Better Living Academy
15 Sunny Words
Notas iniciais
Seus lábios encontravam sua pele com certa intimidade. Suas mãos o tocavam com possessão. Seus olhos se encaravam como se compartilhassem um segredo do qual apenas os dois tinham conhecimento. Seus lábios curvavam-se em um sorriso que expressava não apenas desejo; sentimento.
Eu nunca havia visto esse sorriso de Key. E me incomodava o fato de esse fato incomodar-me tão intensamente.
Além desse tipo de incômodo, senti-me... Traído? Mas por quê? Eu e Key não tínhamos nada além de uma relativamente longa lista de transas.
Meu coração se apertava pela pressão esmagadora das mãos cruéis e irracionais do ciúme. Mas por quê? Eu não prometera não mais sentir isso?
Ri internamente. Quantas promessas relacionadas a mim já não haviam sido quebradas?
Reprimi todo aquele misto de sentimentos quando seus olhos tocaram os meus. Surpresa e culpa eram o que eles estampavam. Mas por quê? Que culparia poderia ele ter nesta situação? O culpado era eu por não envolver-me imparcialmente com ele. O culpado era eu por não me privar destes sentimentos. O culpado era eu por um dia acreditar que uma pessoa como ele, tão independente, fosse sentir por mim algo além de desejo.
Mas e eu? O que eu sentia por ele? Não poderia exigir dele algo que eu mesmo não tinha em mim. Afinal, amor... É uma palavra que expressão algo muito forte, algo que eu não sei se poderei sentir de novo. Tinha noção de que o mais próximo que eu poderia chegar perto desse sentimento era graças a Key. Mas... Tinham grandes possibilidades de eu não sentir. E esse era um dos motivos de minha amargura.
Não mais aguentava seu olhar prendendo-me a si. Virei as costas e caminhei para longe dali e daquela cena.
Não mais aguentava seu ser prendendo meu coração a si. Mas disso eu não teria redenção tão cedo.
~*~
Chegando ao quarto e já me sentindo relativamente melhor, percebi a porta entreaberta.
Revirei os olhos. O idiota do Siwon sempre saía e esquecia-se de fechá-la.
Abri a grande e ornamentada porta de linho, encontrando uma cena... Inusitada.
- Sunny? – perguntei, vendo-a sentada em minha cama com um caderno que me era levemente familiar em frente ao rosto, o que impediu-a de me ver entrar no quarto.
Olhou-me surpresa, fechando o caderno rapidamente, o que fez algumas folhas de seu interior cair.
- N-Não, JongHyun; não precisa... – ela falou, seu tom diminuindo aos poucos, pois os papeis já encontravam-se em minha mão esquerda, já que a direita estava engessada.
Reconhecia aquela caligrafia disforme e torta, assim como as palavras e sentimentos ali dispostos.
- Como encontrou isso? – perguntei aflito.
- Na sua gaveta trancada à chave... Olha, desculpa por ler... Mas é que eu vim aqui com meu irmão ele me disse que sempre teve curiosidade de saber p que tinha ali dentro e até sabia onde estava a chave, mas ele não queria trair sua confiança – ela disse nervosa, mordendo o lábio inferior e franzindo o cenho.
- Seu irmão? – perguntei desnorteado.
- Siwon.
- Mas ele é “Choi” e você é “Lee” – levantei uma sobrancelha.
- O que importa é que a culpada sou eu. Ele nem sabe que ainda estou aqui – ela levantou-se com o caderno ainda em mãos. – JongHyun, você me desculpa?
Levantei também, segurando os papeis. Eu não estava com raiva nem vergonha do que estava escrito, por incrível que parecesse. Odiava que mexessem em minhas coisas sem minha permissão.
Subi os olhos para seu rosto apreensivo e percebi ali o motivo para não ter sentido o que eu deveria. Ninguém sentiria algo ruim frente a uma criatura tão bonita.
- Tudo bem... Você... Leu tudo? – perguntei com a vergonha invadindo-me lentamente.
