estava fazendo com Onew ele não era justo. Nem comigo mesmo.
- Oi, Key – uma fina e melodiosa voz proferiu.
- Oi – respondi automaticamente enquanto passava pela porta.
Então, JongHyun estava...
...
...
...
Pera.
Uma.
Garota.
Falou.
Comigo?
Não, não. Ela não falou. Ela usou aquela voz que as vadias fazem quando querem dar. (Não me perguntem como eu sei como é a voz de vadia que quer dar). Mas... Ela falou “Key”? Ela estava usando a voz de vadia no cio comigo? Comigo? Kim Kibum? KEY?? ELA QUERIA DAR PARA KIM KIBUM?
KIM.
KIBUM.
É.
GAY.
E ELE SEMPRE DEIXOU ISSO BEM CLARO. Ou pelo menos pensou que havia deixado bem claro...
Porra. Terceira pessoa de novo, Kibum?
Virei a cabeça para encará-la. Seu sorriso ao encontrar meu olhar me tirou o fôlego. Por ser muito bonito e eu ter me sentido atraído? CLARO QUE NÃO. COMO ELA ESTAVA USANDO AQUELE BRINCO? ELE ERA EXCLUSIVO DE UMA COLEÇÃO DE NOVA IORQUE. EU NÃO ACREDITO QUE AQUELA VADIA TINHA CONSEGUIDO. O VENDEDOR ME ENGANOU. DISSE QUE ERA SÓ PARA MIM. VOU PROCESSÁ-LOS.
Mas... Parece que ela entendeu errado o interesse que eu tinha em seu rosto. Aproximou-se de mim, pondo aquelas patas sujas em meu braço. Quase me esquivei, mas eu era uma pessoa extremamente educada.
- Por que não senta conosco hoje, Key? Você sempre senta lá atrás – ela sorriu novamente, apontando para as amiguinhas peitudas falsas na lateral da grande sala.
Elas riam e acenavam, mostrando seus melhores sorrisos.
Desviei o olhar delas para a menina, ou melhor, para a orelha da menina. Ai, que vontade de arrancar aquela coisa até rasgar aquele lóbulo maldito... Sim, eu já estava em um ponto da falta de paciência no qual eu queria ver sangue.
- Não hoje. Eu odeio álgebra – disse seco sem nem ao menos tentar ser simpático.
Mas ela não parecia se abalar...
- Sério? Minha média está muito boa. Posso te dar algumas aulas, se quiser – ela sorriu. – Juro que não peço nada em troca.
Sei o que você quer me dar...
- Querida, eu disse que odeio álgebra, não que eu não estou bem na matéria – sorri forçadamente, tirando meu braço do contato com suas mãos. – Com licença, que eu tenho que garantir meu lugar lá atrás.
Vir-me-ei e andei do modo mais gay possível. Eu acreditava não agir como essas bichinhas purpurinadas que têm por aí, porém aquela situação era uma emergência. Era isso ou gritar para o mundo – ou somente na cara das vadias – que eu era GAY, somente GAY e nada mais. Não bi, não simpatizante, GAY.
Joguei minha mochila na última cadeira do lado oposto ao do grupinho da menina que eu nem ao menos sabia o nome. Aliás, eu não sabia o nome de nenhuma garota ali.
Sentei-me, começando a pegar cadernos e jogando-os com um pouco de força demais sobre a mesa da carteira. Nem sabia por que, não ia usar mesmo.
Alguém que estava dormindo à minha frente levantou a cabeça, provavelmente por ter sido acordado pelo barulho das minhas coisas batendo no tampo da cadeira.
- Bom dia, Key – ele esfregou os olhos.
- MinHo? O que está fazendo aqui atrás? – levantei uma sobrancelha. – Ah, bom dia.
- Eu não dormi ontem à noite – ele sorriu, apoiando a cabeça na mão e o cotovelo na mesa.
- Acho que hoje você vai ter uma surpresa muito boa – sorri.
- Estou precisando. Ultimamente tenho estudado tanto. Mas hoje vou dormir nessa aula. É só revisão para os testes, então... – deu de ombros.
- Pois é... – meus olhos escaparam pela sala já apinhada de alunos, procurando por um em particular.
- JongHyun está ali do outro lado. Atrás da Sunny – disse MinHo.
Meu olhar foi imediatamente à posição a qual ele apontara. Ele estava sentado, apoiando a cabeça nas costas da menina loira que deveria ser a tal Sunny , a qual acariciava seus fios bicolores desbotados.
Aqueles simples toques apenas me lembravam de todos as vezes nas quais eu ajudei-o a pintar aquele maldito cabelo para uma vadia vir e ficar pondo as mãozinhas de unhas postiças do camelô em cima.
Balancei a cabeça negativamente, desaprovando a minha atitude de me importar tanto com aquilo, e desviei os olhos para a página em branco em cima de minha carteira.
- Complicado, não? – MinHo perguntou.
- Sim...
- Está sendo complicado para Onew também. Talvez até mais – levantou uma sobrancelha, como se me cobrasse o que fazer nessa situação.
