Better Living Academy
3 Líder
Notas iniciais
Linhas curvas... Linhas retas... Tecidos leves... Tecidos grossos... Muitas eram as facetas das mulheres. Havia as que preferiam cabelos ondulados; havia as que preferiam cabelos lisos. Havia as que preferiam decotes; havia as que preferiam gola alta. Havia as maqueadas; havia as que preferiam sua pele nua e longe de produtos químicos muito exagerados. Havia meninas que gostavam de ser meninas; havia as meninas que queriam ser meninos. E, além de tudo isso, havia Kim Kibum.
Do mesmo modo, havia os meninos. Havia os que preferiam cabelos; havia os que preferiam a falta deles. Havia os que escolhiam blusas de manga comprida; havia os que escolhiam as de manga curta. Havia os que preferiam o controle de um game; havia os que preferiam os seios de uma mulher. Havia os que cuidavam de sua aparência; havia os que nem se dariam conta da existência de um pente se não vissem sua namorada o usando. E, além de tudo isso, havia Kim Kibum.
Eu tinha o hábito de definir as pessoas por seus atos, costumes, manias... Enfim, gostava de observá-las e dizer como elas eram e por que. Isso, tanto esteticamente quanto comportamentalmente. Não exatamente julgá-las por uma roupa ou algo assim. Apenas analisá-las. Por mais que elas digam não ser, eram extremamente decifráveis. Por exemplo: cabelo curto em uma menina pode ser um sinal de rebeldia, o que pode arremeter a problemas em casa; fashionismo, sendo possível perceber um apreço pelas tendências e materialismo; ou pode ser simplesmente praticidade. Nem era necessário pensar muito, era apenas seguir a lógica e acrescentar a isso uma análise dedutiva, não precisando ser minuciosa.
E, por isso, Kim Kibum me intrigava. Sempre quando ele passava com suas roupas alegres, mas não exageradas, pelos meninos, não se encaixava. Quando passava pelas meninas, também não parecia fazer parte da mesma cena. Ele era mais expressivo. Ele era mais bonito. Ele chamava a atenção como um diamante reluzente*. E isso me fascinava tanto quanto me excitava. Por ele ser imprevisível, eu o admirava. Além de ser belo, como Apolo não fora.
Ele andava calmamente pelo campus, o vento batendo em sua franja loira, onde estava todo o seu cabelo, pois, mesmo eu não podendo ver, sabia que seu outro lado era raspado**. Seu rosto possuia traços delicados, nunca mostrando seus verdadeiros sentimentos. De vez em quando, ele parava, simplesmente, para observar o movimento das folhas das árvores ou sentindo a brisa encostar levemente em sua pele macia. E, enquanto andava, parecia sempre estar pensando em alguma coisa, planejando alguma coisa. Seu olhar era determinado e feroz, como um felino arisco que faria qualquer coisa para chegar onde quer. Isso me excitava mais e me fazia querer esse felino em minha cama...
Interrompendo meus pensamentos nem um pouco decentes, vi um livro voando. Puxa, um gato selvagem ambulante e livros voadores. Essa escola não estava nada mal. O livro descreveu sua trajetória até a cabeça de um menino, que parecia ser uma menininha do fundamental. Tive que pensar por um segundo antes de fazer alguma coisa.
Ajudei o menino(a) e ele me perguntou onde era a biblioteca. Levantei uma sobrancelha, mas respondi. Ele agradeceu com um sorriso e seguiu seu caminho.
Que inocência... Será que ele vai durar aqui?, perguntei-me mentalmente.
- Acho que ele não vai durar muito aqui. Ou em qualquer lugar do mundo. Acho que sabe quem ele é como vice-presidente do Conselho Estudantil, não é, Jinki? — disse aquela voz, respondendo aos meus pensamentos.
- Sim, é Lee Taemin. O bolsista — virei em direção ao meu interlocutor. — "Jinki"? O que houve, "Kibum"?
Ele sorriu, cínico.
- Eu sei que você não gosta quando eu te chamo assim. Onew.
Key estava, em toda a sua glória, encostado na árvore na qual, outrora, Taemin estava sentado. Seu sorriso era metido como sempre, mas seus olhos traziam toda a intimidade que havíamos adquirido durante o verão.
- Olha que eu posso mudar de ideia e espalhar seu segredinho por aí — eu sorri, enquanto ele andava até mim.
- Você não seria capaz disso. Sabe que se arrependeria depois — ele disse, caminhando ao meu lado.
- É, eu sei que não seria capaz — sentei-me no mesmo banco onde antes meus olhos deliciavam-se com a imagem de Key.
Não seria capaz por ter um fraco por Key e não queria ver seu planejamento dar errado. Mas a ideia de vê-lo furioso era tentadora.
- Está gostando do que vê? — ele perguntou, seu tom irritado e irônico.
ele havia se sentado ao meu lado e, sem nem perceber, eu o estava encarando. O que posso fazer? Era uma imagem que me agradava. E muito.
- Sim — eu disse, sincero.
Ele bufou e revirou os olhos enquanto se acomodava no banco.
- Seu pervertido — seu tom era irritado, mas dava para perceber o leve sorriso em seus lindos lábios, embora ele o quisesse esconder.
Eu ri, porém parei assim que o vi correndo em nossa direção. JongHyun, o atleta, amigo (até demais) de Key.
- E aí, Kibum? — perguntou JongHyun, sorrindo. — Olá, Jinki.
Sorri levemente em resposta, diferente de Key, que abriu um grande sorriso. Ele nem se importava o Bling Bling lhe chamava pelo nome real.
- Olá, Jong. Como foram suas férias? — Key perguntou, animado.
- Grande parte dela, você sabe, não é? — JongHyun riu. E Key riu junto com ele.
Desliguei-me da conversa deles e, sem perceber, já estava acompanhando com o olhar um saco plástico que estava perambulando suavemente, sendo levado pelo vento.
Havia os meninos legais e os meninos babacas. E, entre os dois, estava Kim JongHyun. Afinal, ele era um babaca. Mas eu não tinha argumentos para comprovar isso. Maldito ciúme.
Notas finais
** É o cabelo dele em "Lucifer". Sei que não é totalmente raspado, e sim pintado de loiro, mas eu preferiria que fosse então botei assim.
Então, gente? É um capítulo mais teórico e conceitual, por isso não ficou tão bom quanto poderia. Acho que esse não é meu tipo de escrita =/ Mas acho que foi suficiente para passar o Onew que eu quero representar. É um menino inteligente, que possui um olhar artístico bastante apurado. Pode não parecer, mas ele não é pervertido como o Key disse. Apenas com o Key, por quem ele tem um fascínio por não conseguir definí-lo em seus paradigmas. Jurei para mim mesma que não faria um bad Onew. Achei ele bem interessante, e vocês?
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