Ela sorriu.
- Sim. E devo dizer que todos os poemas, textos, poesias, letras de músicas estão muito bons. Parabéns – seus braços estenderam-se, oferecendo-me o caderno.
Peguei-o e meus olhos caíram ali por algum tempo. Lembrei-me de tudo o que senti ao escrever tudo aquilo, todas aquelas linhas. Eram quatro anos de tristeza que eu depositei naquele caderno. Tudo de ruim que eu sentia era recolhido por essas folhas acolhedoras. Eu não chorava para escrever. As lágrimas davam lugar a palavras carregadas de sentimentos. Mas tudo pareceu voltar a mim e, misturando isso a esses sentimentos dos quais eu houvera provado nestes últimos minutos, uma lágrima solitária rolou por meu rosto, sendo protamente amparada por um toque incrivelmente gentil.
- Parecem ter sido feitos com muita sinceridade... – disse sua voz doce enquanto abaixava a mão timidamente e segurava a minha. – Por que não me conta o que houve?
Subi os olhos para os seus novamente. Eles eram doces e gentis, bem diferentes dos da primeira vez em que eu a vi. E, por algum motivo dos infernos, senti que poderia confiar nela. E também precisava livrar-me de tudo que há quatro longos anos me afligia.
~*~
- Com apenas doze anos, você correu de bicicleta sem a permissão de seus pais até a casa dela quando ela se mudou e encontrou-a se agarrando com outro? – perguntou Sunny com uma expressão de nojo e descrença.
- E me perguntou se eu realmente achava que ela me amava tanto a ponto de se segurar – suspirei.
- Vadia – revirou os olhos delineados. – Ela não merecia o seu amor, nem seu sofrimento. Muito menos esse caderno.
- Eu sei... Mas eu a amava tanto, que durante os anos que se seguiram, não pude sequer gostar de alguém dessa forma. Até que... – interrompi-me, lembrando-me da primeira vez em que vira Key na Better Living Academy.
- Até que apareceu Kim Kibum – ela completou, ajeitando-se na cama de modo a apoiar os cotovelos nas coxas e a cabeça nas mãos.
Olhei para seu rosto e seus olhos estavam banhados de interesse.
- Sim...
- Ah, que lindo! – ela exclamou, fechando as mãos em punho nas bochechas grandes e sorrindo bobamente com os olhos brilhantes. – Vocês formam um casal lindo!!
Olhei-a assustado.
- Mas o que... ? – perguntei. – Você parece uma fujoshi.
- E EU SOOOOU! YAOI É A COISA MAIS LINDA DO UNIVERSO – ela começou a pular, parando abruptamente. – E como você conhece esse termo?
- Eu leio muito mangá... E minha irmã mais velha costumava me obrigar a ver alguns yaois com ela quando eu tinha dez anos.
- SÉRIO? ENTÃO DEU CERTO! – ela disse, apertando minhas bochechas. – Vocês já transaram?
Não pude evitar rir, embora sua curiosidade exagerada me assustasse um pouco. Minha irmã era exatamente assim.
- Algumas vezes.
- Aposto que você é o seme – ela cruzou os braços, convicta.
- O quê?
- O ativo!
- Ah, sim, sim, eu sou – revirei os olhos.
- É, o Kibum parece uma garota. Além de estar na cara que ele é gay.
- Sim... Mas como você soube que tínhamos alguma coisa.
- Bitch, please. Eu sou fujoshi, meu amor. Sei quando um homem é gay ou joga nas duas. É tipo um sexto sentido. E do jeito que você olhava para o Key, tava bem fácil de perceber – revirou os olhos e jogou os cabelos curtos e loiros.
Ri de novo.
- Mas você parece meio tristonho com relação a isso... Aconteceu alguma coisa? Tem algum outro bofe estragando o amor de vocês? – pôs as mãos na cintura.
- Como... Como você sabe? – perguntei incrédulo.