Desviei os olhos de sua reprovação para a folha novamente. A minha própria autorreprovação já pesava quilos sobre minha cabeça. Junto com a de MinHo e minha própria culpa, faziam-me praticamente afundar de cara naquela folha em branco. Talvez fosse um lugar mais agradável do que na vida real... Quem dera ser um personagem de livros.
O professor entrou na sala e todos se sentaram e fizeram silêncio, prestando atenção na aula, e MinHo, ainda com aquele olhar, virou-se para frente e pôs a cabeça sobre os braços, preparando-se para dormir.
Também assumi a posição de MinHo, mas é claro que eu não conseguiria mergulhar na inconsciência. A face de Onew sorrindo, já tão rara, assolava-me a mente e me impedia de relaxar. Eu nunca tivera a intenção de magoar Onew. Na verdade, eu...
Suspirei. Eu não admitiria isso para mim nunca. Não era capaz. Com toda aquela situação com meus pais e o loiro maldito francês, aprendi a suprir meus sentimentos. Fechei-me de tal forma a dissipar qualquer vestígio de amor e essas coisas. Nunca pude confiar em alguém para amar. Porque, em minha cabeça, o amor vinha com a confiança, sempre juntos. E eu sempre me achei forte por isso, por não cair nessas situações idiotas. Mas era exatamente o contrário. Eu era o mais fraco por sentir e não querer admitir.
Afinal... Eu confiava demais em Onew.
~*~
- Jong... – segurei seu braço antes que ele saísse da sala.
Ele virou-se, ligeiramente surpreso.
- Eu queria conversar com você. Importa-se de matar a próxima aula? – tirei a mão hesitantemente de seu braço, olhando-o o mais humildemente possível; não era fácil...
- É gramática... Você gosta muito. É tão importante assim? – ele perguntou, levantando uma sobrancelha.
- Sim, é muito importante – PORRA, ERA GRAMÁTICA; COMO EU NÃO ME LEMBREI DISSO? AIIIN, ERA REVISÃO E MINHA OPORTUNIDADE DE MOSTRAR QUE ERA MELHOR QUE TODO MUNDO.
- Hoje é revisão e sua oportunidade de mostrar que é melhor que todo mundo – ele riu. – Tem certeza?
Minha pose humilde ruiu completamente.
- Aish, seu maldito. Você não sabe o dilema pelo qual eu tô passando agora. Dá para vir logo antes que eu me arrependa? – dei um tapa em seu braço e cruzei os braços.
- Ok, ok – ele riu e revirou os olhos. – Eu imagino. E mato sim, mas só pelo seu esforço em ser uma pessoa simpática.
- Eu sou simpático com quem merece. Anda, vem comigo – puxei seu braço para fora da sala.
Nem sabia para onde iria, apenas fui levando-o por algum caminho aleatório, olhando para os lados para ver se tinha alguém.
JongHyun pigarreou ao entrarmos no lugar escolhido por mim.
- O que você pretende me trazendo aqui, Key? – ele perguntou, cruzando os braços e olhando-me com uma expressão divertida.
Olhei ao redor. E eis que o meu subconsciente me prega uma peça.
Estávamos na piscina coberta do colégio.
AISH.
- Bom... Eu quero terminar isso aonde começou – eu disse, fingindo que tinha escolhido aquele lugar cientemente.
- Como assim? – ele mexeu-se, desconfortável com minhas palavras.
- Olha, Jong, eu te considero muito. Você é um amigo muito importante e... Talvez você não queira mais olhar na minha cara, mas eu gostaria que não mais passássemos desse limite. Eu juro que estou sendo completamente sincero. E, se eu te magoei de alguma forma, eu aproveito agora para me desculpar. Eu realmente ficaria feliz se você não jogasse no lixo todo esse tempo que nós convivemos... Como amigos – frisei a palavra final.
E agora o caráter de JongHyun estava sendo testado. Se ele realmente fosse meu amigo, ele aceitaria numa boa. Se ele me visse apenas como uma puta que ele costumava comer nos fins de semana... Bom, eu saberia lidar com isso. Não teria sido a primeira vez que alguém me trataria assim.
Ele suspirou e desviou os olhos.
- Bom, Key... Eu agradeço sua sinceridade. E fico feliz por você me considerar mais que um objeto sexual ou algo do tipo – ele riu e voltou a ficar sério logo depois. – E, tudo bem... Acho que isso será melhor para nós dois. Quer dizer... Nós três.
Olhei-o e ele me olhava, sorrindo de uma forma totalmente serena. E pela primeira vez eu pude confiar na amizade de alguém. Ele tanto não me via como um qualquer, como também tinha o medo de que eu também o visse de tal maneira.
Retribuí o sorriso, percebendo que grande homem era Kim JongHyun.
Sim, nós três ficaríamos bem agora.
Notas finais
P.S.: Eu prefiro o final como está... Espero que gostem também. E espero não ter que mudar nada até lá...
(Ou seja, espero ainda estar viva até lá '-')
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