Better Living Academy
4 As teias do Maknae
Notas iniciais
Inocência.
Isso era algo que não era possível de se encontrar em em meus olhos, mesmo que eles fossem grandes. Infelizmente, alguém a havia tirado de mim quando eu ainda era uma criança. Atualmente, só o que restava em meu olhar era... Nada. Mas não era como se esse nada houvesse estado sempre ali. Ele havia se instalado no lugar como um parasita. Este parasita se alimentava de tudo o que fora deixado em minha alma há anos atrás: a dor, o ódio, a vontade absurda de vingança... E, apesar desse nada ainda estar em meus olhos, tudo aquilo não se encontrava mais em mim, pois se esgotou ao servir de alimento para o parasita. Agora, o nada apenas refletia o que havia em minha alma.
Eu não acreditava que a inocência ou a ingenuidade existiam. Eram apenas conceitos feitos para explicar o que era expresso nos atos de uma criança. Mas, cedo ou tarde, essa criança perderia isso, naturalmente ou de forma forçada, como foi o meu caso.
Então... Como eu poderia definir aquele brilho nos olhos de Lee Taemin?
- MinHo, já terminou o banho? Temos que ir para o Conselho — uma voz masculina falou detrás da porta.
- Já estou indo, Onew — respondi, desviando os olhos do espelho e indo me secar.
***
- Então, vocês devem prestar mais atenção nos novatos e guiá-los, não somente pela escola, mas pelo código de conduta. Analisem a relação deles com os veteranos, principalmente neste primeiro dia. Era apenas isso que eu queria frisar. Obrigado, podem sair — assim terminei a a reunião do Conselho Estudantil pouco antes no início da Cerimônia de Abertura. Não toquei no assunto do festival de esportes, pois nem queria pensar sobre.
- E aí, presidente? Como foram as férias? Você não quis me contar mais cedo — Onew perguntou, sorrindo, andando ao meu lado.
Ajeitei meus óculos.
- Não há nada para contar. Não fiz nada demais — dei de ombros.
- Ah, ainda não acredito que você não faça nada em prol do seu lazer... E tocar instrumentos não conta. Isso só te faz ser mais enquadrado na imagem de aluno perfeito.
Suspirei. Eu realmente ia falar "toquei instrumentos".
- Olha, vai ter uma "reunião" hoje de noite na casa do JongHyun, do segundo ano, sua sala. É perto daqui. Apenas uma comemoração de iníco de ano — sorriu Onew, expressando um falso entusiasmo.
- Você só está dizendo isso porque quer me ver dar um deslize e escapar, mesmo que momentaneamente, da minha "imagem de aluno perfeito", que você insiste que tenho. Nem quer ir de verdade. Além disso, Key vai estar lá e duvido que você queira vê-lo babando nos músculos daquele cara. E não acho que eu seria bem-vindo — falei enquanto nos encaminhávamos ao nosso quarto.
- Você é o único que eu não consigo manipular... Mas, por que não seria bem-vindo? — eu sabia que esse detalhe não passaria despercebido aos sentidos apurados de Onew.
Peguei minha mochila, que não continha mais que um caderno, um estojo e coisas básicas — era apenas o primeiro dia; não haveria matéria — e olhei para o castanho.
- Tivemos um pequeno desentendimento.
Onew levantou uma sobrancelha.
- Como assim?
Fui até a mesa de cabeceira ao lado de minha cama e peguei dois papeis em sua gaveta. Olhei para ele.
- Pegue sua mochila e vamos. Ainda temos o discurso de boas-vindas — entreguei um dos papeis em sua mão.
Sem falar nada, ele me seguiu.
***
Logo após a Cerimônia, Onew apareceu ao meu lado, acompanhando meu ritmo.
- E aí? O que houve entre você e JongHyun? — perguntou ele.
- Por que você quer saber? — eu sorri levemente enquanto andava entre os alunos no grande auditório. Eu sabia que tudo com relação ao Key lhe interessava, por isso ele queria saber. Além de ele não gostar de JongHyun, justamente por Key.
- Você sabe, seu idiota — Onew olhou-me com cara de paisagem.
Eu sorri e desviei o olhar para a multidão, encontrando um par de olhos familiares. Meu sorriso se esvaiu quando percebi quem era. Ao contrário de mim, seus lábios ergueram-se lindamente em um largo sorriso inocente, o que era algo irritantemente belo e intrigante para alguém com os valores como os meus. Ele vei em minha direção e parou à nossa frente.
- MinHo! Quem bom te ver! Você estava muito bem lá em cima — ele estava radiante enquanto eu ganhava um leve tom de vermelho.
- Obrigado — ajeitei os óculos, embora, eu percebera, não houvesse necessidade.
- E você também, Lee Jinki, não é? Foi você quem me ajudou quando aquele livro bateu na minha cabeça — ele riu de suas próprias palavras.
Onew também.
- Pois é. Pode me chamar de Onew — ele estendeu a mão.
- Lee Taemin — o loiro apertou-a.
- Aliás, o que você fez com aquele livro? — perguntou Onew.
- Eu o deixei na biblioteca. Não havia identificação, apenas um cartão de entrega da biblioteca. Não havia ninguém lá quando fui, então deixei para passar depois para ver o dono com a atendente — disse Taemin, fazendo uma expressão desapontada com a boca.
Então ele era o novato atingido pelo livro. Parando para pensar, era mesmo ele. Mas por que uma pessoa tentaria ajudar alguém que atirou um livro na cabeça dele? Qual era a lógica disso? Se isso não era inocência, altruísmo, o que era?!
- MinHo? Está tudo bem? — perguntou o menino um pouco corado. Eu, sem querer, o estava encarando tentando achar respostas nos olhos dele.
- D-Desculpe — desviei rapidamente o olhar, focando em uma parede atrás de nós.
Onew, com certeza tinha notado que havia algo errado comigo. Isso explicaria o sorriso em seus lábios. Uma anormalidade em mim era tudo o que ele queria depois do Key.
- Bom, é melhor eu ir agora. Tenho algumas coisas do Conselho para resolver. Até logo — disse Onew, afastando-se e olhando-me de forma estranha.
- Até! — disse Taemin, animado. — MinHo, você poderia me levar à minha sala?
- Ah, claro. Tudo bem — respondi sem nem ao menos pensar antes, o que era estranho.
Fomos andando em direção ao corredor. O silênicio pairava ao nosso redor depois que entramos nele, pois os outros ainda estava no salão. Eu queria arranjar um assunto que durasse. Mas apenas o que me restava era olhar de soslaio para ele. Não sabia por que eu estava fazendo aquilo. Só sabia que meus olhos queriam banhar-se na beleza daquele menino ao meu lado. Desde quando eu achava um homem bonito? Desde agora. Mas isso não importava. Era tarde demais para continuar me torturando e rejeitando a atração que eu sentia por seu jeito, que parecia tão natural. Eu já estava completamente envolvido e preso nas teias de Lee Taemin.
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