- EU SABIA! QUEM É? QUEM É? NINGUÉM SEPARA JONGKEY – ela disse, sacudindo meus ombros.
- JongKey? – perguntei, afastando-me de sua empolgação.
- É o nome do ship de vocês. É lindo, não é? Já escrevi tantas fanfics de vocês – fez aquela cara de fangirl novamente.
- F-Fanfics?
- Sim. Enfim, quem é o bofe? Onew?
- Sim. Como... ?
- Eles também são shippáveis... – sua expressão era pensativa. – E o que vai fazer para proteger teu homem?
- E-Eu não sei. Eu nem sei se realmente o amo... Talvez seja apenas uma paixão – dei de ombros.
- Tem certeza? JongKey é um nome tão bonito... – ela me olhava, compreensiva.
- Sim. Acho que de fato gosto dele, mas talvez amor seja muito forte. Eu tenho ciúmes dele, mas isso não significa muita coisa. Não me sinto bem pelo fato de ele ter ficado com o Onew, mas... – suspirei. – Não sei de mais nada, Sun.
Senti seus braços me envolvendo e seu cheiro de bala me invadindo. Abracei sua cintura fina.
- De qualquer forma, JongHyun, só lute pelo que você tem certeza de que vale a pena – beijou-me o rosto, o qual enterrei-o em seu pescoço e fios loiros.
Só pelo que vale a pena... Mas o que vale a pena?
EXTRA – MinHo’s POV
Para alguém com uma resistência física limitada, essa primeira semana de treinos foi cansativa. Voltar a essa rotina de dança me trazia lembranças agradáveis, mas, com elas, vinham outras das quais eu gostaria de esquecer para sempre.
Eu poderia me sair melhor não fossem minha falta de empolgação e minha trava para dançar. E, assim, percebi melhor o quão traumática havia sido minha saída da dança. Ou melhor, os motivos que me fizeram desistir da mesma.
Todos iam muito bem, principalmente Taemin, como o esperado. Seus movimentos eram mais sucintos, traspassando melhor o que eles queriam expressar. E, além de tudo, sua entrega e dedicação eram visivelmente maiores, pois não se importava de dançar, mesmo naquelas condições.
JongHyun tirara o gesso e dava o máximo de si, mais para se mostrar do que qualquer outra coisa. Se mostrar diante de mim, Key e Onew.
O clima entre os três era pesado e soube o porquê ao ouvir de Jinki o que acontecera. Ele estava arrasado, mas tentava não demonstrar isso, como sempre. Porém era perceptível que seu olhar não mais se detinha em Key, o que mostrava que ele realmente não estava bem.
Por outro lado, apesar do clima, Kibum agia normalmente, como se nada houvesse acontecido. Apenas evitava falar com JongHyun e Onew. Esforçava-se na coreografia e ia muito bem, mas parecia sempre irritado com alguma coisa. Isso também não estava fora do habitual.
Os únicos comentários e conversas nos breves intervalos dos ensaios pertenciam a mim e Taemin. Havíamos nos aproximado e tornáramos verdadeiros amigos. De vez em quando, ambos pegávamos olhares do outro sobre si. Mas apenas fingíamos que nada havia acontecido, o que me deixava aflito. Não aguentaria mais essa situação, não com ele tão perto, tão sob meu alcance. Afinal, o que eu sentia por ele aumentava a cada nova palavra trocada, a cada novo sorriso compartilhado. Mas eu não podia. Por algum motivo, eu tinha medo. Eu sabia que talvez ele sentisse o mesmo por mim, mas, ainda assim, eu tinha medo. Acho que podia ser pelo fato de eu ter me fechado dentro de mim mesmo após o que acontecera em minha infância. Tinha medo de me entregar assim para alguém, de oferecer meus sentimentos em uma bandeja. Mas eu precisava passar por cima de mim mesmo para alcançar a felicidade de estar ao lado de Lee Taemin.
Seria difícil... Afinal, era 1,81m de altura.
Notas finais
PS.: Desculpem pelo título horrível!
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